Retrocesso no Uruguai: lei obriga o uso do capacete.

Passou a valer a partir do dia 06 de julho, em todo Uruguai um novo conjunto de leis de trânsito que obriga, entre outras coisas, o uso do capacete para ciclistas.

Essa medida não é um avanço, mas um retrocesso pois fortalece a imagem de que pedalar é perigoso, desincentivando o uso da bicicleta, quando este deveria ser estimulado. Além disso,  a eficácia dos capacetes de ciclismo para evitar mortes e ferimentos sérios em acidentes que envolvam carros ou ônibus é polêmica uma vez que eles não foram projetados para estas situações, mas apenas para situações de quedas em competições ciclísticas. Qual seria, por exemplo a eficácia de um capacete no caso de um atropelamento por ônibus e caminhões, por exemplo, que é uma das principais causas de morte de ciclistas no Brasil?

Dados mostram que nas cidades em que o uso do capacete passou a ser obrigatório, o número de pessoas pedalando diminuiu. Segundo a Federação Européia de Ciclistas

[…] ciclistas normalmente vivem vidas mais longas e saudáveis; traumas na cabeça são raros e as evidências a favor da utilização do capacete e sua obrigatoriedade são fracas. O principal efeito da obrigação do uso do capacete não foi melhorar a segurança dos ciclistas mas desencorajar o ciclismo, minando a saúde e seus outros benefícios.

Vale lembrar que países com mais alto número de ciclistas e com menor índice de fatalidades não obrigam a utilização do capacete, como Holanda, Dinamarca, China.  A Austrália, depois que tornou o uso do capacete obrigatório viu o número de bicicletas nas ruas cair 37,5%, sem qualquer benefício para a segurança no trânsito. Já o número de horas pedaladas na Nova Zelândia diminuiu 55% como conseqüência da obrigatoriedade do capacete.Screen-shot-2013-07-04-at-12.41.42-PM Leia mais:

 

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25 respostas para Retrocesso no Uruguai: lei obriga o uso do capacete.

  1. heltonbiker disse:

    Não custa lembrar (até como sugestão de contra-argumento) que TODOS, absolutamente todos os argumentos a favor da obrigatoriedade de uso de capacete para pedalar, se aplicam de forma ainda mais gritante e inapelável com relação ao uso de capacete para andar de carro. Dentro do carro, o tempo todo, de capacete.
    Qualquer pessoa que proponha a obrigatoriedade de capacete para pedalar, mas não veja necessidade na obrigatoriedade de capacete para andar de carro, está mal informada ou é incoerente, o que é especialmente grave no caso dessa pessoa ser um legislador.

  2. Ricardo disse:

    Mas pedalar no trânsito é perigoso sim.Pior que isso é tentar maquiar a realidade,dizendo que não é só pela possibilidade de afastar potenciais novos ciclistas.

    • Felipe X disse:

      A questão é que o grande risco do ciclismo veicular são colisões laterais devido a carros fazendo conversão em esquinas em velocidade de cruzeiro. O ciclista sai moído da cabeça aos pés. Normalmente as lesões mais graves são de bacia ou de articulações mesmo.

      Talvez seria mais eficiente reduzir o limite de velocidade do trânsito, de quebra ainda protegeria os pedestres.

      • Ricardo disse:

        Se reduz velocidade dos veículos motorizados fazendo “road diet” e não instalando placas de menor velocidade.Infelizmente,a prefeitura constrói uma cidade voltada para a otimização do fluxo de trânsito;enquanto gente incompetente administrar a cidade dessa maneira,sempre iremos ver carnificina no trânsito.

    • Aldo M. disse:

      Ciclistas que utilizam capacete se acidentam 11% mais que os que não utilizam, demonstrou um estudo (não lembro a fonte, mas sei que era respeitável). E aí, como fica?
      Lembrando que o tema do post nem é sobre segurança, mas sobre uma obrigatoriedade legal.
      Penso que há inúmeras situações em nossa sociedade bem mais perigosas sem que haja correspondentes obrigações ou proibições.
      Em Amsterdam, 40 % das pessoas vão ao trabalho de bicicleta, e ninguém usa capacete. Por outro lado, farol e sinaleira são itens obrigatórios para se pedalar à noite. Notem a adequada priorização de equipamentos de segurança ativa sobre os de segurança passiva. Lá, o objetivo PRINCIPAL é evitar acidentes, e não apenas reduzir seus efeitos.

