Valeu Azul!

Vou postar aqui uma certa incongruência.

Talvez não seja entendido, talvez não concordem comigo, talvez eu não tenha razão.

Mas digo uma coisa, hoje cheguei em casa depois de participar da Massa Crítica, fui ver um comentário do meu amigo Fernando Pavão no forum Pedal, aqui:http://www.pedal.com.br/forum/massa-critica-quem-apoia_topic43747_post765912.html#765912

Comentei o relato dele com o que eu também vi no passeio:

Vi os ônibus se metendo no meio do passeio na Av. Júlio de Castilhos e sendo contidos pelos agentes da EPTC.

No passeio de dezembro vi dois ocupantes de um veículo saindo de um carro, um com barra de ferro e outro com corrente e serem contidos pelos agentes da EPTC.

Já vi motoristas, motoqueiros e taxistas tentado atrapalhar o passeio e sendo contidos pelos agentes da EPTC.

Vejo também que os passeios têm aumentado muito em público, muitas pessoas novas indo.

As pessoas que falo agora acham o Massa Crítica mais correto, pois como a EPTC acompanha as pessoas entendem que o passeio está dentro da Lei que não há abusos.

Agora está bem mais fácil convencer as pessoas a irem ao Massa Crítica, as pessoas não têm mais medo de conflito e sensação de estarem fazendo algo abusivo.

Eu pessoalmente não me importo tanto com isto, já ia antes da Eptc e vou seguir indo com ou sem eles.

Agora o que tenho a dizer aqui e que é um pouco incongruente é que alguns motoristas nos injuriam e se manifestam contra nós, o que respondemos para eles: “Mais Amor”, “Obrigado por Esperar”.

Isto é o que dizemos para pessoas que estão nos agredindo verbalmente e que talvez se pudessem estariam nos agredindo fisicamente.

Agora para os agentes que estão nos acompanhando e pedalando junto conosco, para estes que estão nos ajudando a controlar o trânsito em nosso entorno, até mesmo nos protegendo, o que dizemos?

Quando é um ciclista que pára o trânsito sempre dizemos: “Valeu Rolha!”.

E quando um agente pára o trânsito para nós passarmos, alguém já agradeceu?

Eu sei que talvez muitos não concordam comigo, são contra os agentes por serem autoridades, representarem o Estado e a opressão.

Mas eu sinto que são pessoas que estão pedalando junto comigo, que estão assim como cada um de nós eles também colocando a roda da bicicleta na frente do para-choque dos carros.

Sei que muitos já fizeram manobras para enganar os azuis e tirar a massa do trajeto para dificultar o acompanhamento deles.

O que eles fizeram? Voltaram e seguiram acompanhando pacientemente.

Sinceramente, tenho me sentido constrangido nesta questão, a não manifestar a minha gratidão por gente que está junto comigo me ajudando, me sinto constrangido.

Estou com um grito trancado na minha garganta que gostaria de ter gritado no final do passeio:

VALEU AZUL!

 

 

 

 

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39 respostas para Valeu Azul!

  1. Daniel Serafim disse:

    Excelente comentário e apoio a sua opinião que nada difere da minha na questão do apoio destes profissionais do trânsito que ajudam a dar mais segurança e legitimidade para a massa/bicicicletada.

    Fiz inclusive um comentário no vídeo que eu fiz:

    Abração

  2. Henrique Geremia Nievinski disse:

    Muito bem lembrado! Estão fazendo um ótimo trabalho

  3. virtu disse:

    Isso ai Aires… Concordo plenamente e também sinto o mesmo.

  4. Fabrício disse:

    Eu acho que a atuação dos ciclistas da EPTC é muito boa, mas aí estamos falando de profissionais que trabalham no front, que vivem as incongruências da instituição em que eles trabalham e devem estar se sentindo parte da Massa agora, de realmente serem AGENTES TRANSFORMADORES do trânsito e não “o azulzinho que dá multa lá”. Isso é muito bom e parece estar surtindo efeito (eu tive nessa dos caras com barra de ferro, deus me livre…).
    Outra coisa são os cabeças de EPTC, prefeitura e governanças que continuam fazendo esse jogo eleitoreiro e de dar chapéu, isso a gente não pode esquecer.

