Pedalada do Davi – pela Dignidade e Paz no Trânsito


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No dia 5 de fevereiro, Davi Santos de Moura pedalava pela chamada “ciclovia” da Restinga. Ao cruzar uma das vias secundárias – trafegando sobre a faixa pintada que representa a continuação da ciclovia, com total preferência de passagem – Davi derrapou na areia ali abundante e foi colhido e esmagado por um caminhão a serviço do DMLU, que cruzava a via.

Davi era um jovem promissor de 14. Bom filho, estudioso, tinha até aulas de música e estava aprendendo a tocar violino na Escola Mario Quintana. Seu pai, um calejado motociclista, preocupava-se com a segurança do rapaz, e só lhe deu a bicicleta – escolhida com carinho – depois que a “ciclovia” foi construída. A mesma ciclovia que acabou por se revelar uma armadilha mortal.

Essa morte trágica e totalmente evitável ocorreu por 2 motivos principais:

– o projeto da “ciclovia” é falho, e o seu defeito mais grave é justamente criar uma falsa sensação de segurança;

– o motorista do caminhão certamente não observou a placa de parada obrigatória, não considerou o fato de estar trafegando em uma via coletora e cruzando uma via principal, e muito provavelmente estava conduzindo em velocidade incompatível.

Um grupo de pessoas pendurou uma bicicleta branca – símbolo dos ciclistas falecidos no trânsito – como memorial a Davi, em um poste do fatídico cruzamento.

Nós pedalamos até lá, em grupo, fizemos cinco minutos de profundo silêncio e depois conversamos com os familiares de Davi. Houve depoimentos emocionados, abraços, e tentativas sinceras de consolar o inconsolável.

Nós decidimos repetir a Pedalada do Davi. Iremos até o local, sempre no primeiro sábado de cada mês, pleitear por Dignidade e por Paz no Trânsito.

Dignidade tem a ver com infraestrutura viária e cicloviária – começando pelas calçadas! – adequadas e justas. Dignidade tem a ver com uma política pública a serviço das pessoas e da vida, e não dos automotores e do poder econômico.

Paz no Trânsito tem a ver com o resgate de um valor fundamental: o respeito à vida. Nada pode estar acima disso; com certeza não a pressa, e muito menos a arrogância ou a prepotência covarde.

Apóie essa iniciativa. Lembre-se: amanhã vítima poderá ser seu filho(a), sobrinho(a), melhor amigo(a). Poderá ser você, ou eu.

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Pedalada do Davi – pela Dignidade e Paz no Trânsito

neste sábado, dia 6

saída às 15:00

do ponto de encontro 1: Gaúcha Bike Macedo (Avenida Protásio Alves, 371)

o bonde vai engrossando ao longo desse trajeto:

Gaúcha Bike, Silva Só, Ipiranga

ponto de encontro 2: Ciclovia Ipiranga – esq Borges (Marinha)

Edvaldo, Iberê, Barra até o fim, Afonso Arinos

ponto de encontro 3: Posto Esso em frente à antiga Macedo Bike na Cavalhada logo depois da Otto (saída dali para Restinga às 16:00)

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Sobre lobodopampa

Falar de si mesmo é contraproducente. Ah: lobodopampa e artur elias são a mesma pessoa (eu acho).
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9 respostas para Pedalada do Davi – pela Dignidade e Paz no Trânsito

  1. lobodopampa disse:

    Pesso@l, me ocorreu que pode ter gente querendo muito apoiar esse evento mas achando que não consegue pedalar tudo isso de uma vez.

    Nesses casos, seria até bem legal – a meu ver – as pessoas se dirigirem até o local da Bici Branca (Esplanada da Restinga, não tem como errar) com outros meios, inclusive de carro.

    Se alguém for de carro, pode até ajudar a proteger o pelotão durante o trecho da Edgar Pires de Castro, que é o mais perigoso.

    E estará mostrando que isso não é um “problema dos ciclistas”.

  2. Felipe X disse:

    Alguém vai estar com o Google Latitude ou algo assim ligado? Eu queria me juntar ao bonde lá no Cristal.

    Imagino que vai pela Icaraí, e daí sobe a Campos Velho, certo?

    • lobodopampa disse:

      Acho que não. A Icaraí sentido Centro-Bairro é ruim. (Fizeram a ciclofaixa justo no sentido o oposto, que é o que menos precisava). Espera o pessoal na ciclovia do Barra, próximo ao ponto de aluguel (bem no início da ciclovia, sentido Centro-Bairro). Eu vou estar no posto da Cavalhada.

      • Felipe X disse:

        Blz, vou estar lá.

        O motivo de terem feito a ciclovia ali é o mesmo que fazia ser fácil pedalar ali: tinha espaço sobrando 🙂 Mas sonho em ver fazerem do loutro lado, era questão de desapropriar um pouco do terreno baldio do hipódromo.

  3. lucas pares disse:

    muito bem comentado pelo “lobodopampa”. é uma pedalada longa, e o problema não é só dos ciclistas. assim como o movimento pela redução das passagens toma corpo e ganha mais respeito recebendo adesão de não-estudantes (mães, idosos, trabalhadores), nosso movimento deve extrapolar a identidade de uma reivindicação “de ciclistas”. é uma reivindicação da SOCIEDADE como um todo. por isso, acho que quem quiser ir de carro, de moto, de walkmachine, de skate elétrico, qualquer coisa é válida.

    • lobodopampa disse:

      É isso aí. E longo por longo, muita gente gosta de fazer trajetos semelhantes a esse (ou até maiores) em finais de semana.

      Que tal unir o útil (manifestação) ao agradável (endorfinas)?

  4. virtu disse:

    Eu vou nessa… Sábado promete ser um dia bem bonito =)

  5. lobodopampa disse:

    Lembrei uma coisa:

    quem quiser e tiver disposição, tente levar uma ou mais dessas coisas:

    – flores e velas (para deixar junto à Bici Branca, homenagear o Davi)

    – panfletos (pode ser com o texto do blog ou melhor ainda, invente outro!)

    – cartazes (comunicando as idéias fundamentais de Respeito [à vida], Paz, Dignidade, da maneira como você achar melhor

    vamô

  6. Pingback: Insistindo no erro. | Vá de Bici

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