Ministério das Cidades defende bicicleta e transporte público

O Marcelo postou hoje um questionamento sobre o porquê da prefeitura insistir em uma visão atrasada de urbanismo. Pois para complementar o debate, segue um artigo do Portal Mobilize:

O secretário-executivo do Ministério das Cidades, Alexandre Cordeiro, disse nesta terça-feira (12/03) que a solução para os problemas de mobilidade urbana do país é investir no transporte público de qualidade e no uso correto da bicicleta. Ele debateu o assunto durante o Seminário Internacional de Mobilidade Urbana, em Belo Horizonte (MG).  Para ele, o ideal é conjugar o trem com a bicicleta. “O trem para grandes distâncias e a bicicleta para interligar as estações com o destino final dos passageiros”.

Continua no mobilize.org.

Aparentemente o Ministério das Cidades já está com pessoas bem informadas sobre mobilidade urbana, ao menos no discurso. Será que veremos isso chegar de fato nas cidades?

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11 respostas para Ministério das Cidades defende bicicleta e transporte público

  1. lobodopampa disse:

    Vou arriscar uma resposta:

    vamos ver isso chegar nas cidades quando, e somente quando, houver uma massa crítica mínima, necessária e suficiente, de pessoas de várias classes sociais e idades e tribos e tudo o mais, com suficiente consciência do que querem e dos seus valores, e que comecem a fazer os políticos sentirem que podem ficar pra trás na corrida eleitoral, e os grandes empresários sentirem que para continuar ganhando muito dinheiro, terão que construir obras que beneficiem essa população mais consciente e mais atuante.

    O maior obstáculo que vejo no momento, para isso acontecer, é que que a nossa classe média é medíocre e alienada pra caráleo. P.ex. tá cheio de gente que tem $ pra ir pra Europa, vai, acha tudo lindo, volta falando maravilhas de como as pessoas são ativas e magras e andam a pé, de bicicleta e de transporte público; porém essas mesmas pessoas, aqui, pegam o carro pra andar 3 quarteirões, pra ir almoçar no buffet do bairro, ir à padaria, etc. Acham desculpa pra tudo. E não se mobilizam pra melhorar nada.

    MInha esperança está nas classes C e D que começam a se informar cada vez mais, graças à internet (porque se for depender de política educacional, estão phodydos como de resto o País todo), e têm ganas de fazer alguma coisa, porque conhecem o verdedeiro desconforto, a verdadeira discriminação (viária inclusive).

    • lobodopampa disse:

      Exemplo de mobilização popular é a Holanda e seu “milagre” cicloviário. Ao contrário do que muita gente pensa, as maravilhas cicloviárias holandesas não caíram do céu,

      Não foram os “cicloativistas” que obrigaram o governo a implementar as mudanças que fazem da Holanda um modelo de urbanismo viário para o mundo.

      Foram pessoas de todos os setores e tipos – muito especialmente mães de família.

      Esse conceito de “cicloativista” nem existe na cultura holandesa.

  2. lobodopampa disse:

    Outro obstáculo que percebo é “partidarização artificial” dos debates de interesse público.

    Interessa aos políticos mais rasos – de todas as legendas – jogar uma cortina de fumaça e confundir os debates para que nenhuma mudança real aconteça. Agora, p.ex., os partidários da gestão Fortunati acusam todos os cicloativistas de serem “da oposição” (=petistas), o que é ridículo, mas repercute muito na grande mídia (que reverbera burrice com grande naturalidade).

    Então, para esse movimento de cidades mais vivas crescer e ficar forte, tem que ser uma coisa apartidária, ou melhor, suprapartidária.

    Eu creio que isso é possível. As pessoas compartilham valores, muito mais do que se dão conta.

    • heltonbiker disse:

      Chama atenção também que o discurso dos supostos “representantes do povo”, na Audiência Pública de ontem, foi pautado pela temática “o trabalhador pobre se phode dentro de um ônibus onde leva horas para chegar no serviço, portanto toda a mudança de melhoria no trânsito é necessária”. Aí se percebe claramente que, além de uma classe média alheia, temos um povo que CONFIA em pseudo-soluções técnicas emitidas por figuras de autoridade (governantes e seus escudeiros técnicos), pois em geral não possui (ou não possuía) meios de obter informação consistente e correta por outras fontes. Mesmo que os ativistas e engajados existam em todas as “classes”, a imensa maioria ainda apóia a visão “oficial” simplesmente porque recebe essa visão passivamente, e considera que ela é automaticamente legítima.

