Uma alternativa à duplicação das Avenidas João Goulart e Edvaldo Pereira Paiva.

Se a mega-operação conjunta entre a Prefeitura Municipal de José Fortunati e a Brigada Militar de Tarso Genro serviu para alguma coisa foi para mostrar que há alternativas possíveis à duplicação das avenidas João Goulart e Edvaldo Pereira Paiva. Não vou entrar nos méritos da legalidade ou ilegalidade da operação policial, nem no mérito do fato de a licença ambiental ter sido emitida pela SMAM sob o comando de Luis Fernando Záchia que foi acusado junto com servidores do mesmo órgão de vender licenças ambientais, não vou nem entrar no mérito de a empreiteira que realiza a obra ser a Toniolo Busnello que doou oficialmente R$ 221 mil à campanha eleitoral de José Fortunati. Nessa postagem, vou procurar me ater a dados técnicos.

Na manhã de quarta-feira, para realizar a operação de remoção dos manifestantes e o corte de quase 60 árvores, a EPTC bloqueou completamente a Avenida João Goulart, e o trecho da Avenida Edvaldo Pereira Paiva entre a Praça Júlio Mesquita até a rótula com as Avenidas Aureliano Figueiredo Pinto e Augusto de Carvalho, desde o início da operação na madrugada até cerca de 9 horas da manhã, quando os primeiros trechos começaram a ser reabertos. As linhas de ônibus que normalmente passam pela Avenida João Goulart, tiveram seu trajeto alterado para passar pela Rua Washington Luiz.

viabloqueada-página001Então em pleno horário de pico, os carros que costumavam acessar o centro pelas Avenidas Edvaldo Pereira Pereira Paiva e João Goulart, tiveram que seguir pela Avenida Augusto de Carvalho para chegar ao centro pela Rua Washington Luiz, por onde também estavam passando os ônibus, ou convertendo à esquerda na Avenida Loureiro da Silva para depois entrar na Rua Vasco Alves.

O interessante de tudo isso foi que, em momento algum, as vias mais estreitas que recebiam todo o tráfego oriundo da Avenida Beira-Rio ficaram congestionadas. O fluxo era intenso, mas fluído. Isso que, para garantir o elemento surpresa da ação policial, ninguém foi avisado das alterações no trânsito, e não tiveram a possibilidade portanto de buscar outras alternativas de acesso ao centro da cidade.

Isso nos faz questionar seriamente a afirmação de que a obra de duplicação das Avenidas João Goulart  e Edvaldo Pereira Paiva seria indispensável para garantir o acesso rápido ao centro de Porto Alegre. Se nem mesmo com o bloqueio surpresa de toda Avenida João Goulart e o bloqueio de parte da Avenida Edvaldo o trânsito parou, sem que fossem realizadas mudanças significativas no acesso ao centro, imaginem como poderíamos melhorar o trânsito fazendo algumas mudanças básicas em algumas vias e na sinalização.

Esse bloqueio nos leva a imaginar o que aconteceria se a Avenida João Goulart e o trecho da Avenida Beira-Rio entre a rótula e o praça Júlio Mesquita simplesmente deixasse de existir. Vamos analisar esta hipótese.

Uma das alternativas ao acesso de automóveis ao centro já está sendo construída, o BRT (Bus Rapid Transit). Um corredor de BRT na Avenida João Pessoa no sentido sudeste e um corredor no sentido sul pela Avenida Padre Cacique. Não encontrei o projeto destas linhas de BRT, mas faz todo sentido do mundo que a linha da Avenida Padre Cacique continue pela Avenida Borges de Medeiros, até o centro da cidade. Isto já aumentaria a capacidade do transporte coletivo, oferecendo uma alternativa para que algumas pessoas deixem seu carro em casa e utilizem o BRT em seu deslocamento.

BRT-página001Mas é seguro dizer que muita gente continuará optando por ir ao centro em seu carro. Isso poderá ser feito pelas vias já existente, como foi feito na quarta-feira da operação policial, mas com algumas modificações para agilizar o trânsito dos veículos.

