Duplicação de via na frente do Gasômetro: obra necessária?

O vídeo a seguir mostra o trânsito na avenida João Goulart em frente à Usina do Gasômetro em uma sexta-feira, fim de mês, em pleno horário de rush, entre 18h e 19h e o que ele mostra é surpreendente: o trânsito, mesmo sendo muito intenso, flui constantemente, só parando quando o semáforo para pedestres é ativado.

O vídeo nos mostra o óbvio, que a duplicação daquela avenida não é necessária, pois a única justificativa para ela seria o congestionamento causado pelo “gargalo” na via. O congestionamento obviamente não existe.

Por outro lado, a obra tratá vários problemas e desvantagens, os quais tentarei listar a seguir:

  • Remoção de área da Praça Júlio Mesquita, reduzindo o espaço de uma área de lazer amplamente utilizada em ponto de alto interesse de para a população da região e turístas;
  • Maior isolamento da orla. Com a duplicação toda a orla passará a contar com “um novo muro da Mauá”. Só que dessa vez a barreira física não será um literalmente um muro, mas uma larga via com oito faixas de rolamento de alta velocidade;
  • Maior risco à segurança de pedestres, ciclistas e motoristas. Com o aumento da via, aumentará provavelmente a velocidade média dos veículos, especialmente fora dos horários de pico, aumentando o número e a gravidade dos acidentes na via;
  • Mais congestionamentos. É cientificamente comprovado que o aumento de vias gera mais trânsito, é um fenômeno conhecido como demanda induzida, o que acarretará em mais congestionamentos, senão ali, em outros pontos da cidade, gerando a necessidade de mais alargamentos;
  • Maior poluição atmosférica, com o aumento do fluxo dos carros e novos congestionamentos, aumentará o índice de poluição atmosférica, que em Porto Alegre já é mais de duas vezes acima dos níveis recomendados. Segundo a OMS, a má qualidade do ar mata 2 milhões de pessoas por ano.
  • Maior poluição sonora. Mais automóveis circulando significa mais poluição sonora. A poluição sonora traz não apenas problemas sérios de saúde, como pode estar relacionada com o aumento da violência nas cidades;
  • Remoção de árvores. Para a duplicação da via, serão removidas mais de cem árvores adultas. Árvores contribuem para a redução da poluição atmosférica, sonora, como amenizadora de temperaturas, fornecem abrigo e alimento para a fauna, sombra e são esteticamente agradáveis. As árvores que serão plantadas como “compensação” levarão pelo menos 30 anos para se tornarem adultas e começarem a proporcionar as mesmas vantagens que as árvores que já estão lá hoje;
  • Ambiente mais hostil à fauna nativa; o corte de árvores e a substituição de gramado/terra por asfalto para pássaros e outros pequenos animais significa a redução imediata da oferta de alimento e abrigo. Como mudas de árvores não oferecem nada para esses animais, a compensação ambiental é insignificante para eles;
  • Menos permeabilidade do solo, mais probabilidade de alagamentos e enchentes. A troca de solo permeável por asfalto faz com que uma maior quantidade de água não consiga ser absorvida pelo solo, ela então acaba escoando para a rede de águas pluviais ou para o Guaíba. Isso acarreta num aumento da possibilidade de alagamentos, enchentes e inundações, bem como impede o reabastecimento dos lençóis freáticos;
  • Degradação visual da cidade, grandes vias e avenidas tendem a ser feias e degradam a paisagem urbana. Isso é ainda mais grave quando ocorre em uma área de interesse público e de potencial turístico;
  • Desperdício de dinheiro público. O dinheiro que será investido nessa obra, poderia ser investido em obras de mobilidade urbana real, como investimento em transporte público, qualificação dos espaços para pedestres, ciclovias, etc., investimentos em saúde, educação, enfim, coisas que tragam benefícios REAIS.

Provavelmente ainda existem mais problemas que essa obra trará para Porto Alegre que poderiam ser listados aqui.

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9 respostas para Duplicação de via na frente do Gasômetro: obra necessária?

  1. Felipe X disse:

    Vocês não entendem. Não entendem mesmo. Esse cara tem a resposta para todo mundo entender https://www.youtube.com/watch?v=0yGr-AQBNig

    😉

  2. Avisaí disse:

    Podia avisar no post que dá pra ver o vídeo só a partir dos 5 minutos e entender tudo.

