Pelados, mas vestidos de respeito.

urlEstá sendo convocada, através das redes sociais, a I Pedalada Pelada de Porto Alegre (World Naked Bike Ride), a ser realizada no dia 9 de março, às 18h, saindo do Largo Zumbi dos Palmares. A idéia das “Peladadas”, como também são chamadas, é chamar a atenção para a fragilidade do ciclista e para a sua visibilidade, e também celebrar o corpo humano, indo contra os dogmas moralistas que afirmam que o corpo nu é obsceno. “Obsceno é a violência no trânsito”, diz uma das célebres frases dos defensores da Pedalada Pelada.

A nudez (total ou parcial) não é obrigatória, mas é comum nessas pedaladas ver mais homens completamente nus do que mulheres. Provavelmente um resultado de nossa cultura e comportamento machista e patriarcal, que faz com que as mulheres sintam-se oprimidas e objetificadas com olhares e comentários maliciosos, que ocorrem mesmo dentro de círculos mais abertos e libertários como é o caso destes eventos. Isso faz com que eventos como esse sejam exercícios necessários de nossa cidadania e respeito ao próximo ou próxima, de uma desmistificação do corpo nu como mero objeto sexual e do reconhecimento dele como parte integrante de indivíduos únicos, merecedores de nosso respeito e solidariedade.

Vamos pedalar peladxs, mas vamos nos olhar nos olhos.

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65 respostas para Pelados, mas vestidos de respeito.

  1. Felipe X disse:

    Tô pensando em ir de Freddie Mercury prateado kkk

  2. Pepe disse:

    [Provavelmente um resultado de nossa cultura e comportamento machista e patriarcal, que faz com que as mulheres sintam-se oprimidas e objetificadas com olhares e comentários maliciosos, que ocorrem mesmo dentro de círculos mais abertos e libertários como é o caso destes eventos.]

    Ou talvez seja uma resistência natural das pessoas a se expôr. Psicologicamente o ser humano se sente mais vulnerável quando nu, é algo instintivo que nada a ver com teorias da cultura ou machismo.

    • Pepe disse:

      Do jeito que foi colocado fica parecendo que quem não quer se desnudar o faz por valores imorais e repreensivos como machismo e preconceito. E isso não é verdade. A pessoa faz o que quiser, se quer se pelar que se pele, e se não quiser tampouco deve ser julgada por isso.

    • Marcelo disse:

      Essa tua argumentação não explica porque mulheres têm mais resistência a se despir do que com os homens e ignora o fato de ainda existir uma forte cultura machista no Brasil.

      Te faço uma pergunta: “Coloca um homem e uma mulher nus no meio de uma cidade. Qual será o mais assediado sexualmente? E por quê?”

      • Raquel disse:

        Concordo, Marcelo.
        Já é duro pra uma mulher sair de saia curta ou qualquer roupa menor em um dia de verão, imagina sair pelada? Corpo feminino é visto como objeto sexual sim, não adianta querer negar.
        A população em geral fica chocada quando aparecem imagens dos protestos da FEMA na TV, as meninas com os seios desnudos e palavras pintadas no corpo, porque não tem conotação sexual, é um protesto, uma quebra da “ordem natural das coisas”. Em compensação, a mulata globeleza aparece em qualquer horário na TV, completamente nua e “vestida de tinta” mas parece aceitável, porque a sociedade da bunda aceita o uso do corpo da mulher como objeto sexual.
        Mulher pode mostrar a bunda, mas não pode mostrar o que pensa.

    • brunoarchie disse:

      No Brasil chega a ser uma paranóia. Vai la ver em outros paises se eles não tratam como natural.

  3. Pablo disse:

    Não acho legal misturar a bicicleta com campanhas anti sexismo (o texto e as discussões transmitem isso). A causa é super importante, mas não acho uma boa, pois há pessoas que só querem pedalar e, afinal de contas, criar uma cidade amiga das bicicletas já é uma tarefa monstruosa. Abordar esses dois problemas juntos acho perda de tempo.

    Pedalar pelado para mostrar a fragilidade do ciclista tudo bem, agora pedalar pelado pela bicicleta e anti sexismo é exagero e perda de foco.

    • Marcelo disse:

      A minha opinião é bem diferente da tua, Pablo.

