A beira-rio e a estercovia

Nas pedaladas pela beira rio pode-se observar algumas placas que foram instaladas na avenida recentemente. No sentido bairro/centro, no trecho ainda fechado para trânsito, estão descobertas mas no outro sentido elas estão tapadas por sacos de lixo.

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As novas placas da avenida

A placa é interessante, pois contém duas informações muito relevantes. A placa de cima informa que depois da duplicação será possível estacionar nesta avenida nos finais de semana e durante a noite. Isso isoladamente é uma boa notícia, pois vai ser um estímulo para mais gente usufruir a orla, e tomara que logo sejam criadas linhas de transporte público, ao menos nos finais de semana.

Mas há um problema na placa inferior, que indica que a velocidade máxima permitida é de 60km/h em qualquer horário, uma velocidade indevida para uma área de lazer. Considerando que avenida não tem até agora nenhuma medida de traffic calming, nos horários de pouco trânsito a velocidade será muito superior a esse limite, e já foi demonstrado cientificamente que incrementos de 10 km/h fazem muita diferença na violência dos acidentes. Nota-se que os órgãos de trânsito continuam dando muita importância para a velocidade máxima em vez da fluidez e em detrimento da segurança.

Mas vamos à ciclovia, pois bicicleta é o foco deste blog e em alguns trechos ela já foi construída.

Mais uma vez as prioridades sendo invertidas, pois não existe calçada para pedestres até agora e em muitos trechos o espaço disponível para construí-la é mais estreito que a ciclovia. Mesmo sendo uma região razoavelmente usada por ciclistas, o número de pessoas correndo ou caminhando ali diariamente para se exercitar é maior, o que automaticamente transforma a ciclovia em uma calçada (e o pedestre tem razão).

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Onde será a calçada?

Como se não bastasse, a cavalaria tem usado diariamente, sem exagero, essa pedestre/ciclovia para, bem, cavalgar. E nesta cavalovia, ciclistas e pedestres convivem com dejetos a cada 50m em sua tentativa de se exercitar. Aqui está o a foto de um deles para registro, mas há muito mais.

Continuando ao sul, repentinamente acaba a iluminação pública e o asfalto. A partir dali, o ciclista ou pedestre tem de desviar dos buracos e do esterco em total escuridão. Já houveram casos de ciclistas se lesionando gravemente nessa região. Notem que os preciosos carros ao fundo tem iluminação pública adequada.

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Fortes emoções, as 18:30 em 16/maio.

Seria razoável se perguntar por que o ciclista da foto está tão longe da rua se lá há iluminação neste trecho (em outros não há). É muito simples: lá tem luz mas também poças da água enormes e lama, devido a chuvas recentes. Custa muito tempo para a água secar, e quando acontece o buraco é grande.

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24 respostas para A beira-rio e a estercovia

  1. Olavo Ludwig disse:

    Eu não acho nem uma pouco boa a ideia de permitir estacionamento de carro na rua, ainda mais na orla.

    • Felipe X disse:

      Bem ou mal é uma maneira de levar mais gente para lá.

      A praia do Iberê hoje é muito frequentada só por causa de um café minúsculo, um mínimo de estrutura (chão de brita, um ou dois bancos) e sim, garagem.

      • heltonbiker disse:

        Sem falar que tem uma “pracinha” do outro lado da rua do Iberê, que andava altamente abandonada e pouco frequentada até algum tempo atrás. Aí, o Iberê começou a atrair gente, e o Mirante do Iberê tambêm, e a região de estacionamento “se espalhou” para essa pracinha, e hoje a pracinha está sendo muito mais frequentada do que antes. Também me incomoda a idéia de que isso só acontece por causa da ânsia por estacionamento, mas já que é assim, pelo menos o resultado final é positivo.

      • Felipe X disse:

        Exato. O que falta ali realmente é ordenar o uso, o pessoal está jogando os automóveis em qualquer lugar. Os lugares tem que ser definidos, sem exageros, etc. O pessoal não quer pagar a garagem do Iberê e daí estaciona no meio do passeio, assim não dá.

  2. Ruy disse:

    Concordo com o Olavo Ludwig.

    • Nicolas Kasprzak disse:

      Eu me pergunto, se aos domingos e feriados a Beira-Rio não poderia ficar com umas das vias, já que agora estará duplicada, fechada para lazer, será que teria a necessidade de duplicação nos domingos e feriados, ou ficara as duas pistas fechadas do gazometro até o monumento das Cuias, ou até a Ipiranga, isto é outra coisa que me incomoda, num domingo ta fechado até as cuias, outro domingo esta até a Ipiranga, não temos um padrão.

  3. Aldo M. disse:

    Permitir o estacionamento tem um lado positivo, pois ajuda a reduzir a velocidade dos carros e estes teriam uma faixa a menos, facilitando a travessia de pedestres. Mas a coisa certa a fazer é proibir completamente o tráfego de veículos automotores na Beira Rio aos finais-de-semana.
    Espero que, ao menos, dividam cada pista de dez metros de largura em uma faixa de 4 metros à direita e duas de 3 metros no meio e a esquerda. Assim, com os carros estacionados, sobraria ainda um espaço razoável para os ciclistas mais rápidos na faixa da direita.
    De qualquer forma, o limite de 60 km/h é insano, especialmente quando milhares de pessoas, incluindo crianças, estiverem ocupando os parques e a orla que margeiam a avenida.

