Por que eu vou parar de usar freio torpedo (e recomendar)

Me sinto na obrigação de publicar esse texto para todos xs ciclistas que também têm utilizado freio torpedo (ou fixa). Hoje eu não entrei na estatística dos ciclistas mortos ou fraturados porque tive a sorte que o ocorrido foi dentro da ciclovia da Vasco da Gama, onde pude tentar parar com calma. Depois de ter pedalado quase o dia inteiro, subindo e descendo lombas íngremes, minha corrente abriu-se e logicamente fiquei sem freio. Enfiei o pé na frente, entre a roda e o quadro, e a minha bicicleta foi parando muito aos pouquinhos. O desfecho poderia ter sido muito trágico se isso tivesse acontecido em qualquer outra parte do meu trajeto que não fosse a ciclovia. Muito grata pela sorte.

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Foto da internet, não é a minha corrente

Já prevendo o que muitos vão pensar: “o problema foi a corrente vagabunda ou mal colocada, não há sentido em demonizar o freio torpedo”. Tá certo, mas o fato é que eu não sinto mais confidência nesse tipo de freio que tenho usado há bastante tempo. E não é só por causa de hoje – eu já vi corrente caindo da bicicleta mais de uma vez, em uma outra bicicleta com freio torpedo. A outra ciclista também teve sorte que foi numa rua tranquila ou na calçada. A questão é que não é muito difícil que correntes caiam, abram-se ou dêem qualquer problema, e quando isso acontece, quem não tem freio de mão fica literalmente na mão. Solução pra isso, comprar a melhor corrente do mercado? Pode até ser, mas pela minhas experiências eu não confio mais nem assim. O que garante que o próximo mecânico não vai colocá-la de qualquer jeito e ela vai abrir (ou cair) quando eu estiver descendo a Nilo?

Eu adoro ter a bicicleta clean e sem aqueles cabos, mas minha confidência e segurança ao pedalar é muito mais importante. Outra opção para quem estiver concordando comigo é manter o torpedo e colocar um freio de mão de segurança, mas como o meu tem feito barulhos – apesar de levar em mecânicos -, pesa e é uma “caixa preta” que eu absolutamente não sei o que tá acontecendo por dentro, vou largar de vez e voltar pros freios de mão que são muito mais “auto-consertáveis” se eu tiver as ferramentas.

Obs: meu objetivo com esse post não é defender que todos arranquem seus freios torpedos, apenas me senti na obrigação de publicar isso para que outrxs ciclistas pensem a respeito da vulnerabilidade e dependência sobre a corrente (pra quem não tem nenhum freio de mão) e tirem suas conclusões sobre o que é melhor para si.

 

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14 respostas para Por que eu vou parar de usar freio torpedo (e recomendar)

  1. marcelo disse:

    revisar a bicicletinha é muito importante, falta de lubrificação na corrente, pode ocasionar desgaste prematuro. Tensão de menos na corrente faz com que ela escape. E certamente há oficinas que não deixariam isso passar em branco. A que eu trabalho é uma delas.

    Cuide-se! [usa um freio na frente, é discreto e o cabo é bem pequeno.]

    • Melissa disse:

      É evidente que eu sei que revisar a “bicicletinha” é importante, aliás a minha estava recém revisada. Como eu já falei no post, uma opção é usar um freio de mão de segurança, sim (mas não foi a minha decisão pessoal). Só que no caso de estar numa descida, só ter o freio da frente também não é lá super seguro.

      • Rodrigo Tonet disse:

        Na verdade, uma corrente estourada é um defeito bem “bobo”, vamos chamar assim. Uma corrente de qualidade, bem ajustada e lubrificada não arrebenta, salvo em caso de desgaste excessivo, quando deve ser substituída previamente. Não é só bicicleta que usa transmissão por corrente, até alguns motores de carro e avião usam corrente no comando de válvulas, justamente por ser uma alternativa mais confiável que a correia dentada.
        Andei a vida inteira com freio torpedo (justamente por necessitar menos manutenção) e nunca tive problema com corrente.

