É HOJE! 39 cidades do Brasil e Caracas na Venezuela aderem à Bicicletada Nacional

  • Aracaju (SE): Concentração a partir das 19h30, Mirante da Treze de Julho;
    https://www.facebook.com/events/189511917819107/
  • Balneário de Camboriú (SC): concentração na Praça Tamandaré – Saída às 20h
  • Belém (PA): Concentração a partir das 18h no Centro Arquitetônico de Nazaré – CAN. Saída às 19h30;
  • Belo Horizonte (MG): 19h, Praça da Estação;
  • Brasília (DF): 19h, Praça das Bicicletas (Museu Nacional);
    http://www.facebook.com/events/263072160435461/
  • Campinas (SP): 19h, Praça Arautos da Paz – Lagoa do Taquaral
  • Campo Grande (MS): 18h, Praça do Ciclista (rotatória da Avenida Duque de Caxias com a Afonso Pena); http://www.facebook.com/events/282569125145597/
  • Cascavel (PR) 18h30/19h se reunir em frente à Catedral para fazer uma panfletagem e apitasso;
  • Caxias do Sul (RS): 19h, em frente à Prefeitura Municipal; http://www.facebook.com/events/371954129490520/
  • Cuiabá (MT): 20h, Praça 8 De Abril (em frente do Choppão); https://www.facebook.com/events/255342117881035/
  • Curitiba (PR): 19h, Pátio da Reitoria (UFPR) Amintas de Barros (entre Dr. Faivre e Gen. Carneiro); https://www.facebook.com/events/188615161246812/
  • Florianópolis (SC): 19h, Skate Park Trindade (em frente ao Iguatemi);
    https://www.facebook.com/events/125659387560391/
  • Fortaleza (CE) : Concentração 19h , Ponte Metalica
  • Gramado (RS): 19h, Praça Major Nicoletti;
  • Itajaí (SC): concentração na Av. Sete de Setembro, 1089 – Saída às 20h
  • João Monlevade (MG): 19h, Praça do Povo
  • João Pessoa (PB): 19h, Busto de Tamandaré (Praia do Cabo Branco, final da Av. Epitácio  Pessoa) https://www.facebook.com/events/123970004397594/
  • Jundiaí (SP): Embaixo do pontilhão na Av. 9 de Julho;
  • Laranjeiras do Sul (PR): 19h, em Frente ao Lodi – Casa do Ciclista;
  • Londrina (PR): 19h, ponte da Av. Higienópolis (lago 2);
  • Maceió (AL): 20h, Corredor Vera Arruda;
  • Manaus (AM): 19h30, Parque dos Bilhares (lado da Constantino Nery);
  • Maringá (PR): 19h, Praça da Catedral;
  • Natal (RN): 19h, Calçadão do Midway (Av. Salgado Filho);
  • Palmas (TO): Concentração às 19:30hs – Parque Ecológico CESAMAR.
  • Parnamirim (RN): 19h30, Posto BR (Aguinelo), Cohabinal
  • Pelotas (RS): 20h, em frente ao teatro 7 de Abril
  • Ponta Grossa (PR): 19h30, no Parque Ambiental http://www.facebook.com/events/309611795760654
  • Porto Alegre (RS): 19h, Largo Zumbi dos Palmares (EPATUR);
  • Porto Velho (RO): 20h, Rua Joaquim Araujo de Lima (Abunã), 2263,
  • Recife (PE): 19h, Praça do Derby https://www.facebook.com/events/325505750831153/
  • Rio de Janeiro (RJ): 18h30, na Cinelândia (em frente ao Cine Odeon)
    http://www.facebook.com/events/288811831192660/
  • Salvador (BA): 19h, Largo da Mariquita;
  • Santa Maria (RS): Concentração a partir das 18h15, Largo da Gare;
  • Santo André (ABC – SP): 19h, Praça do Ciclista – Av. Perimetral
    http://www.facebook.com/groups/217308051626659/
  • São Luís (MA): 19h, Praça do Rodão (Cohab);
  • São Paulo (SP): 19h, pça do ciclista (av. Paulista X rua da Consoloção);
  • Timbó (SC): 19h, em frente ao marco zero do Velotour (em frente do restaurante Thapyoka);
  • Vitória (ES): 19h, na Praça dos Namorados até a Praia de Camburi.
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44 respostas para É HOJE! 39 cidades do Brasil e Caracas na Venezuela aderem à Bicicletada Nacional

  1. Rodrigues disse:

    Contribuição crítica.
    Embora sem expectativas de ter alguma atenção, gostaria de deixar, por descargo de consciência, alguns questionamentos.

    1 – No trânsito, motoristas de veículos pesados e de carros leves, motoqueiros e pedestres agem muitas vezes de forma imprudente e egoísta, por impaciência ou para levar alguma vantagem na situação, prevalecendo-se de sua condição (as vezes por ser mais forte e poder “botar por cima”, as vezes por ser o mais fraco e saber que o outro vai acabar cedendo para evitar um acidente), enfim, é um meio onde se enxerga muito do comportamento anti-ético da nossa sociedade de modo geral. Nesse contexto, queremos contribuir para um maior senso de cidadania e interesse coletivo, de gentileza de respeito ao outro, ou queremos fomentar uma idéia de “nós contra eles”? Queremos, no trânsito, como na vida, disputar espaços de forma egoísta ou corporativa, ou causar o mínimo de incômodo aos outros?

    2 – A bicicleta é um meio de transporte que não polui, é ao mesmo tempo lazer e exercício físico, e ainda não tem custo de locomoção. Contudo, as rodovias em geral são projetadas para veículos a motor e é para equacionar o fluxo destes e dos pedestres que é planejada a malha viária, que são definidos os locais e tempos dos semáforos e toda a sinalização de trânsito, etc. São poucas as ciclovias e em geral sem formar caminhos que possibilitem deslocamentos longos. Mas é óbvio que é melhor e mais seguro andar de bicicletas em faixas exclusivas do que numa avenida com fluxo intenso, paradas de ônibus, e ainda, em alguns trechos, carros estacionados, o que impossibilita o ciclista de andar junto ao meio fio da calçada. Sendo assim, é lógico que os ciclistas tenham como reivindicação, além do respeito por parte dos motoristas de modo geral, a ampliação de ciclovias e ciclofaixas, inclusive para que mais pessoas se sintam seguras para optar pelo uso da bicicleta como meio de transporte.

    3 – Se o intuito é andar de bicicleta por lazer (ou “celebração” de um grupo, culto religioso, ou qualquer coisa do tipo), não seria também lógica a opção por vias menos movimentadas, áreas de parques e as ciclovias existentes, em vez dos ambientes de asfalto, concreto e poluição das grandes avenidas, e ainda em horários de tráfego intenso?

    4 – Seja para passear, ou para deslocar-se entre sua residência e o itinerário do passeio, e sobretudo para usar-se a bicicleta como meio de transporte no dia-dia, é inveitável que ciclistas compartilhem as rodovias com automóveis e veículos maiores. Nesse caso, se o ciclista quer ter o direito de transitar como qualquer outro veículo, ele também tem o dever de respeitar as regras de trânsito, o que inclui, por exemplo, os semáforos, as faixas de segurança de pedestres, as vias preferenciais, e alguns princípios básicos de educação no trânsito como:

    a) “Nunca trancar o cruzamento”.
    Não temos o direito de prejudicar o deslocamento dos outros quando estes têm a preferência. É uma questão civilidade, de não transformar o trânsito numa guerra entre egoístas.

    b) “Dar preferência a quem está mais rápido”.
    É preciso ter paciência no trânsito, mas não é preciso causar incômodos propositalmente. Especialmente se a velocidade do veículo é segura e está dentro dos limites legais definidos para a rodovia, é injustificável a atitude de obrigá-lo a reduzir quando pode-se usar a pista da direita e dar passagem.

    c) “Veículos lentos trafegar pela direita”.
    Se o veículo irá trafegar sempre mais lentamente do que a maioria dos outros, deve manter-se na pista da direita. Um grupo de ciclistas, por exemplo, ocupando todas as pistas de uma avenida, sendo sabedores de que há um contingente de automóveis sendo freados por eles, estão, na prática, agindo de forma egoísta e exercendo o mesquinho poder de atrapalhar gratuitamente a vida alheia, prevalecendo-se da condição da condição de “massa”, e de estar na frente. Pra que fazer questão usar todas as pistas?? Isso em nada se confunde com um engarrafamento, por exemplo, pois, nesse caso, o problema é a quantidade de veículos, trafegando na mesma rodovia, no mesmo horário, mas ninguém está propositalmente trancando ninguém, pelo contrário, o que todos querem é sair daquela situação o quanto antes. A analogia mais precisa com a situação citada, obviamente não seria de um congestionamento, e sim, de outros veículos lentos ocupando propositalmente todas as pistas, como, por exemplo, três tratores que, ao invés de andarem pela direita, resolvem andar lado a lado, simplesmente para trancar o trânsito, prevalecendo-se de sua condição de estar na frente dos demais. Não temos o direito de julgar e ter pretensão de controlar a pressa alheia. Mesmo porque, mesmo uma situação aparentemente supérflua de uma pessoa trafegando sozinha em seu carro particular, por exemplo, pode ser reflexo de um dia extremamente corrido, sendo a locomoção no próprio carro a melhor forma encontrada pela pessoa para sair de seu local de trabalho, passar em mais algum outro lugar que tenha precisado e ir, e ainda tendo que buscar os filhos na escola, e depois ir para sua casa em outra região da cidade. Sem contar que, além de carros particulares, existem pessoas cansadas, voltando de suas jornadas de trabalho, mal acomodadas em ônibus lotados.