      Pra mim não apenas não faz sentido lutar contra a opressão contra os e as ciclistas e ignorar a opressão contra outros grupos, como também ao isolarmos nossas causas, deixamos elas mais fracas. Pra mim a causa é a mesma: lutar contra a opressão – seja a opressão do automóvel sobre o pedestre e o ciclista, seja a opressão dos homens sobre as mulheres, da especulação imobiliária sobre os pobres – o que eu quero é que as pessoas sejam livres para fazer o que querem e serem quem quiserem sem sentirem-se constrangidas ou ameaçadas.

      A fala da Mona Caron, no 2º FMB disse muito sobre isso, não sei se tu assistiu, mas ela explicou como que agora que finalmente San Francisco têm toda infraestrutura cicloviária pela qual eles vinham lutando há décadas, a população original e politicamente ativa de San Francisco está se mudando pois a cidade está cara demais e como ela disse, agora San Francisco está se tornando um “playground para os ricos”. Ela então contou que se arrependeu de no começo ter colocado como foco em suas pinturas a infraestrutura das cidades com que eles sonhavam e passou a focar-se mais nas pessoas que ali moram.

      Enfim, não vou conseguir colocar aqui em poucas palavras a grande mensagem que ela passou, e deixou muitas pessoas chorando. Mas de qualquer forma, não estou dizendo que temos que transformar a peladada numa pedalada antisexista ou qualquer coisa do tipo. Estou apenas dizendo que nós, que lutamos contra a tirania do automóvel, temos que olhar para dentro de nós para perceber se não estamos sendo tiranos com os outros, seja ao olhar maliciosamente para o corpo de uma mulher, como se fosse um objeto e não uma pessoa, ou fazendo comentários engraçadinhos sobre os corpos dos outros.

      A minha vontade é que na Pedalada Pelada todos se divirtam muito e que ninguém fique constrangido ou incomodado, que cada um sinta-se livre e feliz em fazer o que quiser e ser quem realmente é.

      • Pablo disse:

        É que nem todas as pessoas se identificam com todas as causas, então melhor deixar que cada pessoa possa escolher livremente e buscar o que mais se identifica. Ao abraçar muitas causas, não está tornando nada mais forte, pois o que acontece é uma intersecção de conjuntos (no sentido matemático).

        Se há 1000 pela bicicleta e 1000 contra sexismo, tens que achar dentro desse universo os que são pela bicicleta E (simultaneamente) contra o sexismo. Esse grupo será, inevitavelmente menor que 1000.

        Agora imagine fazer a intersecção de mais conjuntos. O cara tem que gostar e bicicleta, ser contra o sexismo, lutar pela legalização da maconha, ser ateu (ou qualquer outro)… Quantas pessoas se identificarão simultaneamente com todas as causas?

    • Felipe X disse:

      Pablo, concordo 100% com o que tu diz.

      • Marcelo disse:

        Vocês acham que devemos lutar contra a opressão dos automóveis oprimindo as mulheres?

      • Felipe X disse:

        hahaha não força…

      • Marcelo disse:

        É o que eu estou entendendo do que vocês estão dizendo.

        Eu escrevi um texto pedindo para refletirmos sobre o machismo dentro do movimento e vocês disseram que não é pra misturar a causa da bicicleta com antisexismo. O que eu entendo é que vocês acham que devemos deixar que as pessoas sejam machistas e constranjam as mulheres, sem ao menos refletirmos sobre isso.

      • Felipe X disse:

        O nosso ponto é apenas que achamos que isso desfoca a campanha, só isso.

        A partir disso tu concluir que “queremos combater a opressão dos automóveis oprimindo as mulheres” é a mesma coisa que alguns fazem ao dizer que se não queremos a transformação do entorno do gasômetro numa auto-estrada somos contra o progresso ou eco-chatos, whatever.

      • Marcelo disse:

        Felipe, mesmo que partamos dessa tua visão simplista – da qual eu discordo – de que o propósito da Peladada é simplesmente promover a visibilidade dos ciclistas no trânsito, a discussão sobre o machismo no movimento é extremamente relevante, pois o mesmo pode fazer com que menos mulheres sintam-se dispostas a participar, enfraquecendo o movimento. Por outro lado, se tivermos uma postura crítica (e auto-crítica) em relação ao machismo, estaremos apoiando e garantindo a participação de mais pessoas do sexo feminino, fortalecendo o movimento.

