Projeto quer reduzir limite de velocidade na Capital

Texto retirado do site Cidade Mais Humana, do vereador Marcelo Sgarbossa. Ótima iniciativa e não teria muita resistência da população se elas soubessem que a velocidade média de um carro em Porto Alegre é pouco mais de 20km/h.

Com o objetivo de aumentar a segurança no trânsito de Porto Alegre, o gabinete do vereador Marcelo Sgarbossa (PT) está propondo uma mudança na legislação. Protocolado nesta semana na Câmara Municipal, o projeto de lei do legislativo 91/2013 reduz a velocidade máxima permitida nas vias urbanas, que hoje é de 60 quilômetros por hora.

Se for aprovado, carros e motos não poderão ultrapassar 50km/h nas avenidas da Capital. Para ônibus e caminhões – principais responsáveis por acidentes com morte em colisão com pedestres e ciclistas – o limite será de 40km/h. “Trafegando mais devagar há uma tendência e capacidade natural do motorista em perceber, com maior antecedência, o que acontece ao redor, garantindo um ambiente de maior segurança para todo o trânsito”, ressalta Sgarbossa.

O projeto destaca estudos que confirmam: a redução da velocidade (sobretudo nos centros urbanos) contribui para a queda na sinistralidade e na mortalidade no trânsito. Estatística apresentada pelo Observatório de Segurança Viária da Espanha mostra que um atropelamento com o carro a 80km/h é praticamente mortal. Mas quando o veículo trafega a 50km/h, o número de mortes é reduzido para 40%, o de feridos para 55%, e 5% das vítimas conseguem escapar ilesas. Agora, à velocidade de 30km/h, o índice de mortes cai para 5%, sendo que 30% das vítimas não sofrem nenhum ferimento. “Temos a convicção de que a redução do limite de velocidade vai também reduzir os riscos e a gravidade dos acidentes com pedestres e ciclistas”, reforça o parlamentar.

Em enquete realizada no site Cidade mais Humana, 65% das pessoas manifestaram apoio à redução da velocidade máxima para 50km/h. O próprio diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari, afirmou à imprensa que considera “elevado” o limite atual de 60km/h. “Isso só comprova que estamos propondo uma medida acertada”, conclui o vereador.

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29 respostas para Projeto quer reduzir limite de velocidade na Capital

  1. Felipe X disse:

    Achei baixa a aprovação considerando que é o site do Sgarbossa… mas acho ótima a iniciativa e até me impressiona o Cappellari dizer isso.

    • Pablo disse:

      Acho que a reposta é simples. A redução na velocidade é diretamente relacionada à redução de acidentes e isso é moeda política para a prefeitura. Quando saiu as estatísticas sobre a redução de mortes no trânsito e EPTC e a prefeitura usaram esse índice.

  2. É verdade, Felipe. Mas, creio que ali tem os votos daqueles que acham que bicicleta é coisa de final de semana. Isso me fez lembrar do argumento do sindimoto na audiência “pública”, dizendo que “acabar” com os engarrafamentos salvaria a vida dos motoqueiros. E eu que sempre achei que andar devagar é que salvava vidas.

    • Felipe X disse:

      Sério que ele falou isso? Honestamente não entendi o raciocínio…

      • heltonbiker disse:

        Eu escutei atentamente o cara do Sindimotos na audiência. Embora ele não tenha feito explicitamente a associação entre os riscos que eles correm e a duplicação na avenida, o raciocínio geral, pelo que compreendi, seria o seguinte: “para nós, motocislistas, que nos arriscamos no trânsito todos os dias, apesar de sabermos que as árvores são benéficas em termos de poluição, também precisamos dessas obras, pois AS MELHORIAS NO TRÂNSITO TORNARÃO NOSSA PROFISSÃO MENOS INSEGURA”. Dá realmente pena, porque ele acredita no governo quanto este diz que as obras vão “melhorar o trânsito”.

  3. Pablo disse:

    Tem também isso aqui que é interessante
    http://en.wikipedia.org/wiki/20_mph_zone

  4. Bagual disse:

    Sou totalmente a favor da redução da velocidade nas cidades.
    Mas, pode isso Analdo? Não teria que mudar o Código de Trânsito?