Para os automóveis que vêm pela Avenida Edvaldo Pereira Paiva poderão continuar acessando o centro pela Avenida Augusto de Carvalho, mas para não sobrecarregar o trânsito na rua Washington Luiz, a conversão à esquerda na Rua Otávio Francisco Caruso da Rocha seria permitida das 6h às 10h da manhã para quem quiser acessar a rua Vasco Alves. Seriam necessárias pequenas mudanças viárias para permitir este acesso.

A rua Washington Luís possui quatro faixas, mas apenas duas delas são utilizadas pelo trânsito de automóveis, as outras duas são permanente bloqueadas pelo estacionamento de veículos particulares. Esse estacionamento, poderia ser proibido nos horários de pico, para privilegiar o fluxo, garantindo um acesso rápido às ruas Duque de Caxias e Rua da Praia.

Igualmente, na Avenida Borges de Medeiros, a conversão à esquerda poderia ser permitida em horários específicos através de semáforo dedicado, para acessar as ruas Fernando Machado e Riachuelo. Assim, ao invés de uma grande via de acesso, o trânsito seria pulverizado por diversas vias menores, ao longo das quais o estacionamento nos horários de pico poderia ser revisto.

zonasul-centro-página001No fim do dia, quando o trânsito mais intenso muda de direção, as mesmas vias de acesso garantiriam o escoamento de carros do centro em direção à Zona Sul. O trânsito na Rua Jerônimo Coelho poderia ter sua mão invertida  na quadra entre a Praça da Matriz e a Avenida Borges de Medeiros, para permitir o mais acesso à esta avenida no sentido sul. A rua Demétrio Ribeiro possui estacionamento dos dois lados da via, que também poderia ser revisto nos horários de pico, garantindo assim o acesso à Avenida Borges de Medeiros.

Com os ônibus em corredor exclusivo, o trânsito de automóveis se beneficiaria da remoção dos paradas do lado direito da pista ao longo de toda Avenida Borges de Medeiros.

Neste horário seria possível ainda inverter o sentido das ruas Ibanor José Tartarotti e Otávio Francisco Caruso da Rocha, permitindo o acesso à Av. Augusto de Carvalho para quem vem da rua Washington Luiz.

centro-zonasul-página001Nesta hipótese, a Avenida João Goulart poderia ser completamente desativada, junto com a  Av. Edvaldo Pereira Paiva até a rótula com a Av. Augusto de Carvalho, permitindo a criação do Parque do Gasômetro, ou poderia ser mantida uma única pista de baixa velocidade para circulação de  linhas de ônibus que garantissem o acesso ao interior do parque. Entretanto, a nova linha de aeromóvel que está sendo estudada pela Trensurb, também poderia oferecer esse acesso ao parque, sem o inconveniente de oferecer uma barreira física, e oferecendo também mais uma alternativa de acesso ao Centro para quem vem da Zona Sul.

Uma grande área do que hoje é asfalto seria recuperada como área do parque, de forma que poderíamos inclusive considerar a instalação de grandes estacionamentos, subterrâneos ou ao nível do solo, nas proximidades da rótula e no fim da Avenida Loureiro da Silva, onde hoje é o começo da Avenida João Goulart. Isso também garantiria o acesso ao parque para quem optar por ir de carro.

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Cheonggyecheon antes (esquerda) e depois (direita).

Existem precedentes para ações deste tipo. Talvez a mais notória e radical delas tenha sido a recuperação do arroio Cheonggyecheon em Seul, na Coréia do Sul (assista o documentário) que removeu completamente uma via expressa de 16 faixas que atravessava a cidade, recuperando o arroio que estava canalizado sob ela. Como alternativa foi criada uma linha de BRT que acompanha o trajeto da antiga via expressa, projetada com capacidade para atender ao número de usuários que utilizada a via, 120 mil por dia.