  5. Matheus disse:

    Particularmente acredito que os fiscais da EPTC estão fazendo pouco. Ontem por exemplo, viu-se inúmeros motoqueiros e carros tentando (e muitas vezes com sucesso) furar a barragem dos agentes, e sem autuações. As seguintes leis são desrrespeitadas em frente dos agentes com certa freqüência e nada fazem:

    Art. 170. Dirigir ameaçando os pedestres que estejam atravessando a via pública, ou os demais veículos:
    Infração – gravíssima;
    Penalidade – multa e suspensão do direito de dirigir;
    Medida administrativa – retenção do veículo e recolhimento do documento de habilitação.

    Art. 220. Deixar de reduzir a velocidade do veículo de forma compatível com a segurança do trânsito ao ultrapassar ciclista:
    Infração – grave;
    Penalidade – multa;

    Art. 38. Antes de entrar à direita ou à esquerda, em outra via ou em lotes lindeiros, o condutor deverá:
    Parágrafo único. Durante a manobra de mudança de direção, o condutor deverá ceder passagem aos pedestres e ciclistas, aos veículos que transitem em sentido contrário pela pista da via da qual vai sair, respeitadas as normas de preferência de passagem.

    • Cynara disse:

      Matheus, acho até que tens razão. Vi muitos ciclistas ontem simplesmente desconhecendo nossos gritos de “pedestre na faixa de pedestre” e inclusive os azuizinhos pedindo para os ciclistas pararem e os ciclistas não parando para pedestres (alguns parando, outros desconhecendo o pedestre, o que causa uma confusão enorme em quem tentava atravessar); Então, Matheus, sim, os azuizinhos deveriam estar autuando também os ciclistas. Não queremos uma sociedade injusta, com dois pesos, duas medidas, não? Multa para os motoristas, multa para nós, ciclistas dentro da bicicletada.

    • airesbecker disse:

      A Lei que os motoristas desconhecem e que poderia resultar em autuação é este artigo:
      Art. 213. Deixar de parar o veículo sempre que a respectiva marcha for interceptada:
      I – por agrupamento de pessoas, como préstitos, passeatas, desfiles e outros:
      Infração – gravíssima;
      Penalidade – multa.
      II – por agrupamento de veículos, como cortejos, formações militares e outros:
      Infração – grave;
      Penalidade – multa.

      • pedrolunaris disse:

        Eu acho muito interessante, abrindo uma outra discussão (sobre a qual ainda escreverei no blog), que as leis que falam do trânsito são excelente para se ver como não temos uma orientação que dê conta da especificidade das bicicletas. Aqui, na citação que o Aires traz, provavelmente seriamos enquadrados enquanto “veículos”, o que está muito bem; exceto que, no caso de uma colisão, as bicis estão até mesmo mais expostas que as motos – e também porque o comportamento das bicicletas no trânsito é bastante e importantemente diferente do das motos. A gente fala “atropelamento”, pelo código seria “abarroalmento”, como quando um carro bate em outro. A gravidade prevista é outra. Não sei, me parece que falta previsão para a especificidade da bicicleta…

  6. Maurício Porto disse:

    Muito feliz a colocação. Eu também estava lá e observei o tempo todo o apoio e companheirismo dos ciclistas da EPTC. Na hora do “die-in” nas esquina da Ipiranga com a Érico, um CICLISTA da EPTC deu início à salva de palmas depois do tempo de silêncio. Após algum tempo de palmas de todo mundo, ele comentou emocionado “É isso aí, excelente, pessoal.”.
    Vou repetir a expressão acima, para destacar mesmo: “um CICLISTA da EPTC”.
    Me junto aos agradecimentos.

  7. heltonbiker disse:

    Concordo com o Aires. Tenho a impressão de que o fato dos agentes estarem de bicicleta pode ter algo a ver com isso, seja porque eles “sentem mais na pele” a questão da diferença entre motorizados/não-motorizados, seja porque na bici a perspectiva e a condição deles é mais semelhante à do restante dos participantes, seja porque há uma “seleção natural” e os agentes que acabam indo são mesmo os que gostam de bicicleta e/ou de andar de bicicleta.

