Massa Estatística

Esta Massa de ontem (16/12/11) estava simplesmente perfeita.

Clima agradável, já que caiu uma tromba d’água poucas horas antes (gastando todas as nuvens), e depois não choveu mais.

Bastante alegria e “barulho”, já que uma colega levou um saco de apitos e distribuiu pra quem quisesse. Afinal, comandante que se preza tem que ter apito.

Por falar em apito, demos uma passada na frente do Ministério Público, onde a galera cantou:

“Não temos comandante/Mas a Massa é gigante!”

Uma galera, todo mundo amigável, num espírito pacífico, afim de pedalar mesmo, praticamente zero estresse com motorista (ao menos que eu tenha visto), a não ser algumas impaciências mínimas.

E aí que eu gostaria de dar minha contribuição, porque ontem, que eu me lembre, aconteceu uma coisa inédita. Uma coisa que, no meu entender, foi a primeira de muitas e muitas que, infelizmente, ou felizmente, virão:

A Massa ficou presa atrás de um engarrafamento. De carros. Desses, que tem por aí, todo dia, toda hora.

Isso foi na João Pessoa, sentido centro-bairro, ali pelas 19:30 mais ou menos, e a galera preferiu dobrar à direita na Venâncio, em direção à Av. Érico Veríssimo.

Foi lindo de se ver, a Massa liberando o trânsito, e todo mundo que estava atrás, motorizado, acelerando desesperado (especialmente os motoqueiros), para poucos metros adiante se depararem com tudo parado (e não era lento, era parado mesmo, aquele “anda-pára” que a gente conhece bem. Devem ter pensado: “ué, mas não eram os ciclistas que estavam trancando tudo?”

Na Venâncio, depois de fazermos essa conversão, o sentido centro-bairro, ocupado por bicicletas, fluía que era uma beleza. Já o sentido contrário – parado, parado, parado… Assim não admira que não tenha havido surtos de impaciência: era claríssimo que não “precisa” de Massa Crítica pra trancar tudo. A coisa já está se trancando sozinha, a qualquer hora, em qualquer lugar. E aí tu olha pro lado, e as bicis vão embora!

E aí eu trago aqui, também, algumas informações novas e valiosas (daí a parte “Estatística” do título da postagem), fruto de um experimento extremamente simples e reprodutível: cronometrei quanto tempo leva a Massa para passar, do primeiro ao último ciclista, enquanto simultaneamente contava, um por um, todos os ciclistas que passavam. Vejamos:

  • A primeira medição foi logo que a Massa virou da José do Patrocínio, entrando na Venâncio à esquerda. Os 270 participantes levaram exatamente 2 minutos e 10 segundos para passar;
  • A segunda medição foi na esquina da Lima e Silva (por onde vínhamos) com a República. Os então 280 participantes levaram 2 minutos e 15 segundos;
  • A terceira medição foi na Venâncio de novo, mas agora no sentido HPS-MeninoDeus. A contagem foi feita na saída de um sinal vermelho em que a Massa ficou parada, portanto o grupo estava bem denso. Não contei o número de ciclistas, mas a passagem completa levou apenas 1 minuto e 45 segundos;
  • A última contagem foi na Siqueira Campos, com o grupo bem dispersado. Contei mais de 285 participantes (um colega disse que em certo momento contou mais de 295), e a passagem levou 2 minutos e 5 segundos.

Vejamos a seguinte interessante tabela:

Quantidade Tempo Bicis por segundo Por minuto Por hora
1) 270 2:10 (130s) 2,077 124,6 7477
2) 280 2:15 (135s) 2,074 124,4 7466
3) 280 1:45 (105s) 2,666 160,0 9600
4) 290 2:05 (125s) 2,320 139,2 8352

Algumas coisas chamam muito a atenção:

