Isto não é uma ciclovia.

DSC02698

Placa à esquerda da foto recomenda aos pedestres que usem o passeio do outro lado da via (clique na imagem para ampliá-la).

A Prefeitura Municipal de Porto Alegre confirmou o que já suspeitávamos, que a faixa de asfalto pintada de vermelho sobre o Parque Marinha não é uma ciclovia, mas um passeio de pedestres.  A nossa suspeita tinha dois motivos:

a) Se aquilo fosse uma ciclovia, não haveria então espaço para os pedestres caminharem senão por cima da grama;
b) O asfalto está pintado com uma tinta vermelha IMPRÓPRIA para a circulação em bicicletas por ser de baixa aderência, especialmente quando úmido.

DSC02699Agora nossas suspeitas foram confirmadas por uma placa colocada no local pela SMOV (Secretaria Municipal de Obras e Viação), informando aos pedestres para não transitarem por aquele lado da via, mas utilizarem o “passeio” do outro lado da via. Bom, do outro lado da via, no Parque Marinha, o único passeio, caminho é o de asfalto vermelho. Damos razão à SMOV, aquilo não é uma ciclovia.

Deixando a ironia de lado, gostaríamos de saber por quê não há um passeio para pedestres sobre o Parque Marinha junto à Avenida Ipiranga, nem que seja de saibro, para manter a permeabilidade do solo – importante numa cidade com cada vez mais cobertura asfáltica. Junto à ciclovia da Restinga, a desculpa da EPTC para não haver um passeio público decente é que a responsabilidade por isso seria dos proprietários dos imóveis que dão frente para a calçada. Esse não é o caso no Parque Marinha, que é público, e portanto a responsabilidade é da Prefeitura Municial. Certamente não é por falta de recursos, já que acabaram de remover um pedaço do Parque Marinha ali mesmo em frente para criar mais uma faixa de asfalto, e estão construindo uma nova ponte. A única conclusão que consigo imaginar é porque a administração atual inverteu a prioridade prevista em lei – Capítulo II do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e Ambiental – que diz que em relação à mobilidade, devem ser priorizados o pedestre, o transporte público e a bicicleta. Bom, em Porto Alegre a sensação que temos é que está tudo de cabeça para baixo. Em primeiro lugar está o automóvel particular, que ganha cada vez mais espaço e infra-estrutura e por último vem o pedestre, cada vez mais encurralado e marginalizado.

Gostaria de ter uma resposta dos nossos administradores e planejadores urbanos, sei que alguns freqüentam este blog, e aí, qual é a justificativa? E aí Fortunati? E aí EPTC? E aí, SMOV?

Anúncios
Esse post foi publicado em Sem categoria e marcado , , , , , , , , , , . Guardar link permanente.

12 respostas para Isto não é uma ciclovia.

  1. Felipe Koch disse:

    Hoje mesmo havia pensado em sugerir um post com exatamente este título, mas referente a coisa-via da Edvaldo Pereira Paiva.
    O projeto prevê ciclovia, mas asfaltaram somente aquela largura estreita e sem calçada ao lado.
    Os pedestres, com toda razão, utilizam o asfalto regular ao invés da buraqueira ao lado.
    Enquanto o asfalto para carros já foi todo colocado os pedestres foram, como de costume, deixados por último, e tenho a impressão, totalmente (com perdão do trocadilho) de lado.

    • Marcelo disse:

      Mas se formos questionar a prefeitura sobre isso vão alegar que é porque a obra ainda não está pronta e que quando estiver pronta vai ter calçada. Enquanto isso o pedestre vai por onde?

      • Luiz Felipe disse:

        Justamente, propus ao Ministério Público uma averiguação disso mesmo e da EPTC e eles me relataram que não procede uma vez que o local está em obras e blábláblá e o pedestre que se elicopterize.
        Para saber mais procurem pelo protocolo: RD 01202.00103/2012

      • Luciano disse:

        Mas mostra que, durante as obras, não há valorização dos pedestres. Isso fica bem claro. Um plano de desvios sinalizados durante uma obra é obrigatório. Remover pedestres para a ciclovia é uma forma porca de lidar com as contingências.

    • Felipe Koch disse:

      E, agora que reli, peço perdão pela repetição da expressão “lado”.
      Mais uma coisa “curiosa” sobre a Edvaldo Pereira Paiva:
      A sinaleira de pedestres em frente ao Beira-Rio, como nenhuma outra na cidade, funciona instantaneamente.
      Você aperta o botão e – voilà – a sinaleira, magicamente, fecha.
      Na mesma avenida, à algumas centenas de metros dali, em frente a pista de skate do Marinha, você aperta o mesmo tipo de botão e aguarda 1min enquanto prepara-se para correr as duas pistas em 9s, tempo imposto a qualquer tipo de pedestre, talvez um idoso ou cadeirante.
      Curioso.

      • Aldo M. disse:

        Usei esta mesma sinaleira ontem, dia 1º/05, e tive que aguardar mais de um minuto após apertar o botão. Quando abre, o tempo é insuficiente para a travessia. Eu acredito que, se ninguém tiver utilizado por algum tempo, ela abre instantaneamente ao apertar o botão. Já vi isto acontecer em outras sinaleiras para pedestres.

  2. Aldo M, disse:

    Essa admimistração desconsidera completamente a locomoção do pedestre e do ciclista. Estes só são lembrados quando podem aborrecer motoristas ao cruzarem ruas ou pedalarem em seu leito. Eu não identifico um única ação ou obra com o objetivo de melhorar a mobilidade não motorizada. Desafio a EPTC a citar alguma.
    O fato é que não há ciclovias em Porto Alegre. Nenhum dessas grotescas faixas pintadas de vermelho melhorou a segurança ou a fluidez do trânsito de bicicletas. Em vez disso, deu uma perigosa sensação de segurança que já causou inúmeros acidentes e até um morte.
    As sinaleiras que deveriam ser para pedestres só existem para proibi-los de atravessarem as vias em um tempo razoável, ou seja, menos de trinta segundos. Mas não. Elas perversamente impõem muitos minutos de espera, o que incentiva os pefestres a avançarem o sinal, arriscando suas vidas. E é claro que convenientemente os motoristas nem serão reponsabilizados nesses casos.

  3. Felipe X disse:

    Perfeito o artigo! Inclusive ontem (1o de maio) eu pedalei por ali e era impossível andar numa velocidade de cruzeiro pois tinha muita gente caminhando. O brabo é que se tu vai para o asfalto os trogloditas se acham no direito de te atropelar.

    Calçada para pedestres já!

  4. Ana Migowski disse:

    Sempre penso sobre isso quando pedalo na ciclovia da Ipiranga. Além de tudo as pessoas não se dão conta e caminham na contramão da ciclovia, impossibilitando qualquer ultrapassagem. É complicado, parece que o tema nunca é levado a sério.

  5. Pingback: Isto não é uma ciclovia | Blog Porto Imagem

  6. Só para constar: a SMOV considera o saibro um piso IMpermeável. Independente disso, AQUILO também não é um passeio de pedestres, né? RESPEITO ao pedestre e ao ciclista, já!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s