Bailei na curva (da ciclovia)

Artigo escrito por Gilson Wingist, analista de sistemas, ciclista.

Quando, aos 5 anos de idade pedalei sem as rodinhas pela primeira vez, me apaixonei imediatamente pelo ciclismo, de tal forma que agora, adulto, optei pela bicicleta como meu meio de transporte diário na cidade, isto há muitos anos, quando ainda não residia na capital. Da mesma forma, minha opção de lazer e esporte nos finais de semana é a bicicleta.

Alguns acidentes, lesões e fraturas me mostraram o quanto o trânsito é hostil ao ciclista que usa a bicicleta diariamente, e quando ouvi falar(estranhamente , quando a eleição se aproximava) das ciclovias e ciclofaixas a serem disponibilizadas à população fiquei muito curioso e satisfeito em relação a elas estarem surgindo, mesmo que lentamente.

Considerei os postes no caminho da ciclovia da avenida Ipiranga uma falha de projeto, e o tempo parado nas sinaleiras, um preço a se pagar pela relativa segurança.

Até este final de semana, sábado, 16 de março de 2013, ás 10:30 da manhã, no final de um treino com colegas de trabalho, escolher a ciclovia para encaminhar a volta para casa, após 37 km de pedal pela cidade.

Estava com minha Calói 10 modelo 2011, que adquiriri a pouco, e tinha buscado na revisão no dia anterior e com todo equipamento de segurança para uma pedalada tranquila, pois como pedalo diariamente não abro mão de iluminação, bom capacete e manutenção em dia.

E também estava em baixa velocidade pois tinha acabado de sair da sinaleira, estava cansado, e ao entrar na parte da ciclovia que acompanha o parque Marinha do Brasil, me deparo com uma poça d’àgua gigante, seguida por uma curva de 90 graus coberta de lama.

Bem, ao tentar fazer a curva a bicicleta perdeu totalmente a estabilidade devido a lama, perdi o controle, e como era de se esperar cai, infelizmente sobre meu braço. O fato de estar de capacete impediu que minha cabeça batesse diretamente no chão, o que poderia ter tornado tudo muito pior.

Um brigadiano, que ali estava de serviço venho me socorrer, e perguntou se eu precisava da SAMU, e me informou que naquele ponto os acidentes são frequentes.

Voltei para casa, tomei banho para me livrar da lama e fui para o hospital, onde as radiografias constataram uma fratura na cabeça do rádio, e portanto, a necessidade de imobilização.

Agora, digitando com apenas uma mão este relato, e com braço imobilizado do pulso ao ombro, repasso a vocês meus questionamentos:

Se a intenção da ciclovia é realmente criar uma alternativa de meio de transporte segura para o dia à dia dos contribuintes que preferem deixar o carro em casa, porque optar por um material pouco aderente, e ainda por cima, pinta-la com uma tinta que à deixa ainda mais lisa. Ou esta ciclovia é apenas uma manobra de marketing, para ser usada apenas nos finais de semana ensolarados?

No projeto da ciclovia, qual a velocidade prevista para trafegar nela? Pois caso, andando em linha reta nela, com aquele piso, para evitar um obstáculo de forma segura em um dia de chuva, é necessário frear muitos metros antes, pois não há pneu, muito menos freio que pare sem aderência com a pista.

Sinceramente, a escolha dos materiais, o projeto, e a engenharia desta ciclovia foi tão cuidadosa quanto os das dezenas de quilometros de vias duplicadas para automovéis ? Pois o custo desta ciclovia é alto demais para uma obra que se torna inutil, insegura e forma verdadeiras armadilhas para os usuários, ao menor respingo de chuva.

Escrevo este relato para vocês, na esperança de chamar atenção para estes perigos, em um lugar no qual, nós ciclistas, devíamos nos sentir seguros. Segue o link, ainda sem a ciclovia, do local do acidente:

acidente

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28 respostas para Bailei na curva (da ciclovia)

  1. lobodopampa disse:

    Pôtaqueupariu.

    E boas melhoras.

  2. Marcelo disse:

    Eu também caí na ciclovia da av. Ipiranga e não tinha lama alguma, a tinta é que é escorregadia mesmo.

  3. Ricardo disse:

    Pura manobra de marketing.

    O engraçado é que um dos projetores da ciclovia diz que também é ciclista.Ah,e o Fortunati também.

  4. Escologia Ccd disse:

    Gilson, te desejamos uma pronta recuperao. Deveramos ter meios para processar o Estado. O Brasil acabou com as estradas de ferro, com o transporte martimo para optar pelos veculos. Uma burrice do tempo da ditadura. Aqui em Salvador lutamos contra o transito louco e ainda os assaltantes que roubam as bikes e nossos pertences pessoais. As mulheres so as maiores vtimas. Uma guerra. Quando o acidente na Av. Paulista ocorreu, comeamos a pensar na possibilidade de transformar-se o canteiro central da Av. Paulista em uma ciclovia. Perguntamos a vcs que esto a, vivel? Forte abrao e coragem. Carlos

    Em 18 de maro de 2013 19:18, “V de Bici”

  5. Headbanger disse:

    Eu estava com o Gilson, e ele caiu “por nada”.
    Em condições normais, seria impossível ter caído ali.
    Mas a ciclovia estava tão escorregadia que a bicicleta simplesmente deitou subitamente, não deu nem tempo de reação para ele.
    Acabou se machucando mais do que um tombo em velocidade superior.
    Mas esse é o resultado desse tremenda falta de consideração com o ciclista.

