Ciclovia da Vasco, mudará de lado ao longo da via.

A EPTC decidiu fazer alterações no projeto da ciclovia da rua Vasco da Gama — ela continuará agora pela própria Vasco da Gama até a avenida Goethe, ao invés de entrar na rua Miguel Tostes e acessar a Goethe pela rua Liberdade, conforme o projeto apresentado pela EPTC à comunidade.

A troca de lados se dará entre as ruas Ramiro Barcelos e Miguel Tostes. Segundo a equipe técnica da EPTC, a decisão de continuar pela Vasco da Gama foi feita pois a Vasco da Gama estaria gravada no Plano Cicloviário, enquanto que a Miguel Tostes não. Enquanto que trocar a ciclovia de lado da rua foi necessário pois

“a chegada da ciclovia na Av. Goethe precisa ser do lado direito da via, devido ao ingresso dos veículos da Av. Goethe para a R. Vasco da Gama. Neste ponto o raio giro da via é ruim, devido a um poste existente na esquina. Já houve várias tentativas de retirar este poste junto à CEEE, mas que não obtiveram resultado. Além do poste há um galeria pluvial de difícil remanejamento.”

Captura de tela de 2013-12-17 12:11:21

Rua Vasco da Gama no entroncamento com a Av. Goethe.

Eu sinceramente acredito que esta não é a melhor solução, não apenas pelo fato da troca de lado criar mais um obstáculo e risco aos ciclistas, mas também pelo fato de que forçar os motoristas a reduzir a velocidade, com um ângulo maior na esquina, me parece ser uma excelente medida de acalmia de tráfego (traffic calming) que ajudaria também a proteger os pedestres que atravessam no local, que raramente têm o seu direito de travessia respeitado.

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18 respostas para Ciclovia da Vasco, mudará de lado ao longo da via.

  1. Jean Waghetti disse:

    O problema das ciclovias aqui em Porto Alegre é que, apesar de serem construídas, deixam para trás a segurança dos ciclistas e não têm nenhuma integração com o resto do trânsito. As ciclovias estão ali, mas não garantem a fluidez ao trânsito de bicicletas, sendo necessário pressionar botões para que o semáforo abra (e, em todos os casos, o sinal chega a ficar aberto duas vezes para os carros após o botão ser pressionado).

  2. Felipe X disse:

    E por que não é a direita desde o início da Vasco, como é o mais seguro? Alguém sabe?

    • Marcelo disse:

      No caso de uma ciclovia bidirecional, não é mais seguro deixá-la à direita, pois os ciclistas que vêm no contrafluxo ficariam presos entre os ciclistas que vêm no fluxo dos carros e os próprios carros. Deixando a ciclovia bidirecional do lado esquerdo, os ciclistas que vem no contrafluxo ficam mais seguro, estando ao lado do passeio.

      Se realmente não é possível deixar a ciclovia do lado esquerdo no início da Vasco, creio que o mais sensato fosse deixá-la a direita o tempo todo, só que preservando o estacionamento no mesmo lado da ciclovia, de forma que os carros estacionados protejam o ciclista dos carros em circulação. Esse tipo de estratégia é seguro se houver um espaço livre entre o carro estacionado e a ciclovia, de forma que portas abertas não interfiram nem coloquem em risco o trânsito de bicicletas.

      • Felipe X disse:

        Essa ideia que barreiras (seja de outros ciclistas ou de estacionamento) tem embasamento técnico e o ganho é observavel? Pergunto por que pedalo muito na Icaraí e vivo com medo de portadas dos carros estacionados e os cruzamentos são meio tensos. Os carros estacionados não diminuem a visibilidade de quem está pedalando para quem dirige?

  3. rbfanti disse:

    Isso só vai funcionar se a ciclovia tiver barreiras de verdade, que impeça que o carro passe por cima da ciclovia, senão sabe como vai ser, carro fazendo a curva, em cima da ciclovia … que é bem provável que aconteça, porque duvido que alguém da EPTC tenha coragem de por uma proteção de verdade, afinal é só ciclista…

    • Marcelo disse:

      Não há por que não colocar proteções eficientes. Na ciclovia da José do Patrocínio a EPTC colocou em alguns pontos aquelas muretas/blocos de concreto que tem cerca de 80cm de altura. Creio que isso bastaria para impedir que os motoristas entrem na ciclovia ao fazer a curva.

  4. fmobus disse:

    Essa solução é abjeta, é horrível. Típico da incapacidade técnica dos engenheiros da prefeitura, uma demonstração irrefutável de sua incompetência, falta de criatividade, e falta de sincronia com práticas de mobilidade modernas.

    Seria muito mais simples manter a ciclovia exatamente no lado esquerdo da via, e melhorar a geometria da curva que os veículos fazem – coisa que é possível sem remover o poste. Eu vejo pelo menos duas formas de fazer isso:

    1) “antecipa” a curva dos carros, fazendo com que ela seja antes do poste (ver [1]); talvez isso vá requerir uma poda daquela árvore que está à direita do poste, mas não é nada impossível; com isso, o espaço entre o poste e a calçada da esquerda poderia ser “fechado”, e a ciclovia atravessaria esse espaço fechado.

    2) move todas as faixas da Goethe uns dois metros pra esquerda, isto é, remove um bocado daquele canteiro central, substituindo por espaço na calçada/canteiro da direita. Com isso, a conversão dos carros seria mais “gorda” e teria visibilidade melhor. Essa solução poderia certamente incluir o fechamento daquele trechinho da Mariante.

