20 km/h a mais fazem muita diferença

Fonte: Gazeta do Povo

Um leve toque no acelerador pode significar variação de 20 quilômetros na velocidade do carro e, mais do que isso, um grande salto nas estatísticas de atropelamentos letais. Quando o acidente se dá a 50 km/h em vez de 30 km/h, por exemplo, há uma elevação de 5% para 45% no risco de morte. Essa é uma das razões que levaram o jurista Luiz Flávio Gomes a iniciar uma campanha para criar nas cidades brasileiras zonas em que o limite de velocidade seja de 30 km/h em áreas residenciais ou escolares. A medida já é comum na Europa.

Gomes recorre às estatísticas para provar que a velocidade tem relação direta com mortes no trânsito, à razão de uma a cada 11 minutos. Porém, somos levados a confiar em demasia na nossa sensatez ao volante e a crer na segurança que o carro proporciona. A engenharia automobilística salva vidas e é capaz de amortecer impactos, mas as capacidades humanas continuam as mesmas, falíveis e limitadas frente ao inesperado.

Mesmo diante do imponderável, as pessoas não costumam pisar no freio. O brasileiro criou uma cultura de impunidade e um culto à velocidade no trânsito, avalia o coordenador do Programa Ciclovida, da Universidade Federal do Paraná, José Carlos Assunção Belotto. Como uma mudança de hábito não se processa tão rápido, ele salienta que só será possível mudar o comportamento dos motoristas com perseverança na fiscalização e punição dos infratores.

Para o coordenador do Ciclovida, a “Zona 30” só teria sucesso se fosse acompanhada de campanha educativa e punição. O diretor de Fiscalização da Secretaria de Trânsito de Curitiba, Éder Carlos Rodrigues, concorda que educação é fundamental para mudar a cultura de associar o carro à velocidade e ao status social. Ainda segundo ele, nada mudará se não houver conscientização de que alguns quilômetros a mais podem causar acidentes de proporções irreparáveis.

Números

Rodrigues dispõe de estatísticas para embasar seu argumento: em 2011 houve 18.736 multas em Curitiba por excesso de velocidade só em lombadas e barreiras eletrônicas, cujo limite de velocidade é de 40 km/h. As autuações subiram para 22.186 no ano seguinte. “Se não respeitam o limite de 40, imagina o de 30”, observa. Ele diz que na maioria das escolas de Curitiba o limite já é de 30 km/h, mas os motoristas reduzem a velocidade mais por causa dos obstáculos humanos que as crianças representam do que pela sinalização.

Já para o psicólogo e pesquisador do comportamento no trânsito Fábio de Cristo, a velocidade nas vias públicas não tem causa apenas no motorista. “A pista também pode estimular esse comportamento, como, por exemplo, as avenidas largas e retas, que convidam a correr. Assim, o desafio das autoridades consiste em equilibrar as ações, que devem incluir tanto o motorista quanto a infraestrutura viária e a fiscalização”, diz.

Exemplos

Após aderir à Zona 30, Londres teve queda de 40% em acidentes

O jurista Luiz Flávio Gomes usa a seu favor o argumento das estatísticas onde a Zona 30 já foi implantada, em zonas de grande movimento de carros, motos, pedestres e ciclistas. Londres teve queda de 40% no número de acidentes; na Bélgica, eles caíram 72%. Em setembro de 2011 o Parlamento Europeu fez a recomendação para que todas as cidades façam adesão ao projeto e, em 2012, uma iniciativa popular pediu que a União Europeia institua a Zona 30 como lei em todo seu território.

A primeira cidade a implantar a Zona 30 foi Buxtehude, na Alemanha, em 1983. A partir daí muitas cidades da Alemanha, França, Bélgica, Itália, Holanda, Áustria, Dinamarca e do Reino Unido aderiram. Bruxelas, na Bélgica, possui o maior trecho único de Zonas 30 da Europa, com 4,6 km de ruas que só podem ser transitadas a 30 km/h.