      • Felipe X disse:

        Bem, se numa discussão tão curta já sugeriste que sou machista e meu raciocínio é simplista, acho que não temos o que conversar. Boa sorte!

      • Marcelo disse:

        Felipe, nós crescemos numa sociedade machista e somos TODOS machistas (até as mulheres) em maior ou menor grau. Se quisermos que a próxima geração viva em uma sociedade livre de machismo temos que estar nos policiando constantemente.

        Mas sim, eu disse que a tua visão pra essa pedalada é simplista pois ignora fatores que eu considero cruciais. Neste sentido que eu disse que a tua visão é simplista, não quis ofender ninguém.

        Abraços.

      • Felipe X disse:

        Marcelo, como falei não vou ficar debatendo. Tenho evitado ficar no debate com os reacionários do portoimagem e acho que o teu discurso é muito parecido apenas está na ponta oposta. Para mim dá no mesmo.

    • Felipe Koch disse:

      É bom que as pessoas possam se expressar em sua totalidade.
      Talvez nem todos concordem, mas lançar uma idéia no mundo pensando se a maioria vai aprovar é pura estagnação, nada novo se cria a partir daí.
      Compartimentar facetas do pensamento em caixas fechadas (como se isso fosse possível) é um tipo de pensamento cartesiano já em desuso.
      Muitas diferentes “causas” tem pontos de intersecção e pessoas que representam justamente estas intersecções.
      Todos tem uma relativa liberdade de se posicionar na intersecção ou na causa isolada que melhor identifica a cada um.
      Mas tentar coibir essas diversidades em nome de um “bem maior” ou “causa comum” geralmente faz com que apenas um pequeno grupo domine toda a discussão e a revolução potencial acaba virando uma mera reforminha (como a história mostra em diversos exemplos).
      Talvez seja o que alguns queiram, outros não.
      Já bastam os políticos carreiristas que vivem a vida atrás do maior número de alianças e aprovações, mesmo que elas sejam as mais desprezíveis e completamente contaditórias com a própria opinião do indivíduo. Faz-se isso geralmente apenas pelo poder vazio (poder pelo poder), dinheiro e medo do novo.
      Que todos possam se expressar.

  4. Marcelo disse:

    Será que é mera coincidência o fato de que até agora todas pessoas que acham que não é necessário discutir o sexismo dentro do movimento pró-bicicleta são homens?

    Eu gostaria de ouvir das mulheres, se elas se sentem à vontade de pedalarem peladas e se o comportamento dos homens influencia ou não na decisão delas decidirem se participam ou não.

    • Felipe X disse:

      Marcelo, honestamente espero de ti argumentos melhores do que essa rotulação que estás fazendo, mas enfim.

      • Marcelo disse:

        Não estou rotulando ninguém. Estou falando do machismo em geral, como está presente na nossa sociedade. Ou discordas que exista machismo na sociedade?

      • Danielli disse:

        Felipe, é bastante ingênuo achar que uma pedalada com pessoas nuas pode ser apenas mais um evento em favor da bicicleta. Onde existem mulheres nuas nas ruas, existe machismo. E muito. Isso não há como negar. Portanto não faz sentido propor uma pedalada dessas e deixar com que as mulheres sejam desrespeitadas pelo machismo, pois “o foco é a bicicleta e não o machismo”. Isso seria apenas se isentar de algo necessário para o sucesso dessa pedalada. Dessa forma é essencial que se fale em orientações anti-sexistas e machistas dessa vez e sempre que houver uma nova. Não falar disso é apenas ignorar o machismo que estará presente. É ser omisso com um tema essencial para fortalecer as futuras “peladadas”. E sobre afastar homens machistas dessa pedalada como o Pablo falou… Não se preocupe, isso não vai acontecer, eles querem ver peitos e bundas, portanto não vão deixar de ir por causa disso. E em contrapartida a esses, eu já conheci pessoas que depois da Marcha das Vadias, por exemplo, passaram a ser menos machistas. Então porque também não pode acontecer o mesmo a alguns ciclistas machistas um pouco mais reflexivos? Pode ser que ao ir na “peladada” com o anti-sexismo em pautado nas rede sociais, alguns passem a se dar conta que as coisas não são como eles sempre acreditaram e foram ensinados.