    • airesbecker disse:

      Rodrigues tu estás bem disposto a discutir estas questões, há uma discussão bem extensa aqui neste forum:
      http://www.pedal.com.br/forum/massa-critica-quem-apoia_topic43747_post704272.html#704272
      Lê lá que já tem muitos argumentos contra e a favor acho que vais gostar da controvérsia.
      Tem estes posts aqui também:
      https://vadebici.wordpress.com/2012/01/11/4o-oficio-ao-mp/

      e este:
      https://vadebici.wordpress.com/2012/01/05/com-que-legitimidade-se-interrompe-o-transito/

    • Melissa disse:

      Oi Rodrigues! O intuito dessa Bicicletada não foi o lazer, mas sim protestar contra a violência no trânsito. Vi que você botou várias observações de como o ciclista deve se comportar, entendi isso como uma crítica à Bicicletada. Tudo que você falou é válido para o ciclista que está em uma situação comum, em seu deslocamento diário. Só que a Bicicletada é uma manifestação. As manifestações populares são constitucionais, um direito das pessoas, só que no Brasil elas ainda são marginalizadas (herança do Regime Militar, a meu ver). Sendo que estamos em uma grande manifestação, temos o direito de ocupar toda a via e continuar passando pela sinaleira caso ela tenha fechado no meio da passagem da massa de pessoas. É fácil entender, imagine se estivéssemos todos a pé protestando contra outro problema social, teríamos o mesmo direito. E por que será que as carreatas políticas não são vistas com tantos maus-olhos? Elas também interferem (até muito mais, pois carros ocupam grandes espaços para geralmente uma só pessoa) na vida do cidadão que está fazendo um deslocamento cotidiano. Existe algo errado, não?

      Recomendo esse artigo sobre esse assunto:
      http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2012/03/03/a-ciclista-morreu-na-contramao-atrapalhando-o-trafego/

      • Rodrigues disse:

        Em primeiro lugar, é importante que tenham sido utilizados os termos “bicicleata” e “manifestação”. No site http://massacriticapoa.wordpress.com/ está escrito o seguinte: “A Massa Crítica é uma celebração da bicicleta como meio de transporte … acontece quando dezenas, centenas ou milhares de ciclistas se reúnem para ocupar seu espaço nas ruas e criar um contraponto aos meios mais estabelecidos de transporte urbano”. Além disso, há poucas semanas foi noticiada nos jornais de Porto Alegre uma recusa por parte do movimento “Massa Crítica” em avisar a EPTC de seus rotineiros “protestos contra a violência no trânsito”, como deve fazer toda a organização de qualquer manifestação para que as autoridades responsáveis possam se precaver visando à segurança (inclusive dos manifestantes) e o mínimo de incômodo possível aos demais munícipes. Está nos jornais que a alegação para recusa do aviso era serem “apenas” ciclistas andando de bicicleta, ou seja, passeando (já que não estão indo para o trabalho, para suas casas, no supermercado, no cinema, ou qualquer outro destino que configuraria o uso da bicicleta como meio de locomoção). De fato, os últimos “protestos contra a violência no trânsito” ocorreram com escolta da EPTC, o que pode indicar ter havido uma revisão da postura anterior. Se foi o caso, parabéns, é difícil uma massa ter autocrítica.

        Respeitando o direito constitucional de manifestação, não vamos aqui discutir a finalidade de tantos “protestos contra a violência no trânsito” (é claro que alguns, após o atropelamento de ciclistas em POA, seriam mais do que justificados e apoiados majoritariamente pela sociedade). Mas ocorrem esses “protestos” quase que semanalmente, e parecem ser bem pouco ou nada propositivos, haja vista que só se ouve gritos de louvor à bicicleta e contra os carros. A “forma” de protesto é conhecida e se traduz em várias bicicletas espalhando-se por todas as pistas de avenidas movimentadas e assim trancando o trânsito de veículos a motor (inclusive ônibus lotados), normalmente às sextas-feiras, mas também em outros dias, no horário em que muitos ainda estão voltando do trabalho. Mas em termos de “conteúdo”, quais são as propostas dessas manifestações para diminuir a violência no trânsito?

        De qualquer modo, independente de qual seja a manifestação, o seu direito garantido na Constituição não implica necessariamente em tomar conta de todas as pistas da via, certo? Para o bem coletivo, a polícia e as autoridades de trânsito devem sempre procurar manter as manifestações em uma única pista, o que até que observa-se em algumas passeatas de professores da rede pública estadual e da Via Campesina, bem como em muitas carreatas eleitorais, por exemplo. É claro que isso é praticamente inviável para uma passeata de 100 mil pessoas, mas, SE EXISTE APOSSIBILIDADE DE ATRAPALHAR MENOS OS OUTROS, POR QUE FAZER QUESTÃO DE ATRAPALHAR MAIS??? A manutenção da manifestação em uma pista deveria ser de interesse dos próprios manifestantes, tanto por razões éticas (sim, o tal “pensar no outro”, tão raro no trânsito e na vida em geral), quanto com vistas à aceitação de sua própria causa pelo restante da sociedade. Mas, claro, o sentimento de massa tende a fechar-se em si mesmo e gerar um prevalecimento com relação aos demais. Isso é só mais um reflexo do mesmo individualismo e falta de alteridade que atestamos também diariamente no trânsito. Realmente, existe algo errado.

      • Melissa disse:

        Rodrigues, estou reparando que você está bastante preocupado sobre a manifestação “atrapalhar menos os outros”. Qual é a sua sugestão para a MC, por exemplo? Na última que teve em Porto Alegre foram cerca de 2000 pessoas. Você acha que fazer todas essas pessoas ocuparem metade da pista ao invés dela inteira vai ajudar quem está de carro? Imagina o comprimento que a MC iria ficar! A espera nos cruzamentos para ela passar seria muito maior (lembrando que esperar as manifestações passarem pelo cruzamento é um dever do motorista).

      • airesbecker disse:

        Sr. Rodrigues o Sr. leu os textos que lhe indiquei acima?
        Provavelmente sim já que o Sr. é bem interessado.

        Acontece que o tráfego de automóveis deve ser bloqueado pois está contra a Lei.
        Tanto o Plano Diretor de Porto Alegre PDDUA – LC434 , quanto o Plano Cicloviário LC 626, quanto a nova Lei Federal da Mobilidade Urbana 12.587/12, determinam a prioridade do desenvolvimento viário para o modal não motorizado, no caso a bicicleta, e a implantação de ciclovias ou ciclofaixas em Porto Alegre se deu em uma REDE CICLOVIÁRIA, rede esta que foi criada e constituída pelo Artigo 26 da LC 626/09 e nos é roubada diariamente, invadida pelos carros que o Sr. defende.
        Portanto estes carros que o Sr. defende estão contra a Lei andando sobre o nosso espaço cicloviário.
        Os carros que saiam das nossas vias que nos sairemos da frente deles.

      • airesbecker disse:

        Rodrigues, desculpa o tom da minha última resposta.
        Lhe indiquei alguns textos que acredito que o Sr. leu, pois já está razoavelmente informado e tem curiosidade.
        Portanto me disponha a responder especialmente seus questionamentos principais:
        – as propostas dessas manifestações para diminuir a violência no trânsito?
        Rodrigues não há essencialmente violência no trânsito, ou em princípio não deveria haver, as pessoas não saem ou não deveriam sair de casa para brigar no trânsito, as pessoas em geral não saem para agredir ou para serem agredidas, o que há no trânsito em verdade são os carros, estas máquinas que não foram feitas para a cidade e não cabem na cidade pois a cidade também não foi feita para os carros, os carros possuem tamanho, peso, velocidade e potência adequados para enfrentar uma viagem longa em uma estrada ampla, mas para as cidades são inadequados e inseguros, os carros são meios que transformam inocentes em assassinos, pessoas que jamais de outra forma matariam alguem, pelos carros, inadvertidamente podem a qualquer momento se tornar assassinos, os carros matam crianças na porta das escolas, matam idosos nas faixas de segurança. E sobretudo os carros e suas vias inadequadas para as cidades prejudicam a qualidade de vida, tomando o espaço urbano comum que seria de convivência e confraternização, causando ruído e poluição.
        Veja este filme:

  2. Rodrigues disse:

    Em primeiro lugar, acho importante que, em qualquer debate, as respostas sejam sobre os argumentos apresentados e não a presunções ou pré-conceitos. Não tenho interesse e não acho necessário expor aspectos da vida particular, mas, por favor, não sou um “defensor dos carros”. Aliás, não vejo o menor sentido em uma concepção “corporativa” em função do veículo que usa, sejam carros, motos ou bicicletas, até porque é comum que as pessoas utilizem veículos diferentes em diferentes situações (e se precisasse me definir nesse sentido, me identificaria mais com o “time” dos pedestres que utilizam transporte coletivo). A falta de educação e o desrespeito ao outro ocorre diariamente entre motoristas de carro, ônibus ou caminhão, motoqueiros, ciclistas e pedestres. E de que lado devemos estar? Do lado de quem estiver com a razão, do lado do comportamento mais ético, mais solidário, independente do veículo. Certo?

    Ademais, permita-me discordar de afirmações do tipo “carros transformam inocentes em assassinos”. Por favor, não vamos tornar vilão uma máquina e abdicar da responsabilidade ética pelos nossos atos. Um carro trafegando numa velocidade correta, respeitando a sinalização, dando passagem para facilitar a vida alheia e o fluxo geral e até com a preocupação de prever algum eventual erro de outro motorista ou imprudência de pedestre, nunca vai matar ninguém. E carros são úteis, inclusive na cidade, pelas longas distâncias, isso é lógico. Um carro particular pode ser, por exemplo, a melhor forma que uma pessoa tem de chegar a tempo no trabalho e levar os filhos na escola. Além disso, os ônibus (que, aliás, trafegam lotados na hora rush, independente da quantidade de usuários de carros particulares) também são veículos a motor.

    A cultura de culto aos carros, da potência dos motores, o valor do carro como status social, a auto-afirmação por dirigir em alta velocidade, isso sim é nefasto. Mas isso é da nossa cultura, está associado aos padrões de consumo, à propaganda, e reflete-se no comportamento dos indivíduos somado ao egoísmo, à ideia de levar vantagem, etc. E, sinceramente, não me parece que o culto à bicicleta e uma postura de grupo, do tipo “nós contra eles”, “vamos tomar conta da via”, seja o contraponto mais correto.

    No mais, respondendo ás questões que levantaste, airesbecker:

    1 – Quanto ás prioridades de transporte:
    É demagogia, ou no mínimo ingênuo, citar leis de mobilidade urbana e planos diretores para dizer que os carros são ilegais e portanto é certo as bicicletas tomarem conta da via. O inciso II do Artigo 6° da citada Lei Federal n° 12.587, por exemplo, define, como diretriz, a “prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado”. Isso é uma diretriz para o contexto normal do fluxo de veículos no dia-dia, que pode embasar a culpa em um acidente, mas não pode ser absolutizada para justificar que as grandes avenidas sejam trancadas por ciclistas na hora em que quiserem ocupar a via toda. Vamos ser razoáveis. Os próprios Planos Diretores dos municípios, a extensão da malha viária, os semáforos, é tudo planejado pensando em veículos a motor e pedestres. Não vamos negar o óbvio. E que se defenda (e se use) as ciclovias e ciclofaixas.