A revitalização da região trouxe muitos benefícios, entre os quais a redução das temperaturas máximas locais em até 5,9°C, redução da poluição do ar por micropartículas em 35%, aumentou os usuários do transporte coletivo em 15%, os imóveis da região se valorizaram em até 50%, o número de empresas cresceu 3,5% e atrai cerca de 64 mil visitantes por dia, o que atrai quase dois milhões de dólares em lucros para o turismo da região e o mais incrível, a velocidade média dos trânsito de automóveis subiu de 21,7km/h para 22,8km/h (detalhes no documentário) – possivelmente algo relacionado com o Paradoxo de Braess.

Este projeto foi muito mais caro do que seria a adequação da região do Gasômetro, pois ali o parque já está praticamente pronto e não há uma via elevada a ser construída, nem um rio a ser desencavado. Mas existem dezenas de outros exemplos menos drásticos (e menos caros) pelo mundo todo de cidades que vêm eliminando vias que eram consideradas importantes para requalificar os espaços urbanos, sem comprometer, no entanto, a mobilidade.

A cidade de Portland nos E.U.A., que não possui sistema de metrô, removeu uma via expressa semelhante à Av. Edvaldo Pereira Paiva para criar um parque.

A cidade de Portland nos E.U.A., que não possui sistema de metrô, removeu uma via expressa semelhante à Av. Edvaldo Pereira Paiva para criar um parque.

A possibilidade de eliminação da Avenida João Goulart pode ser facilmente estudada pela EPTC, basta para isso interditá-la por algumas semanas e observar o trânsito, fazendo adequações onde necessário. O custo desses testes seria praticamente zero.

Mas esta é apenas uma das alternativas possíveis ao alargamento das avenidas Edvaldo Pereira Paiva e João Goulart, existem inúmeras outras possibilidades possíveis à duplicação das avenidas. Por exemplo, uma possibilidade seria fazer nos horários de pico o mesmo que é feito nas saídas de jogos e shows no Estádio Beira-Rio deixar a Avenida Edvaldo Pereira Paiva com sentido único, bairro-centro pela manhã e centro-bairro no fim da tarde – hipótese que inclusive já foi estudada pela EPTC.

Mas deixo aqui um desafio à administração municipal de testar a proposta de fechamento das Avenida João Goulart, bem como apresentar os estudos de deixar a Avenida Edvaldo Pereira Paiva com sentido único nos horários de pico.

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40 respostas para Uma alternativa à duplicação das Avenidas João Goulart e Edvaldo Pereira Paiva.

  1. Marcos disse:

    Excelente a matéria. Só para colaborar anexei acima uma alternativa viária da cidade do Porto, em Portugal, ou seja, há alternativas para bons projetos viários, de convivência e paisagísticos.

  2. Junior disse:

    uma alternativa viária seria todo mundo ter skates que voam como no De volta para o futuro…ahaha

    duas coisas simples: tu não ta na china nem nos estados unidos. Tu esta num paiseco chinfrin, onde gente incapacitada esta por todo lugar tentando quebrar galho . incluso eu e você também. triste mas é real.

    Veja por exemplo, que o senhor que nem de perto tem estudo na area de transito e logística esta dando pitacos no transito. Ao mesmo tempo que temos gente no governo, seja qual for, de que partido for, que não são técnicos e fazem o que ACHAM, ACREDITAM, até com boas intenções, mas que via de regra dá errado e sai caro.

    • Marcelo disse:

      Que triste que tu ACHAS que estás em um país inferior à China ou aos Estados Unidos. Eu não acho.

      Eu não quero que as pessoas acreditem no que estou dizendo. Eu quero que sejam feitos ESTUDOS para encontrar a melhor alternativa de mobilidade urbana para Porto Alegre. É isso que estou propondo, que a EPTC estude as opções.

      Saudações.

    • Felipe X disse:

      Junior, onde estão os estudos de trânsito da EPTC?