        E além do mais o Marcelo está pondo em pauta isso apenas na internet. Nem estamos falando de cartazes anti-sexistas no passeio (coisa a qual eu não veria nenhum problema também). Portanto, isso está servindo apenas como uma orientação essencial para o sucesso dessa “peladada”.

      • Felipe X disse:

        Marcelo, essa estratégia de fazer uma coisa e depois dizer que não fez é muito velha.

        Danielli, tens um ponto, concordo que uma pedalada com pessoas nuas não pode ser apenas pró-bicicleta. Talvez eu ache então que não faça sentido sequer misturar bicicleta com nudismo 🙂

      • Marcelo disse:

        O que foi exatamente que eu fiz e disse que não fiz? A única coisa que eu disse que não fiz foi rotular pessoas, não rotulei ninguém. Todos comentários estão aqui, podes conferir.

    • Le disse:

      Uma resposta de uma mulher? Pois bem. Sou super conservadora, e adoro andar de bicicleta. Se eu fosse a um evento como esse, não teria problema algum com estar nua, não se sentiria um objeto, ou qq coisa do gênero. Estaria lá porque quero, e porque gosto da causa. Ou seja: o comportamento dos homens NÃO influenciaria a minha decisão de participar ou não. Eu me sentiria à vontade em pedalar nua – é uma questão pessoal – psicológica. Mulheres seguras de si não estão nem aí pro machismo.

      • Marcia disse:

        Li as mensagens acima. O Marcelo rotulou quando chamou as pessoas que acham que não é necessário discutir o sexismo dentro do movimento pró-bicicleta de “homens”. Talvez seja isso que incomode o Felipe X

      • Marcia disse:

        “Se eu fosse a um evento como esse, não teria problema algum com estar nua, não se sentiria um objeto, ou qq coisa do gênero. Estaria lá porque quero, e porque gosto da causa.”
        Mas você não iria em um evento como esse, não é Le?

      • Pablo disse:

        Muito legal! Parabéns! É assim que se corta o machismo na raiz! É mais ou menos como o Morgan Freeman declarou naquele vídeo que circulou pelo Facebook. Muito bom.

      • Marcelo disse:

        O problema é que devido ao sexismo, machismo e objetificação do corpo da mulher, MUITAS mulheres são EXTREMAMENTE inseguras quanto aos seus corpos.

        Que bom que tu és segura de si, Le. Bom para ti.

  5. Pablo disse:

    Na década de 80 havia uma banda muito famosa que era o The Cure. O seu vocalista, no auge da carreira, fez um doação muito grande ao Green Peace de forma totalmente anônima. Depois de muito tempo descobriram e o caso veio à tona. Em uma entrevista o repórter perguntou-o qual o motivo do anonimato. A reposta foi que há pessoas que apoiam o Green Peace mas odeiam as músicas do The Cure e há pessoas que adoram a banda The Cure, mas não gostam das atitudes do Green Peace e ele não queria interferir na livre escolha de casa pessoa, pelo The Cure ou pelo Green Peace.

    É mais ou menos assim que eu vejo a união anti-sexista com cidade ciclável. Há muitos machistas, é terrível, mas fazer o que?, mas gostam de pedalar e se engajariam de maneira muito intensa em movimentos nesse sentido. Há pessoas lutando contra o sexismo e não se importa com a bicicleta…

    Opressão é opressão só muda o ponto de aplicação, em alguns à mulher em outros aos ciclistas urbanos. Mas temos que ter humildade e comer o mingau pelas beiradas… ou então temos que atacar o momento na infância do indivíduo onde esse motor da opressão é criado. Se for esse o caso, talvez a solução não seja nem pedalar, nem despir-se contra o sexismo e sim palestras ministradas nas escolas tentando barrar o desenvolvimento desse problema em idade correta.