    De qualquer maneira, podemos ver de forma INQUESTIONÁVEL que houve uma mudança diametral na natureza do acompanhamento da EPTC, que antes tinha muitos motoqueiros enlouquecidos, e agora tem os agentes-ciclistas que estão nos dando uma bela de uma mão.

    VALEU, AZUL!!

  8. Bom, eu não participo da massa, mas fui na pedalada ontem, e no centro eu vi o ônibus tentando entrar no meio das bicicletas e os agentes parando o cara. E fiquei muito feliz de ver a EPTC controlando o trânsito e, especialmente, os azuizinhos com as bicicletas personalizadas. Os caras se arriscaram no trânsito tanto quanto os outros ciclistas, se são mais.
    Mas vale ressaltar que, assim como teve motoristas irritados, tentando furar o protesto, teve ciclistas fazendo barbeiragem. Não da pra cobrar respeito quando não se demonstra respeito.

  9. Aires, como sempre impecável, tu percebeste os pontos importantes deste jogo. Sinceramente não tenho absolutamente nada contra a empresa EPTC, tudo pelo contrário tenho muito mas muito mesmo a favor. Eles multam, que bom, algo foi feito errado. Ficam escondidos para multar, que bom, exerçam essa autoridade da forma que acharem necessária, mas nunca contra a lei, sempre a favor.
    Ontem presenciei quando um motorista atropelou o ciclista da EPTC deixando literalmente o carro encima da bicicleta.
    O atropelador, se chamou de POLICIAL ao qual o azulzinho solicitou os documentos, puxou do bolso um papel, tamanho ofício no qual parece que era uma autorização de uso do carro ou similar e mostrou para o agente de trânsito. Imaginei que aquele fosse um carro daqueles aprendidos que roda com autorização judicial, cedido para ações policiais pelo Poder Judiciário.
    O agente de trânsito falou que aquele documento estava vencido, que a validade era Fevereiro e que mandaria no dia seguinte recolher este carro e o notificar o POLICIAL pelo atropelamento, mas que hoje ele não ia fazer isto, porque tinha ….“coisa mais importante para fazer, proteger este grupo de ciclistas de gente como o senhor”…. “ até está me parecendo que o senhor está alcoolizado, bom amanhã a gente vê” …
    Eu sinceramente achei fantástico, o azulzinho teve uma atitude firme ele viu que ia ser atropelado pelo cidadão, mas ainda assim fez questão de proteger os ciclistas ficando na frente do carro.
    Meus caros amigos que discordam de mi e possivelmente do Aires, quando vemos pessoas que na sua função vão alem dos limites requeridos, devemos elogiar, elogiar muito, porque este azulzinho que constantemente estava na frente, nas laterais do protesto e na retaguarda va alem da função encomendada e por isto é digno de elogios e de admiração.
    O agente de trânsito só cumpre com uma função que regula o trânsito da cidade e pela sua presença inibe que sejam cometidos delitos de trânsito maiores dos que são cometidos.
    Me junto ao grito do Aires com toda a intensidade possível: VALEU AZUL!!!!

  10. Tássia Furtado disse:

    Ontem durante nossa pedalada vi vários momentos em que fica claro como algumas pessoas só respeitam quando estão diante das ‘autoridades’. Mas o que mais me chamou a atenção foi ao retornamos ao Largo e me deparar com os vários Azuis reunidos, trocando ideias sobre a manifestação e muito satisfeitos.

    VALEU AZUL!!!

  11. Marcelo disse:

    Pra mim o principal problema do acompanhamento da EPTC é que ela faz as pessoas acharem que não é necessário que elas zelem pela sua própria segurança, pois a EPTC esta lá para isso e também o fato de com a presença da EPTC, haver menos interação entre motoristas e ciclistas.

    Ontem, por exemplo, a massa se dividiu ao meio pois havia um cruzamento em que a EPTC não estava presente e não havia ninguém fazendo rolha, então quando o sinal abriu para os carros, eles entraram no meio, quebrando a massa em dois. Eu não lembro disso ter acontecido em bicicletadas sem a presença da EPTC, pois as pessoas não sentiam a necessidade de fazer a rolhagem. Depois disso, os rolhas “acordaram” e daí pra frente a bicicletada foi mais tranqüila.