    2 – Quanto ás manifestações em massa: Sim, é possível tentar manter passeatas e bicicleatas sem ocupar a rua toda. É possível também (e em passeatas já ocorreu), segurar parte da manifestação de um lado do cruzamento quando o sinal estiver vermelho, para não trancar ainda mais vias além da própria que se está ocupando. Mas, claro, isso depende de uma boa vontade voltada aos outros, o que é raro. E no caso, sequer seria apenas altruísmo porque poder-se-ia pensar que mais apoio social haveria se o movimento fosse mais simpático aos outros. Mas esse senso crítico é mais difícil às massas.

    3 – Quanto ao MC: Estão mesmo “protestando contra a violência no trânsito” com tanta frequência há tanto tempo? Se sim, deveriam achar formas de defender esta causa mais eficientes e que causam menos incômodo aos outros.

    Se são 2 mil bicicletas passeando (porque obviamente não estão locomovendo-se normalmente para algum lugar), rotineiramente, semanalmente, e em um horário de trânsito movimentado, por que não usarem parques e ciclovias??

    Será que não se está criando uma identidade de grupo (massa) sob uma ideia prepotente simplesmente de ocupar o espaço e azar dos outros? quiçá, “que bom que estão incomodados e não podem fazer nada”, pois são os “inimigos” – os carros.

  3. Rudah disse:

    Bah… a pinta é um segregacionista típico. As vias pertencem aos carros e acabou. vai pedalar no parquinho ou dentro do teu condomínio. Não adianta dar lanterna pra cego, eles continuam sem enxergar. Não adianta explicar que a massa crítica não é um movimento é um evento, ponto. Ocorre uma vez por mês, ele acha muito? Nós não, ponto. Todos defendemos o compartilhamento da cidade como um todo, inclusive as ruas. Os segregacionistas não. Inclusive deve fazer parte do grupo que apóia a construção daquele horrível buraco que vão fazer na Anita. Que vai resolver lhufas…

  4. Rodrigues disse:

    “Segregacionista”?? Sabes mesmo o significado desta palavra, Rudah? Será que dizer que pedestres devem andar na calçada e carros na pista é ser segregacionista?? Será que és contra os corredores de ônibus, por serem segregacionistas? Pistas distintas (segregadas) é uma questão óbvia de segurança, de facilitação do fluxo, e de minimizar conflitos. E com relação a bicicletas, em nenhum momento foi dito que não deveriam circular na pista, apenas advertido que deveriam respeitar a sinalização, os semáforos e andar pela direita. Além disso, é óbvio que é melhor e mais seguro o ciclista andar em ciclovias (“segragadas”!!) do que em meio a carros andando, carros estacionando, ônibus, etc.

    E por falar em “lanterna para cego”, sugiro que leias de novo as postagens para que possas “enxergar” que o MC só passou a ser referido como “movimento” depois de ter sido defendido como “protesto contra violência no trânsito”. Ademais, um grupo de pessoas que organiza-se rotineiramente, produz panfletos, sites, blogs, tem “gritos de guerra”, etc., tem todas as características de um movimento, mesmo que sem muita causa, sem propor muita coisa. Se querem chamar de “evento”, chamem, embora, assim como o teu uso do termo “segregacionista”, é inadequada a palavra no contexto, pois não se trata de algo de caráter “eventual”, o oposto de rotineiro.

    E, como falaste em “cego”, pessoas em uma identidade de grupo (ou “massa”) tendem a só olhar para o próprio grupo, repetir dogmas, e assim se retroalimentam, mas sem enxergar os outros. A alteridade não existe em uma massa de egoístas. Não diria isso de todos os participantes do tal “evento” (ou de algum dos vários “eventos” que ocorrem rotineiramente), mas está bem claro naquelas afirmações tuas, senhor(a) Rudah, do tipo “é assim e ponto”, “ta incomodado? nós não, e ponto”… ou seja, “azar é teu”, “isso não nos interessa”. Enfim, como já comentei antes, as “massas” tendem a fechar-se em sim mesmo, “e ponto”. Por isso o próprio nome do “evento” é, na prática, um paradoxo. E isso é ser também segregacionista, compreendes? Uma idéia identitária de grupo, separado de outro. Gritos de louvor a bicicleta e contra os carros, por exemplo, são gritos segregacionistas.

    No mais, eu diria que quem trabalha anda de bicicleta no parquinho, sim, porque não tem tempo para passear pelas avenidas na hora do rush. E porque é muito mais agradável andar em ambientes não poluídos e sem atrapalhar ninguém. Aliás, é capaz do trabalhador estar num ônibus trancado por uma pessoas que resolveram fazer seu “evento” e azar dos outros (“a via é nossa!” “e ponto”). Os parques também seriam locais apropriados para se fazer “eventos” em grupo e voltados a si mesmo. E quem usa a bicicleta diariamente como meio de transporte, vai trabalhar de bicicleta, certamente preferiria andar numa ciclovia. Aliás, a implantação de uma rede de ciclovias deveria ser a principal reivindicação de qualquer ciclista.

    Agora, sinceramente, não espero que qualquer coisa que se argumente criticamente faça diferença para ti, Rudah. Pela tua postagem, tu deves te divertir com a buzina dos motoristas que estão com pressa, com o cruzamento trancado mesmo com sinal verde, com o enorme contingente de carros e ônibus impossibilitados de te ultrapassar, com a condição de maioria e o exercício do mesquinho poder de atrapalhar a vida alheia. Principalmente quando são usuários desse meio de transporte demoníaco, o carro. Só não digas para algum desinformado que és de uma “massa crítica”, porque de crítico(a) não tens nada.

    • Marcelo disse:

      Sou atrapalhado 24 horas por dia pela “maioria” de carros que circula todo dia por Porto Alegre. É só os carros serem incomodados três horinhas por mês por uma maioria de ciclistas que já vem gente chiar.

      As ruas não são dos carros, meu amigo, são das pessoas.

      O fato de tu achares que os participantes de uma Massa Crítica não se importam com os outros de fora do “grupo” deixa visível o teu desconhecimento do assunto, e mostra que nunca participaste de uma bicicletada.

  5. Rodrigues disse:

    É interessante como na falta de argumentos agride-se pessoalmente, e sem o menor conhecimento da pessoa, baseado em presunções, de acordo com seu simplório “esqueminha” maniqueísta de “bicicletas x carros” (realmente a visão crítica não é comum ás massas). Para tua informação, senhor Marcelo, já participei de mais de uma bicicleata, há muito mais tempo, e como manifestação política, por diferentes causas, mas por alguma causa, não como um “evento” de “celebração” ou uma ceita. De qualquer modo, nada disso interfere nos argumentos.

    As ruas são das pessoas, óbvio. E as pessoas que se locomovem a pé devem andar nas calçadas e as que trafegam em veículos devem andar com estes na pista de rolamento. Para que diferentes veículos COMPARTILHEM a pista atrapalhando-se o mínimo possível, os mais lentos trafegam na direita.

    O fato de “eu achar que os participantes de uma MC não se importam com os outros” não é por desconhecimento, Marcelo, é pelo discurso homogêneo e fechado teu e do(a) Rudah, por exemplo. É a postura do tipo “tá incomodado, azar é teu, não estou nem aí”. Isso é muito mais revelador do que qualquer discurso de solidariedade que não se traduz em ações práticas. E se há de fato um postura ética e preocupação com o bem estar coletivo, se não é uma “massa de egoístas” exercendo um poder, pergunta-se:

    – Por que não segmentar parcialmente a bicicleata quando diante de um cruzamento, o sinal fecha?
    – Por que tomar conta de todas as pistas da rua, “segregando” carros e ônibus???
    – Por que fazer este “evento” em avenidas movimentadas, em dia útil, hora de gente ainda estar voltando do trabalho?
    – Por que não “celebrar” em ruas menos movimentadas, em ciclovias, em parques ou em dias e horários que cause menos transtorno?
    – E se não é um movimento, não é uma manifestação por alguma causa; pelas falas de alguns, parece que o objetivo é mesmo incomodar quem está de carro e se divertir com isso. Mas qual é mesmo o sentido disso?

    No mais, senhor Marcelo, somos todos incomodados diariamente pela maioria de carros, e quem trafega de carro, assim como os pedestres também são incomodados por motos, e todos por ônibus, caminhões, tratores, carroças, sem falar na grande quantidade de pessoas, enfim, pelo trânsito e pelo grande fluxo de pessoas a pé ou em algum veículo como em qualquer grande cidade (pode-se questionar a crescente urbanização, o êxodo rural, a tendência a formação de metrópoles, mas isso é outra discussão, bem complexa, inclusive). Mas, para o bom exercício do senso crítico, vamos sair um pouco da segurança das certezas de grupo, e tentar olhar um pouco de fora: O que isso tem a ver com fazer questão de propositalmente trancar os outros em função de um “evento” rotineiro de “celebração”??

    • Marcelo disse:

      Com que palavra exatamente eu te agredi?

      Para entenderes um pouco melhor então. A Massa Crítica é um evento que para cada pessoa que tu perguntares vai ser uma coisa diferente: passeio, protesto, celebração.

      Eu só posso te dar a minha opinião, mas não sei qual é a dos outros milhares de participantes da Massa Crítica de Porto Alegre.

      – A Massa Crítica para mim é uma celebração, um protesto, um passeio e muito mais, tudo ao mesmo tempo,
      – Ela acontece nas ruas, nesse horário para, enquanto protesto, ter mais eficiência e visibilidade, e, enquanto passeio, mostrar que as pessoas têm o direito de passearem de bicicleta nas ruas no horário que bem entenderem,
      – A bicicletada não se divide em um cruzamento quando o sinal fecha pela própria segurança do grupo e praticidade para os motoristas. Se a massa se dividisse em um cruzamento, os participantes estariam mais expostos e ficaria uma ilha de carros presa no meios de duas massas de ciclistas. Perigo em dobro. Esse comportamento é inclusive previsto no CTB (artigos 213 e 214).
      – A massa crítica ocupa todas as pistas por questões de segurança. Quando participavam menos de 100 pessoas, costumávamos deixar uma das pistas livres para os carros, e estes passavam em alta velocidade, tirando finos dos participantes, que incluíam crianças.
      -A massa crítica ocupa todas as pistas para causar menos transtornos no trânsito. Imagine o comprimento de uma Massa com 500 ou mil ciclistas ocupando uma só faixa de trânsito, e o tempo que iríamos levar para atravessar um cruzamento!