      • Felipe X disse:

        Provavelmente querem usar luta de classes para por alguns contra quem discorda deles.Mas o mais divertido é que essa duplicação é em vias onde não há, ou há pouco, transporte publico. Mas seria uma boa usarem esse dinheiro para finalmente fazer aquele aeromóvel.

    • Pablo disse:

      Muito bem observado esse ponto! Qualquer coisa que o cara fale é porque é oposição…

  3. heltonbiker disse:

    Além disso, de acordo com a lei 12.587, assinada pela Presidenta no ano passado (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12587.htm), temos que:

    Art. 6o A Política Nacional de Mobilidade Urbana é orientada pelas seguintes diretrizes:

    II – prioridade dos modos de transportes não motorizados sobre os motorizados e dos serviços de transporte público coletivo sobre o transporte individual motorizado;

    Art. 23. Os entes federativos poderão utilizar, dentre outros instrumentos de gestão do sistema de transporte e da mobilidade urbana, os seguintes:

    I – restrição e controle de acesso e circulação, permanente ou temporário, de veículos motorizados em locais e horários predeterminados;

    II – estipulação de padrões de emissão de poluentes para locais e horários determinados, podendo condicionar o acesso e a circulação aos espaços urbanos sob controle;

    III – aplicação de tributos sobre modos e serviços de transporte urbano pela utilização da infraestrutura urbana, visando a desestimular o uso de determinados modos e serviços de mobilidade, vinculando-se a receita à aplicação exclusiva em infraestrutura urbana destinada ao transporte público coletivo e ao transporte não motorizado e no financiamento do subsídio público da tarifa de transporte público, na forma da lei;

    IV – dedicação de espaço exclusivo nas vias públicas para os serviços de transporte público coletivo e modos de transporte não motorizados;

    V – estabelecimento da política de estacionamentos de uso público e privado, com e sem pagamento pela sua utilização, como parte integrante da Política Nacional de Mobilidade Urbana;

  4. zigli disse:

    A placa indicativa da execução de duplicação da avenida Beira-Rio, obra essencial para atender aos interesses dos carromaníacos do sul da capital, informa que é realizada também com verba do Governo Federal. Bicicleta? Transporte público? E agora? OBS.: a placa está localizada próximo ao parque Marinha do Brasil.

  5. Pablo disse:

    Me parece que as esferas estaduais e federal estão muito mais atentas às pessoas que os municípios. Eu esperaria o oposto, pois esses estão muito mais próximos das pessoas e as decisões são sempre muito mais locais.

  6. No site do Ministério das Cidades desde os tempos do Ministro Olívio tem lá vários documentos que se os nossos governantes seguissem a risca não teríamos os problemas que temos hoje. Lá tem o documento da “Política de desestimulo ao uso do automóvel” tem um manual muito interessante da Bicicleta e seu uso. Estamos muito bem nas orientações, mas muito mal na prática e no controle. Se o Governo Federal quer pode trancar esta loucura de vias de carros e só reter as parcelas até que o Governo Municipal cumpra a sua obrigação. Por que o Governo Federal não faz isto. Mesma coisa do Governo Estadual. Eu fico chateado com isto porque os políticos(todos eles em todos os escalões) estão jogando com a gente como se fossemos bolas de futebol. Volto a repetir se o Governo Federal ou o Estadual quiserem todo muda. Olha no SUS quando querem alguma coisa só não mandam a verba e estão se lixando para os doentes. Se um Hospital de Porto Alegre atender um paciente do SUS sem autorização (encaminhamento/referencia) da respectiva Prefeitura ele não recebe nada do SUS. Como quando querem podem, concluo não querem só querem fazer de conta e enquanto isto nos sofremos nas mãos destes caras que não querem uma cidade melhor ou que interpretam que uma cidade melhor é o lixo que eles querem construir, sem consultar ninguém, numa manobra muito anti-democrática.

    • Pablo disse:

      Bem que essas diretrizes poderiam ser metas bem mais claras, por exemplo: “50% da verba de mobilidade deverá ser exclusivamente investida no transporte público, ciclovias e calçadas”. Daí fica fácil listar as cidades que se adequam e as que não. Nem precisa multar… basta espalhar notícias assim.

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