  • A quantidade máxima de ciclistas chegou a praticamente 300. Isso em uma Massa fora de época, cuja data foi definida com menos de uma semana de antecedência, em um dia que choveu pra burro durante a tarde. Lembro que ainda este ano, 300 pessoas em uma Massa seria considerado um recorde sem precedentes. Agora já está virando rotina (até porque esta Massa, visualmente falando, não poderia ser considerada “uma das maiores que já se viu”, acho eu.
  • O tempo total, contado no relógio, foi de POUCO MAIS DE DOIS MINUTOS!! Isso, em termos de trânsito porto-alegrense, não é NADA. Tem semáforos em que o pedestre tem que esperar quase isso para atravessar a rua. Tem semáforos atuados que levam esse tempo para fechar DEPOIS de apertar o botão. E, na boa, fala sério, alguém teria “coragem” de dizer que DOIS MINUTINHOS é tempo demais para esperar? Um comercial de TV dura isso.
  • A Massa anda devagar, isso ninguém nega. Nossa velocidade oscila entre 5 e 10 km/h, com alguns picos (mas certamente a média fica entre esses valores). Tem velocímetro que nem acusa a velocidade, de tão lenta. E, mesmo assim, nessas condições atipicamente baixas de velocidade, a Massa movimentou entre 120 e 160 pessoas por minuto, ou entre 7000 e 10000 pessoas por hora, seja em vias duplas (Venâncio), menos-que-duplas (Lima e Silva) ou quádruplas (Siqueira Campos). Não acho que seja inválido extrapolar esse fluxo para que se mantivesse por um tempo indefinido, pois a experiência comprova que há pontos da cidade, como a Av. Beira-Rio, que em determinados momentos do dia apresentam fluxo ininterrupto do modal-que-mais-ocupa-vias (automóvel particular).
    • Por falar em Beira-Rio (Edvaldo Pereira Paiva), por onde, no horário de picos, jorram rajadas incessantes de carros (não passam ônibus ali) ao lado de pessoas tentando curtir a orla, aproveitei para fazer o mesmo experimento ali, contando a quantidade de veículos por minuto. Durante dois minutos, o sentido centro-bairro, fluindo em condições típicas, movimentou 54 veículos. Supondo otimisticamente duas pessoas por veículo, seriam 54 pessoas por minuto, contra 125 de bicicleta (praticamente A METADE), e a um custo de ruído, poluição, risco, desgaste de pavimento e feiúra muito mas muito maiores.
  • Outra coisa que a bicicleta mostrou, de vantagem, é que aparentemente os semáforos e os estreitamentos de pista têm pouco efeito na fluidez. O maior fluxo (160 ciclistas por minuto) foi obtido exatamente depois de um ciclo de semáforo, já que a densidade de ciclistas aumentou muito. Além disso, o fluxo na Lima e Silva e na Siqueira Campos, a segunda sendo o dobro da primeira, foram numericamente muito semelhantes. Isso significaria, em um mundo utópico, que avenidas com metade do tamanho das atuais (e portanto calçadas com o dobro do tamanho das atuais) poderiam manter perfeitamente o fluxo de ciclistas com uma infraestrutura viária que não precisa ser superdimensionada.

Por fim, duas características importantes da bicicleta como modal me chamaram atenção.

Uma é que houve pedestres que preferiram não esperar a Massa passar, e atravessaram. E atravessaram mesmo! Foram indo, foram indo, as bicicletas foram desviando, eles foram se enfiando, até seguir o caminho do outro lado. Quando, mas QUANDO que daria pra fazer isso se estivéssemos de carro? Houve risco? Mínimo. Houve estresse? Nada! Em um modal que preserva a escala humana, no tamanho, na potência e na velocidade, onde além disso é possível se comunicar visualmente e verbalmente, é assim que funciona: “Com licença! Tou passando! Obrigado! Opa, opa!…”.

Outra é que ficou muito evidente que a largura da rua, comparando carros e bicicletas, tem um efeito muito diferente na eficiência do aproveitamento do espaço, em termos de densidade e de fluxo. Elaborando:

  • Para as bicicletas, acima de uma largura mínima (talvez menor que uma pista de tamanho médio), não faz sentido falar em “uma pista” ou “duas pistas”, já que bicicletas não andam em pistas, ou faixas. Cada espacinho a mais será ocupado por alguma(s) bicicletas a mais. No caso dos carros, uma pista e meia é igual ou até pior que uma pista única, porque de qualquer maneira não vão caber dois carros um ao lado do outro. E isso pra não falar das caminhonetes raça-forte e outros veículos de dimensões compensatórias.
  • É visível o “atrito” gerado no trânsito normal, pelos automóveis, devido à disputa contínua por espaço. Trocas constantes de pista, confluências em que a preferência não é clara, sinalização horizontal confusa ou inexistente, tudo isso cria, a partir de um certo ponto de densidade/fluxo, um efeito de saturação que faz a velocidade média despencar para um nível em que até caminhando se vai mais rápido. No caso das bicicletas, basta a já referida largura mínima, para que se mantenha um fluxo alto, com boa relação entre velocidade e densidade.
  • No caso dos semáforos, a densidade de automóveis parados é relativamente muito baixa. Já as bicicletas, nos semáforos, acabam apresentando uma densidade muito mais alta do que durante o fluxo. Além disso, aparentemente, a onda retrógrada de re-aceleração, quando abre o sinal, acaba permitindo que níveis altos de fluxo ocorram tanto em vias ininterruptas quanto em vias semaforizadas, já que, nas contagens, vimos que ocorre um pico de fluxo após a abertura de um sinal, em um trânsito puramente composto por bicicletas (obs.: essas são especulações que necessitariam de comprovação experimental).