      Infame a tu comparares o incômodo causado por pedestres com o incômodo causado por um carro. Pedestres não ameaçam com a sua mera presença a vida dos demais. Uma única pessoa dentro de um carro causa um transtorno maior que dezenas de pessoas a pé. A circulação de pedestres e bicicletas não degrada, nem suja a cidade. Só alguns exemplos.

      No mais já participei dessa discussão diversas vezes, me despeço por aqui. Se procurares na web e nesse blog, vais ver essa discussão repetidas vezes, e com os mesmos argumentos, provavelmente poderás esclarecer quaisquer dúvidas que tenhas.

      Abraços.

  6. Rodrigues disse:

    Ok, senhor Marcelo. Antes de mais nada queria dizer que em nenhum momento comparei o incômodo causado por pedestres com o causado por carros. Leia de novo. Eu apenas citei os fatores envolvidos neste complexo sistema que é o trânsito de grandes cidades. Mas é bom que se diga que ciclistas também causam transtornos a pedestres, atropelam, “tiram fino”, e que um pedestre maleducado, exatamente por sua condição de mais fraco, pode causar grande transtornos a vários motoristas, motoqueiros e ciclistas que se preocupem em evitar um acidente.

    No mais, não sei quantas vezes discutiste o assunto e se já estás te despedindo é direito seu. Só gostaria de te lembrar que, apesar de dizeres que os argumento se repetem, respondeste de forma bem insatisfatória as perguntas. Senão vejamos:

    1. Disseste que “a Massa Crítica para mim é uma celebração, um protesto, um passeio e muito mais, tudo ao mesmo tempo”. Imagino que isso responde a minha última pergunta “qual é o sentido disso?”. Se achas que assim está respondido tudo bem, mas o “protesto” seria contra o quê mesmo? E qual a contribuição desta forma de celebração/protesto/muito-mais para a causa protestada? Por que, se é passeio, deveria ser em locais de passeio.

    2. Vou deixar teu segundo item para depois. A seguir, tuas respostas fazem sentido, embora sejam logicamente interdependentes, e ao mesmo tempo, insuficientes diante de outras perguntas que fiz. E isso é fácil de demonstrar: a bicicleata não poderia ser dividida no cruzamento para que não fique uma “ilha” de carros entre duas massas de ciclistas e para que estes não fiquem expostos. Isso seria bem nítido no caso de ciclistas ocupando a via inteira. Mas nos cruzamentos, além de carros que eventualmente dobram na mesma via por onde estão trafegando as bicicletas, existem os que precisam seguir reto, pela mesma via em que estão, e que, portanto, não formarão uma “Ilha” entre ciclistas. Além disso, se as bicicletas estão em uma única pista, os carros fariam a curva já para a pista da esquerda e, na pior das hipóteses ficariam por algum tempo atrás da mesma forma como ocorre com carroças, caminhões de lixo, tratores e quaisquer outros veículos lentos.

    3. E a resposta para o por quê de ocupar todas as pistas é o tamanho da “massa” e o comprimento que ficaria. Ok, é plausível. Mas é aí vem as outras questões. Se é uma massa enorme que vai tomar conta da pista, por que ser em avenidas movimentadas, em dia útil, hora de gente ainda estar voltando do trabalho? E então tu dizes: para que “enquanto protesto, ter mais eficiência e visibilidade” Mas estão protestando rotineiramente contra o quê mesmo? O resto da sociedade, que justificaria a necessidade de passar por avenidas movimentadas em função da visibilidade, sabe no que consiste este protesto? E a “eficiência”, qual seria?

    4. Mas o melhor é a continuação: “para que … enquanto passeio, mostrar que as pessoas têm o direito de passearem de bicicleta nas ruas no horário que bem entenderem”. Em primeiro lugar, é interessante porque é falso: todos podem passear de bicicleta na hora e na rua que quiserem, trafegando sozinho ou em grupo, pela direita ou pelas ciclovias. É assim que se anda de bicicleta no dia-dia. Mas merece mais destaque a última parte da frase: “….nas ruas e no horário que bem entenderem”!! Isso mesmo!! O que importa se existem horários e ruas que incomodariam menos?!!! Essa frase é ótima, reveladora, e bem “crítica”. Parabéns.

    • Rodrigues disse:

      Ah! Sobre os artigos do CTB citados, Marcelo, acho que não entendeste bem. Lá está escrito que, em um cruzamento, é infração de trânsito se o motorista não esperar que um pedestre ou um ciclista atravesse mesmo que o sinal tenha aberto. E também é infração de trânsito o motorista forçar a passagem pelo meio de uma manifestação. E isso é óbvio. O motorista não pode atropelar, mesmo que esteja com a preferência, porque a vida é o bem maior. Então, o motorista NÃO PODE forçar a passagem, mas não está escrito que o manifestante DEVE não dar passagem. Como o motorista não pode atropelar, quem PODE de dar ou não a passagem são os manifestantes. É aí que há JUíZO ÉTICO: quando se tem PODER de escolha e de decisão, inclusive com consequências aos outros. O manifestante pode ceder passagem para colaborar com a vida alheia. Ou pode exercer o seu poder na situação para atrapalhar. Também pensando nos outros, uma “massa” pode procurar ruas, ciclovias e/ou horários mais tranquilos. Ou pode “passear nas ruas e no horário que bem entenderem”.

      • airesbecker disse:

        Tu não tem ética nenhuma, tu está só justificando o que nos é roubado contra a Lei que é a Rede Cicloviária Integrada constituída pelo Artigo 26 do PDCI e ilicitamente usada pela prefeitura para estacionar veículos particulares, portanto o Sr. que está aqui argumentando neste sentido está fazendo apologia deste crime que causa mortes no trânsito, vá reformar as suas idéias pré concebidas, tu com estas palavras retóricas defende a barbárie, gente trucidade entre ferragens, crianças atropeladas nas portas das escolas, é deste lado que o Sr. está, do lado dos criminosos violentos e contra os manifestantes pela paz e pela segurança. O Sr. está argumentado de má fé aqui.

      • airesbecker disse:

        Retórica barata e sem mérito nenhum.

      • airesbecker disse:

        Estás do lado de quem mata no trânsito.
        Prefiro um fundo ético verdadeiro e palavras curtas e grossas que uma retórica fofa mas falsa.
        Tu não passas de um sofista mal intencionado.

    • Marcelo disse:

      1. Rodrigues como EU JÁ TE DISSE cada uma vai à Massa Crítica pelos seus motivos e vê ela como algo diferente, várias pessoas vão a ela como forma de protestar pelos mais diversos motivos: por nossos espaços públicos serem inteiramente dedicados e planejados para os carros, pela falta de segurança de se pedalar e andar pela cidade, pela poluição causada por carros, etc, etc. Contribui para a causa protestada em primeiro lugar dando voz às pessoas, pois uma manifestação ou protesto não deve ser medido pela sua eficiência, mas sim por garantir liberdade de expressão às pessoas. O que é um local de passeio? A rua não é local de passeio? Bom então deveríamos proibir todo mundo que sai de carro pra passear de circular pela rua. Parece que você tem a impressão de que todo mundo que sai de carro tá indo ou voltando do trabalho, isso não é verdade. Por que carros a lazer podem usar as ruas e bicicletas não? Por que tu achas que a rua não é também espaço de lazer? Pra mim todo espaço público é potencialmente um espaço de lazer. Eles eram espaço de lazer e convívio muito antes dos carros existirem.

      2. Pergunte pra EPTC o que é melhor e mais seguro: manter uma manifestação/bicicletada coesa ou separá-la nos sinais vermelhos. Como eu já te disse, liberar uma pista para os carros é perigoso, já foi feito e muitos motoristas usam essa oportunidade para ameaçar os ciclistas.

      3. Como eu já te disse, um protesto / manifestação popular não é validado ou não pela sua eficiência. Direito de expressão e manifestação é um direito fundamental básico, está na nossa constituição inclusive. Já o direito a andar de carro não é mencionado em lugar algum. Portanto a preferência de utilização das ruas é das manifestações populares antes do trânsito de veículos, independente de sua eficiência.

      4. De onde tiraste que ciclistas sozinhos ou em grupos devem pedalar pela direita. Isso não está no CTB. O CTB diz que os ciclistas devem usar os bordos da pista, tanto esquerdo quanto direito. E de qualquer forma o CTB não diz como agir quando há centenas de ciclistas na rua e é impossível trafegar pelo bordo, sendo portanto legítima a ocupação de outras faixas quando as faixas da esquerda ou direita já estiverem ocupadas.

      • Rodrigues disse:

        Marcelo
        A bicicleta andar normalmente pelo bordo direito da pista é uma consequência lógica do princípio de “veículos lentos na direita” e “ultrapassagem pela esquerda”.

        E quanto à “eficiência”, deverias lembrar que quem usou o termo primeiro foste tu, justificando e opção por andar em dia útil, hora do rush e avenidas movimentadas. Seria para “…enquanto protesto, ter mais eficiência e visibilidade”. Por isso perguntei pela eficiência de um protesto “difuso”, cada um protesta pelo que quiser, misturado a uma celebração, e que ainda causa incômodo aos outros.

        Mas, claro, o direito de protestar é fundamental. Em nenhum momento disse que não tinham o direito de manifestar-se, independente da causa. Tu tens o direito de participar de uma marcha nazista, por exemplo. E eu tenho o direito de discordar do movimento, certo? Ou melhor: tu tens o direito de participar de uma passeata em prol de uma causa que eu defendo e, mesmo assim, eu posso discordar do fato de a passeata tomar conta da via e atrapalhar demais o trânsito (já passei por isso enquanto manifestante, desmotivei quando romperam o cordão de isolamento que havia, pelo que considero, egoísmo e prepotência de grupo”). Penso que isso acaba até criando a antipatia dos outros e prejudicando a aceitação da causa (tenho direito de fazer esse juízo e isso não fere o direito dos manifestantes). Temos direito à crítica.