    • Luiza disse:

      E depois obras rendem muito dividendos para quem as faz…Tudo no nosso país é superfaturado e cada consertinho de poucos reais, vira milhões que vão para bolsos públicos usarem nas suas necessidades privadas. Mas não perca a fé no ser humano, um dia o senhor vai morrer e eu também, quem sabe as próximas gerações, já que nós somos podres e não merecemos nem tentar melhorar.

  3. Felipe X disse:

    Bom artigo, mas há falta de uma informação vital. O corredor da Padre Cacique NÃO CONTINUA na Borges. Sim, é ridículo, mas ao se aproximar do centro nosso pseudo-brt fica sem pista exclusiva. Ele vai acabar no viaduto da José de Alencar. Fonte: http://www.transparencianacopa.com.br/noticias/obra-do-corredor-brt-comeca-dia-11/140

    • Marcelo disse:

      Eu tinha visto essa página da Transparência na Copa, mas eu não quis acreditar que isso não irá continuar, é completamente absurdo. O BRT sai do corredor exclusivo e continua pela Avenida Borges misturado com todos os outros carros? Quem é o imbecil que fez esses projetos?

      • Felipe X disse:

        Honestamente não me surpreende. Lugar nenhum fala em corredor na Borges…

      • heltonbiker disse:

        Diz a lenda, e a obsrevação da realidade confirma essa lenda grandemente, que as obras, por exemplo, da Protásio Alves são APENAS a troca do pavimento. Em todas as estações da Osvaldo e do bairro Rio Branco, não foi feita nenhuma alteração nas paradas, exceto a troca e retroca do piso e do meio-fio.

  4. http://trendtech.me/2013/05/28/uma-cidade-sem-calcadas-ou-semaforos/

    vale a pena ver o ultimo video. todos falavam que o projeto que iria diminuir o espaço dos carros ia piorar o congestionamento no local. os fatos falaram por si só, ao fim. e os céticos viraram crentes.

  5. Naza disse:

    Marcelo, que maravilhosa contribuição. Se intuitivamente já tínhamos percebido isso, agora assim com os dados reunidos e ordenados, só realmente quem tem intere$$e nessa obra, pode apoiá-la.

  6. Excelente texto e reflexão. No entanto, sem pessismos, ilude-se quem acredita que Porto Alegre terá BRT. Pelo menos não até 2014, com certeza. Teremos um ônibus articulado com design moderno circulando com os demais ônibus convencionais e carros e, na melhor das hipotéses, contando com um corredor já existente melhorado. Inventem outro nome, mas BRT não é.

    • Marcelo disse:

      Concordo, Cristiano, mas a verdade é que o BRT seria uma alternativa de acesso ao centro, o problema é que não há interesse em construí-lo da maneira certa.

      • Exato, eis a questão. Me parece que já conhecemos boas respostas técnicas. O que falta? Onde reside essa falta de interesse? Abraço.

      • Marcelo disse:

        Acho que já temos essa resposta também.

      • Bagual disse:

        Deveríamos estar discutindo, também, o financiamento público de campanha política. Me parece ser a origem de toda essa situação. Enquanto permitirmos que as construtoras doem $$$ aos partidos, estaremos permitindo a construção destas obras inúteis.

  7. Neli Colombo disse:

    Sim, o texto trás oportunos esclarecimentos e, também excelentes experiências, como a de Seul, que vale apenas assistir.

  8. Linda Maria Antoniazzi disse:

    Excelente contribuíçao, Marcelo Sgarbossa, contrariando o péssimo comentário de Junior. Vivemos em um grande e belo país e temos uma bela capital, que, do Gazometro, pode-se ver, o por-do-sol mais lindo do mundo.

    O que é preciso, é participaçao real e verdadeira das pessoas, nos rumos e transformaçoes da cidade. Especialmente, de pessoas, que amam sua cidade e querem um vida urbana, mais saúdavel e feliz, como tu a queres, Marcelo.

