Para garantir conversão rápida de veículos, EPTC proíbe pedestres de atravessarem a rua.

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Para garantir a rápida conversão de veículos, a EPTC instalou placas proibindo os pedestres de atravessar a rua em dois cruzamentos da Avenida Independência, na região central de Porto Alegre.

Essa sinalização, é geralmente utilizada para proibir a circulação de pedestres em vias expressas e viadutos, espaços onde a velocidade dos automóveis é grande e não há passeios públicos seguros. Entretanto está sendo utilizada em uma das avenidas mais nobres da capital gaúcha.

Isso não apenas vai completamente contra a atual tendência de humanizar as cidades, mas é uma infração ao Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental (PDDUA) de Porto Alegre, lei complementar 434, que trata em seu capítulo dois da Estratégia de Mobilidade Urbana:

Art. 6º A Estratégia de Mobilidade Urbana tem como objetivo geral qualificar a circulação e o transporte urbano, proporcionando os deslocamentos na cidade e atendendo às distintas necessidades da população, através de:

  1. prioridade ao transporte coletivo, aos pedestres e às bicicletas;

  2. redução das distâncias a percorrer, dos tempos de viagem, dos custos operacionais, das necessidades de deslocamento, do consumo energético e do impacto ambiental;”

Ou seja, a EPTC está violando os dois primeiros itens do artigo 6º do PDDUA:

  1. viola o primeiro item ao não garantir a prioridade dos pedestres  sobre o trânsito de veículos particulares. Se  a prioridade fosse a circulação e a segurança dos pedestres, existem diversas medidas que poderiam garantí-las, antes de proibir a travessia, tais como:
    • pintura de faixa de segurança inexistente há anos no local;
    •  redesenho do cruzamento com tachões e tinta forçando a redução de velocidade do motorista que faz a conversão;
    • instituir um terceiro tempo no semáforo para garantir um momento exclusivo para pedestres atravessarem a via;• proibir a conversão de veículos;
  2. ao aumentar as distâncias e o tempo de viagem dos pedestres na região, que não podendo atravessar ali e fazer o caminho mais curto, terão que fazer um trajeto maior atravessando mais vias, e expondo-se a mais riscos.

Em zonas de conflito e sob o pretexto de “garantir a segurança do pedestre”, a EPTC acaba  por coincidência, sempre priorizando e agilizando o fluxo de carros, nunca controlando e restringindo a circulação de automóveis, mas sim os pedestres.

 

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12 respostas para Para garantir conversão rápida de veículos, EPTC proíbe pedestres de atravessarem a rua.

  1. Ricardo disse:

    Enquanto o Cappellari estiver no poder vai ser isso aí. O cara admite publicamente que as prioridades são os motorizados(ônibus e depois carros).

  2. André Gomide disse:

    Dá vontade de ir lá e “beijar” a placa…só de raiva. Ou melhor …pq não ir até o local e fazer diversas fotografias e colocar no Face?????….vários selfies com o mesmo #…tipo: #queropassar…tentar criar um viral.

  3. Maurício Tavares disse:

    Essa placa fica no cruzamento entre a Independência e a Av. Santo Antônio. Na direção Centro-Bairro, pela Independência, essa placa fica imediatamente depois da esquina da Independência, onde os carros convertem à esquerda, quando sobem pela Santo Antônio. Acontece que na outra esquina da Independência com a Santo Antônio tem uma sinaleira e uma faixa de segurança. A placa, portanto, é para insistir que os pedestres UTILIZEM a faixa de segurança para atravessar, pois, no trânsito, não importa quem está certo ou errado, o pedestre é sempre o lado mais fraco.

    • Marcelo disse:

      Nós sabemos onde fica essa placa e ela é o exemplo maior de carrocentrismo desta prefeitura. É claro que o pedestre é o elo mais fraco, mas atropelamentos não se resolvem impedindo o pedestre de atravessar as ruas, mas educando e punindo os motoristas que não respeitam o pedestre.

    • Felipe X disse:

      Ou seja, o pedestre (que pode ser alguém com dificuldades de locomoção, etc) tem que fazer mais duas travessias usando seu esforço físico (talvez debaixo de chuva) para que quem está dentro de um carro sentado e com o ar condicionado não se estresse por ter que esperar mais 2mins?

      • Maurício Tavares disse:

        Considerando a largura de uma rua, são 10m a mais, não é o fim do mundo. E não discordo que o planejamento de qualquer cidade deva ser feito considerando o trânsito de pedestres, justamente por ser a parte mais fraca, passando para os ciclistas e assim por diante. A questão é que todo titular de direitos também é titular de deveres, e o pedestre também deve contribuir para garantir sua própria segurança, ou você acha correto que pedestres atravessem correndo a R. da Conceição ao invés de utilizar a passarela?

        Em um ponto de difícil visibilidade, como é para quem converte à esquerda na Santo Antônio com a Independência, por mais cuidadoso que seja o motorista, ser surpreendido por um pedestre atravessando a rua em local não seguro pode ser desastroso para o motorista e fatal para o pedestre. Desastroso, porque ninguém quer ter o sangue de um inocente nas mãos. Não se está falando em 2min a mais para o motorista, pois talvez nem dê tempo de esperar esses 2min, é essa a questão.

        Eu compreendo a crítica, apenas não concordo com ela nesse caso específico. Deve haver razoabilidade, sob todas as perspectivas. Não há como garantir a segurança de um pedestre em 100% dos locais, 100% do tempo, por isso que se insiste nas travessias em faixas de segurança.

      • Felipe X disse:

        Medir o esforço apenas pela distância não me parece razoável. A região é cheia de aclives e estamos falando do cruzamento de ruas, não de uma área livre. Há tempos de sinaleiras, faixas de segurança não respeitadas…

        Se não há visibilidade para os motoristas, a solução é a instalação de sinaleiras.

        Sobre a conceicao, é uma situação completamente diferente. Podemos debater em outro momento 😉

      • Maurício Tavares disse:

        Mas tem uma sinaleira naquela exata esquina! Apenas fica antes do cruzamento, e não depois. Enfim, não estou aqui para convencer ninguém, apenas manifestei minha visão sobre este caso específico.

      • Felipe X disse:

        Sim, antes do cruzamento, então se o pedestre quer fazer a travessia onde vão botar a cerca, precisa cruzar duas ruas a mais.

        Veja bem, não acho que isso seja questão de certo ou errado, é questão de visão de cidade. Eu acho que principalmente no centro o pedestre tem que ser prioridade absoluta. Entendo quem pensa diferente, mas não é o tipo de cidade que eu gostaria de morar (mas moro).

      • Felipe X disse:

        Claro que nunca podemos considerar um cruzamento como um elemento isolado nas ruas. Eu trabalho perto do centro e me impressiono como na rua Espírito Santo (e entorno) o pedestre ou atravessa fora da faixa ou tem que ficar atravessando a rua em zigue-zague a cada 1-2 quadras. As faixas são colocadas de maneira a “atrapalhar menos os carros”.

  4. Pablo disse:

    Offtopic: Votação para projeto de incentivo à bicicleta.

    “Você concorda com o projeto (PL 6474/09) que cria o Programa Bicicleta Brasil? O programa exige que todas as cidades com mais de 20 mil habitantes tenham ciclovias e bicicletários.”

    http://www2.camara.leg.br/agencia-app/resultadoEnquete/enquete/919EF771-611D-4A08-A21D-9F67FD44C0F3

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