    • Felipe X disse:

      Perfeito teu comentário sobre a largura das pistas, mas vamos ver…

      Sobre fechar nos finais de semana, acho que no mínimo dos mínimos um dos sentidos devia ser fechado.

  4. airesbecker disse:

    Uma cidade turistica é turistica sete dias por semana e não somente nos finais de semana.

    Esta ciclovia é obsoleta e deficiente.

    É um erro de projeto na orla.

    Primeiro que ciclovia tem objetivo de transporte. Pois ciclovia é uma via, ou seja leva de algum lugar a outro. Alí no caso a vocação é uma faixa de lazer. E hoje em dia as faixas de lazer são de uso multiplo não são recomendadas como ciclovia, pois o uso é muito diversificado, há os skates, os rollers, os carrinhos de bebês, os pedestres e os corredores e várias outras modalidades de uso que demandam este tipo de espaço.

    O correto neste caso seria uma faixa de lazer permanente, em vez da faixa palitiva que montam aos domingos sobre o leito viário das ruas e corredores de ônibus.

    Uma cidade que oferece corredores de ônibus como alternativa de lazer para os seus moradores dá um atestado de incompetência administrativa.

  5. airesbecker disse:

    Considerando que a orla do Guaíba teria um potencial turístico de grande interesse, temos que é errado deixar seis vias de rodagem para carros e pouco mais de 2m de largura para uso de faixa lazer.

    E é errado pretender que esta faixa com seu potencial e demanda de uso multiplo de lazer, seja pretendida como uma ciclovia, pois não vai ser. E não deve ser.

  6. Bagual disse:

    Putz, nem ali na orla, que tem espaço pra dedéu pra fazer duplicação, triplicação, calçada e ciclovia a prefeitura não consegue fazer.

  7. Aldo M. disse:

    Os holandeses usam uma regra simples para dimensionamento básico das suas ciclovias: Se, numa avenida, os carros podem ultrapassar sem invadir a pista do sentido oposto, então os cilcistas também devem poder fazer isto na ciclovia. Quer dizer: se houver pelo menos duas faixas para automóveis por sentido, então também deve haver duas ciclovias unidirecionais com largura suficiente para fazer ultrapassagens.

    No caso da Beira-Rio, seriam duas ciclovias unidirecionais com largura mínima de 2 metros cada uma. Apenas um metro a mais de largura para se fazer a coisa certa.

    Infelizmente, este mau exemplo de ciclovia bidirecional em uma avenida com mais de quatro faixas para automóveis está sendo utilizado em toda a Porto Alegre. O resultado é previsível: ciclovias muito perigosas, ineficientes para deslocamentos diários e que roubam o já minguado espaço dos pedestres.

    • Felipe X disse:

      Igualdade de direito em modais? Muito civilizado. This is no country for old men.

      • Aldo M. disse:

        E nem estou falando em divisão igual dos espaços. Apenas que, onde houver duas pistas de 7, 10 ou 15 metros de largura para carros, haja duas pistas de 2 metros para bicicletas.
        O fato é que a Prefeitura nunca se dispôs discutir a largura das ciclovias com os usuários. Imagino que por ser inexplicável a sua grande generosidade com o transporte automotivo simultânea à sua sovinice com o transporte a pé ou de bicicleta.

      • Felipe X disse:

        Não discute nem a segurança, vide tinta escorregadia, imagina a divisão de espaços.

  8. Pablo disse:

    Essa “ciclovia sem calçada” seria perfeita, se fosse ás margens de rodovias, mas dentro de uma cidade, uma ciclovia sem calçada não pode.

    • Felipe X disse:

      Mas se tu for ver é uma rodovia… deve ser isso, a prefeitura tá seguindo um modelo, só que no lugar errado.

    • Aldo M. disse:

      Bem lembrado, Pablo. É urgente que se construam vias como esta, paralelas às estradas, que serviriam tanto para pedestres quanto ciclistas. As pessoas que precisam se deslocar entre uma cidade e outra sem carro arriscam suas vidas em estradas que às vezes nem acostamento têm. E são milhares, todos os dias, incluindo crianças.

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  13. Guilhermino disse:

    Também não concordo muito com a liberação de corredores de ônibus, ainda que apenas em um dia da semana, para “lazer” (leia-se bicicletas, skates, patins e assemelhados). Principalmente o da Terceira Perimetral, onde há os viadutos e passagens de nível da Protásio Alves e da Nilo Peçanha. Há paradas de ônibus no corredor nesses locais que NÃO FUNCIONAM AOS DOMINGOS. O usuário que quiser descer ali para, principalmente, fazer integração com alguma outra linha na Protásio ou na Nilo ou vice-versa, terá de caminhar entre 300 e 500 metros entre a estação seguinte da 3ª Perimetral e a outra avenida, pois não há lugar para os ônibus fazerem embarque e desembarque naqueles trechos, fora do corredor. Isso não foi bem planejado pela Prefeitura, ela simplesmente decidiu liberá-lo para o “lazer”, poucos anos depois de pronto o corredor. Por isso, e também por morar na Zona Sul, é que não sou usuário dos corredores liberados aos domingos, nem esse nem o da Cascatinha.
    Concordo que o que deveria haver na avenida é uma ciclovia ou ciclofaixa. Só que aí entra o problema do espaço físico e das desapropriações de imóveis.

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