Enfim, diria eu que essas medições e observações deverão desencadear, no ano que vem (que este já está no fim mesmo) algumas medições adicionais, para embasar nossas reivindicações junto às autoridades de trânsito, obras públicas, e ordem urbanística, por exemplo:

  • Medir o fluxo médio de veículos por faixa, durante o ciclo verde do semáforo, em avenidas representativas de Porto Alegre;
  • Medir a densidade média de veículos por km, ou por cada 100m, enquanto esses veículos estão parados no semáforo ou em um engarrafamento completo;
  • Medir a taxa de ocupação veicular (pessoas por carro) média, em pontos representativos de nossa cidade;
  • Medir (essa sim) o FLUXO DE PESSOAS dos principais CORREDORES DE ÔNIBUS de Porto Alegre. Me pergunto o impacto potencial de pegar algumas avenidas de três pistas da nossa cidade e trocar uma das pistas por corredor de ônibus, onde cada um leva mais de 40 pessoas…

Se para alguém pareceu que isso possa dar muito trabalho, posso garantir que é muito simples. Como cronômetro, usei meu celular comum, que está sempre comigo prontinho para ser usado. A contagem é menos trabalhosa do que parece. Contar os carros então é mais fácil ainda: eles passam velozes e fazem barulho, mas são relativente poucos comparados com uma massa de ciclistas a dez por hora.

Enfim, espero ter contribuído, especialmente para os vindouros debates com nossos governantes e nossas autoridades presentes e/ou futuros(as).

EDIT:
E, caso alguum contra-pseudo-estatístico esteja pensando que o que o pessoal da Massa pretende é que se proíbam os automóveis particulares, para que o mundo seja inundado por bicicletas sem fim, na verdade (diria eu)… não!

Uma coisa é ter condições de andar bicicleta decentemente na rua, sem que isso seja uma aventura com direito a adrenalina, cortisol e risco de vida.

Outra coisa é sair na rua com centenas de bicicletas, cantando gritando tilintando e apitando, incomodando muita gente em especial autoridades preocupadas com a ordem urbanística. Andar de bicicleta em cardumes é um meio, não necessariamente um fim.

Agora, SOLUÇÃO MESMO é a Política Nacional de Mobilidade Urbana. Leiam e fiquem chocados como eu fiquei, no bom sentido… (chocado mesmo vou ficar se essa lei sair mesmo do papel)

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25 respostas para Massa Estatística

  1. Olavo Ludwig disse:

    Como diria o Spock: Fascinante!
    Eu estou extasiado.
    fascinante

  2. Marcelo disse:

    A Massa não tranca, a Massa passa! E com uma eficiência de dar inveja a qualquer automobilista!

  3. O conhecimento combate a ignorância. No caso, de nossas autoridades de trânsito e imprensa, que por sua vez fomentam o desconhecimento da opinião pública, que ontem teve a oportunidade de refutar empiricamente a tese equivocada.

    • heltonbiker disse:

      Oportunidade de COMEÇAR a refutar empiricamente… Muito mais dados hão de vir… Devidamente documentados, é claro.

      • Rafael Zart disse:

        Putz… uma tese em meia dúzia de parágrafos. PERFEITO. Os engenheiros da EPTC leem essas coisas?

      • heltonbiker disse:

        Na real, os engenheiros sabem muito bem disso tudo. Quem não sabe, e não tem como saber, é o cidadão comum, que tem que aceitar o que a otoridade lhe impõe como fato, ou como plano, ou como sina.

  4. Naza disse:

    Concordo muito, Helton, que essa Massa (há meses não participava) foi mesmo muito legal,no bom astral que deveria caracterizar sempre a celebração a bicicleta.

  5. Klaus disse:

    ! 😀 ! Alegria Alegria ! 😀 !

    Ignorância se combate com conhecimento e violência se combate com amor !