Info_velocidade

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24 respostas para 20 km/h a mais fazem muita diferença

  1. Adriano disse:

    Não adianta nada apenas reduzir a velocidade sem a devida fiscalização. Aliás, para o caso de Porto Alegre, acredito que uma fiscalização decente da EPTC reduziria muito o número de acidentes, considerando a quantidade absurda de barbaridades no trânsito que eu vejo diariamente, isso só levando em conta as “mais graves” do tipo passar em sinal vermelho, cortar carros, não parar em faixa de segurança, passar a 100km/h em avenidas, estacionar em locais proibidos…se for pensar nas coisas “simples” tipo dar um pisca então…metade dos motoristas de Porto Alegre estariam sem habilitação no momento, por excesso de pontos.

    Contudo, ao que parece, a EPTC escolheu a forma mais cômoda de “fiscalizar”. Estaciona o carro do radar móvel todos os dias nos mesmos lugares e deixa ali, pegando alguns incautos, enquanto o agente fica dormindo na viatura….

    • Marcelo disse:

      Concordo contigo, Adriano, falta muita fiscalização. 99% das infrações não são punidas, a EPTC é muito leniente com o motorista infrator, o que faz com que ela seja cúmplice da chacina que vemos nas ruas.

      Sobre a fiscalização de velocidade, não entendo também porque a EPTC não fiscaliza a velocidade em ruas de tráfego local e em frente de escolas, onde a velocidade máxima é 40 e 30km/h respectivamente, e ninguém absolutamente ninguém respeita esses limites.

    • Felipe X disse:

      Acho que o mais eficiente é aplicar medidas de traffic calming em vez de simplesmente reduzir o limite via canetaço.

      A fiscalização ostensiva é importante também, mas acho que teria que aumentar o tamanho da EPTC para fazer isso.

      • Aldo M. disse:

        Um problema que precisará ser enfrentado em algum momento é a exorbitância das atribuições da EPTC. Formalmente, sua função é a de fiscalização de trânsito. Entretanto, atua sem amparo legal em projetos viários e sinalização. Ora, há um nítido conflito de interesses aí, pois se fizer um bom projeto viário, utilizando conceitos de moderação de tráfego, não terá retorno com as multas de trânsito que a sustentam. É imperioso que a Secretaria Municipal dos Transportes reassuma as suas funções delegadas irregularmente à EPTC e não aufira qualquer benefício com o volume de multas de trânsito, de modo a focar seus objetivos na segurança viária.
        Hoje pela manhã, vi uma azulzinho posicionando-se discretamente no final da Av. Farrapos com seu bloco para multar os motoristas que utilizam o celular quando o trânsito fica bloqueado, o que tem ocorrido em função da obra da trincheira da Av, Ceará. Ainda não entendi o risco que representa um carro parado com seu motorista segurando um celular. Já à noite, escapei de ser atropelado na Sertório com a Ceará, por um homicida em potencial que avançou o sinal em alta velocidade no semáforo para pedestres. O sinal havia fechado há tanto tempo que eu já tinha concluído a travessia, e nem me ocorreu olhar para aquele lado. Imagino que a EPTC deva achar “anti-econômico” coibir esse tipo de infração gravíssima, justamente as que costumam causar acidentes letais.

      • Felipe X disse:

        Aldo, honestamente não acho que há abusos na aplicação de multas. Alias, com a quantidade de gente furando o sinal vermelho diariamente, o problema é o oposto.

      • Aldo M. disse:

        O que eu quis dizer é que a EPTC multa as infrações mais fáceis de multar e deixa de multar as infrações mais importantes. O foco parece ser a arrecadação, e não a redução de acidentes. Da mesma forma, acaba produzindo projetos viários que induzem os motoristas a cometerem infrações, como na autopista da Beira Rio, quando deveria ser o oposto.
        Não sei por que removeram os “caetanos” que registravam os avanços de sinal em alguns cruzamentos. Passa a mensagem aos motoristas que furar o sinal está liberado.

      • Felipe X disse:

        Sim, concordo que fazem só o mais fácil. Acho que um pouco por arrecadação mas também por tamanho da empresa. A EPTC é pequena e precisa crescer.

      • Aldo M. disse:

        Quando há qualquer acidente com feridos em Porto Alegre, a EPTC é a primeira a chegar, com vários fiscais e viaturas, objetivado principalmente preservar o fluxo do trânsito. Só uns 20 ou 30 minutos depois chega a SAMU para atender aos feridos. Baseados nestes fatos, eu concluo que quem precisa crescer em primeiro lugar não é a EPTC.
        Além disso, se a EPTC precisa crescer, não é na direção de encher de fiscais para mitigar os efeitos da falta de planejamento viário e da falta de educação dos motoristas.

