Negligência do DETRAN, Real Auto Ônibus e CET-Rio matam ciclista no Rio de Janeiro.

A morte de Jeferson Damasceno no Rio de Janeiro não foi acidente – ao contrário do que vem noticiando a grande mídia. O ônibus da empresa Real Auto Ônibus – responsável pela linha 178 – que atropelou o militar de 18 anos possui um longo histórico de infrações de trânsito, que vão desde excesso de velocidade – cometida 11 vezes – e avançar no sinal vermelho – cometida 10 vezes – até ameaçar os demais veículos e desobedecer ordens da autoridade de trânsito. No total são 48 infrações cometidas nos últimos cinco anos, o que prova um total descaso da Real Auto Ônibus com a segurança de seus passageiros e demais agentes do trânsito, bem como a completa negligência/ineficácia do DETRAN-RJ  e CET-RIO em relação ao seus deveres de fiscalizar e punir os motoristas infratores.

Vale ressaltar que os dados referem-se apenas as infrações que foram testemunhadas e cet-rio1registradas por fiscais da CET-RIO. Se o Rio de Janeiro segue o padrão das outras cidades do Brasil, a probabilidade é de que o número real de infrações registradas para aquele veículo seja muito superior ao apresentado. É provável que se todas infrações – ou pelo a maioria delas – tivessem sido registradas e punidas com rigor os motoristas infratores já estivessem fora de circulação, com suas CNHs cassadas pelo DETRAN, ou estariam ao menos sendo mais prudentes.

realautoonibusÉ no mínimo bom-senso esperar que toda empresa de transporte de passageiros tenha como prioridade a segurança e integridade física de seus usuários, bem como de pedestres, ciclistas e passageiros de outros meios de transporte. Para alcançar este fim elas tem o dever serem criteriosas na seleção de seus motoristas e vigilantes na sua conduta, recompensando os bons motoristas e punindo os irresponsáveis. Mas no geral não é o que acontece, é comum que a principal exigência aos motoristas por parte das empresas seja o cumprimento de tabelas horárias, que muitas vezes só é realizável se o condutor cometer diversas infrações de trânsito. Denúncias desse tipo foram feitas pelos rodoviários de Porto Alegre no documentário Dias de Dissídio – considerando o alto índice de mortes envolvendo ônibus na cidade do Rio de Janeiro e o alto número de infrações registradas nos veículos da Real Auto Ônibus, não temos razões para crer que lá seja diferente.

A polícia está apurando a possibilidade de homicídio culposo. Porém se foi realmente homicídio, será que o assassino foi somente o condutor do veículo? Não devemos considerar também a cumplicidade das empresas de ônibus que praticamente exigem que eles cometam infrações? A culpa não é também da negligência dos órgãos públicos que têm o dever de fiscalizar e punir motoristas infratores?

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6 respostas para Negligência do DETRAN, Real Auto Ônibus e CET-Rio matam ciclista no Rio de Janeiro.

  1. Felipe X disse:

    Eu imagino o que esse motorista vinha fazendo para ter tantas infrações registradas. Não sei do Rio, mas imagino que não seja diferente daqui onde a imensa maioria das infrações não são registradas. Mantenho minha opinião, está na hora da CNH parar de ser vista como um direito e ser tratada como aquilo que é, uma licença que a pessoa pode simplesmente perder e nunca mais ter.

  2. Luiz Felipe disse:

    Ja eu, Felipe X acho que a ridícula “política de gradis” da EPTC ataca novamente. Pois:
    Colocam essas grandes para impedir as pessoas de caminhar. Nas saídas de paradas de ônibus e faixas de segurança, DEVIDO AOS GRADIS as pessoas se aglomeram, apertam e ficam confinadas para esperar até 3 MINUTOS PARA ATRAVESSAR A RUA!
    Colocam grades, mas não fazem rampas. Colocam grades e confinam as pessoas mas deixam-nas esperando vários minutos para atravessar a rua em 5 SEGUNDOS.
    Em Porto Triste a prioridade nunca é as pessoas!
    Pra que fazer os ônibus andar a 60 km/h nos corredores?

  3. Emanuel disse:

    Realmente, essas perguntas devem ser respondidas.
    E este documentário é ótimo, pena que pouco divulgado.

  4. Gold Price disse:

    O secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osorio, disse ontem que o ranking levantado pelo GLOBO é um retrato do comportamento de uma parcela expressiva dos motoristas do Rio. Ressaltando que a categoria tem 18 mil profissionais na cidade e que “não se pode demonizar todos pela atitude de alguns”, o secretário afirmou que o número de infrações e a quantidade de acidentes registrados preocupam a prefeitura.

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