  6. Rafael Zart disse:

    “Ou esta ciclovia é apenas uma manobra de marketing, para ser usada apenas nos finais de semana ensolarados?” – A resposta é um retumbante sim.

  7. Atilio disse:

    Acho que seria prudente demandarmos a interdição das ciclovias e ciclofaixas até que elas estejam em condições de segurança. Qualquer um de nós poderá, na próxima curva, quebrar uma perna, um braço ou mesmo sofrer algo mais grave (por exemplo, cair para o lado da rua e ser atropelado). Alguém sabe qual seria a forma mais adequada para a interdição? MP? Câmera de Vereadores? Ou já existe um movimento nesse sentido?

  8. Diego Canto Macedo disse:

    Eu chamo essa ciclocoisa de ciclovia de propaganda de margarina, pois foi feita para ser usada pela família no fim de semanda com tempo bom e sem vento. Além de ser projetada de forma equivocado e executada com materias inadequados, muitos motoristas estão simplemente ignorando os cruzamentos em que foram proibídas conversões para esquerda da ipiranga.

  9. Ílson Bolzan disse:

    Porque não marcamos uma raspagem coletiva na tinta da ciclovia?

  10. Cesar disse:

    Fala Gilson
    Lamento o ocorrido, mas tenho certeza na tua pronta recuperação.
    Logo estarás de volta as pedalagens, já está ciclovia feita nas coxas para angariar votos, é mais um exemplo do desrespeito ao cidadão. Teu texto aborda muito bem este péssimo exemplo de fazer as coisas públicas,só por fazer. Somente com a mobilização de todos ciclistas e a cobrança forte aos responsáveis e demais políticos, é que se poderá conseguir modificar alguma coisa.
    Abração e curte o estaleiro na boa e na paz.

  11. Meus amigos, acredito que devemos cada um de nos, cada vez que tivermos um acidente registrar um BO na delegacia de acidentes de trânsito, para solidificar uma demanda por danos físicos e morais, contra os autores desta ciclovia; tanto os executores como os autores intelectuais. O shopping Praia de Belas fez e a EPTC planejou ou aceitou a obra, quer dizer são os responsáveis por ela. Seria uma bela ação judicial contra estes todo-poderosos senhores. Eu cai, já relatei isto, e demorei pelo menos umas duas semanas para me recuperar. Estes tempos no estaleiro não são brincadeira e são prejuízos econômicos e morais. Todos os registros com lessões corporais, certamente irão interditar a via, pelo menos preventivamente. Eu machuquei e pelo que me consta vários ja machucaram. Isto é uma irresponsabilidade e devemos tratar com muita seriedade para colocar definitivamente ordem nesta bagunça. Acredito que os advogados do grupo possam nos aconselhar, Aires e Pablo qual a opinião de vocês? Saúde a todos.

  12. Só para comentar mais um pouco das condições desta ciclo-coisa:

    O tramo inicial da ciclovia entre a Edvaldo Pereira Paiva e a Ipiranga está abaixo do nível da grama permitindo que água cheia de terra, vá direto para dentro da ciclovia.

    Na esquina da Ipiranga com a Borges de Medeiros, tem um rebaixamento da pista da ciclovia, que faz depositar grandes quantidades de água e sujeira até vários dias após a chuva.

    Tem galhos de árvores que invadem a ciclovia em qualquer ponto do percurso.

    Tem buracos na pista desde a inauguração devido a aclives na pista por tampas de bueiros de uma ponta até a outra da ciclovia.

    Tem uma imensidão de freadas marcadas na pista, chegando na Musio Teixeira, de ciclistas que tiveram que frear intempestivamente porque a sinaleira da Musio troca de vez sem aviso suficiente e ainda quando nesta esquina somos obrigados a parar se a pista estiver molhada somos projetados por um aclive imenso para dentro do leito da rua em ambos sentidos da ciclovia.

    Só alguns detalhes.

  13. Cara, acredito que tu possa ajuizar uma ação contra o município por causa disso (se for comprovada que a tinta não é adequada). Abraços e melhoras.

  14. Galera, abri uma Vakinha, para me auxiliar a bancar os custos do processo que pretendo mover contra a prefeitura, se alguém puder contribuir, agradeço:

    http://www.vakinha.com.br/Vaquinha.aspx?e=197474

  15. Pingback: Por mais aderência nas ciclovias | Vá de Bici

  16. Pingback: Isto não é uma ciclovia. | Vá de Bici

  17. Pingback: Insistindo no erro. | Vá de Bici

  18. Colegas e amigos ciclistas,

    Algum tempo atrás postei aqui a solicitação de ajuda para entrar com um processo contra a prefeitura de Porto Alegre referente a um acidente sofrido de bicicleta na “ciclovia” da ipiranga, devido as condições do piso.

    Agora preciso apresentar testemunhas, pessoas que utilizem a ciclovia e possam testemunhar sobre as condições inadequadas do piso, do projeto e da maneira que foram construídas, ou melhor ainda, que também tenham sofrido quedas ou acidentes devido a estes fatores.

    Quem puder ajudar, peço que entre em contato através do email wingist@gmail.com

    Agradeço desde já a ajuda de todos !

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