Fortunati, jovens, trânsito e árvores.

Relato de um cidadão aí pelas redes sociais descrevendo um diálogo entre o prefeito de Porto Alegre e estudantes adolescentes.

Prefeito Fortunati reinaugurou a Praça da Encol esta tarde, ele anda fazendo isso, mês passado foi uma praça aqui do meu bairro, ele manda fazer a manutenção da praça e depois vai lá e reinaugura com direito a discurso, fotos e coisa e tal.

Coisas de Fortunati.

A Encol é frequentada por muitos jovens, ele não esperava por isso, e foi convidado para um chimarrão com a gurizada:

Aluna: Qual o motivo da prefeitura derrubar tantas árvores na cidade?

Fortunati: Para melhorar o tráfego de “automóveis”.

Aluna: Mas qual a razão da prefeitura não investir em ciclovias e no transporte público?

Secretário da Juventude: Vocês querem uma cidade só de ciclovias???

Amigos da aluna: Simmmmm!!! (essa eu gostei, claro que eles não querem uma cidade “só” de ciclovias!!!)

Fortunati: Vocês são jovens, não entendem a diferença entre árvores nativas e exóticas…

Aluna: Sei sim, nativas foram as que o senhor arrancou no Rio Branco e exóticas são as que o senhor arrancou na orla da Guaíba, todas são árvores e foram arrancadas para dar espaço para carros.

Fortunati e secretário da juventude, já indo embora:

– Vocês são jovens, não sabem…

Esses jovens não sabem nada mesmo…

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7 respostas para Fortunati, jovens, trânsito e árvores.

  1. Felipe X disse:

    Desmerecer por causa da idade? Que falta de argumento.

  2. Felipe X disse:

    Interessante ele ignorar a parte de mercado público. A estratégia foi ad hominem desde o início.

  3. HUE disse:

    Os ~adolescentes~ em questão provavelmente eram só um bando de piá que nem usam bicicleta como meio de transporte primário, devem ser uns que são levado de cima para baixo no carrinho do papai ou da mamãe. Exigir melhorias no transporte publico vá, vários usam ele, mas exigir ciclovias em demérito de automóveis é burrice. Entendam, é extremamente errado exigir que pessoas que precisam percorrer uma longa distância todos os dias abram mão de um carro para usar bicicleta só por que sim. Sem contar que ciclistas reclamam constantemente da falta e educação dos condutores de automóveis mas sempre vejo bicicleteiros fazendo escrotice no trânsito, principalmente a galerinhas das fixa. E não, eu não possuo carro, muito menos bicicleta, sou só um pedestre, muito cansado de só ouvir ciclistas reclamando mas tendo a mesma postura irresponsável.

    • heltonbiker disse:

      Estamos numa cidade e numa época em que mesmo os muito jovens jamais vão esquecer de culpar o prefeito cuja administração realizou uma operação militar para prender um punhado de jovens, na calada da noite, e simultaneamente à prisão cortou as árvores em tempo recorde, com um arsenal de retro-escavadeiras, guindastes e holofotes, antes mesmo de o sol nascer. Isso vai muito mais além do que Ciclovias vs. Avenidas-de-oito-pistas…

    • Felipe X disse:

      Nossa, pelo jeito o “HUE” conhece de perto os tais jovens para falar com toda essa propriedade.

      Fora isso, é perda de tempo querer justificar mau comportamento de motoristas tomando como base que há maus ciclistas. Óbvio que eles existem, pois o mesmo imprudente que anda de carro pode a qualquer momento subir em uma bicicleta ou vice versa. A cultura que está errada, mas de qualquer maneira o mais forte deve zelar pelo mais fraco. É isto que está no código de trânsito!

      Sobre as ciclovias, elas podem parecer que tiram espaço dos carros mas no momento que tivermos centenas de pessoas usando elas, vai sobrar mais espaço para eles. Note que o evento aconteceu próximo a praça da Encol, onde talvez estes jovens morem e onde há muito comércio. Quem mora naquele entorno quase nunca precisa de fato usar um carro, mas muitos usam um por que tem medo de pedalar.

  4. Martina disse:

    Eu, a “aluna” hahah, fiz um relato um pouco mais completo da situação… Segue abaixo:

    NOSSA PREFEITURA É UMA PIADA
    (o texto tá grande, eu sei, mas peço para que façam um esforcinho.)

