“A Explosão de Veículos nas Ruas” (comentário sobre a coluna de Diego Casagrande)

Coluna de Diego Casagrande no jornal MetroPoa de 04 de dezembro de 2013

Coluna de Diego Casagrande no jornal MetroPoa de 04 de dezembro de 2013

Em um momento histórico de nossa sociedade, onde começa a ficar aparente o colapso do sistema de mobilidade urbana baseada no automóvel, e onde é evidente também a proliferação do uso da bicicleta e a conscientização dos pedestres e dos que necessitam de acessibilidade, bem como se vê governos gastando milhões com “Obras da Copa”, o Jornalista Diego Casagrande perde o bonde e repete argumentos recheados de senso comum, ecoando o ranço dos reacionários da mobilidade com todas as tintas.

A queixa é a mais comum possível: constatou que, agora que todos têm carro, ele próprio, dentro do seu carro, esta cada vez mais preso, mais engarrafado, mais limitado, mais imóvel. “E será cada vez mais assim”, afirma com bastante lucidez.

A falha ocorre ao elencar as causas, as soluções, e os méritos do problema.

Primeiro, adianta o lado bom da proliferação irrestrita de veículos, usando os chavões de sempre, como progresso econômico (que poucas linhas abaixo é contraposto pelo custo em vidas humanas), e a liberdade das famílias.

Em seguida, aponta como segundo grande vilão (além da mortalidade em escala industrial), os problemas “de trânsito”. E imediatamente culpa o governo, por construir MENOS OBRAS do que seria desejável. Na cidade da Copa, as quadruplicações, os viadutos e as trincheiras não estão sendo suficientes para conter o tsunami, a “explosão” de veículos nas ruas.

É importante aqui ressaltar que por “veículos”, o jornalista entende “automóveis particulares”. Em nenhum momento se menciona os ônibus, que estão cada vez mais engarrafados nos corredores exclusivos ou fora deles, engarrafados inclusive por automoveis que trancam os cruzamentos impedindo os ônibus de avançar quando o sinal abre.

É importante também ressaltar que em nenhum momento se menciona a explosão de BICICLETAS nas ruas, menção que deveria ocorrer, pois elas também são veículos, e também estão se multiplicando em progressão geométrica.

Como reflexão final, e essa é uma reflexão que deve ser feita por todos aqueles que já se deram conta que “piorou vai piorar”, é ÓBVIO que esse problema “de trânsito” não será resolvido com as “obras da copa”, ou com nenhuma grande obra para automóveis. Isso é irreversível.

Ou alguém REALMENTE acha que em breve o trânsito (entendido como engarrafamentos) vai melhorar?

O maior problema é que as tais obras milionárias consomem recursos de tempo, dinheiro, espaço e trabalho que poderiam ser mais eficazmente utilizados em vários outros tipos de obras de mobilidade (transporte público, principalmente); criam problemas para os outros modais TODOS, que ficam cada vez mais “acuados” pela proliferação e deterioração da mobilidade por automóvel, e, o que é pior, mesmo com todos os gastos citados, NÃO resolve o problema da mobilidade individual, que se propôs a resolver, pois como o jornalista bem notou, as obras são em número insuficientes, e quando ficam prontas já se mostram “subdimensionadas”.

Mas a culpa é do governo, por não fazer obras que chega…

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9 respostas para “A Explosão de Veículos nas Ruas” (comentário sobre a coluna de Diego Casagrande)

  1. Felipe X disse:

    Casagrande sendo o Casagrande…

  2. Sobre o texto do Casagrande: “De onde menos se espera, daí é que não sai nada.”

  3. airesbecker disse:

    O governo sé tem que abrir ruas.
    É preciso deixar isto claro.

    Chega desta bobagem de saúde, educação e segurança, isto tudo já se comprou particular, desde o colégio dos filhos, até o plano de saúde e a segurança particular.

    Agora como vamos comprar as nossa próprias ruas?

    É sempre os pobres atrapalhando tudo com estas bobagens para as políticas públicas, agora tão comprando carros eles também e usando as ruas.

    Graças a deus que o prefeito está empulhando eles com as prioridades do Orçamento Participativo e metendo mais obras viárias, viadutos, duplicações de avenidas e trincheiras.

    Logo a Petrobrás vai ao limite da bancarrota no subsídio da gasolina, o combustível sobe, e este monte de carrinho barato some das ruas, com uma crise qualquer tudo volta ao normal e estes chinelões vão se encaripitar nos ônibus lotados ou no máximo vão seguir incomodando com as motinhos.

  4. Daniel disse:

    Ri da parte de “explosão de biciciletas”. Devo estar cego porque se vejo 10 por dia é muito.

  5. Pablo disse:

    De duas uma, ou está fazendo o trabalho dele, honrando o salário pago por empreiteiras através de anúncios no jornal ou é cego mesmo…

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