        Quanto a questão dos cruzamentos. Aceito tua resposta, Marcelo. Mas continuo dizendo que ela está necessariamente associada a ocupação da via toda. E, se a ocupação da via toda é necessária dada a grande quantidade de bicicletas, o questionamento passa a ser a via escolhida e o horário. Aliás, a ideia de que nos carros e ônibus trancados pela MC estarem com pessoas voltando do trabalho deve-se aos dias e horários das manifestações. Se fosse domingo obviamente não diria isso.

        Quanto ao “local de passeio”, é claro que pode-se passear por qualquer via. A questão é que um passeio, não tem itinerário nem horário obrigatório e, principalmente por ser em massa, poderia ser planejado de forma a gerar o mínimo de incômodo possível. Assim como também pode se dar “nas ruas e no horário que bem entenderem”, como bem disseste, Marcelo.

      • Marcelo disse:

        Rodrigues,

        O que eu disse é que as pessoas que se manifestam querem que sua manifestação seja eficiente, que sua voz seja ouvida. Mas isso não implica em julgar se uma manifestação é válida ou não baseada em sua eficiência. Só quem pode julgar se uma manifestação é válida ou não é a pessoa que se manifesta, se aquilo é positivo pra ela, já valeu.

        Não, sob o meu ponto-de-vista, nazistas não possuem o direito de se expressar livremente pois os nazistas se expressam ameaçando a liberdade e a integridade física de outras pessoas e ninguém tem o direito de ameaçar a liberdade ou integridade física dos outros.

        Tu podes discordar de uma manifestação, sem dúvida, e podes te sentir incomodado com o tumulto causado por ela, mas o que tens que ter em mente é que o direito de manifestação dessas pessoas precede o teu direito de andar de carro. Precisas levar isso em conta para fazer uma crítica inteligente.

        Se a Massa Crítica acontecesse aos domingos, assumiria imediatamente um aspecto de passeio e não tocaria um dos pontos que é mais relevantes no meu ponto-de-vista: bicicleta não é só para lazer, bicicleta é um veículo e como tal possui o direito de andar nas vias que quiser, nos horários que quiser, sozinho ou em grupos.

        Rodrigues, parece que algo que não entendeste ainda é que a Massa Crítica não é planejada, ela é espontânea. O trajeto geralmente é decidido durante a pedalada e qualquer um pode ajudar a decidí-lo. Se os trajetos que a Massa Crítica faz te incomodam, podes participar da próxima e ajudar a decidir um de acordo com o que tu achas legal.

  7. airesbecker disse:

    Ora, quem é que tem juízo ético, quem é que tem poder, vá olhar pela janela da sua casa, veja o que são as ruas, você então não sabe das mortes, não lê jornal, não anda na rua?

  8. Rodrigues disse:

    Airesbecker, não se responde a questionamentos com adjetivações ao interlocutor, isso não é democrático. Falaste em “retórica barata”, mas eu procuro argumentar. Um artifício retórico, por exemplo, é o sensacionalismo e o apelo emocional a “crianças atropeladas” (“retórica fofa”?) ou “gente trucidada entre as ferragens”.

    E por que eu estaria defendendo isso? Ai escreveste que eu estava “justificando o que nos é roubado contra a Lei que é a Rede Cicloviária … ilicitamente usada pela prefeitura para estacionar veículos particulares, PORTANTO, …. fazendo apologia deste crime que causa mortes no trânsito”. Isso sim é um amaranhado retórico totalmente falacioso.

    Em primeiro lugar, a premissa (o que vem antes do “portanto”) não é suficiente para a conclusão referida. É isso se chama SOFISMA, Airesbecker. Além disso, a premissa não pode ser assumida como verdadeira, pois em nenhum momento defendi que carros fiquem estacionados ocupando o espaço previsto para tráfego de bicicletas. Isso não tem nada a ver com os carros, motos e ônibus que são trancados propositalmente na hora do rush em função de uma massa de ciclistas resolver , como disse o Marcelo, “passear nas ruas e no horário que bem entenderem”.

    Ademais, em quase todas as minhas postagens defendi ciclovias e ciclofaixas e, não sei se chegaste a ler, Airesbecker, na minha segunda postagem, escrevi: “A cultura de culto aos carros, da potência dos motores, o valor do carro como status social, a auto-afirmação por dirigir em alta velocidade, isso sim é nefasto. Mas isso é da nossa cultura, está associado aos padrões de consumo, à propaganda, e reflete-se no comportamento dos indivíduos somado ao egoísmo, à ideia de levar vantagem, etc.”. E, obviamente, teria muito o que comentar sobre o comportamento anti-ético de muitos motoristas, a falta de gentileza no trânsito, o não cumprimento das regras, da lei, as atitudes imprudentes de motoristas e motoqueiros, etc.

    O problema é o maniqueísmo, a visão simplória de uma polarização de “bem x mal”, porque isso limita o senso crítico e a possibilidade de que haja um debate democrático e construtivo. Assim, toda e qualquer CRÍTICA ao Massa CRÍTICA é rotulada como um discurso em prol dos carros, já que quem não está 100% do lado das bicicletas, só pode estar 100% do lado dos “carros assassinos”.

    De qualquer modo, a menção que fizeste ao não cumprimento do PDCI, Airesbecker, acho positiva, porque esta é uma causa para que se proteste e se chame atenção do restante da sociedade. Faz bem mais sentido para a sociedade em geral. Não que eu esteja desrespeitando a relevância de uma “celebração”, louvação ou ritual religioso, mas isso é voltado ao próprio o grupo, então não precisaria ocorrer em locais e horários que incomodam todo um contingente de pessoas que, ao menos naquele momento, não está no grupo.

    Por outro lado, seria plenamente justificável um protesto que “simplesmente” simulasse o que deveria ocorrer no dia-dia com a malha cicloviária, ou seja, respeitando a sinalização e procurando andar na faixa correta, salvo quando estivessem carros estacionados onde não deveriam estar (aí a culpa pelo eventual “incômodo” naquele trecho seria quem estacionou ou permitiu estacionar).

    • Aldo M. disse:

      Ainda não deu para entender onde tu queres chegar, Rodrigues. Eu, por exemplo, sou um motorista que está cansado de bancar o palhaço ficando trancado no trânsito todos os dias. Então, decidi tentar utilizar a bicicleta como meio de transporte. Antes de tentar, informei-me o suficiente sobre as questões de segurança, porque não tenho perfil para mártir. Quando finalmente comecei a experimentar usar a bicicleta para me locomover, tive uma surpresa: continuei trancado no trânsito simplesmente porque os automóveis ocupam TODOS os espaços das ruas e avenidas, principalmente quando estão parados nas filas dos semáforos. Aí começou a cair a ficha. Não era para os veículos lentos transitarem pela direita? Por que então uma manada de veículos paquidérmicos está bloqueando a passagem dos mais ágeis? Faça essa experiência, Rodrigues, e depois nos conte como foi.

      • Rodrigues disse:

        Ué? Quando está tudo engarrafado, as motos e bicicletas passam!! Claro, podem haver situações pontuais em que não há espaço devido a um ônibus ou um caminhão, mas isso se resolve em pouco tempo. O fluxo é muito intenso mesmo. Por isso o ideal é ciclovia, claro. Mas onde não há via específica e a bicicleta anda pela direita e para no semáforo como todo mundo.

      • Marcelo disse:

        Muitas vezes na hora do rush não há espaço para passar entre os carros, mesmo não havendo ônibus ou caminhões.

  9. airesbecker disse:

    Dá para ver que tu tens certa capacidade de raciocínio.

    Então reflita qual o seu objetivo neste tempo que estás dispondo.

    Qual teu objetivo e qual teu mérito.

    Queres provar o que?

    Que em Porto Alegre o träfego tem um planejamento de trânsito? não não tem!

    Que o trânsito vai bem e está seguro? não está.

    Que quem protesta contra isto está errado?

    Afinal qual é teu mérito?

    Não tens mérito é só lero lero. Retórica barata.
    Se queres argumentar primeiro deves ter uma causa um motivo, para depois desenvolver um objetivo.
    E aqui a tua defesa é falha pois teu objetivo verdadeiro está oculto, tens argumentos que se dissociam de um objetivo.

    Melhor seria se tu tivesse capacidade de refletir e escolher uma causa melhor, pois tua posição aqui é deplorável.

    Então se tu estás tão preocupado só com incomodo então pára de incomodar.

    Pois já perdemos mais tempo aqui que qualquer motoristas esperando passar as bicicletas.

    Este é seu direito de manifestação que está incomodando e causando perda de tempo.
    Por incongruência estás fazendo a mesma coisa que acusas o Massa Crítica.

  10. Rodrigues disse:

    Não entendes o meu objetivo, Airesbecker? Claro, no esqueminha maniqueísta, se não estou do lado dos carros contra as bicicletas, mas estou criticando o MC, não dá para entender. Mas meu objetivo não está oculto, Airesbecker, está nos argumentos. Claro, quando se está muito fortificado de certezas e respaldado por grupo que se vê em posição a outro, abalar um tijolinho parece um risco de ruir toda a fortificação e qualquer crítica é vista como vinda do inimigo, do outro lado. Mas não é o caso. A primeira frase de minha primeira postagem é “contribuição crítica”. Se eu fosse vinculado ao MC de alguma forma, poderia até chamar de autocrítica.

    Mas, como disse também na primeira postagem, não tenho pretensão de mudar ideias tão fortemente estabelecidas em uma massa de pessoas. “Qual é o mérito?” Não sei. Acho sempre bom que a crítica, argumentada, nem que seja para colocar nossas certezas à prova e assim reafirmá-las. Se isso te incomoda, talvez o melhor seja assumir tuas ideias como dogmas.

    Agradeço a tua interlocução, Airesbecker.

  11. Rodrigues disse:

    A última postagem do Marcelo, cujos textos ficam em caixas azuis, não tem link de reposta. Mas eu queria dizer que concordo que “o direito de manifestação dessas pessoas precede o teu direito de andar de carro”. Claro. Aos carros e ônibus só resta esperar. O motorista, em função da força de seu veículo, não tem o direito, e sim o dever, de zelar pela segurança dos veículos mais leves e pedestres mesmo que estes estejam errados no momento.

    Por isso cabe ao manifestante optar por colaborar ou não com os demais (e sua opção pode ser criticada). Essa é uma responsabilidade ética de quem tem a precedência de um direito que afeta o interesse alheio.