    Moro no bairro Petrópolis, mas confesso que não sou uma frequentadora da praça da Encol. Entretanto, ontem, pelo final da tarde, fui tomar um chimas ali com o João Alfredo, a Anna Paula, a Júlia e o Fernando, meus queridões. Mal sabia a gente quem nos esperava. Ele mesmo: O Sr. Prefeito. Estava lá para inaugurar oficialmente a entrega da praça para a construtora Melnick Even. Após uma entrevista em que perguntaram a um dos meus amigos quais foram as melhorias notadas na praça(OBS: nenhum de nós sabia dessa tal ”parceria”), fomos presenteados com um breve discurso do Prefeito Fortunati e, acreditem se quiserem: no discurso, falou o número de árvores existentes em POA, o número de praças, de parques e disse que o seu plano de governo era pela preservação e qualificação desses pontos ambientais da cidade. Isso é só um resumo, pois a mentirada foi além. Enfim… Ao terminar de falar, vaiamos, é claro. Quando foi se despedir abanou para nós e eu logo fiz um sinal com a mão chamando-o para a nossa rodinha. Chegou, cumprimentou. “E aí Fortunati, senta aí pra tomar um chimas com a gente” – claro que ele não sentou, já pensou sujar aquela calça social na grama? Mas, ao menos, se acocou e aceitou o mate. Gentil e sorridente, se sentindo no meio da galere jovial. Aí o jogo virou: mal sabia ele o que o esperava… Sua perguntinha inicial foi o que nos bastou: O que estão achando da parceria com a Melnick Even?
    “Na verdade, senhor prefeito, não sei se curti muito não” (João)
    “To achando com cara de privatização de um espaço público…” (Eu)
    Neste momento, o prefeito arregalou os olhou e já ameaçou levantar. Mas manteve a calma e pensou em uma resposta rápida.
    “Por que vocês tem essa mania de chamar tudo de privatização? É uma parceria. Esse espaço tá se tornando cada vez mais público, estamos revitalizando a praça”
    “Sei não… Espero que sim! Fiquei sabendo disso agora, mas espero que não aconteça como o Largo Glênio Peres, que foi vendido para a Coca-Cola”
    Sr. prefeito, agora, se levanta com cara de indignação.
    “O que aconteceu lá? O que foi de ruim que aconteceu lá?” (nessa hora me emp*teci)
    “Cadê os artistas de rua? Cade os uruguaios e peruanos tocando flauta? E que coisa ridícula foram aquelas faixas da coca-cola no meio do largo? Com certeza não é mais um lugar público.”
    “Como assim??? Aquele lugar tá cada vez mais público, vcs jovens não entendem isso, tem mania de falar que é tudo privatização. Agora o pessoal que monta aquelas barraquinhas não precisa mais pagar para montar suas barraquinhas, tu sabia que antes eles pagavam?”
    “Ahhhh é mesmo?? Então vai me dizer que aquelas feiras com toldo branco que andam rolando é de graça? é só chegar lá e por a mercadoria?”
    Nessa hora, ele não respondeu… puxou seu celular do bolso e disse: “Quer ver como é público aquilo ainda? Vou te mostrar uma foto que tirei do meu gabinete ontem, o pessoal fazendo festa lá”
    Me mostrou uma foto de uma meia dúzia de pessoas reunidas. Não entendi muito bem o que tava rolando e perguntei: “Isso é o largo vivo? não sabia que teve ontem!”
    “Isso mesmo, largo vivo”
    “hum… aquele que fica um monte de policial em volta, só esperando pra achar algum tumulto?”
    “Não, não é bem assim. Ontem não teve nada disso”
    VEJAM SÓ: acabei de ficar sabendo, logo que cheguei em casa, que o que rolou lá ontem foi uma apresentação dos corais das escolas municipais de Porto Alegre. No mínimo, irônico.
    Nessa hora, uma mulher perguntou no ouvidinho dele se ele precisava de ajuda. Hello, amiga, quem tá precisando de ajuda aqui nessa cidade somos nós!
    Continuando…
    “Bom, prefeito, espero não me decepcionar com essa praça como me decepcionei com o Largo Glenio Peres”
    “Eu GARANTO pra vocês que não vão se decepcionar”
    “Legal… E quanto às 1.300.000 árvores? Tu tá falando sério que estão sendo mantidas?”
    Nessa hora chegou o adorado do nosso Secretário da Juventude, alegando com o dedo para cima que a prefeitura, no ano passado, plantou 29mil árvores. “E nesse ano, arrancaram quantas?”
    “Como assim? Não arrancamos nada”
    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK – PAUSA para rir dessa piada. O cara é bom…
    João se enfureceu “não, mas só um pouquinho……… e a palhaçada lá da orla do guaiba? aquilo foi sacanagem”
    Prefeito, com um ar de superioridade incrível: hahah aquilo foi necessário… vocês não tiveram aula de biologia no colégio? Não sabem o que são árvores exóticas. Não sabem a diferença entre exóticas e nativas. E aquelas eram exóticas.
    Pois eu sei sim! – disse eu, pê da vida – As de lá eram exóticas, mas as que o senhor mandou arrancar no bairro Rio Branco eram nativas. E mesmo assim, exóticas ou não, não havia necessidade de ter arrancado. Arrancar para mais carros passarem? Não é justificativa alguma.
    O Fortuna já estava sem argumentos e sem nem ter o que falar. Estava sendo bombardeado por 5 adolescentes que não sabem de nada.
    “Que árvores do Rio Branco?”
    Júlia, moradora de tal bairro: Sabe as arvores que ficam em canteirinhos nas calçadas? Todos os moradores da minha rua receberam um aviso para que elas fossem retiradas.
    “Viu, vocês não entendem disso… Acontece que esses canteiros precisam passar por uma vistoria e devem ser regularizados, pois não podem atrapalhar a passagem de cadeirantes, por exemplo.” (engraçado é que fiz um trabalho acerca dos problemas ambientais de Porto Alegre há pouco tempo, há cerca de dois meses, e o bairro que o meu grupo foi encarregado de pesquisar era justamente o RB. Adivinhem: um dos maiores problemas era a falta de acessibilidade para cadeirantes. A retirada de árvores não resolveu? Que surpresa.)
    Eu, que já estava com o rosto vermelho, imagino, e sabendo do ocorrido: Ah é? Então pq os moradores não foram informados de que seria necessária essa vistoria ao invés de receberem uma carta com o prazo de uma semana para a retirada das árvores, e ainda sujeitos a uma multa altíssima? Não to culpando o senhor, possivelmente não saiba disso mesmo.
    “Bom, se foi assim, foi um equivoco mesmo”
    “Pois é, mas agora as árvores já tão arrancadas, e aí?”
    Com um sorriso no rosto e ainda dizendo que ‘quando vcs crescerem vão entender’ foi se despedindo, pois precisava mesmo (aham) ir embora.