    E mais, NUNCA, conseguiremos resolver,amenizar, problemas de mobilidade, abrindo mais vias,para carros ( com 01 ou 02 pessoas). Construindo viadutos,pontes e etc.

    Só será possível, com boas idéias, inteligência, boa vontade política , TRANSPORTE COLETIVO e CICLOVIAS.

    Parabens pelo texto e análise!

    Abraços,

    Linda Maria Antoniazzi

  9. Zé Silva disse:

    Tem que colocar BRT, fazer o aeromóvel entre o barra e o centro, fazer o aeromóvel da arena, o metrô da zona norte E DUPLICAR a edvaldo pereira paiva. Tem que fazer tudo isso.

  10. Engraçado, MUITO ENGRAÇADO… Eu fui o primeiro a apresentar a solução de usar a Washington Luiz, afirmando que a obra na João Goulart é absolutamente inútil, e quase me agrediram, chegando ao absurdo de dizerem que “tem árvore demais” em Porto Alegre… FAÇAM-ME O FAVOR!!! Se for para dar crédito a alguém, que seja às pessoas certas, senão não creditem a ninguém!!! Lamentável…

    • Marcelo disse:

      Olha, Rodrigo, sinceramente, não lembro da tua sugestão, muito menos de eu ter achado absurdo e quase te agredido. Até pesquisei nos comentários aqui do blog e não encontrei nada.

      Abraço.

      • Luiza disse:

        Esse monte de coisas deu um nó na minha cabeça…Mas esta semana fiquei pensando porque teriam cortado tantas árvores na Jeronimo de Ornelas e no entorno, já que ali é inviável duplicar as vias (eu acho, pelo menos, porque há predios por todos lado). Estão deixando a cidade “careca”…Mas porque? Alguma coisa além da copa e da Fórmula Indy mencionada em outros lugares…

  11. Rafael Zart disse:

    Brilhante texto, embora apocalíptico no trecho: “O custo desses testes seria praticamente zero…” Em toda a administração “pública” brasileira, onde não há custo não há VONTADE POLÍTICA, pois não há interesse DE NINGUÉM onde não há VERBA. Ou seja, lamentavelmente, para A MAIORIA, este ESTUDO MAGNÍFICO ficará escondido em apenas mais um blog de ciclistas. Sobre isso, sem querer parecer um demérito para NÓS CICLISTAS, mas a contribuição social do VÁ DE BICI há muito extrapolou o assunto bicicleta, SENDO DEFINITIVAMENTE um site de bem-estar urbano. Não estaria na hora de DESMEMBRÁ-LO? Fazê-lo crescer para outro endereço, onde as TESES ganhariam OUTRO STATUS, desvinculado do ciclismo. Sugiro isto, principalmente visto a forma como porto-alegre VÊ os ciclistas. Fica a sugestão.

  12. observador disse:

    sinceramente, texto excelente, mas é totalmente utópico, pois não é uma alternativa real, pelo menos não na prática. nesse sentido acaba sendo perda de tempo. é só ver que já tava tudo orquestrado há muito…. http://ocetico.wordpress.com/2013/06/01/fortunati-recebeu-mais-de-r3-milhoes-de-empreiteiras-e-construtoras/

  13. airesbecker disse:

    Não acho que a falta de planejamento seja tão somente em termo de alternativa para este local.

    Para mim a questão é um pouco diferente:
    Primeiro que não há um plano de mobilidade urbana, com estudo de demanda e planejamento de transporte em médio e longo prazo, portanto as obras são desmensuradas, paliativas e provisórias.

    Estas obras então estão saindo de caráter emergencial por conta de um evento, a Copa do Mundo, por isto são obras eventuais, paliativas, casuísticas, sem um planejamento de mobilidade urbana para a cidade dos próximos anos por vir.

    Dentro deste casuísmo, a escolha da Edvaldo Pereira Paiva se deu por um motivo óbvio, pelo espaço considerado disponível para a ampliação a ser retirado da área dos parques da cidade.