    Vamô ! ! !

  6. Beto Flach disse:

    Uau, Helton. Ótimo estudo.

    Permita-me fazer uma ligeira contribuição numérica à tua “dissertação”! 🙂

    Falando da Beira-Rio (Edvaldo Pereira Paiva), onde mencionas “Durante dois minutos, o sentido centro-bairro, fluindo em condições típicas, movimentou 54 veículos. Supondo otimisticamente duas pessoas por veículo, seriam 54 pessoas por minuto” o mais indicado parece ser ” seriam 128 pessoas por minuto.

    Logicamente, a conclusão se alterará um pouco também. Talvez, seria de que, ao altíssimo custo ambiental do modal automotor e na utópica perspectiva de haver duas pessoas em cada automóvel (em média), o fluxo entre automotores e bicicletas se equivale.

    Teu texto vale leitura, releitura, trê-leitura… muito de política de mobilidade se pode tirar dele. Oxalá pinte uma nova reunião entre gestores públicos ou vereadores, ou candidatos ou sei lá quem pra tratar do assunto porque, em minha percepção, nos útlimos meses, acumulou-se em Porto Alegre, por mobilização e reflexão de tantas e tantos ciclistas, um arcabouço sem precedentes acerca de uma cidade mais sustentável, uma cidade voltada às pessoas, à convivência, e comprometida com futuras (e presentes!) gerações.

    Parabéns, velho!

    Um abraço.

    • Beto Flach disse:

      Ooops! Outra contribuição numérica (agora, pra mim!!!)… 54 + 54 = 108! Ou seja, nem na melhor hipótese de haver duas pessoas em cada carro, os fluxos se aproximam! Caso houvesse duas pessoas por carro, em média, ainda assim o fluxo de pessoas, usando bicicletas, seria praticamente 20% superior.

      • Olavo Ludwig disse:

        Beto, o Helton colocou os números certos. 54 carros em 2min, ou seja 27 carros a cada minuto assim com duas pessoas por carro temos 54 pessoas/min. Os 2 min. foram pegadinha do Helton, logo que li também pensei em 108, mas logo percebi a diferença. 🙂

      • heltonbiker disse:

        Exatamente, 54 carros em DOIS minutos! ;o)

  7. Aldo M. disse:

    É interessante fazer estas comparações secas entre o carro e a bicicleta, comparando apenas fluxo de pessoas por hora, por exemplo. Mostra que o automóvel só compete com a bicicleta em ocupação racional de espaço em trechos longos sem semáforos e em alta-velocidade.

    Mas o mais importante para as pessoas costuma ser o tempo de deslocamento. Numa grande metrópole, não existe um modo de transporte mais rápido para todas as situações: às vezes é a bicicleta, às vezes o ônibus ou mesmo (arg!) o carro.

    É importante, então, mostrar para as pessoas uma comparação honesta para poderem escolher a melhor opção em cada caso.

    A verdade irá aparecer: para uma grande parte das pessoas, embora não para todas, a bicicleta será a forma mais rápida de fazer seus deslocamentos. E, nestes casos, nem será necessário fazer considerações adicionais de despesas, poluição do ar ou utilização eficiente das vias urbanas.

    Por exemplo, uma bicicleta leva 10 minutos para fazer 2 km, num ritmo bem confortável, sem necessidade de suar. É muito difícil fazer este trecho de carro em menos tempo numa cidade, parando em semáforos e procurando vaga para estacionar. De ônibus, pode levar mais que isso apenas para chegar na parada.

    Estas informações, por si só, podem levar muitos a trocarem seu meio de transporte habitual pela bicicleta. Experimentem perguntar para amigos ou colegas qual o tempo e distância de seus deslocamentos diários. A maioria deles irá se surpreender quando descobrir que de bicicleta poderiam levar menos tempo.

    • Larry disse:

      Com certeza surpreende!!
      A última vez que calculei, fiz uma média de 16 km/h no meu trajeo para o trabalho. Trajeto de aproximadamente 4 km em15 min.
      Minha bici não é nenhuma speed e eu vou num ritmo que considero moderado.
      Sempre que encontro um bus acabo buscando ele em todo trajeto. Ou seja, a velocidade média do bus, ao menos no meu trajeto, não chega a 20 km/h.
      Só esses 15 min q eu faço 4 km era oq eu costumava ficar parado esperando no terminal. Quem troca o ônibus por bicicleta com certeza sai ganhando.
      As vezes bate uma preguiça de ir de bici e até penso em pegar um bus, mas só de lembrar o tempão perdido, já me animo rapidinho e saio pedalando. xD

  8. Fernando Filho disse:

    Legal a ideia!