    • Pois então, fiquei curioso também e fui ler o CTB.
      No artigo 61, segundo parágrafo, diz o seguinte: “O órgão ou entidade de trânsito ou rodoviário com circunscrição sobre a via poderá regulamentar, por meio de sinalização, velocidades superiores ou inferiores àquelas estabelecidas no parágrafo anterior.”
      Já o artigo 62, diz: “A velocidade mínima não poderá ser inferior à metade da velocidade máxima estabelecida, respeitadas as condições operacionais de trânsito e da via.”
      Tudo indica que é possível, sim.

  5. Ricardo disse:

    Não adianta nada trocar a placa de 60 pra 50 se não houver fiscalização.

    No mais,parece que o Marcelo é o único vereador que realmente se importa com a qualidade de vida e bem estar da população.

  6. carlos stein disse:

    Não se empolguem, amigos… infelizmente, isso é completamente inconstitucional, por dos motivos: 1) não é prerrogativa do Legilativo fixar a velocidade das vias, isso é tarefa do Executivo, pois entende-se qe a fixação decorrerá de estdos técnicos no caso concreto; 2) Principalmente porque a redção contrariaria o CTB, e segundo a Constitui~çao, legislar sobre TRâNSITO é competência da União…

    • Felipe X disse:

      Mas e como fica as zonas de 30km/h do Rio por exemplo? Estes bairros tiveram sua velocidade diminuída.

    • Me perdoem a insistência, mas vou repetir o que diz no CTB, artigo 61, no segundo parágrafo: “O órgão ou entidade de trânsito ou rodoviário com circunscrição sobre a via poderá regulamentar, por meio de sinalização, velocidades superiores ou inferiores àquelas estabelecidas no parágrafo anterior.”
      A circunscrição das vias públicas em Porto Alegre é da EPTC. Se o CTB previu, não vejo como poderia ser inconstitucional.

      • carlos stein disse:

        Wladimir, infelizmente não, esse projet não passa, é inconstitucional sim. Veja, pelo teu post você concorda que a circscrição é da EPTC, ou seja, é do Executivo. Como é qe o Legislativo vai dizer como deve ser o deixar de ser a velocidade?! Tive um professor, o Rafael Mafini, que uma vez disse que o Legislativo vive apanhando porque fica se metendo em coisa qe é função do Executivo, extrapolando. Não é esse o caminho, o Sgarbosa só vai se queimar assim, aposto qe não passa na Comisão de Constituição e Justiça da Câmara. Ele tem que concentrar força em outras coisas que se tem razão, esse pojeto mesmo que passasse não resolveria o problema do trânsito de POA, e corre risco de perder credibilidade se coneça a inventar moda e queimarem tudo que é projeto… foco, amigos, foco…

    • Augusto disse:

      Sobre a questão de prerrogativa, o parecer prévio disponível no site da camara diz que o projeto está OK. O parecer diz que falta, sim, um estudo técnico. Me pergunto quem irá fornece-lo (certamente não vai partir do Carrolari). O que já se disse neste blog sobre o assunto é provavelmente melhor do que muito parecer técnico que passa por aí.

  7. Aldo M. disse:

    Os bons exemplos estão à nossa volta. Em Santa Rosa (RS), há uma engenhosa placa de limite de velocidade em frente a uma escola que indica 20 km/h em horário escolar e que muda para um velocidade maior (não sei se 30 km/h ou 40 km/h) nos demais horários.

    http://goo.gl/maps/4SdIL

    Aliás, Santa Rosa é um excelente exemplo de Engenharia de Trânsito para redução da velocidade, com inúmeras rótulas. Lá. as pessoas sentem tanta segurança ao atravessar nas faixas de segurança que nem olham para os lados. Eu mesmo fiz esta experiência diversas vezes na manhã desta sexta-feira e comprovei.

    O limite de velocidade nas avenidas da área central é de 30 km/h ou mesmo de 20 km/h em alguns cruzamentos. Mas os carros trafegam a velocidades ainda menores se houver pedestres próximos às faixas de segurança.