    E quanto á justificativa para a MC ser em dia útil e horário de movimento, me parece paradoxal. Consideras um dos pontos mais relevantes que “bicicleta não é só para lazer, bicicleta é um veículo e como tal possui o direito de andar nas vias que quiser, nos horários que quiser, sozinho ou em grupos”. Ok. Mas para a firmar a bicicleta como meio de transporte, basta usa-la como meio de transporte, no dia-dia. Assim, ciclistas voltando do trabalho ou dos estudos trafegam em grandes rodovias na hora do rush, sozinhos ou em grupos, compartilhando a via com demais veículos. Beleza.

    Mas é um contrassenso “mostrar” que bicicleta não é só passeio e tem direito de andar nas vias como os carros, fazendo o oposto: um mega passeio ocupando a via toda e, assim, trancando todos os demais veículos em grandes avenidas e horário de grande movimento.

    Só isso

    • Marcelo disse:

      Rodrigues,
      Andar de bicicleta sozinho na rua não é tão prazeroso ou seguro quanto poderia ser, por causa dos carros. A Massa Crítica é uma oportunidade que as pessoas têm para pedalar na cidade com segurança. E muitas o fazem. A Massa Crítica e as bicicletadas funcionam para mostrar que bicicleta é meio de transporte e para dar auto-estima aos ciclistas, constantemente desprezados no trânsito. Muitas pessoas começaram a pedalar graças a esses movimentos. A bicicleta hoje em dia está tão em evidência no Brasil, em grande parte, por causa desses movimentos.

      Tu acha que é um contrassenso, eu acho que não é. Eu vejo centenas de pessoas usando suas bicicletas nas ruas, sorrindo, tranqüilas, no meio da rua numa hora e num local em que elas seriam oprimidas no trânsito, e isso é lindo. Só por isso já vale.

      Minha participação termina aqui.

      Abraços.

      • Rodrigues disse:

        Marcelo, lê lá de novo o qual é o contrassenso. É bem simples: Mostrar que a bicicleta não é só passeio fazendo um mega passeio. Mostrar que pode compartilhar segregando. Mostrar que pode ser um meio transporte como qualquer outro veículo que utiliza as vias no dia-dia, promovendo um mega passeio que em nada tem a ver com o deslocamento diário das pessoas e que tranca todos os outros veículos em um horário de grande movimento.

        As vezes o conflito de interesses é inevitável, outras não, basta não olhar só para os sorrisos no próprio grupo. O prazer das pessoas, a autoestima dos ciclistas, o aumento do número de pessoas utilizando bicicleta, etc, tudo isso é positivo, claro. Mas poderia ocorrer em vias, dias e horários que atrapalhasse menos uma quantidade de pessoas ainda maior.

      • Marcelo disse:

        Rodrigues,
        Quem atrapalha quem? A Massa não atrapalha o trânsito, ela É trânsito. A Massa atrapalha o trânsito muito menos que as pessoas que ESCOLHEM ir e voltar do trabalho todo dia sozinhas dentro de um carro de mais de uma tonelada. Essas pessoas fazem pedestres e passageiros de ônibus perderem seu tempo diariamente. Durante a Massa passam por um cruzamento cerca de 125 pessoas por minuto, enquanto que no mesmo horário, quando não há Massa Crítica passam menos da metade! https://vadebici.wordpress.com/2011/12/17/massa-estatistica/ Quem é o verdadeiro incômodo?

        E realmente quem se sente incomodado pela Massa Crítica é uma MINORIA de pessoas. A maioria dos motoristas, inclusive, apóia a pedalada. Olha o vídeo abaixo, aos 4m32s a maioria dos motoristas pulando pro ciclista chinelão que segura uma placa onde se lê “Buzine se você gosta de bicicleta!”.

        Eu particularmente, quando vou à Massa Crítica, procuro conversar com os motoristas, agradecer pela paciência e 90% não demonstram estarem incomodados.

    • airesbecker disse:

      Este teu argumento simples de teclar sempre nesta questão ética de não incomodar os outros é patética, me desculpa, não quero ser agressivo, e não me faltam argumentos mas não quero desperdiça-los com quem só quer tumultuar, com quem pergunta e não quer respostas.
      A sua mensagem é uma só: não causem incômodo.
      Pois lhe digo e Sr. deve observar que estou com pouca paciência e estou mesmo, acho uma ofensa estas suas mensagem superficiais em relação ao incômodo ao tráfego.

      Estávamos protestando na ocasião contra a morte de várias pessoas no trânsito, pessoas que como cada um de nós corre risco de vida cotidianamente e são desrespeitadas, seja no desvio das verbas pública, no descumprimento da Lei pela prefeitura pelos maus hábitos dos motoristas que são irresponsáveis como regra, e por pessoas que pensam como o Sr. de forma tão limitada e desrespeitosa.

  12. Rodrigues disse:

    Ok, Airesbecker. Parabéns pelo teu discurso respeitoso, pelos argumentos que não lhe faltam, e pela tua grande capacidade de reflexão, tua forma de pensar não limitada.

    • Aldo M. disse:

      E aí, Rodrigues, não vais aceitar minha sugestão de experimentar andar de bicicleta no trânsito para embasar teu discurso? Assim, pareces com aqueles padres que se metem a dar conselhos matrimoniais.

    • airesbecker disse:

      Rodrigues, não é falta de capacidade de reflexão, eu li atentamente tudo o que você escreveu e sim refleti.
      É que não me disponho a mudar a cabeça de ninguém ao contrário de você.
      Eu lhe indiquei bastante material para você seguir se as suas pergunta realmente representam dúvidas, mas acho que não, parece que você pergunta sem querer respostas.
      O meu ativismo é bem intenso mas não faço proselitismo.
      Se o mundo ainda tem espaço para as suas idéias fique com elas, se não houver mais espaço você vai mudar de qualquer forma independentemente da minha opinião.
      Já teve tanta gente que pediu para policia bater em nós, mas isto não ocorreu.
      Eu acho que aqui neste forum ao menos não há espaço para estas suas idéias e por isto não me disponho a discuti-las.
      Acho que seria melhor deletar seu posts.
      Mas isto quem decide é o Marcelo que publicou o tópico.
      Se você realmente se interessa faça como eu que sim também questionei e refleti, depois acabei indo por solidariedade e experiência, no fim aderi após grande exame de mérito.
      Abraço.

      • Rodrigues disse:

        Pôxa, Airesbecker. Eu achei que num grupo que se intitula massa crítica o pessoal seria daquele tipo que gosta de debater e tal. Eu queria até agradecer ao MArcelo por ter deixado a discussão fluir. Não sei se agora ele vai acabar excluindo os meus posts conforme tua solicitação, mas eu lamento. Achei que em espaços para discussão seria permitido discordar, claro, com argumentos, sem ofensas, e tal. E ainda mais porque minhas críticas são, na verdade, poucas. Eu apenas sustento que não faz sentido mostrar que “a bicicleta pode ser utilizada como meio de locomoação” promovendo um passeio gigante. E acho que um passeio de celebração não deveria ser realizado para atrapalhar os outros e, por isso, também não vejo sentido em realizá-lo justo nos dias, horas e vias de mais trânsito. Achei que era um tema a se discutir. E se quis por em discussão é exatamente porque acho importante essa movimentação que vem ocorrendo em torno da bicicleta.

        Não queria falar coisas pessoas, pois defendo que as discussões sejam de argumentos, mas trabalho na área ambiental e adoro bicicleta. Nos tempos de faculdade muito utilzei como meio trasnporte. Agora não dá, porque já acordo 6hs para trabalhar, e precisaria acordar ainda bem antes para andar tantos quilômetros de bicicleta, e ainda não teria onde tomar banho para trocar de roupa e poder trabalhar. Tu disseste que és ativista. Não sem bem que sociedade pensas em ajudar construir, mas toma cuidado com esse tipo de ideia de que os outros têm ideias retrógradas e aí vão acabar mudando de qualquer modo e tal. Teve um movimento que tinha uma suástica como símbolo e levou um país inteiro na sua “onda”, muito graças a um discurso maniqueísta, de orgulho e superioridade em relação a outros.

        Outra coisa, teu ativismo não é numa igreja, é? Digo isso porque, apesar de teu discurso com muito mais adjetivos que argumentos, eu releava, pois tinha te achado bem intencionado, indicando a mim uma “bibliografia básica”. Só que pelo jeito entendias aquilo era uma bíblia, para me catequizar!!! E, assim, ao fazer perguntas eu deveria “aceitar” as respostas e não questionar mais, mesmo que achasse as respostas logicamente “capengas” ou contraditórias. Sâo dogmas?! Questionar os dias, horários e vias do MC é como por em dúvida a virgindade de Maria!!

      • Marcelo disse:

        Rodrigues, tu estás ignorando completamente o que eu te disse: que a Massa Crítica não é um simples passeio/celebração. Ela tem muito de reivindicação/protesto/questionamento. Um dos maiores questionamentos que a Massa Crítica faz é justamente ao uso do espaço público. Por que todo aquele espaço tem que ser um espaço morto? Por que os carros podem usá-lo e as pessoas não? Por que aquele espaço não é uma área verde ou um espaço público? Por que ciclistas e pedestres têm de sair com medo de casa só por usarem o espaço público? Como seria se na hora do rush tivéssemos milhares de bicicletas ao invés de centenas de carros? Por que as pessoas acham aceitável perder 30min em congestionamentos causados por carros todos os dias e não podem perder menos de 10min olhando bicicletas passar uma vez por mês?

        E, ao mesmo tempo, a Massa Crítica faz mais do que questionar, ela já apresenta soluções, é um espaço de transformação da cidade. Por alguns momentos a gente pega um espaço que estaria cheio de carros, barulho, poluição, estresse e transforma ele em um espaço positivo, onde as pessoas se confraternizam, celebram, se divertem, um lugar onde as crianças podem andar no meio da rua às 19h em um dia de semana.

        Se ocorresse num domingo, de madrugada ou em outro horário em que as ruas já estariam norlmalmente vazias, daí sim, viraria apenas um passeio. Espero que agora tenha ficado claro.

  13. Rodrigues disse:

    Muito fiz isso nos tempos de faculdade, Aldo.
    Mas lê lá minha última postagem para o Marcelo (o dos textos em caixas azuis). Acho que a discussão andou mesmo até lá (e daí a tendência seria andar em círculos repetindo o que já foi dito). Aí é uma questão de achar ou não relevante a contradição que disse existir no MC e a preocupação que demonstrei naquela postagem.