  6. disse:

    triste ver como as pessoas não se dão conta do todo. nossa cultura carrocentista é machista SIM, pois a imagem dos carros sempre passam “virilidade” e agressividade como sinônimos. acho que desvincular causas só é bom pra quem não está do lado oprimido. sou mulher, coloquei uma foto minha nua andando de bicicleta (que tirei para um ensaio de trabalho final de alunxs de design visual da UFRGS) e sabem o que aconteceu?? fui adicionada por dezenas de HOMENS, inclusive alguns me perguntando se eu frequentava casas de swing. engraçado, NENHUMA mulher me adicionou. vão dizer que é coincidência? eu sou muito mais corajosa que a maioria das mulheres pois tive uma formação feminista desde criança, e fico muito triste pois muitas mulheres me admiram mas não conseguem ter a mesma coragem que eu. é só dar uma lida nos comentários do evento pra ver como o ambiente machista impera… e isso afasta SIM mulheres do movimento, pois ninguém tá a fim de ir participar de um protesto pra ser desrespeitada. acho que é sintomático que apenas homens tenham se oposto à esta discussão, isso mostra que quando estamos do lado privilegiado fica difícil ver o que a outra parte está falando. o brasil é muito machista, e não digo que todo mundo é machista, mas a esmagadora maioria o é (homens e mulheres). pq vocês têm medo de discutir o machismo dentro de um movimento libertador como o da bici? pra mim quem é contra esta discussão está apenas fortalecendo o machismo ao redor… sou contra todo tipo de opressão! e quanto mais discutirmos tudo isso em ambientes diferentes, melhor será a sociedade de futuro. um abraço e: mais amor e menos machismo!

    • Pablo disse:

      A ideia de passar virilidade e agressividade através do carro é bem verdade… veja que coisa interessante que foi tema de pesquisa recente: Mostrou-se que as mulheres influenciam mais de 80% das compras de produtos. A questão é, se a mulher é que influencia mais a compra de produtos, por que é que os comerciais são direcionados aos homens? Pergunta pertinente e muito interessante!

      Por que há muito mais mulheres bonitas que homens bonitos se são as mulheres que mais influenciam as compras?

      Acredito que há características “masculinizadas” e características “feminilizadas”. Você afirmou a virilidade é característica masculina. Por que? Por que uma mulher não pode ser viril? A Mulher Maravilha ou a She-Ra são mulheres extremamente viris e não são masculinas.

      No fundo acho que a raiz desse problema do sexismo não são as diferenças, entre elas as diferenças no apetite sexual, delicadeza ou virilidade. A raiz do problema é colocar um grau de importância diferente diferente entre homens e mulheres. Por exemplo quando algum menino chora e chamam-o de menininha. Isso é extremamente machista! Isso é usar o termo menina de forma extremamente pejorativa. Alguns norte-americanos falam “you are better than a girl”. Isso também é terrivelmente machista também…

    • Marcelo disse:

      Perfeito, Gê. É bom ouvir a palavra de quem realmente é a vítima da opressão neste caso.

    • Felipe X disse:

      Gê, relação a tua foto realmente é lamentável o que aconteceu, mas sei que acontece mesmo.

      Mas estás misturando assuntos, então voltando aos automóveis: discordo que a suposta “virilidade” deles só aplica aos homens. Antigamente até concordo, mas cada vez eu vejo mais mulheres se sentindo numa necessidade de se impor no trânsito através de carros, sendo agressivas mesmo, e tendo fetiches consumistas ao se endividarem até não poderem mais para comprar um carro “luxuoso” ou grande mesmo, pra se impor pelo tamanho.

      Honestamente acho interessante a ironia que em vez de estarmos discutindo o uso de bicicletas estamos preocupados em chamar alguém que não conhecemos de fato de machistas.

  7. disse:

    e antes que digam que fui adicionada por homens por ser mulher, sou lésbica e isto está escrito no meu perfil do facebook. e mesmo assim, nenhuma mulher me adicionou por causa da minha postagem lá.

  8. disse:

    hehehe e enquanto eu escrevia isso dois homens criticaram meu corpo lá na foto que postei no evento… não passa pela cabeça da maioria dos homens que não preciso agradá-los, e isso acontece pq o corpo da mulher é objetificado a ponto de se tronar apenas isso: uma coisa para deleite masculino. por isso repito, a discussão é não só cabível, como necessária!