    Outra coisa que me incomoda um pouco é que com a EPTC acompanhando as pessoas perdem também a iniciativa de tentar resolver de forma autônoma e pacífica os conflitos no trânsito. Pra mim isso é algo que a sociedade toda precisa exercitar, resolução pacífica de conflitos, sem depender do estado para isso.

    Mas isso não é nenhuma crítica aos fiscais da EPTC, pelo contrário, acho que eles agiram de forma bem eficiente e sem interferir muito na dinâmica da bicicletada. O problema é que a presença deles muda o comportamento dos participantes.

    Pena que eles trabalham pra uma empresa corrupta como a EPTC.

    • dailor disse:

      Concordo com o Marcelo. Talvez o momento seja de contribuição dos fiscais da EPTC, que tem mesmo feito um bom trabalho. Mas o ideal é que a Massa e qualquer outra manifestação que ocupe a rua tenha sua legitimidade reconhecida independente da presença do estado. Isso pode levar tempo, ok, mas não se pode perder de vista.

      Justamente por isso é que o protagonismo deve continuar sendo nosso, como resolver os conflitos, interagir com motoristas e fazer a rolha. Não fui ontem, mas na última Massa percebi que o pessoal tentava não deixar apenas a EPTC fazer a rolha; alguns ciclistas até se colocavam entre os agentes e os motoristas, para serem vistos. Talvez isso seja um bom exercício para fazer uma “transição”. abs

  12. Juliano disse:

    Só acompanho a Massa desde dezembro de 2011, e a eptc já estava junto. Para mim, eles fazem parte da Massa, e acho que a presença deles é um bom sinal. Se eles tentam “controlar”, logo percebem que não tem como, e passam a andar com todos. Não vejo eles como representante da autoridade, ou, pelo menos, vejo eles como ciclistas antes de autoridades. Continuarei indo nas pedaladas da Massa mesmo que a eptc pare de nos acompanhar, mas, sinceramente, espero que isso não aconteça.

  13. Santiago disse:

    De fato, os agradecimentos e o reconhecimento aos ciclistas da EPTC ontem são inquestionáveis. Todavia, penso que a presença deles na Massa desencadeou um efeito bom e outro nem tanto. Como o Aires mencionou, os Azuis tem passado a imagem para a cidade de que o poder público reconhece e concebe as atividades da Massa. Isso concede uma adesão maior das pessoas à bicicletada. Outro ponto é que eles assumiram quase todas as atividades dos rolhas. Eles as fazem com competência, mas isso prejudica a interatividade dos participantes com os motoristas, como o amigo falou a cima. Interatividade essa que eu pessoalmente acho fundamental conservar. Penso que teremos apenas que saber lidar com esse novo elemento, incentivando todos a fazerem a rolha mesmo junto com os ficais da EPTC. Deve haver uma vontade dessa interação por parte dos participantes, que por sinal, deve ser harmônica e pacífica, com a intenção de conscientizar.

    Sobre a questão de parar sempre para a passagem dos pedestres. Eu era adepto a essa cultura também, mas pensando melhor depois, percebi o óbvio. Isso prejudica a dinâmica das bicicletas e dá margem para os vazios que os carros gostam tanto de se atirar.

    • Cynara disse:

      Seria um grande absurdo não dar preferência ao pedestre, ele tem preferência absoluta no trânsito, seja no texto do código, seja no mundo que desejamos. Entre o ciclista e o pedestre, o último tem prioridade absoluta. Esperar o pedestre não faz quebrar a massa de forma significativa, e o pedestre no meio da massa não é um risco para a massa – e sim para o pedestre. Por isso, ele tem que ter assegurado o seu direito de atravessar, ele o faz em poucos segundos, não chega a quebrar a massa mais do que quebram os ciclistas desatentos que ficam papeando (o que é ótimo, não estou criticando). Apenas acho que o argumento da quebra da massa não é importante aqui. (sendo importante, claro, quando a quebra se dá pela entrada de um automóvel que nos coloca em risco).
      No mais me alio ao VALEU, FISCAL DE TRÂNSITO.