    As vias realmente críticas da cidade, Protásio Alves, Assis Brasil, etc.. seguem sem interferência relevante submetidas ao aumento descontrolado de uso sem alternativa.

    Ou seja nosso tráfego vai seguir piorando cada vez mais, sem qualquer planejamento.

    Só estamos conseguindo é perder qualidade ambiental na região da orla por conta destes desmandos.

    • Aldo M. disse:

      Deve haver diversos motivos para fazer essa obra, tais como: valorização de imóveis que as construtoras irão erguer na Zona Sul (há muitos grandes projetos sendo aprovados na Prefeitura); acesso ao Shopping a ser construído ao lado do Gasômetro, Pista da Fórmula Indy, com remoção das árvores maiores para melhorar a captação de imagens da prova, provavelmente em 2015; incentivo à indústria do automóvel & petróleo; piora deliberada da mobilidade urbana para tornar acessíveis os serviços da cidade, especialmente de compras, apenas com transporte motorizado. E por aí vai. Os interesses desses “investidores” são imensos e, como sempre, insaciáveis.

  14. Gabriel W. disse:

    Excelente post, Marcelo!

    Isso deve ser amplamente divulgado!

  15. Aldo M. disse:

    Muito bem aproveitada a ocasião da interrupção da Edvaldo para analisar como seria o trânsito sem ela. Uma análise de fôlego que elevou muito o patamar da discussão. Parabéns, Marcelo!
    Os comentários clichês de alguns, repetições estéreis da grande mídia, nunca soaram tão ridículos (acho até que são de gente contratada para postar essas coisas).

    Uma grande exemplo de que a própria população é quem deve discutir, criticar e propor soluções. Principalmente quando o poder público não cumpre minimamente a sua função, como é o caso de Prefeitura de Porto Alegre em relação à mobilidade.

    Para mim, a atual administração não passa de um escritório de representantes do grande capital para transferir o máximo possível de recursos públicos às mãos de particulares, valendo-se dos mais diversos subterfúgios. É o que penso. Essa hipótese explicaria todas as suas ações aparentemente sem planejamento: é que o propósito seria outro, indizível, e sem qualquer relação com a função para a qual esses representantes foram eleitos pelo povo.

  16. Daniel disse:

    Será que a questão da duplicação não deveria ser também discutida em outras instancias , como uma audiencia publica, por exemplo? me parece que é uma questão que além da necessidade de ser debatida , reverbera e amplifica a discussão sobre mobilidade na cidade. Pra mim o que mais incomoda é que parece ser mais um golpe em relaçao as possibilidades que temos de acesso a orla do guaiba. Talvez não se esteja dando a devida importancia pra esse lugar que possibilita uma qualidade de encontros diferente de qualquer outra na cidade. Avenida beira rio, os aterros, o muro da maua, a avenida maua, o fluxo cada vem maior dos carros, a poluição, e agora essa duplicação.

  17. Aldo M. disse:

    Já os atuais “donos” da Prefeitura não apresentam nenhuma alternativa. Devem ter recebido a encomenda de alargar a via e estão obedecendo, mesmo contra toda a sociedade organizada.

  18. Pingback: Sul 21 » Uma alternativa à duplicação das Avenidas João Goulart e Edvaldo Pereira Paiva.

  19. Bruno disse:

    Olha, não é bem verdade que o trânsito fluiu bem. Eu usei o mesmo caminho que uso sempre para acessar o campus centro da UFRGS, vido da zona sul, as 7:30 e levei 10 a 15 minutos a mais que sempre levo. Na rua Augusto de Carvalho ficou bem complicado, parecia 6 da tarde.

  20. Bruno disse:

    Quero deixar um elogio ao blog por ser um dos poucos que em vez de só reclamar, busca alternativas e sugestões. Parabéns!

  21. Pingback: Parque do Gasômetro: Acordo proposto pelo Ministério Público viola o Plano Diretor | Vá de Bici

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