  14. Rodrigues disse:

    Ok. Marcelo. De novo não tinha link para resposta na tua postagem (aquela última que veio depois da que seria a tua última). E eu nem precisaria responder mesmo, já que, por mais que o incômodo aos outros seja minimizado, e que se diga que a maioria nem se incomoda, o questionamento que fiz na postagem anterior continua de pé. Tudo que mencionaste como positivo na MC poderia ocorrer causando ainda menos incômodo.

    Todavia, depois achei que deveria contrapor os “dados” que citaste porque sempre me causa preocupação o uso equivocado de estatísticas e o poder retórico de discursos com roupagem “científica”. Nesse sentido, sinceramente, desconfio da estatística, baseada em uma amostragem tua, de que 90% não se importam. Ademais, há um “erro metodológico” na tal “estatística” do quanto a MC atrasaria ou não o trânsito a partir da medição do tempo de passar por cruzamentos. Porque isso só mostra o quanto teve que esperar quem estava na outra via pretendendo atravessar a via por onde passou a MC. Para medir o quanto a MC atrapalha que está na mesma via, dever-se-ia fazer uma “medição controle” de quanto tempo um veículo leva para fazer um itinerário de, por exemplo, 2km. E depois quanto tempo leva-se a mais para fazer o mesmo trecho com a MC na frente. Entendeste? Por lógica, os 2 minutos de cada cruzamento vão se acumulando ao longo do tempo e somam-se aos tempos de percurso entre os cruzamentos.

    No que tange ao número de pessoas, também não faz sentido medir o número de pessoas que passam por um ponto “X” por unidade de tempo, e sim comparar o tempo que leva para um mesmo número de pessoas que saem de um ponto “X” chegarem ao ponto “Y” com e sem MC. E vamos combinar que 2 ônibus na hora do rush já tem uma MC.

    Por falar em ônibus lotado, há que se levar em conta que mesmo com a quantidade de pessoas escolhe ir para o trabalho no seu carro particular (o que é passível de crítica, claro, mas criticas de modo geral, porque ninguém sabe ao certo os compromissos e necessidades do outro) , os veículos de transporte coletivo também estão lotados. E tem uma diferença fundamental: na hora do rush, independente do veículo, o movimento é de volta do trabalho. E pessoas utilizando a bicicleta como meio transporte não tem nada a ver com a MC.

    Quanto à placa “buzine se você gosta de bicicleta!”, trata-se de uma placa “esperta”, porque a buzina seria a manifestação natural de quem está incomodado (é como dizer, me vaiem se gostaram). Então não dá pra levar a sério, isso, por favor. E isso sem falar que “gostar de bicicleta”, e andar de bicicleta a passeio ou como meio de transporte no dia-dia, não tem nada a ver com defender mega passeios em dia útil que ocupam a via toda em avenidas movimentadas e horários de muito movimento.

    Percebo que há disseminada uma ideia de “luta de classes”, de maniqueísmo, “nós contra eles”. E não vejo sentido nisso. Nem mesmo em afirmações do tipo “motoristas não respeitam os ciclistas”, sem que se diga também que motoristas também não se respeitam entre si, que motoqueiros (apesar de levarem a pior nos acidentes) não respeitam ninguém, que até os pedestres (os mais fracos) muitas vezes não respeitam a sinalização e os veículos … Enfim, as pessoas são egoístas e não se respeitam. O trânsito é só um meio em que isso fica bem à mostra.

    De qualquer modo, em termos de argumentos, a discussão continua encerrada lá na minha última resposta pra ti, Marcelo. Apontei contradições entre “meios” e “fins” do MC: “Mostrar que a bicicleta não é só passeio fazendo um mega passeio. Mostrar que pode compartilhar segregando. Mostrar que pode ser um meio transporte como qualquer outro veículo que utiliza as vias no dia-dia, promovendo um mega passeio que em nada tem a ver com o deslocamento diário das pessoas e que tranca todos os outros veículos em um horário de grande movimento.” Isso é lógico. Mas tu podes achar irrelevante. Ok.

    Da mesma forma, eu disse que a MC poderia ocorrer em vias, dias e horários que atrapalhasse menos. Isso também não dá para refutar logicamente, mas pode-se ignorar. E ficar dizendo que as mesmas pessoas atrapalhadas pelo MC atrapalham mais em outros momentos, é só um contra-ataque, mas não justifica a opção por atrapalhar mais havendo a possibilidade de atrapalhar menos. E minimizar o incômodo, dizer que nem são tão atrapalhados assim, também não justifica, quando o incômodo poderia ser ainda menor. Na prática, tu não te importa com isso. Independente de quantos sejam de fato incomodados, isso não faria te faria mudar de opinião sobre promover a “celebração” “na hora e na rua que bem entendem”.

    • Aldo M. disse:

      Se um veículo de socorro precisar passar por uma via cheia de ciclistas da Massa Crítica, ele conseguirá, como já aconteceu. Mas quando a via está entupida de automóveis parados, como acontece dezenas de vezes ao dia, o que era uma emergência pode se transformar em uma tragédia. Mas que responsabilidade tem os motoristas de estarem ali inadvertidamente bloqueando o trânsito? Esta sim é uma questão que vale à pena discutirmos e encontrarmos uma solução, antes de nos preocuparmos com alguns hipotéticos motoristas aborrecidos por terem que dar passagem a bicicletas mesmo com o sinal aberto. E onde estão esses motoristas? Por que eles não aparecem por aqui para expor seus pontos de vista? Só lembrando que ninguém representa os tais “ciclistas da Massa Crítica”, assim como ninguém representa esses supostos motoristas que se sentiram “trancados” pela passagem de centenas de ciclistas rebeldes.

  15. Rodrigues disse:

    Aldo.

    Antes de mais nada queria salientar que engarrafamentos acontecem quando as pessoas estão se locomovendo e os seus diferentes trajetos acabam se afunilando nas mesmas vias. Isso não se confunde com carreatas ou quaisquer manifestações programadas. Da mesma forma, se, em uma situação normal de locomoção, um grupo de bicicletas torna o fluxo mais lento, não há o que reclamar, pois as pessoas tem o direito de locomover-se de bicicleta, assim como os outros estão carro. É o trânsito (uma das desvantagens de se morar em uma grande cidade). Assim como o fluxo pode ficar lento em função dos caminhões de lixo, ou devido a uma retroescavadeira… e aí? Fazer o quê? A máquina tem que se locomover para o local da obra. E isso também não se confunde com uma “tratorata”.

    Sobre esta tua última postagem, Aldo, objetivamente trazes uma questão que ainda não havia ocorrido na discussão, mas que é também um contra-ataque, e que, como so outros, não justifica a MC em dia útil e justo no horário e nas vias que mais causa incômodo. Depois, com alguma ironia, repetes a minimização do incômodo já utilizada por outros. E aí termina de uma forma que me pareceu também irônica, presumo que em função de eu não me assumir como defensor dos carros e contra as bicicletas.

    Quanto a esta última questão, me lembra algum gremista, por exemplo, pensando “se estás criticando o Grêmio, só podes ser colorado”, enquanto a pessoa diz que não está numa briga de torcida, e sim avaliando o jogo e, para isso, pouco importa o time que torce, pode ser até um gremista crítico. Da mesma forma, não faz diferença se tu, Aldo, é participante do MC, ou um motorista que não se sente incomodado (e não se importa que outros possam estar), ou ainda alguém que está em outro país e simpatiza de longe com o MC, etc., o que vale são os teus argumentos.

    Mas isso é compreensível. A polarização maniqueísta é sempre mais simples e, assim, tem um poder motivador e aglutinador maior. No caso, percebe-se claramente uma polarização “bicicleta x carros” em vozes pró MC (o que talvez tenha sido reforçado pelo imbecil que atropelou ciclistas), mas isso na sociedade em geral não existe. Sem dúvida existem motoristas que não respeitam, ciclistas no trânsito, mas isso não é algo do “time” dos motoristas contra o dos ciclistas. Como já disse, os motoristas também não se respeitam entre si, e os motoqueiros também não respeitam motoristas e pedestres, os quais também não respeitam a sinalização e se atravessam na frente dos carros, etc. O trânsito é um meio que deixa bem à mostra o egoísmo, o não cumprimento de regras e leis para levar vantagem, e o desrespeito que é comum na sociedade em geral. Mas ao contrário do MC, não há manifestações nem organizações pró veículos motorizados e contra a bicicleta. E, aliás, o Massa Crítica não representa A BICICLETA. A pessoa pode usar a bicicleta para lazer sem atrapalhar ninguém ou como meio de locomoção no dia-dia, o que não tem nada a ver com o MC. Além disso, pode-se também estar de acordo com boa parte do discurso do MC, achar bonito as centenas de bicicletas, e discordar dos dias, horários e locais escolhidos, ou seja, uma discordância de “forma”, não necessariamente de “conteúdo”.

    A questão da ambulância é interessante. Um “ativista pró carros e congestionamentos” poderia até usar também a mesma estratégia retórica de minimizar o incômodo, dizendo que é estatisticamente rara a situação e ainda mais raro, senão hipotético, que venha a ocorrer uma morte tendo como causa objetiva a ambulância ter ficado trancada no engarrafamento. Mas, claro, isso seria muito claramente um argumento absurdo, pois a indiferença não seria só com relação ao tempo que submete-se pessoas a esperar, mas com a vida de outra pessoa, e aí, que seja uma em mil, é uma vida. Certo? Enfim, tenho que reconhecer que é irrefutável a afirmação de que é mais fácil uma ambulância passar entre ciclistas do que atravessar um engarrafamento. Contudo, se formos contextualizar a situação para o caso do MC, esta maior agilidade par atravessar só serve na comparação entre cruzamentos, nos quais a ambulância esta numa via e a massa de ciclistas ou carros na outra. Para o caso da ambulância estar trafegando na mesma via por onde está a MC, é pior. Porque ela só vai passar com menos dificuldade entre os ciclistas depois de ter passado com mais dificuldade pelo engarrafamento de todos os veículos que estão travados pela MC.

    De qualquer modo, na verdade tanto faz desmontar ou não os argumentos de contra-ataques, porque o questionamento continua valendo. Se o contra-ataque está correto, a coisa fica assim: “Por que fazem MC quando causa mais incômodo?” “Porque existem incômodos maiores feitos pelos carros”.