    Ficou o secretário, Luizinho Martins, agachado na minha frente com uma cara de muito incomodado. Não quero reproduzir aqui todos os detalhes da baboseira que foi essa conversa, vou só citar algumas partes.
    * “Isso é muita hipocrisia, sabe pq? Por que a maioria desse pessoalzinho que quer ciclovia tem milhões de ações que estimulam a venda de carros”
    * “Não vamos ser hipocritas, como vocês se locomovem?”
    “de bus”, “olha, meus pais não tem carro, não tenho outra opção: bus, bike ou a pé” (aí, nessa hora, ele me disse que eu sou exceção), “meus pais tem carro, n vou mentir, mas ando por aí primeiro a pé, em segundo lugar ônibus e muito às vezes de carro”, “os meus tbm, mas sempre uso bus ou bike”, “eu a pé na grande maioria das vezes”.
    * “O grande problema é essa geléia, mas vocês não entendem isso ainda. O que estraga é o governo lá de cima ser de um partido e aí, em alguns estado, o governo ser de outro”
    “Ah, então quer dizer que o Brasil todo devia ser governado pelo PDT?”
    Ficou pensativo… “Não… Outro então… o PT mesmo!!” falou isso apontando pra mim, com um sorriso de quem descobriu que sou dilmista. Nem dei bola, pq realmente não entendi o que posição política tinha a ver com querer uma melhoria na mobilidade urbana da cidade.
    * “Vocês querem o que então? Uma cidade tomada de ciclovias????” (essa foi sensacional!)
    * “Eu SÓ ando de carro. Vocês precisam entender: os trabalhadores tem que chegar mais rápido no seu trabalho”
    “Deixa eu falar, por favor? (Sério, o cara não parava de falar e quando eu tentava responder ele me interrompia. Tava no estilo domingão do faustão.) Não tem sentido alargar vias para acabar com o engarrafamento. Quando alargarem, as pessoas vão pensar que podem, finalmente, sair de carro sem pegar trânsito e vão cada vez mais usar os seus carros. Aí, vai engarrafar de novo e o que vai ser feito dai? Alargar mais ainda? A solução é investir em meios de transporte alternativos e coletivos.”
    E, na verdade, eu inventei um pouco dessa parte do texto, pq eu não consegui terminar a frase como coloquei aqui. Era impossível.
    Com uma cara de extremo incômodo e indignação, Luizinho se despediu, mas deixou o telefone para a gente continuar a discussão. Espero que seja verdadeiro o número.

    OBS1: Não coloquei todas as nossas respostas ao Luizinho, pois acho que o ênfase deve ser exatamente ao que o nosso Secretário da Juventude pensa e fala, para avaliarmos quem está nos representando.

    OBS2: Logo após, vimos um morador (e ciclista) reclamando de que na noite anterior estava passando pelo parque com a sua filha e tentou entrar, mas alguns seguranças não deixaram, alegando que estava fechado. Que tipo de “público” é isso?

    OBS3: Quem se interessar, veja essas duas matérias sobre o assunto (uma com a visão do secretário e outra com a de um morador da região):

    http://wp.clicrbs.com.br/zhbelavista/2013/09/24/artigo-do-leitor-utilizacao-dos-espacos-publicos-mais-qualidade-de-vida-urbana/?topo=13%2C1%2C1%2C%2C%2C13

    http://wp.clicrbs.com.br/zhbelavista/2013/09/24/artigo-do-leitor-beach-tennis-tirou-espaco-do-volei-na-encol/?topo=13%2C1%2C1%2C%2C%2C13

    OBS4: Tinham muitos fotógrafos lá, e, nessa hora da discussão, se empolgaram no obturador. Deixo a enquete:

    Qual foto sairá na mídia?

    O prefeito discutindo política pública com uma menina de 17 anos? Ou o prefeito aceitando uma cuia de mate de jovens que apoiam as mudanças na praça?

    OBS5: Que raiva termos esquecido de gravar!!!

    • Felipe X disse:

      O bom desse teu relato é que dentro da soberba deles de dizerem que por ser jovens vocês não entendem eles demonstram que eles não entendem de mobilidade.

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