      • Felipe X disse:

        Óbvio que a SAMU precisa crescer, mas uma coisa não depende da outra. Falácia clássica essa tua.

  2. Luiz Felipe disse:

    Isso sem falar em…
    Todos os dias têm carros estacionados na frente do HIDRANTE que localiza-se de fronte ao ARQUIVO PÚBLICO DO RIO GRANDE DO SUL, e nunca vi nenhum desses carros serem guinchados!
    A EPTC, novamente colaborando para a imprudência e o desrespeito às leis. E se pega fogo o local onde encontra-se boa parte dos documentos gerados pelo Estado do Rio Grande do Sul? o dono do carro estacionado arcará?

    E MAIS:

  3. Luiz Felipe disse:

    …continuando
    Mais uma vez verifica-se e verifico a falência da proposta de ciclovias (com botãozinho, como se fosse sinaleira de pedestre) em Porto Alegre. Visto que na esquina da 1ª perimetral (Loureiro) com a José do Patrocínio NENHUM CARRO/ÔNIBUS respeita a sinaleira para a conversão a direita, ameaçando tanto pedestres como ciclistas. E aí vocês palhas e descarados da EPTC (Empresa Pública Terceirizada aos Carros) alegam que os pedestres é que são os culpados dos atropelamentos.
    Por isso, solicito que algum fiscal da EPTC coloque uma “cadeirinha” na referida esquina e MULTE os milhares de carros que desrespeitam o sinal todos os dias. Em uma semana se conscientizará os “condutores” pelo bolso, pois este é o único jeito!

    • Aldo M. disse:

      Além de não coibir essas perigosas infrações, a EPTC tranquiliza os motoristas irresponsáveis e descuidados ao direcionar a culpa aos pedestres que utilizam fones de ouvido! Responda rápido – o que é mais perigoso: um automóvel em alta velocidade ou um Ipod em volume alto?

  4. Augusto disse:

    Me parece que avenidas que atravessam parques e/ou margeiam partes da orla do Guaíba com potencial recreacional são um ótimo “case” para a implementação de uma Zona 30.

    • Aldo M. disse:

      Eu incluiria também todas as regiões com grande concentração de pedestres, em especial as avenidas com muitas linhas de ônibus, que é onde ocorrem a maior parte dos atropelamentos. Quanto às avenidas que margeiam a orla, o trânsito automotor deveria simplesmente ser proibido aos veículos automotores nos dias não úteis.

    • Aldo M. disse:

      Também achei, Adriano, mas fui surpreendido pelo fluxo de carros na Beira Rio, pois apenas um dos sentidos estava bloqueado ao trânsito automotor.

      • Felipe X disse:

        Ah, existe um bloqueio mais próximo ao Iberê, mas entendo que é devido as obras, não para lazer, não?

      • Aldo M. disse:

        Não me referi a este trecho, mas à esquina com a Ipiranga, onde pela manhã do último domingo só havia tráfego no sentido norte-sul.

  5. Luiz Felipe disse:

    VALE A REFLEXÃO – e um post – SOBRE AS PRIORIDADES NA NOSSA “SOCIEDADE”
    http://portallw.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=504264
    “Todo dia cai gente aqui. A praça estava perfeita, mas entra carro-forte todo dia e danifica mais o calçamento”: falando de uma mulher que caiu num buraco da “praça” da alfândega.

    • Aldo M. disse:

      Os carros-forte podem parar em qualquer lugar e estão amparados pela lei. A prefeitura poderia ao menos limitar o seu peso, pois os novos caminhões mais pesados estão destruindo os calçamentos da cidade, inclusive o caríssimo pavimento do calçadão da Rua da Praia.

      • Jarbas disse:

        Bah, mas acho sacanagem essa norma. Tens muitas situacoes onde essas paradas “livres” estorvam. Ficando soh na bici, ali na ciclovia da 7/9, mais de uma vez, eu no pedal e o carro em cima da faixa. Diga-se, alguns segurancas ate se mostraram surpresos e constrangidos ao me notar tentando avancar.
        Os bancos com seus lucrinhos nao poderiam investir em, sei lah, garagens. Creio, inclusive, em aumento de seguranca na transferencia dos malotes, dessa forma.