  3. Pablo disse:

    Esse vídeo do TED fala exatamente isso:

    http://video.tedxcopenhagen.dk/video/911034/mikael-colville-andersen

    Infelizmente é só em inglês, não achei com a legenda.

  4. Sergio Surdo disse:

    Discordo totalmente da tese do Marcelo de que a obrigatoriedade do uso de capacete para ciclistas seja um retrocesso. Tem vezes que não dá para entender o que as pessoas pensam diante de tantas obviedades, barbaridade.

    • Aldo M. disse:

      Pelo visto, só deves ter lido o título do post antes de nos brindar com suas verdades absolutas. Este blog é um espaço para discussão, não para achismos. Gentileza embasar suas afirmações da próxima vez.

  5. José Antonio Martinez disse:

    Bom, vamos lá. Retrocesso não existe quando se trata de regulamentar o uso de um item de segurança como o capacete. Tenho presenciado ao longo da vida, a necessidade do capacete como item imprescindível de segurança. Numa Massa Crítica do ano passado uma ciclista teve um acidente, pela imprudência de um patinador, na Ramiro Barcelos, caiu de cabeça batendo várias vezes na rua e quando parou todos pensamos que apesar do capacete ela teria sofrido ferimentos graves e surpresa nada aconteceu ela levantou e continuou pedalando. Esta é uma prova prática de validade do capacete.
    Pedalo todos os dias 44 kilometros entre minha casa e trabalho o que me qualifica para falar com propriedade. Ainda, o WHO/OMS(Organização Mundial da Saúde) no manual de ajuda e avaliação ao trânsito veicular, dedica um estudo imenso à utilização do capacete em motos e bicicletas, com um item de uso obrigatório para a segurança dos usuários destes meios de transporte. Em Uruguay é sim obrigatório o uso de iluminação adequada a noite frontal lateral e traseira e os carros respeitam bastante as bicicletas.
    Quer dizer retrocesso por que ? continuo sem entender. Abraço e saúde a todos. Usem capacete.

  6. José Antonio Martinez disse:

    Só para documentar o que falei acima:
    http://www.who.int/violence_injury_prevention/publications/road_traffic/helmet_manual.pdf
    por favor leiam atentamente. Saúde a todos.

    • Marcelo disse:

      Martinez, que fique bem claro, não sou contra o uso do capacete. Sou contra a obrigatiriedade pois é provado que ela reduz o número de ciclistas – e isso aumenta ainda mais os riscos para quem pedala, aumenta o número de carros que são estes sim perigosos matam por poluição e atropelamento e aumenta o sedentarismo, que é o que mais mata pessoas nos países que não estão em guerra. Tendo em vista tudo isso, é mais seguro andar de bicicleta sem capacete do que não andar de bicicleta.

      E mais, existem estudos que indicam que as chances de um passageiro de automóvel ou de um pedestre sofrerem traumatismo craniano em acidentes de trânsito é maior que o risco corrido pelo ciclista. Então vamos obrigar motoristas e pedestres a usar capacete também?

      Me parece que o mais fácil, e lógico é combater a causa dos acidentes.

