A morte de um cartão postal.


Imagens da manhã de domingo, dia 2 de junho de 2013.
Quatro dias antes, na madrugada do dia 29 de maio, a Prefeitura de Porto Alegre, juntamente com a Brigada Militar, prendeu 27 manifestantes que estavam acampados em um parque da cidade, defendendo o espaço contra a polêmica obra de duplicação de uma avenida. Às 4h da manhã, os funcionários do município iniciaram o corte das árvores. Seis horas depois, 57 árvores já haviam sido cortadas.

A necessidade da obra está sendo questionada pela população, pois a prefeitura não apresentou qualquer tipo de estudo de demanda, e nem possíveis alternativas, além da obra não beneficiar o transporte público. Não ouve verdadeiro diálogo com a população. Foram realizadas algumas audiências públicas depois do início dos protestos onde não foi dada nenhuma resposta às demandas e críticas apresentadas pelos cidadãos.

A licença ambiental para o corte de 115 árvores foi emitida pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, sendo que o então Secretário do Meio Ambiente, Luiz Fernando Záchia foi preso pela Polícia Federal, acusado de vender licenças ambientais. Além disso, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, recebeu cerca de R$ 220 mil da empreiteira que está realizando a obra para sua campanha eleitoral em 2012.

Em 2011, o governador Tarso Genro e o prefeito José Fortunati assinaram um protocolo de intenções para realização de uma etapa da Fórmula Indy na Capital e, coincidentemente ou não, o trajeto proposto para a corrida passa pela área onde foi realizado o corte.

Enquanto isso, a mídia local reduz o protesto à mera questão do corte de árvores, ignorando as preocupações da população com a supressão de espaços públicos de convivência e com a priorização do transporte motorizado individual e a conseqüente degradação da cidade.

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4 respostas para A morte de um cartão postal.

  1. Felipe X disse:

    E o cartão postal da cidade vira uma avenida ao lado de uma ciclovia lotada de esterco de cavalos e nenhuma calçada para pedestres. Ao menos até agora.

  2. Diego Canto Macedo disse:

    Além de todos os aspectos negativos que já falaram dessa obra (menos árvores, mais carros, mais poluição, menos parque, etc) ela praticamente inviabiliza a construção de um palco voltado para a orla que a nova sede da ospa pretendia construir, pois teremos agora uma avenida duplicada, uma rótula gigantesca e estacionamento. Tristes tempos.

    • lobodopampa disse:

      Diego, isso é informação ou boato?

      Pergunto pelo seguinte: o projeto da Sala Sinfônica da OSPA é talvez a mais sabatinada, auditada (audiências públicas, várias), controlada, obstaculizada e difícil obra atualmente em andamento em PoA.

      Uma das CONDIÇÕES para que o projeto na versão final – esta que finalmente foi permitida ali ao lado da Câmara – era justamente a inclusão OBRIGATÓRIA de uma concha acústica ao ar livre integrada ao parque.

      Se o mesmo poder público que obrigou a OSPA a fazer essa modificação no projeto vai impedir que essa benfeitoria seja construída, estaremos diante de um fato grave (grande novidade, eu sei).

      • Diego Canto Macedo disse:

        Quem eu ouvi comentando sobre isso em uma das manifestações na frente da prefeitura foi a Sofia Cavedon. E não precisa ser muito expert em urbanismo pra ver que a duplicação vai prejudicar e muito esse palco. Consegues imaginar uma apresentação com um monte de carros estacionados ali perto e outros tantos circulando? Acho até que pode ser construído, mas para ter apresentações terá que ser só num domingo a tarde com transito trancado e sem estacionamento por perto (ou seja, ridículo)

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