  8. Aldo M. disse:

    Excelente a iniciativa do nosso vereador. Velocidades de 60 km/h e maiores devem ser proibidas nas cidades, a exemplo do que já é feito na Europa, Estados Unidos e em diversos outros países. Elas não são compatíveis com zonas urbanas.
    Além disto, a EPTC deveria estar mais atenta às áreas onde cresceu o movimento de pedestres, em especial nas grandes avenidas, e reduzir os limites de velocidade a níveis mais compatíveis com a segurança, por exemplo:
    – 20 km/h onde os pedestres utilizam a via de rolamento por subdimensionamento do passeio público e em frente a escolas;
    – 30 km/h em vias de grande movimento de pedestres, em vias locais e onde não houver ciclovias;
    – 40 km/h em vias com moderado movimento de pedestres e que possuam ciclovias;
    -50 km/h (ou 40 km/h no caso de veículos pesados) em áreas não residenciais com pouca ou nenhuma presença de pedestres e que possuam ciclovias.

    Noto que a EPTC, em alguns locais, já detectou a necessidade de reduzir os limites de velocidade e colocou placas com limites mais baixos. O que falta aí são medidas de traffic calming que induzam os motoristas a reduzir a velocidade independentemente da sinalização.

  9. Aldo M. disse:

    Limite de 20 km/h antes de uma rótula em Santa Rosa (RS)
    http://goo.gl/maps/qIXyB
    Na área central da cidade a velocidade máxima é de 20 km/h ou de 30 km/h. Na entrada da cidade, logo após deixar a rodovia, o limite é de 50 km/h. E, na rodovia estadual que margeia a cidade, a velocidade máxima é de 60 km/h.
    Comparem agora com os absurdos 80 km/h numa avenida sem acostamento (Castela Branco) e os 60 km/h em frente à Rodoviária, ao Mercado Público e a inúmeras escolas infantis de Porto Alegre. E nosso Prefeito ainda comemora ao final de cada ano os mais de 100 mortos e milhares de feridos no trânsito de Porto Alegre, como se isto fosse um grande feito de sua administração. Se continuar como está, mais de 500 vidas serão ceifadas até o final do seu mandato.
    Isto precisa mudar, não já, mas para ontem!

  10. Aldo M. disse:

    A imensa maioria dos países limita a velocidade nas zonas urbanas em 50 km/h. Estamos juntos com o Azerbaijão, África do Sul, Filipinas, Rússia e mais meia dúzia de países que adotam 60 km/h.
    http://en.wikipedia.org/wiki/Speed_limits_by_country

  11. Aldo M. disse:

    A tendência nos países desenvolvidos é limitar a velocidade nas zonas urbanas em 30 km/h, inclusive em grandes avenidas.
    http://www.10news.com/news/uk-cities-implement-20mph-speed-limits-even-on-major-streets-022213

  12. Pablo disse:

    Aldo, tens um monte de informações legais! Vale a pena um tópico sobre isso, atá para embasar o Marcelo Sgarbossa nesse projeto.

  13. Ed. disse:

    Sei que vou ser criticado pelo meu comentário mas é sempre assim quando se diz a verdade.
    O problema não é a velocidade dos carros e sim a falta de educação dos motoristas e também dos pedestres.Acho que deveriam ser punidos severamente com prisão e perda da carteira de motorista quem atropela pedestre na faixa de segurança, em contrapartida acho que o motorista que atropelar alguem fora da faixa deveria ser indenizado pelo pedestre infrator. Pois o povo acha que parar um carro a 60, 50 ou a 30Km/h é uma coisa que é feita instantaneamente.
    O que falta é consiência dos dois lados.

    • Marcelo disse:

      Por isso o projeto de lei, Ed. parar um carro a menos 50km/h é muito mais fácil que parar um carro a 60km/h.

      Mas por favor, culpabilizar a vítima, fazendo o atropelado pagar para o atropelador é o fim da picada. Sou totalmente a favor de ruas com trânsito compartilhado, como fizeram com a Exhibition Road em Londres, extinguindo calçada/rua. Os pedestres podem andar por onde quiserem e não existem faixas de segurança. Em conseqüência a velocidade permitida para os automóveis é bem menor.

      • Ed disse:

        Marcelo veja bem: Você ou eu esta no carro a 60km/h e um pedestre fica na beira da rua parado e do nada ele atravessa na sua ou na minha frente. Imaginou a cena?
        Ai vem a questão: Que culpa tem o motorista nisso? Nenhuma. você não acha que o “Infrator”deve ser punido?
        Foi a seguinte questão que eu estava me referindo.
        Eu sou totalmente a favor de cumprir as leis. Mas tem que ser cumprida por todos sem distinção.
        Por isso eu só atravesso a rua na faixa de segurança. se eu estiver atravessando fora fica com a consiência pesada achando que estou fazendo algo errado, e se um dia for atropelado fora da faixa não vou culpar o motorista por isso.