  9. Pablo disse:

    Não estou tentando convencer ninguém do que eu penso. Só estou usando o espaço para expor o que eu penso, principalmente quando não concordamos. Isso gera questionamento e crescimento, quando educadamente.

  10. Danielli disse:

    Postei uma resposta, mas ficou lá pra cima como resposta a outros comentários. Só pra sinalizar.

  11. Ricardo disse:

    Alguém tem o video da palestra da Mona Caron no Forum?

  12. Sergio Surdo disse:

    Inventar de pedalar pelado simplesmente é ideia de um rebelde sem causa. Um absurdo. Na falta de criatividade, o rei fica nú, para variar. Arranjem outra coisa mais interessante para fazer, por favor. Até posso respeitar a opinião de vocês, mas se isso for confirmato, podem ter certeza que vai cabar em confusão.Isso em nada contribui para granjear o respeito da população para com a classe ciclística. Muito pelo contrário.

  13. Claudio Cesar disse:

    A importancia desse evento só pelas opinioes manifestas já demonstra a sua pertinencia. Pois é um evento aberto e só vai quem quer. E as causas da liberdade de expressao e de reinvindicaçao, são uma conquista que não se pode deixar de levar em conta nesse momento de repensar as atitudes e a hipocrisia de nossa sociedade. Isso vai muito alem da causa da bicicleta .
    Se o rei zulu já não pode andar nu
    Salve a batina do bispo tutu
    Ó deus do céu da áfrica do sul
    Tornai vermelho todo sangue azul
    Já que vermelho tem sido
    Todo sangue derramado
    Todo corpo
    Todo irmão, chicoteado, yê
    Senhor da selva africana
    Irmã da selva americana
    Nossa selva brasileira, de tupã
    Senhor irmão do tupi fazei
    Com que o chicote seja por fim Pendurado
    Revogai da intolerância a lei
    Devolvei do chão a quem do chão Foi criado
    Ô cristo rei Branco de oxalufã
    Zelai por nossa
    Negra flor pagã
    Sabei que o papa
    Já pediu perdão
    (Gilberto Gil)
    Podem dizer que isso nao tem nada a ver. Mas é isso mesmo o que eu quis dizer.
    Ass: Claudio da zona norte

  14. Pablo disse:

    Acho que tem muita gente misturando o que é liberdade intrínseca ao indivíduo, inquestionável, que diz respeito só ao indivíduo e um movimento kinder ovo, que parece algo mas é outro. Ou então uma compra casada, em que o sujeito leva algo sem querer.

    Acho que essa pedalada nua é uma tentativa rasteira de trazer pessoas que querem uma cidade mais ciclável e segura para a causa do sexismo. REPITO! Lutar contra o sexismo é importante! É fundamental! Mas isso deve ser de livre escolha individual! POR FAVOR! Não me chamem de machista, sexista, ou qualquer outro rótulo. Não sou a favor do sexismo, só não acho correto articular um grupo que acha que está pedalando por uma cidade mais agradável e incutir a luta anti-sexismo.

    Da mesma forma não gostaria de ir à uma massa crítica com gente com cartazes anti-corrupção. Claro que não sou a favor da corrupção! Só quero ser livre para dedicar a parcela de minha indignação de acordo com meus próprios critérios.

    Acho que isso é uma ofensa a liberdade de cada pessoa de dedicar a parcela de seu tempo e seu empenho àquilo que acredita. Por favor, permita que as pessoas lutem contra o sexismo por sua própria decisão, não por causa da bicicleta.

    • Marcelo disse:

      Pablo, acho que tu estás misturando as coisas.

      Em primeiro lugar, ninguém aqui está propondo “tematizar” a pedalada. A minha intenção com esse post era meramente causar uma reflexão para quem for participar dela.

      Segundo lugar, mesmo que não seja minha intenção levar slogans antisexistas, a Peladada, assim como a Massa Crítica, é um evento aberto e horizontal, onde todos e todas são benvindos a se expressar e levar a manifestação que quiserem. Isso não afeta a liberdade dos demais, é só um exercício da liberdade de expressão.