  9. Aldo M. disse:

    A velocidade permitida em frente ao Mercado Público e em frente à Rodoviária é de 60 km/h!

    Vi as inscrições no asfalto durante o passeio da Massa. Hoje fotografei uma placa de 60 km/h no final da Elevada da Conceição, pouco antes da passarela para pedestres que está interditada.

    Faz poucos dias que um cidadão morreu atropelado em frente à Rodoviária. Imediatamente, a Prefeitura e alguns setores da grande imprensa se apressaram em acusar os pedestres de imprudentes. E qual a responsabilidade de uma administração municipal que considera o Centro Histórico de Porto Alegre uma pista de corrida para automóveis?

    Me dá arrepios em pensar que essa coligação PSDB-PDT pode ficar ainda mais um ano governando nossa cidade.

  10. Mario Terrazas disse:

    Sem palavras pra este post, Helton, parabéns. Tanto pelo esforço na colheita de dados quanto pelas excelentes idéias que eles proporcionaram.

  11. Felipe Koch disse:

    Parabéns Helton, bela dialética: transformando idéias em dados e em novas idéias que gerarão novos fatos.

  12. Luís Gustavo disse:

    Só gostaria de comentar sobre a estatística feita na avenida Beira Rio, onde dizia que passavam 54 pessoas por minuto de carro, enquanto a média de bicicleta era quase o dobro. Acredito que haja um erro nesse cálculo, sendo que as medidas de aproximadamente 2 minutos para a passagem dos 200 a 300 ciclistas foram tomadas quando os ciclistas estavam acumulados e partiram juntos num momento. É com quase certeza que digo que se acumularmos 150 carros com duas pessoas cada partindo juntos, eles passariam com um menor tempo que as bicicletas. De resto, bom pedal a todos.

    • Marcelo disse:

      Só tem uma falha no teu raciocínio, Luís. A Beira-rio tem uma faixa única, um carro parado ocupa uns 4 metros de comprimento na faixa. Para “acumular” 150 carros seria necessário 600m de pista (150×4)! Só aí tu já tens um congestionamento. 🙂

    • Aldo M. disse:

      Dá uma olhada no meu comentário sobre Phantom Traffic Jams
      https://vadebici.wordpress.com/2011/12/23/mp-apura-atuacao-de-grupo-de-ciclistas-em-porto-alegre/#comment-12142

      O grande erro do teu raciocínio é supor que os 150 carros partirão juntos. Sendo extremamente otimista, eu diria que um carro leva 2 segundos para arrancar depois que o da frente arranca. Só este aspecto faz com que leve 300 segundos (5 minutos) para todos os carros começarem a se movimentar. Depois disso, eles estarão sujeitos ao fenômeno do Phantom Traffic Jam que periodicamente estanca o tráfego sem que haja nenhuma causa aparente. Não é sem motivo que nos países desenvolvidos, com congestionamentos também mais desenvolvidos, haja uma forte tendência de boa parte da população substituir o carro pela bicicleta – simplesmente é mais rápido no trânsito urbano, e às vezes até em auto-estradas (eu já levei 3h de carro para fazer 90km de Porto Alegre a Osório – isto dá 30km/h de velocidade média, uma velocidade de bicicleta). A recente decisão de aumentar a velocidade máxima da Free-Way para 110 km/h não terá nenhum efeito prático de aumentar o fluxo de veículos nos horários em que este for mais intenso – é apenas um engodo para iludir e atrair motoristas para pagar pedágio.

  13. Fabrício disse:

    muito bom Helton! É por iniciativas como as tuas, pensadas láá adiante é que no futuro todo mundo sai ganhando 🙂 Um abraço e feliz natal pra ti e pra tua família

  14. Aldo M. disse:

    Antes tarde que nunca. Parabéns por mais este excelente trabalho, Helton! Foi incrível como conseguiste fazer todas as tomadas de tempo em diversos pontos e ainda ter tempo de compartilhá-los durante a Massa Crítica com diversos integrantes, inclusive comigo. Ações como essa ajudam muito a destruir o mito, ainda existente para alguns, do automóvel como forma de transporte mais rápido que a bicicleta nas saturadas vias urbanas.

  15. Pingback: Vamooo , :) ! | Vá de Bici

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