      • Marcelo disse:

        Não, eu não acho que o pedestre tenha que ser punido. Se ele for atropelado isso já é mais do que uma punição por qualquer coisa de errado que ele possa ter feito. Mas ninguém se joga na frente de um carro de propósito, salvo suicidas (que agradeceriam a pena de morte).

        E se for uma criança que atravessar correndo atrás de uma bola, ela deve ser punida? E se for uma senhora idosa que não percebeu a aproximação de um carro, também deve ser punida?

        Já somos todos punidos pelos automóveis diariamente, com sua poluição, barulho, atropelamentos, mortes e perda de liberdade, pois já não podemos ter o luxo de nos distrairmos, sob o risco de morte. Eu acho que a cidade tem que ser segura para todos, para idosos, crianças, pedestres “irresponsáveis”, cachorros, gatos. E a redução da velocidade máxima permitida torna a cidade mais segura, sem afetar significativamente ninguém.

  14. Ed disse:

    Marcelo
    Somos pessoas que lutamos pela mesma causa (o bem de todos) Eu citei um exemplo extremo para um lado e você citou um exemplo extremo para outro lado. Eu quando fiz minha colocação pensei naquelas pessoas que escolhem tirar vantagem de cortar caminho passando pela via e não caminhando 50 metros para passar pela faixa de segurança ou passarela. Eu já vi muitas pessoas que se jogam na frente de carros talvez achando: “que vai dar para passar”.
    Sobre o teu exemplo de uma criança e sua bola lembro uma vez em que parei o carro no meio da rua quando uma bola passou na minha frente, minha esposa na hora perguntou “porque parou” e eu disse olha só: Neste instante apareceu uma criança para pegar a bola.
    Na hora fiquei todo orgulhoso de ter feita a coisa certa. por isso bato sempre na mesma tecla. A responsabilidade tem que ser dada a todos sem distinção.

    • Aldo M. disse:

      Deixando a discussão filosófica de lado, o fato é que a redução dos limites de velocidade tem sido a abordagem mais eficaz para diminuir a violência do trânsito no meio urbano em todo o mundo.

      E, afinal, para que precisamos correr tanto na cidade? A indústria do automóvel vende a ilusão de que correr mais diminui o tempo de deslocamento. Isto é completamente falso em uma grande cidade com semáforos em quase todas as esquinas. A verdade é que há muito pouca influência do limite de velocidade ser 60 km/h ou 30 km/h no tempo de deslocamento, quando se passa a maior parte do tempo parado em filas de semáforos.

  15. Segurança nas vias, só quando for derrubada em primeiro lugar a Ditadura da Velocidade, que tem outros interesses, que não são os do cidadão comum.
    Uma análise interessante sobre pedestres pode ser vista no relatório da visita técnica de pessoal da empresa CET SP à New York.
    http://www.cetsp.com.br/media/158015/btcetsp52.pdf

    e do programa de pedestres da cidade de NY
    http://www.nyc.gov/html/dot/html/about/pedsafetyreport.shtml

    Essa estória de tratar em separado pedestres, ciclistas, motoristas é um engôdo. Aquí os grupos potencialmente conflitantes que compõem o trânsito são estimulados ao desentendimento e confronto. O que é necessário é que compartilhem de um modo razoável a cidade.
    Agora surge a novidade de que irão reduzir em SP, os limites em vários bairros para proteger os ciclistas. Ora, quem tem de ser protegida é a população como um todo. Com essa postura, encobre-se o erro das altas velocidades estabelecidas e procura-se a isenção de responsabilidade das altas velocidades como Fator Contribuinte para acidentes, principalmente fatais. Alta velocidade é o principal Fatos de acidentes fatais.
    http://www.cetsp.com.br/media/171940/bt53.pdf

    Outra precaução deve ser tomada: qualquer motivo é justificativa para que a Máfia das Placas, através de seus braços operacionais e comissionados instalem um numero excessivo de placas de sinalização, como em SP, que foi transformada na Capital Mundial das Placas de Trânsito.

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