      • José Antonio Martinez disse:

        Bueno Marcelo, acredito que neste meu retorno devemos nos confrontar um pouco, então vamos. A Organização Mundial da Saúde é a instituição mais seria do setor saúde que conheço, então vou pedir para, caso não sejas um técnico especializado muito alem dela, aceitar o que ela determina porque não vamos ser nos em Poro Alegre que vamos descobrir a pólvora, apesar de todas as opiniões em contrário. É uma temeridade extrema diria que é até uma imprudência e uma tentativa de impulsar as pessoas ao mal entendimento dos riscos estas afirmações que fizeste como resposta a minha afirmação. É um perigo extremo andar de bicicleta sem capacete. Diria mais é quase um suicídio ou até no mínimo um desamor a vida. A responsabilidade que temos como ciclo-ativistas é de impulsar as pessoas a andar de bicicleta de forma segura e não de olhos fechados frente aos perigos.
        Na primeira página do manual da OMS fala claramente:
        “Executive summary
        Along with a global increase in motorization, particularly in low-income and middleincome
        countries, the use of motorized two-wheelers and bicycles is growing rapidly
        in many places. As a result, there are increasing fatalities and injuries among users
        of two-wheelers, with head injuries being a major concern. Motorcycle and bicycle
        helmets are effective both in preventing head injuries and in reducing the severity of
        injuries sustained by riders and passengers of two-wheelers.
        Unfortunately, in many countries the use of helmets is low. The World Report on
        Road Traffic Injury Prevention described how wearing helmets would save many lives.
        Consequently, the Report recommended that countries set and enforce helmet laws
        for drivers and passengers of both motorized two-wheelers and bicycles.”
        Então meu amigo é tacanho e até perigoso ficar considerando que os governos que responsavelmente mandam usar o capacete assim o estão fazendo para ferir direitos. Não existe direito de ninguém de ocultar o que sabe para que outro use ou não uma bicicleta. Se por isto diminuir o uso da bicicleta será porque não soubemos usar dos argumentos adequados para que as pessoas entendessem o bom que é andar de bicicleta com segurança.
        Ao respeito do combate as causas dos acidentes sou parceiro e tenho sido e tu bem sabes de toda atividade que queira reduzir o número de acidentes na cidade. Nas reuniões do DETRAN ficou bem claro que atitudes precisam serem implementadas para aumentar a segurança e um novo curriculum para a formação de motoristas foi implementado e implantado com a nossa ajuda e colaboração direta. Eu acredito na obrigatoriedade das ações responsáveis e que são para salvar a vida, cinto de segurança, balada segura, pardais, autoridade de trânsito multando, etc.

      • Marcelo disse:

        Caro Martinez,

        Não é questão de ocultar informações para que as pessoas usem ou não a bici. Se tu diz para as pessoas que andar de bicicleta é perigoso e que elas tem que usar N equipamentos de segurança tu vais afastar muitas pessoas de utilizar a bicicleta – pois ninguém quer ser exposto ao perigo – e vais estar deixando-as dependentes de um modelo muito mais perigoso, que é a cultura do automóvel sem avisá-las que isso é mais perigoso ainda.

        Na minha opinião o estudo da OMS falha por não pesar os benefícios que a bicicleta traz à saúde de seu usuário contra os possíveis riscos – a expectativa de vida de quem pedala ao invés de dirigir aumenta ou diminui? – e desconsiderar a queda no uso da bicicleta nos países e estados que passaram a obrigar o uso do capacete, queda esta que prejudica a saúde de toda a população.

        Muito antes de recomendar a países que criem leis sobre o uso do capacete para bicicletas, a OMS deveria se preocupar com outras recomendações que salvariam a vida de muito mais pessoas, como medidas de traffic calming e para reduzir a poluição atmosférica na cidade.

        O fato da OMS ser séria ou não quer dizer que tenhamos que dizer amém a tudo que vem dela. É muito comum estudos desse tipo serem incompletos, não abordarem todos os aspectos ou até mesmo terem uma visão política incutida. Por exemplo, existem diversas formas de elaborar a pergunta que o estudo responderá. Teremos recomendações diferentes se fizermos, perguntas diferentes. Um estudo que pergunta simplesmente se uma pessoa que usa capacete tem menos lesões do que uma que não usa fornecerá uma perspectiva diferente de um estudo que compare a expectativa de vida de alguém que só usa o automóvel para se locomover com a de outra pessoa que só use a bicicleta sem capacete.