      Terceiro lugar, obviamente eu, como indivíduo, se perceber alguém tendo uma atitude machista, vou procurar conversar com essa pessoa. Assim como faria o mesmo se eu percebesse alguém tendo uma atitude racista. Isso não faz com que a pedalada seja antisexista ou antiracista.

      Se eu escrevesse um texto aqui no blog alertando para o machismo, racismo ou outro preconceito dentro da Massa Crítica, isso não significa que eu queira “incutir” no grupo a luta antimachismo ou antiracismo, embora eu acredite que essas lutas deveriam estar incutidas em todos indivíduos.

    • lobodopampa disse:

      A pedalada pelada é polêmica por natureza. Mas esse argumento de ofensa ou ‘venda casada’ é um exagero que não se sustenta, na minha opinião (respeitosa é claro).

      Faria algum sentido SE as pessoas fossem propositalmente atraídas e iludidas para algo, sem saber como realmente vai ser. Se as pessoas fossem induzidas a crer que é uma coisa, e essa boa-fé se tornasse objeto de uma manipulação.

      Não é, definitivamente, o caso aqui.

      Todo mundo que vai sabe muito bem do que se trata, e se vai, é porque concorda com o CONJUNTO de causas e propostas desse tipo de manifestação – que é complexa natureza – o suficiente para conseguir se motivar a participar.

      A manifestação chega a ser nua de tão transparente, se me permitem o trocadilho infame. Radicalmente honesta.

    • Márcia disse:

      O texto do post só pediu respeito aos participantes. Acho imprescindível falar sobre isso quando se convoca para uma pedalada como essa. Ainda não entendi o que no texto que te incomoda tanto. E se tu é contra o sexismo, por que vê tanto problema na luta anti-sexismo?

      • Pablo disse:

        Não vejo problema na luta anti-sexista, vejo problema em juntar a luta anti-sexista com a pedalada.

        Acho que juntar as coisas é tentar colocar o pessoal que quer lutar só pela mobilidade mais humana e sustentável na luta anti-sexista, ou ao contrário, forçar a barra para que pessoas da luta anti-sexista apoiem o uso da bicicleta. Acho que cada um teria o direito de apoiar o que quiser na proporção que quiser.

  15. lobodopampa disse:

    Tenho lido e pensado sobre a pedalada pelada há algum tempo.

    A pergunta que me faço e não consigo responder é sempre esta (e suas variações):

    será que funciona?

    quer dizer: alguém entende (que não leu e não se informou antes), capta a mensagem intencionada? vale a pena se expor dessa maneira, considerando a incerteza do resultado?

    O debate acirrado que surgiu nos comentários acima – vindo de pessoas já bastante informada – dá uma pálida idéia da confusão que essa manifestação causa na cabeça das pessoas. É uma manifestação que parece exigir uma boa dose de explicações, de preparação, de oportunidade para conversar antes, durante e depois – não me parece que as pessoas em geral, mesmo as não-moralistas em excesso, consigam intuitivamente acessar a mensagem.

    Então decidi que, por hora, não vou participar ativamente.

    Tbém não vou ‘assistir’, que seria a forma máxima de desrespeito aos manifestantes.

    Entretanto, quem sentir/decidir que vale a pena, e for, TEM TODO O MEU RESPEITO E APOIO.

    Na minha frente, ninguém vai ridicularizar a pedalada pelada sem ouvir um belo contraponto.

    • Marcelo disse:

      Artur,

      No meu humilde ponto de vista, se a pedalada simplesmente fizer as pessoas pensarem, conversarem, ou simplesmente sorrirem, já valeu a pena.

      Mas essas pedaladas peladas costumam geralmente serem cobertas pela imprensa, que dá ao menos uma explicadinha.

    • Pablo disse:

      Legal o que você escreveu. Acho que essa pergunta sobre o resultado de nossas ações é fundamental. Só para citar um exemplo, basta perguntar se viadutos melhoram a mobilidade (qualidade de vida, como objetivo final) para ver a que essa ideia de construir viadutos se desfaz.

      Teve um texto que eu li aqui no blog, a muito tempo, que tratava justamente sobre esse ponto em relação à massa crítica. Resumidamente, o texto colocava que o que mais incentivaria o uso da bicicleta no dia-a-dia seria de fato usar a bicicleta no dia-a-dia, de forma alegre e prazerosa, vestindo-se bem, realizando atividades saudáveis e agradáveis. São escolhas do tipo “dirigir estressado entre pessoas mal educadas ou pedalar entre pessoas alegres e bem humoradas” que realmente criam mudanças.