  2. lobodopampa disse:

    Não existe corrente que não arrebenta nunca. É uma questão de (muito) tempo. A única exceção são as (muitas) bicicletas que viraram cabide ou depósito de pó…

    Minha filha tem uma aro 20″ com torpedo e 1 freio de mão – V-brake, que é ótimo. É uma LINDA bicicletinha. Nem só de ausência de cabos se faz a beleza.

  3. Marcelo disse:

    Concordo contigo, Melissa. Considero arriscado utilizar freios contra-pedal (ou uma fixa sem freios) como a única opção.

  4. Pablo disse:

    A vantagem dos freios normais é que são dois e não apenas um, como no freio torpedo ou fixa. Com os freios normais, dificilmente estragará o dianteiro e o traseiro ao mesmo tempo. Assim sempre se consegue frear, mesmo que se tenha só o freio da frente, é só não frear com tudo que a bike para sem problema.

    Aliás, a forma correta de frear é sempre usando os dois freios ao mesmo tempo, isso melhora a frenagem e reduz a possibilidade de derrapar o pneu traseiro e se desequilibrar.

  5. ermindo disse:

    Acredito que se nova a corrente foi mal instalada se usada ela já tinha passado o momento de troca há horas. Qqr bicicleta com uma manutenção mal feita é um perigo real.

    • Melissa disse:

      Sim, qualquer manutenção mal feita pode ser um perigo, mas se a tua única opção de freio é um torpedo (ou fixa), o risco é muito maior. Isso que eu quis dizer.

  6. Alexandre Porto disse:

    Eu admiro quem tem a coragem de usar uma Fixie! Além de ser extremamente elegante!

    Massss… Freio é vital! Falhas de corrente acontecem, principalmente quando não se usa uma corrente específica para bicicletas fixas ou torpedao. Tem umas correntes novas inclusive com cores e materiais especificos.

    Mas qual o custo de UM freio dianteiro bom? Estética? Hunnnn… Compra uns tubos coloridos… faz umas outras loucuras… use a criatividade… mas de forma alguma deixe de ter algum freio na bicicleta.

    Outra opção na ora do cagaço é usar uns tenis mais pesados… e meter o pé na roda traseira e não a dianteira

  7. Olavo Ludwig disse:

    Logo que recuperei uma Brisa, coloquei um nexus 3 com freio contrapedal, descendo a Cavalhada caiu a corrente, o problema foi que a tinta nova cedeu um pouco e a corrente ficou frouxa, pulei da bici e sai rolando, a sorte é que não estava ainda na parte forte da descida e que não tinha muito movimento na rua, só me esfolei um pouco, no mesmo dia pedi para o Macedo colocar freios de mão, só contrapedal nunca mais!

  8. Aires disse:

    Cada bicicleta tem um uso.
    Uma aptidão.
    Bicicleta fixa é bicicleta de pista.
    Foram desenvolvidas para os velódromos.
    Freio torpedo é para Cruiser, para bicicleta confortável de passeio leve no plano, para andar na beira da praia ou no parque sem preocupação.
    Mountain bike ou BTT é para fora de estrada e Road Bike é para estrada.
    O certo de usar na cidade deve ser as city bikes como as holandesas omafiets ou as mixte francesas, bicicletas confortáveis, práticas e seguras, com a conveniência de um bagageiro, paralamas e tapa correia.

    • Felipe X disse:

      EHhehhE… como não tenho uma garajona para guardar todos meus modelos fico pedalando na cidade com minha MTB.

    • Guilherme disse:

      É, o ‘clean’ das bicicletas fixas tem seu charme, mas sempre acho perigoso o uso que muitos fazem dela. Eu, por utilizar a bicicleta todos os dias, por muitos quilômetros e no meio do trânsito pesado, procurei a melhor opção para tal: uma híbrida, aro 29, pneus finos, porém com freios a disco hidráulicos que me dão uma segurança que não abro mais mão. Cada uso, um uso.

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