  3. Antonio disse:

    Evitar essa obra depende de cada um de nós. Agora é hora de agir. Contra as motoserras, deveremos estar lá, defendendo as árvores e um outro modelo de cidade que não o do Infortunati\mayojama.

  4. Max disse:

    Marcelo, final de mês não é um parâmetro para medição de demanda nenhuma na area de trânsito, você como bom observador deveria saber.

    • Aldo M. disse:

      O aumento da largura das vias sempre é um convite para que mais motoristas tirem o seu carro da garagem até que elas voltem a ficar congestionadas de novo.
      Por outro lado, diversas metrópoles importantes no mundo já descobriram como eliminar o tráfego em áreas congestionadas: simplesmente eliminando as vias para automóveis.

  5. Só uma correção, no minuto 7 do vídeo, o narrador diz: “essa sinaleira pra pedestres é MEIO perigosa né, ela fica fechada de um lado e aberta de outro”.

    O certo é dizer: essa sinaleira é MUITO perigosa e é igual a muitas que existem em POA.

    Um total absurdo, descaso e falta de planejamento de mobilidade urbana. Um exemplo crasso de risco à vida que ocorre diariamente é a travessia da Joao Pessoa em frente à UFRGS, na qual existem 3 sinaleiras, um brete e uma mínuscula ilha de pedestres para se atravessar 3 vias! São 3 sinaleiras e só 2 sao sinconizadas… Ali atravessam milhares de pedestres todos os dias, felizmente até hoje nao vi ngm ser (muito) atropelado. O maior absurdo é o tamanho da ilha de pedestres que foi feita cercada por grades em volta com um único brete de acesso e que nao suporta, nem de longe, a quantidade de pessoas que atravessam por ali.

    Sem falar em todos os grandes cruzamentos nos quais só há sinaleiras para carros. O pedestre tem que ficar olhando de revesgueio para o sinal dos carros e tentar a sorte na travessia.

    Logo, logo, faço um termo de declarações na Promotoria de Justiça de Habitação e Defesa da Ordem Urbanística, solicitando providências da Prefeitura sobre isso.

    Aliás, fica a dica para todos, liguem (51 – 3295 1618) ou vão até lá (é no quarto andar da Torre Norte do MP, ali na Aureliano de Figueiredo Pinto, n 80) e façam Termos de Declarações sobre todos os descasos e violações à Lei que a nossa Prefeitura comete. Tua reclamação vai ser analisada pelo Promotor, que vai decidir se é caso de abrir um inquérito ou oficiar à Prefeitura para que providencias sejam tomadas. Democracia é participação. Lute pelos seus direitos!

  6. Aldo M. disse:

    Eu acredito que uma das razões para aumentar a largura das pistas em frente a Gasômetro é por este trecho fazer parte do circuito aprovado para a futura competição anual da Fórmula Indy.

    “A cidade tem muito potencial pela localização, pela beleza e pela receptividade”, disse Barnhart, Presidente da Fórmula Indy, completando que, pelo circuito ser de rua, será necessário apenas um recapeamento do asfalto para a realização da corrida.
    O circuito será realizado na região central da capital gaúcha nas ruas João Goulart, Beira-Rio, Ipiranga, Borges de Medeiros, Loureiro da Silva e Usina do Gasômetro. Em dezembro de 2010, esteve na capital o engenheiro Tony Cotman, que desenhou traçado provisório para a corrida, que tem 3,5 km.
    O que me dá quase certeza desta minha teoria é o fato do poder público e a mídia jamais terem relacionado a necessidade do corte de árvores com esta corrida, embora seja claro que ela iria passar exatamente no espaço das árvores já cortadas e das marcadas para corte.

    http://esportes.terra.com.br/automobilismo/formula-indy/porto-alegre-assina-protocolo-para-receber-formula-indy-em-2012,bb683ce2664ba310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

  7. alexpanato disse:

    interessante o vídeo, mas preciso fazer uma observação: o cinegrafista não podia esta pedalando na contramão! (vide a partir de 4:20) Pode parecer detalhismo meu, mas acho isto muito sério e temos que combater este comportamento! Ele atrapalha muito carros, pedestres e outros ciclistas. :-/

  8. Pingback: Fortunati recebeu mais de R$3 milhões de empreiteiras e construtoras. | O Cético

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