  6. José Martinez disse:

    Meus caros, voltando ao tema, a cidade de Porto Alegre está totalmente separada do planejamento em todos os aspectos. Planejamento financeiro, estrutural, viário e vários outros fazem parte da responsabilidade da Prefeitura para garantir que o desenvolvimento da cidade seja garantido. Bueno, isto não acontece. Os prejuízos são evidentes e estão batendo a nossa porta. Vamos ao trânsito. Como ter um desenvolvimento viário numa cidade sem planejamento? Isto é impossível. Más ainda eu gostaria de acrescentar que todo este primitivismo amadorístico, se manifesta a cada frase dita neste post. Traffic calming ? mas como se o secretário plenipotenciário que acumula todas as funções possíveis dentro da mobilidade urbana; acha que 60 quilômetros por hora na cidade, está certo, ou seja quem infringe a velocidade em mais de 10% está a 70 km/h ou mais, o que na cidade se constitui numa velocidade assassina.
    Eu acredito plenamente numa AUTORIDADE DE TRÂNSITO séria, atuante, inflexível e inquestionável enquanto as suas atitudes profissionais.
    Quer dizer, uma autoridade que multa mesmo, que atua e que reprime todo e qualquer abuso com rigor e sem indulgência. Esta autoridade não pode ficar com dúvidas se o crime foi culposo ou não na presença de um bêbado que acaba de matar no trânsito, ela tem que agir certo e fazer respeitar a lei.
    Vejam este vídeo que postei alguns dias atrás que resume quão inoperante é a nossa autoridade de trânsito:

    A autoridade de trânsito não pode jogar entre o ato de multar e o de ter uma gratidão do público que ela controla. Agora par quem acredito que multar não adianta eu digo sim só adianta multar no trânsito de outro jeito o motorista abusa; aqui, na China, na França, na Itália, na Holanda e onde for. No Seminário Internacional de Trânsito que assisti em Porto Alegre ficou claro que os idiotas do trânsito são internacionais e se comportam da mesma forma assassina em qualquer lugar do mundo. Saúde a todos.

  7. José Antonio Martinez disse:

    Meus caros, voltando ao tema, a cidade de Porto Alegre está totalmente separada do planejamento em todos os aspectos. Planejamento financeiro, estrutural, viário e vários outros fazem parte da responsabilidade da Prefeitura para garantir que o desenvolvimento da cidade seja eficiente. Bueno, isto não acontece. Os prejuízos são evidentes e estão batendo a nossa porta. Vamos ao trânsito. Como ter um desenvolvimento viário numa cidade sem planejamento? Isto é impossível. Más ainda eu gostaria de acrescentar que todo este primitivismo amadorístico, desta gente,se manifesta a cada frase dita neste post. Traffic calming ? mas como se o secretário plenipotenciário que acumula todas as funções possíveis dentro da mobilidade urbana; acha que 60 quilômetros por hora na cidade, está certo, ou seja quem infringe a velocidade em mais de 10% está a 70 km/h ou mais, o que na cidade se constitui numa velocidade assassina.
    Eu acredito plenamente numa AUTORIDADE DE TRÂNSITO séria, atuante, inflexível e inquestionável enquanto as suas atitudes profissionais.
    Quer dizer, uma autoridade que multa mesmo, que atua e que reprime todo e qualquer abuso com rigor e sem indulgência. Esta autoridade não pode ficar com dúvidas se o crime foi culposo ou não na presença de um bêbado que acaba de matar no trânsito, ela tem que agir certo e fazer respeitar a lei.
    Vejam este vídeo que postei alguns dias atrás que resume quão inoperante é a nossa autoridade de trânsito:

    A autoridade de trânsito não pode jogar entre o ato de multar e o de ter uma gratidão do público que ela controla. Agora para quem acredita que multar não adianta, eu digo sim só adianta multar no trânsito, de outro jeito o motorista abusa; aqui, na China, na França, na Itália, na Holanda e onde for. No Seminário Internacional de Trânsito que assisti em Porto Alegre, ficou claro que os idiotas do trânsito são internacionais e se comportam da mesma forma assassina em qualquer lugar do mundo. Saúde a todos.

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