  14. sara disse:

    eu adoro quando a EPTC vai, de bike!
    e não me contive, no final agradeci a eles! E a impressão que me deu é que eles são a massa crítica tanto quanto nós! tavam com a mesma cara de satisfação que eu tava! e falavam empolgados do passeio, igual a todos os ciclistas que tava no largo.

  15. airesbecker disse:

    E para quem considera que o essencial da massa é o conceito de subversão, esta adesão da EPTC da pode ser considerada a maior das subversões!

    E mais, se alguma vez for implantado o Plano Cicloviário em Porto Alegre sabe quem vai implantar, vai ser a EPTC, e vai ser fiscalizado por estes agentes de bicicleta que agora nos acompanham.

    VALEU AZUL!!

    • Ah, o tal do Plano Cicloviário em Porto Alegre… Sou cético em relação a isso…
      Estive em Buenos Aires há algumas semanas e não consigo deixar de ficar pasmo quando percebo o contraste do engajamento do poder público de lá em prol da bicicleta com a resistência traduzida em enrolação do poder público daqui. Lá, a gente vê o que o poder público pode fazer quando quer fazer e não é demagogo. Não fui a fundo, apenas ouvi dizer que as ciclovias foram questão de apenas alguns anos, que antes não havia. O argentino que me disse isso, disse pra enfatizar que as medidas hoje vigentes em prol da bicicleta em BAires não têm uma consistência histórica. Não se deu conta de que acabou por dizer que quando o poder público quer fazer alguma coisa de uma hora pra outra, faz.
      Pra mim, por enquanto, fica a imagem de que o poder público de nossa cidade faz bastante quando tolera a massa crítica, já que não assume abertamente que não quer a mudança do status quo da mobilidade social em Porto Alegre.
      Gosto muito da participação dos agentes da EPTC na massa crítica e por diversas vezes já pensei em acompanhá-los em algumas rolhas. Mas sou tímido, apesar da minha bicicleta…
      Abraços a todos!

      • airesbecker disse:

        -“já que não assume abertamente que não quer a mudança do status quo da mobilidade social em Porto Alegre.”
        Assume sim, em todas as reuniões com os membros da prefeitura fica bem claro que esta administração não quer alterar o modelo.

        Para isto só trocando a administração.

  16. Olavo Ludwig disse:

    Indo de bicicleta tá beleza!!!

  17. Cynara disse:

    Aliás, essa terminologia “azulzinho” ´no lugar de fiscal de trânsito foi reforçada pela mídia, desde quando começou a orquestrar a campanha contra a fiscalização no trânsito, chamando as multas aos infratores de “indústria da multa”. Na verdade, há setores da sociedade que querem os automóveis livres para fazerem o que bem entendem e à margem da lei. O melhor caminho para desautorizar a fiscalização? Diminuir a importância dos fiscais, ridicularizá-los. Que outra categoria é chamada com um diminutivo da cor da roupa do uniforme?

    Ninguém chama os policiais militares de marronzinhos, nem os médicos de branquinhos, os juízes de pretinhos.

    Então acho que nós podemos chamá-los de fiscais do trânsito, que aliás, quando eles o são, é ótimo! Como não tenho nenhum problema com autoridade (teria, claro, com autoritarismo que é completamente diferente), não vejo problema na presença dos fiscais de trânsito na massa.

    • Cynara estou totalmente de acordo contigo e gostaria de recomendar a todos a leitura do livro “Fé em Deus e pé na tábua” do Professor Roberto Da Matta, no qual ele faz uma análise sociológica muito interessante do nosso comportamento no trânsito das cidades. Nele fala do velho “sabe com quem tu estas falando?!!” que nada mais é que uma vergonha nacional, mas super utilizado no dia a dia; agora se do outro lado tiver um agente de trânsito, no lugar do “azulzinho”, fica difícil a entonação destas miseráveis seis palavras. Eu realmente tenho também um problema com autoritarismo e não tenho nenhum problema com autoridade.
      Ainda, se nos cometemos o erro de confortavelmente ter esquecido as rolhas, bueno, isto não é culpa da autoridade de trânsito e sim nossa e de nossa acomodação.
      Mais uma não foi uma Massa Crítica e sim um protesto, uma manifestação e como tal tem outras particularidades que nada tem a ver com a Massa e sim com uma manifestação popular em luta por direitos. Não vamos confundir as Massas com os protestos ou manifestações, porque são essencialmente diferentes; estas confusões depois são mal utilizadas.
      Por favor peço desculpas pelo meu texto acima que se refere em duas ou três oportunidades ao “azulzinho” que se colocou a frente de um carro, que o atropelou, tentando furar o protesto. De novo VALEU FISCAL DE TRÂNSITO

  18. Marcus Brito disse:

    Agradeço aos agentes da EPTC que nos acompanham em toda oportunidade.