        No mais eu acho exagerada e sensacionalista tua afirmação de que não usar o capacete “é quase um suicídio ou no mínimo um desamor à vida”. Eu amo minha vida e não uso capacete. Procuro garantir a minha segurança com meu comportamento e tentar evitar acidentes ao máximo, não sinto que corro risco de vida, não mais que um pedestre ou passageiro de um automóvel.

  7. José Antonio Martinez disse:

    Novamente, a questão está lançada; a Organização Mundial da Saúde existe no mundo para evitar que paradigmas não técnicos ou políticos, levem as pessoas a fazer bobagens com pesquisas orientadas e des-informadoras. Ao longo de toda sua existência ela tem demonstrado o seu comprometimento em todos os aspectos técnicos que envolvem a saúde pública no mundo sempre atuando de forma decisiva na prevenção e no desenvolvimento de técnicas simples que salvam vidas nos países com problemas de desenvolvimento. O uso da bicicleta é incentivado pela OMS em muitos de seus manuais assim como o combate ao uso de carros e ao pouco uso do transporte coletivo. Não quero que fique esta impressão que tu tentas passar de instituição que pode ser criticada, quando ela é absoluta em todos os aspectos. No trânsito é ela que criou a campanha para a diminuição das mortes no trânsito que hoje envolve todos os governos sérios dos países ao redor do mundo. Eu gostaria que fosse até o site da OMS/WHO e nele pesquises para ver que todo o que tu relatas como avanços foram propostos dela organização,e nada escapa a visão dela, até porque não quer saber de nada com política de esquerda ou direita, ela quer saber com o que está certo ou errado. Se existe um estudo de natalidade e mortalidade infantil sério no mundo é da OMS e devemos todo nesta área a ela, tanto nos aspectos de orientações como nos aspectos de controle, estatística e divulgação/orientação. Cada um de nos mantemos a OMS graças a Deus ela não precisa da industria farmacêutica e ela é sem dúvida uma das organizações mais serias do mundo no seu setor.
    Para concluir; nada absolutamente nada que fizeres poderá contestar as estatísticas da OMS elas são formuladas por especialistas totalmente envolvidos com as metodologias mais atuais de pesquisa e nunca induzem a nada não existe comprometimento econômico nem político dentro destas pesquisas.
    Ao nosso tema posso te dizer que deves repensar tua atitude não usar capacete longe de ser uma prova de inteligência é uma prova de desamor à vida. A cabeça é a parte do corpo mais pesada e se fores arremessado pelos ares, por um veículo baterás primeiro com ela que com qualquer outra parte do corpo e o capacete é o único que garante que esta batida não seja mortal. Não permito que me chames de sensacionalista, porque no mesmo sentido vou te chamar de irresponsável pelas tuas palavras querendo justificar uma atitude que em nada contribui para elevar os índices de saúde do nosso povo, ao contrário elas contribuem para colocar em risco as pessoas que pedalam. Usar capacete sim é necessário e só tu que falas que usar capacete afasta as pessoas da bicicleta, isto não é verdade e contribui para criar riscos desnecessários à população que pedala.

    • Marcelo disse:

      Peraí, tens certeza que só eu falo que a obrigatoriedade do capacete afasta as pessoas da bicicleta? Minha opinião é baseada na opinião da ECF (Federação Européia de Ciclismo) e já publiquei aqui no blog a cartilha da ECF.

      Se queres minhas fontes de que a obrigatoriedade do capacete reduz o número de ciclistas, te dou alguns links:

      http://cyclehelmets.org/1250.html – Alberta law halves children’s cycling but more than doubles the risk of injury
      https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1369847812000587?np=y – estudo realizado na Noruega que mostra que a razão pela qual a obrigatoriedade do capacete não melhora os índices de acidentalidade no uso da bicicleta, é porque afasta as pessoas mais prudentes do ciclismo.
      http://cyclehelmets.org/1207.html?NKey=81 – Lei da NZ que obriga o capacete diminuiu ciclismo pela metade.