    Essencialmente, o motorista estaria dobrando e o ciclista seguindo reto (mesmo que por pequeno trecho), de forma que a preferência é do ciclista, como prevê o código de trânsito. A prefeitura está vindo com essa solução mandrake apenas porque é incapaz de fazer valer a lei. E se fode o ciclista né, como sempre, porque vai ter que esperar por duzentas fases diferentes de semáforo pra atravessar corretamente.

    Sério gente, sou a favor de fazer uma vaquinha pra substituir os asnos da prefeitura por projetistas holandeses ou dinamarqueses. Estes pelo menos sabem o que estão fazendo.

    [1] http://imgur.com/1UBNipN

    • Felipe X disse:

      Pô Mobus, não diz que é inadequado, são “soluções encontradas pela EPTC” – palavras do Vigna sobre críticas aos estreitamentos da ciclovia da ipiranga.

  5. fmobus disse:

    Aliás, temos mais informações da cicloestrutura que se pretende construir na Goethe/Silva Só? Se fosse feita a coisa certa (i.e. uma ciclofaixa em cada lado), ficaria muito óbvio que a ciclovia da Vasco deveria continuar na esquerda, pois os acessos seriam mais compatíveis e seguros.

    Essencialmente, a ciclovia da vasco “atravessaria” a praça, permitindo o acesso de e para a ciclofaixa que está no lado Sul-Norte. Obviamente, seria necessária um semáforo para cruzar a Silva Só mas, considerando que já estão colocando um no sentido Norte-Sul, colocar um no Sul-Norte não seria problema. Enfim, meio complicado explicar minha ideia, mas quando tiver tempo posso fazer um rascunho.

    Claro, isso tudo assumindo que a Goethe vai ciclofaixa nos dois lados. Não sabemos disso. E, conhecendo a prefeitura, tenho medo do que eles decidiriam nisso.

    • Marcelo disse:

      Mobus,
      Até onde sei, na Goethe/Silva Só, será uma ciclovia bidirecional também – não sei o motivo. Mas a idéia do Antônio Vigna – arquiteto da EPTC – é fazer ali uma ciclovia com estrutura temporária, delimitada por balizadores. A implementação seria mais rápida e ela poderia ser modificada de acordo com a resposta da comunidade. Sei também que ela vai passar por baixo do viaduto, onde será instalado um semáforo para a travessia – ótima notícia para os pedestres!

      • Enrico Canali disse:

        Hahahahahahahahahahahahahahaha! Semáforo embaixo do viaduto!

        Claro, para os pedestres é uma bela notícia, maaaaaaas…

        Se tem semáforo, pra que viaduto?

      • Marcelo disse:

        Mais ou menos como funciona o viaduto da Carlos Gomes com a Nilo, que tem semáforo para pedestres embaixo. Assim como a futura trincheira da Anita, que vai ter que ter semáforo para pedestres.

        Quem sabe isso já serve como desculpa para botar o viaduto abaixo? 🙂

      • fmobus disse:

        Enrico: não há nada de errado em ter um semáforo de pedestres embaixo do viaduto.

        O ganho que o viaduto dá em tirar sinaleiras não pode justificar a exclusão do direito do pedestre de ter uma travessia conveniente e segura. Você precisa considerar também que a travessia dos pedestres “rouba” muito menos tempo do que o que roubaria o cruzamento com a avenida anteriormente existente.

      • Enrico Canali disse:

        Mobus, eu estava sendo irônico, mas concordo com a sua argumentação.

        Viadutos têm sido alardeados como ferramentas essenciais para a garantia da “fluidez do tráfego”, e agradam empreiteiros, administradores públicos e muitos motoristas. Especialmente os mais ingênuos, que mesmo tendo que aumentar as distâncias percorridas, pelo menos têm a sensação de que andam mais rápido.

        Mas o custo é grande demais. Não só financeiro, que é o mais evidente. O impacto urbanístico negativo de um viaduto é imenso. Por isso penso que deveríamos pensar mil vezes antes de construir um deles em região urbanizada. E por isso que eu debocho quando os gestores cedem e colocam semáforos embaixo deles.

        Um caso emblemático, pra mim, da irracionalidade dos viadutos é o Imperatriz Leopoldina, na João Pessoa sobre a Perimetral: quem vai no sentido centro-bairro tem um semáforo logo antes dele (para pedestres), outro logo depois (confluência da rua da República). No sentido inverso, a mesma coisa. Já quem passa pela Perimetral encontra semáforos logo antes de cruzar a via elevada, logo depois e também abaixo dela. Nos dois sentidos! Ou seja, não há “fluidez de tráfego” em nenhuma das vias e em nenhum dos sentidos! Por outro lado, o entorno do viaduto, para quem está a pé, é a região mais degradada e erma de toda aquela região entre o centro e a cidade baixa. Além de obstruir a vista de um dos mais belos prédios da cidade, que é o da antiga faculdade de medicina da UFRGS.

      • fmobus disse:

        hmm tenho um pouco de medo dessa ideia de balizadores móveis. Temo que eles logo seriam movidos por motoristas “injustiçados”. Em todo caso, se fosse pra fazer isso, teria que ser no sentido Sul-Norte (que é mais largo hoje). Segue que a ciclovia da vasco, para se conectar a isso, teria que atravessar a praça, o que nos restringe a manter a ciclovia na esquerda como já está.

        Enfim, vou fazer um rascunho de noite e posto aqui.

  6. Enrico Canali disse:

    Tchê, e como nós vamos explicar isso para os holandeses que virão para ver sua seleção na Copa?

  7. Fabian disse:

    Existe algum lugar que possamos ver os projetos? Procurei no site da EPTC mas não achei

    • Marcelo disse:

      Não, Fabian. Acho que tu encontras mais informações aqui nos blogs do que nos sites oficiais. Essas informações que nós temos são das reuniões com a EPTC e de contato direto com a equipe da EPTC.

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