    E aí a outra estratégia é minimizar o incômodo. Ok, já falei bastante sobre isso lá na minha última postagem para o Marcelo e tal, mas sinceramente me parece que aí há uma certa dose de cinismo. Sério, não quero ofender ninguém, mas, por exemplo, é cínico “agradecer” aos motoristas por terem esperado a MC passar. Pois eles não tiveram opção, eles foram obrigados a esperar. O mais lógico seria então “pedir desulpas” por tê-los feito esperar. E, sinceramente, Aldo, isso seria feito? Não né? Ficaria algo como: “Desculpa por ficares esperando, é que nós TEMOS que fazer nosso grande passeio/celebração sempre neste horário e nessas vias daqui, mais movimentadas”.

    E se começa a haver grandes protestos de motoristas contra o MC, isso te faria pensar “putz, a gente tá incomodando um monte de gente mesmo”? Me parece que isso seria o pretexto para ascender ainda mais a ideia de polarização “carros x bicicletas”. E se tu ficasses sabendo de um caso particular: um professor que dá aula a noite, e que até saiu mais cedo de casa, e assim chegaria na escola até antes bem antes da hora da aula, justamente para pegar o ônibus antes do horário de maior engarrafamento, e que acabou chegando atrasado no trabalho em função do MC? Isso te faria pensar que “talvez” fosse melhor fazer diferente? Ou pensaria só no contra-ataque: “ele poderia ter se atrasado porque dois carros se bateram ou qualquer outra coisa” ? Faço esses questionamentos porque, se não faria diferença uma manifestação de incomodados ou saber ou não de um incômodo particular, torna-se cinismo argumentar minimizando o incômodo. Porque, de fato, não se está nem aí pra isso. E pior, pode ser até o contrário. O que se quer na verdade pode ser causar incômodo mesmo, quanto mais melhor. Pensa bem, seja sincero. Se a MC cai no meio de um feriadão, com as ruas quase vazias, como uma manhã de domingo, vai ter a mesma graça? Para mim, parece o melhor cenário para um passeio de bicicleta, mas aí não vai haver aquele gostinho de ver aquele monte de carros atrás, ouvir buzinas… Não teria a mesma graça, não é? Fala sério…. Ou teria. Teria mesmo? Não faz diferença atrapalhar mais ou menos? Bom, mas então porque não fazer sempre em dias, horários e vias que atrapalham menos?

  16. Rodrigues disse:

    Marcelo, novamente não havia espaço para resposta abaixo da tua última postagem, mas agradeço por procurares esclarecer algumas coisas. E podem ficar tranquilos que esta é minha última postagem, não faço questão de falar por último.

    Um aspecto bem claro é o seguinte:
    – Os participantes do MC não se importam que outros estejam sendo incomodados por eles.

    E não há problema em assumir-se essa postura se há convicção das razões para isto.

    Aliás, isso já estava claro, e é visível, inclusive, só que houve argumentações no sentido de minimizar o incômodo e dizer que não há manifestações de incomodados, etc. Entretanto, fica claro que estes não eram argumentos para serem levados em conta, pois é isso que vai fazer o MC mudar de planos. Por isso, na postagem acima falei em cinismo, assim como é bem claro o cinismo de se agradecer pela paciência de alguém que tu estás brigando a esperar, ou mostrar uma dizendo “buzine se gosta de bicicleta”. Cabe ressaltar que, no caso destes dois atos citados por último, o cinismo pode ser proposital, como provocação mesmo, o que pode estar de acordo com parte das intenções de protesto.

    Quanto ao motivo de não importar-se com incômodo causado, não seria uma indiferença egoísta, o que ficaria claro ao pensarmos no MC enquanto passeio/celebração. O motivo é de cunho político, pensando-se no MC como uma manifestação de protesto. Neste caso, mais do que ser indiferente, tem-se o objetivo de causar incômodo mesmo e, por isso, justifica-se que o MC deva ser nos dias, horários e vias de mais movimento. Isto também está claro.

    Esse objetivo pode ser só para afrontar o “inimigo” ou para chamar a atenção da sociedade para as causas defendidas. Com relação ao primeiro caso, apesar de ser perceptível uma polarização “bicicleta x carros” no MC, em nenhum momento isto foi expressamente defendido. Então ficaria claro também que:

    – Os participantes do MC fazem questão de promover sua manifestação/celebração de modo a causar mais incômodo porque julgam que isso é essencial para a defesa de suas causas, para provocar a sociedade à reflexão dos questionamentos.

    E, como disse o Marcelo, um dos maiores questionamentos que a MC faz é quanto ao uso do espaço público, ilustrados então por 6 questionamentos, aos quais eu procurei dar uma contribuição.

    1 – “Por que todo aquele espaço tem que ser um espaço morto?”
    Este conceito de “espaço morto” precisaria ser melhor definido. Pois é nas ruas e avenidas, seja na pista ou na calçada, que circula diariamente a grande maioria dos cidadãos. E entre os que estão na calçada, a maior parte está nesta condição de pedestre momentaneamente, até entrarem em um veículo, seja um carro particular ou de transporte coletivo para o trecho mais longo de sua locomoção.

    2 – “Por que os carros podem usá-lo e as pessoas não?”
    Os carros não são entes autônomos, portanto, não faz sentido dizer que os carros que usam o espaço e as pessoas não. As pessoas usam as ruas e avenidas para locomover-se, geralmente de carro ou de ônibus, mas também de bicicleta. A pé não se usa a rua porque para isso existem as calçadas. Mesmo em vias de pouco movimento e sem pavimentação, as pessoas poderiam andar no meio da pista, mas quando passa um veículo motorizado, uma carroça ou uma carreta de bois, pela maior largura dos veículos, o pedestre caminha pelo bordo da estrada em alguma área de calçada existente em frente às propriedades. É importante que as calçadas tenham uma largura adequada para o fluxo de pedestres, e o ideal é que tenham acessibilidade para cadeirantes e deficientes visuais, bem como espaços para arborização e infiltração. Assim, pra que andar na via?

    3 – “Por que aquele espaço não é uma área verde ou um espaço público?”
    Como está mencionado na pergunta seguinte, a rua é um espaço público. Um espaço destinado à locomoção. Por que as ruas não áreas verdes? Pelo mesmo motivo que os parques não são ruas. É uma questão de planejamento urbano. No meio rural, as propriedades são grandes e há poucos acessos para as localidades. Com a expansão urbana, ocorre o parcelamento de solo e a necessidade de mais vias de acesso. Ao transformar uma gleba de terras em loteamento, são definidos os lotes, as ruas, e a área verde, cujo percentual em relação à área total do empreendimento é estabelecido por leis municipais. Em áreas pertencentes ao poder público, também podem ser criadas praças, parques e até unidades de conservação.

    4 – “Por que ciclistas e pedestres têm de sair com medo de casa só por usarem o espaço público?”
    (ao contrário da anterior, nesta pergunta as ruas são tratadas como espaço público). Não sei quem tem medo de sair de casa… Acho que todos devem estar atentos aos potenciais riscos, como assaltos ou atropelamentos, que são maiores para quem mora em uma grande cidade. Respeitar a sinalização é uma forma de minimizar riscos, assim como andar nas calçadas, no caso dos pedestres e, no caso de ciclistas, próximo ao meio fio. Isso sem contar as ciclovias, o que é o ideal em termos de segurança.

    5 – “Como seria se na hora do rush tivéssemos milhares de bicicletas ao invés de centenas de carros?”
    Isso é um exercício de futurologia. Em dias de chuvas fortes, nem consigo imaginar. No geral, seria mais tranquilo e menos poluído, sem dúvida. Contudo, atualmente, o que se vê nas ruas é que as pessoas preferem se locomover de ônibus ou no seu carro particular, e até táxi talvez seja mais usado no dia-dia do que bicicleta. Nesse sentido, a opção mais fútil seria meramente o conforto do carro particular, porque para o percurso casa-trabalho-casa pode-se usar facilmente o transporte coletivo.
    Mas há que se considerar que, para muitas pessoas, o uso do seu carro particular é a forma mais fácil para que se busque os filhos na escola, passe no supermercado ou no banco, por exemplo.

    E por que as pessoas não preferem usar bicicleta? Existem alguns motivos que, para cada um, são objetivos: Levar filhos é um. Para muitos, também é complicado chegar no trabalho suado e não há como tomar banho e botar a roupa que precisa usar. E tem a questão do tempo. Para longas distâncias, mais de 10 km, por exemplo, mesmo que haja trechos de engarrafamento, os veículos motorizados, sejam carros ou ônibus, tendem a chegar mais rápido. Isso é importante porque as pessoas têm horários para seus compromissos e, após um dia cheio, querem chegar logo em casa. Além disso, a malha cicloviária pode não abranger o percurso que a pessoa precisa fazer e ela não se sentir segura para usar as rodovias. Claro, também existe a questão cultural, de hábito. Que bom que mais pessoas passem a andar de bicicleta e que haja mais ciclovias.

    6 – “Por que as pessoas acham aceitável perder 30min em congestionamentos causados por carros todos os dias e não podem perder menos de 10min olhando bicicletas passar uma vez por mês?”
    De fato, em um engarrafamento em Porto Alegre, pode-se demorar 30 minutos a mais do que demoraria com a pista mais livre. Mas os 10 minutos de perda de tempo pelo MC parecem estar subestimados. Se, conforme dados que apresentaste, Marcelo, com pouco mais 100 ciclistas, já eram cerca de 2 minutos por cruzamento (ou seja, 2 minutos para 10-15m), imagina que fica atrás do MC por 5 ou mais quadras de uma avenida.

    De qualquer modo, o mais importante é que o tempo que se perde num engarrafamento de carros seria análogo ao tempo que um carro perde atrás de bicicletas, caminhões de lixo ou qualquer outro veículo lento locomovendo-se no dia-dia. É o trânsito. Agora, uma celebração ou uma manifestação, poderia ser organizada em outro dia, horário e local.

    Neste caso, a compreensão para perder tempo em função do MC depende fundamentalmente entender o que está vendo como uma manifestação e não um grupo passeando e celebrando sem se importar com os outros. Isso pode ser difícil, já que as causas são difusas e, para quem olha, não há um discurso nem uma reivindicação clara.

    E claro, além disso, é importante que os questionamentos de cunho social sejam considerados consistentes e, principalmente, que o incômodo causado seja necessário as causas defendidas.

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