    São pessoas sérias, que estão ali pedalando 15 ou mais quilômetros conosco, até tarde da noite, *a trabalho*. São pessoas que tentam apaziguar eventuais conflitos, e que estão sempre tentando nos proteger. Estão trabalhando, mas são sempre cordiais, batem papo, puxam palmas com o resto dos ciclistas, participam.

    Tenho sérios problemas com a EPTC. É um órgão nada transparente, com políticas que vão na contramão da mobilidade urbana, inchado e ineficiente. Mas apesar disso, individualmente, os agentes destacados para nos acompanhar fazem um ótimo trabalho. Aliás, o fato deles conseguirem fazer esse bom trabalho apesar de todos os problemas torna o feito ainda mais notável.

    Muito obrigado, muito obrigado mesmo, a todos os agentes que nos acompanham. Vocês estão de parabéns.

  19. pedrolunaris disse:

    Eu tenho tido uma boa relação com os azuizinhos de bicicleta. Inclusive, na Pedalada Nacional da Terça passada (que não foi uma Massa Crítica, Aires), fiz uma sugestão para um deles que estava fazendo rolhagem em uma sinaleira, quando o pessoal que pedalava havia decidido esperar no sinal pelos outros que ainda desciam da rampa do túnel. Sugeri que deixasse que os carros passassem, e ele, aparentemente achando uma boa ideia, fez exatamente isso. Quer dizer, há muito espaço para o diálogo, e acho que o pessoal que pedala junto está incorporando várias técnicas que vem se construindo coletivamente nas pedaladas.

    Claro, ainda tem pontos que me doem por sermos ajudados por autoridades. Por exemplo, acho que isso nos distancia dos outros cidadãos, que por muitas vezes se refream porque ganhamos um “oficialismo”. Eu não quero um oficialismo instituído, eu quero o encontro e a criação coletiva, inclusive com aqueles que estão aparentemente em posições opostas a minha em um dado momento. Mas esse é um ponto dentro de vários que me ocorrem, não é hegemônico. No momento, não tenho uma opinião só, homogênea, sobre a participação das ditas autoridades, EPTC e PM. Só posso dizer isso: meu convívio com aqueles que estão pedalando desses dois órgãos tem sido muito mais próximo, e isso me cativa muito.

    Mas acho terrível quando temos escolta de veículos motorizados. Nesse caso, continuo sendo totalmente contra.

    • pedrolunaris disse:

      Vale dizer que qualquer contrariedade que eu tenha em relação ao acompanhamento das ditas autoridades se refere ao jeito que nós, social e culturalmente, lidamos com esses mecanismos e funções, e no que isso implica no encontro que temos uns com os outros. Não tem nada a ver com os indivíduos, e, como disse, tenho tido boas a excelentes relações com as pessoas que estão no papel de funcionários dessas entidades e tem nos acompanhado de bicicleta. Inclusive tenho reclamado de atitudes que não concordo, como andarem velozmente pela calçada, exatamente da mesma maneira que reclamo quando qualquer pessoa de bici o faz durante uma pedalada. E é bom encontrar que o lugar, dentro de mim, de onde vem essa reclamação tem sido cada vez menos pautado por ser uma pessoa de uniforme, e cada vez mais simplesmente por ser uma pessoa de bicicleta.

  20. lobodopampa disse:

    “Ninguém chama os policiais militares de marronzinhos, nem os médicos de branquinhos, os juízes de pretinhos”

    essa foi ótima, valeu…

    verdadeiro e engraçado

  21. Marcio Chagas disse:

    Um dos Agentes se formou comigo na PUCRS em Direito, sei que ele ama a bici e o que faz…. segurança para todos

    VALEU AZULLLLLLLL

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