      Acho que esse texto que eu li aqui está em total acordo com a tua pergunta, pois entre escolher dirigir entre pessoas estressadas e protestar entre pessoas raivosas não tem muita diferença, portanto o resultado não é tão efetivo.

    • lobodopampa disse:

      Beleza Marcelo, torço que seja legal apesar dos pesares.

      No mínimo vai dar uma mexida no moralismo/provincianismo excessivos.

      Talvez algumas pessoas venham a dar uma chance aos seus valores – dar uma chance para que eles se reordenem segundo prioridades mais universalmente válidas – como partindo do respeito à vida, p.ex.

  16. Belo posto e comentários a altura de um estudo sociológico, parabéns a todos; nossa sociedade está crescendo. Saúde Martinez

  17. Sergio Surdo disse:

    Perguntaram acima se uma pedalada pelada funciona…obviamente que funciona como um tiro no pé. O único resultado que vai colher é mais desprezo da população para todos que pedalam. Vão colocar quem não tem nada a ver com isso no mesmo saco destes rebeldes sem causa.
    Quem procura sempre andar na linha vai pagar o pato destes rebeldes.
    Até os postes de nossa mui leal e valerosa Porto Alegre sabem disso.

    • lobodopampa disse:

      Perguntei se funciona, mas com um enfoque muito diferente do teu, Sérgio.

      Pergunto com muito respeito, aceito a resposta que vier, e torço para que dê certo. E até acho que pode dar certo.

      “Andar na linha” realmente não é um ideal de vida para mim.

      Mas por outro lado, ao contrário de ti, eu NÃO tenho saudade da ditadura, e não acho que os militares deveriam voltar ao poder e moer de pancada quem não concorda com todos os valores deles (e teus).

  18. Felipe Koch disse:

    É incrível como a simples questão de estar nu mobiliza tanta discussão.
    Tanto quanto a liberdade de expressão.
    Que espécie de sociedade é esta em que estar nu e se expressar livremente ( ou talvez pensar livremente ) causa tanto desconforto e polêmica.
    Quais são os entraves políticos, culturais, filosóficos e até religiosos são invocados para tanto alvoroço por quase nada?
    Por que a nudez e a sexualidade são tão perturbadoras em pleno século XXI?
    Por quais lavagens cerebrais essa cultura passou para criar tanto tabu em cima do corpo humano liberto?
    Por que a liberdade em si é tão temida em nossa sociedade?
    Eu que nem estava tão interessado nessa pedalada, vendo agora o quanto estas questões precisam ser trazidas à tona para a evolução sadia destas discussões, já fiquei bem inclinado a ir.

    • lobodopampa disse:

      Concordo contigo quase totalmente, Felipe. Aliás não te vejo há muito tempo!

      Tbém eu comecei a ficar com vontade de ir, só por causa das reações excessivamente aversivas/conservadoras.

      Um adendo:

      tem um aspecto que é estritamente cultural, se é que se pode dizer dessa forma. Exemplifico: na cultura germânica, a nudez não é tabu. Em Munique existe um trecho de um grande parque (um dos maiores ou talvez o maior parque urbano do mundo) que é reservado para nudismo. SEM CERCA. Quem quer ir vai. Quem quiser olhar olha. Outro exemplo são as saunas; quase todas são mistas, se você quer fazer sauna só com pessoas de 1 gênero, tem que prestar MUITA atenção na tabela de horários (se tiver algum). Ninguém tá nem aí. A nudez pura e simples – fora de contexto sexual de fato – não é erotizada.

      Isso não quer dizer que eles lidem super hiper bem com expressão e liberdade. A política alemã é recheada de aspectos super conservadores; a extrema direita é organizada e representada. Não vejo portanto uma relação direta entre essas coisas; a paisagem humana é bem mais complexa.

      Na cultura germânica, dar um abraço em alguém pode ser algo mais chocante do que ficar pelado.

      Faço essa observação apenas para

  19. Pingback: WNBR 2013 ou PELADADA PELADA | Pedalante

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