      O teu argumento pra defender o uso obrigatório do capacete se baseia na infalibilidade da OMS e não nos argumentos deles. Eu critiquei o argumento/estudo deles, tu me responde dizendo que eles são infalíveis, isso é um ad hominem ao contrário. Dizer que algo é incontestável é um fundamentalismo que elimina qualquer possibilidade de diálogo e evolução, e é algo completamente anticientífico (pela ciência, tudo é contestável) e portanto acredito que nem mesmo os cientistas da OMS concordem com tua fé cega.

  8. José Antonio Martinez disse:

    Marcelo, não estou querendo tornar uma instituição das Nações Unidas, que tem muitas dezenas de anos ajudando todos os países do mundo e com um rol de associados pesquisadores e organizações ao redor do mundo imenso numa entidade incontestável, mas quero que avalies muito bem que simples associações, cheias de interesses econômicos criados não podem ter credibilidade frente a argumentos científicos tão sólidos. Só nos estados unidos o rol de instituições que colaboram e de um porte inquestionável, podes ver no site da WHO/OMS. Ainda a ciência permite a contestação no trânsito a experimentação é uma temeridade e nos estamos falando de trânsito e falamos em quantidade de pessoas que pedalam, qual o interesse oculto detrás de aumentar o número de pessoas que pedalam, unicamente o de melhorar o meio ambiente? ou tem algum interesse dos fabricantes de bicicletas e componentes, oculto por trás desta afirmação? Hoje relendo o que escreveste sinceramente se eu fosse uma pessoa que está querendo pedalar, eu sinceramente pensaria duas vezes com os teus argumentos. Agora qual o interesse oculto da WHO/OMS detrás deste incentivo ao uso do capacete? dos vendedores de capacetes? será só isto, e se for como tu falas eles estariam interessados em diminuir o número de pessoas que pedalam. Quando comparamos estatísticas precisamos analisar as realidades regionais e quando falamos em Nova Zelandia, ou ainda em Alberta ou ainda a região de Vitoria na Austrália ou ainda o Canadá ou nos países Nórdicos, certamente, as realidades são outras até porque até para pedalar as pessoas são treinadas desde criança obrigando todo mundo a respeitar as leis de trânsito e na América Latina nunca vi um instrutor de ciclismo instruindo crianças na arte de pedalar.
    Neste atalho ( http://www.who.int/entity/roadsafety/decade_of_action/plan/plan_spanish.pdf ) poderás verificar os pilares das Nações Unidas(OMS/WHO) para conseguir diminuir o número de pessoas mortas e feridas, no trânsito entre 2011 e 2020 e países sérios como a França já demonstraram em Porto Alegre no congresso Internacional de Trânsito que isto, seguindo os pilares, é possível. Só que lá ninguém está preocupado com releição ou simpatia ao eleitor.
    Bom meu amigo quero demostrar que não é bom negar uma iniciativa mundial, que tenta reduzir a mortalidade no trânsito num blog como este, que é seguido por muita gente que está começando e ainda duvida de muitas coisas básicas.
    Porto Alegre, da faixa da Icaraí, da Ipiranga no talude; não tem referencial no primeiro mundo, lamentavelmente, e não se presta para experimentação e isto é que todos criticamos da Prefeitura como eles querem ser empíricos e não científicos. Nem os centros de formação de motoristas seguem ainda com rigor científico o treinamento que seria desejável a todo condutor de veiculo motorizado.
    Uma informação científica ou uma contestação com rigor científico, para ser divulgada precisa seguir um processo que nenhum destes links que me enviaste seguiram, lamento muito, porque eu também gostaria de tirar o peso do capacete da cabeça, só que por enquanto e até existir uma comprovação científica em contrário, o capacete é o único elemento que protege o ciclista das batidas na cabeça, que costumam ser mortais. Saúde a todos.

    • Marcelo disse:

      Tá, Martinez, eu acho que já me fiz bastante claro quanto ao meu ponto de vista. Nos links que te enviei tem dados concretos de países que obrigaram o uso do capacete e não tiveram uma melhora na segurança, apenas uma queda no número de ciclistas – o que como eu já disse, na minha opinião é muito pior que os poucos benefícios que a obrigatoriedade trouxe.

      Li o relatório da ONU e não me convenceu porque não houve comparação com outros riscos que corremos diariamente na cidade, como ser pedestre e a combinação motorista/sedentarismo, e como não avaliou os resultados negativos que tiveram os poucos países que tornaram o uso do capacete obrigatório.

      Apoiarei toda iniciativa mundial que tente reduzir qualquer tipo de mortalidade, contanto que seja feita de uma maneira que eu considere eficaz e que respeite as liberdades individuais. Pelas experiências mundiais de que tenho conhecimento, o uso obrigatório de capacete não é uma maneira eficaz.

      Pra mim tentar obrigar quem usa a bicicleta a usar capacete é como querer obrigar pedestres idosos a usar equipamentos de segurança. O problema é outro e não vamos resolver o problema sem atacar a causa.

      Gastar recursos e tempo em campanhas e leis que obrigam o uso do capacete é uma inversão de valores quando esses recursos poderiam ser usados para já fazer cumprir as leis que já existem e que dão prioridade ao pedestre e ciclista e exigir que os motoristas as respeitem.

      Espero que tu pelo menos respeite o meu direito de zelar pela minha segurança da minha forma e de não usar capacete.

      Vamos concordar em discordar.

      • José Antonio Martinez disse:

        Grande Marcelo, tua genialidade libertária só faz aumentar a minha admiração pela paixão com que defendes teus ideais. Respeito sempre o teu comportamento que em nada me atinge, tudo pelo contrário. Grande abraço, concordo em discordar. Saúde para todos.

  9. José Antonio Martinez disse:

    Só para finalizar esta polêmica, da minha parte, da uma olhada neste depoimento; muito importante que descreve um acidente corriqueiro no Brasil de hoje basta dar uma olhada nas estatísticas da Fundação Sarah:

    Saúde a todos.

    • Fabio Neves disse:

      Só que já se acidentou de bicicleta (tendo batido a cabeça no chão) sabe da importância do capacete, e foi isso o que aconteceu comigo certa vez. Todos os estudos/dados aqui mostrados são de origens socioculturais totalmente diferente da nossa em relação ao transito. Dizer que esses resultados são relacionáveis à nossa realidade é, no mínimo, perigoso.

      • José Antonio Martinez disse:

        Entendo teu ponto Fábio, como eu sou também ex-acidentado tendo batido com a cabeça, uma vez sem e outra com capacete, me permito uma manifestação com tanta veemência. Se olhares os dados deste plano da década pela redução da mortalidade, são muito interessantes, já que por exemplo, eu nem sabia que, no Brasil não existe curso de especialização em acidentes de trânsito, para médicos, o que produz um atendimento nestes casos, não especializado das equipes médicas, mas sim especializado das equipes de enfermagem. Esta informação que está no relatório de 2013 ao respeito do Brasil, tem uma gravidade imensa. Abraço e saúde a todos.

  10. Ricardo Corbetta disse:

    Já disse outra vezes: quem é contra o uso do capacete é porque não tem muito o que proteger

  11. Ricardo Corbetta disse:

    Na minha opinião, usa o capacete quem quer, quem acha que precisa, ou quem acha que deve proteger sua cabeça. Quem não quer, não precisa usar, eu mesmo já andei muuuito sem capacete, mas não venha com argumentos da OMS, da ONU, e de sei lá quem mais. Estatísticas não dizem nada pra quem já bateu a cabeça, de capacete ou não. O fato é que o capacete é uma proteção, por mais “casquinha” que possa parecer. Não venha dizer que a velocidade, a queda, o veículo, as probabilidades, tudo isso pra defender não usar capacete. Só digo uma coisa: em caso de azar, usando o capacete você terá uma proteção a mais.
    Como eu disse, usa quem quer, quem não quer não usa. É legal sentir o cabelo balançar no vento.
    Eu continuo defendendo o uso do capacete. USO, não obrigatoriedade. Quem é contra usar, não use, continue se baseando em pesquisas, estudos e probabilidades.
    O meu estudo fiz eu mesmo, segurando o guidão em mais de 40 anos de bike nesta vida.
    Abs e fiquem com Deus

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