Por uma calçada decente na curva do Estaleiro Só

Esta postagem é um convite a todos os cidadãos interessados, para que participem de uma mobilização no próximo domingo, dia 24 de Fevereiro, das 14:00 às 18:30, na Avenida Padre Cacique junto ao antigo Estaleiro Só (entre o Museu Iberê Camargo e o Barra Shopping Sul), com o objetivo de EXIGIR, junto à Administração Municipal, a adequação imediata da calçada daquele trecho, que encontra-se em condições de extremo desconforto e perigo para todos que por ali circulam a pé ou de bicicleta.

Em especial, existe um ponto já famoso entre todos que circulam por aquele local, onde um POSTE obriga a imensa maioria das pessoas a descerem para a pista de rolamento (que no local apresenta quatro faixas, em curva com pouca visibilidade para motoristas), havendo frequentes desequilíbrios e quedas de ciclistas.

Mãe com filho na cadeirinha, cuja cabeça passou a menos de dez centímetros do poste,
enquanto um senhor teve de percorrer o trecho pela pista de rolamento, na contramão.

O local é praticamente o único ponto de passagem, bem como ligação direta e natural, entre a ciclovia da Avenida Diário de Notícias e a via compartilhada junto à Av. Edvaldo Pereira Paiva, o Parque Marinha, a Ciclovia da Av. Ipiranga, e a Usina do Gasômetro. Recentemente, o sistema de aluguel de bicicletas BikePoa (operado pela Samba Transportes Sustentáveis), inaugurou a estação de número 34 em frente à praça que existe no final da ciclovia da Av. Diário de Notícias, e o fluxo de bicicletas de aluguel no referido trecho problemático é intenso, sendo visíveis as dificuldades e os riscos enfrentados pelos usuários.

A mobilização, que faz parte da agenda oficial do 2º Fórum Mundial da Bicicleta, será dividida em uma bicicletada e uma manifestação no local, estando planejadas/sugeridas as atividades descritas a seguir.

  • Largada da BICICLETADA às 14:00 da Casa de Cultura Mário Quintana, seguindo pela Rua Sete de Setembro, Praça Brigadeiro Sampaio, Praça Júlio Mesquita, Av. Edvaldo Pereira Paiva e Av. Padre Cacique, até o antigo Estaleiro Só, podendo ser abordados os pontos problemáticos dos itens seguintes, na sequência em que serão percorridos:
    • Praça Júlio Mesquita, onde recentemente foi feito um “corte surpresa” de diversas árvores, devido ao plano de “revitalização” da praça que inclui a criação de cem vagas de estacionamento gratuito;
    • Trecho entre o Parque da Harmonia e o Rio Guaíba, que aos domingos é fechado ao trânsito motorizado e recebe milhares de pessoas para diversas atividades de lazer sobre a avenida e nos gramados junto ao rio. Nesse trecho, também há planos de “revitalização”, “para aproximar Porto Alegre do Guaíba” nas palavras da própria Prefeitura;
    • Rótula das Cuias, onde recentemente houve processo de grande rodoviarização;
    • Interseção entre a Ciclovia da Av. Ipiranga e a Av. Edvaldo Pereira Paiva, juntamente com abertura de ramo dessa avenida por dentro do Parque Marinha, isolando o Velódromo. A obra, ainda não liberada, serve como ponto atrativo de pessoas que podem estacionar seus carros, andar de skate e patins no asfalto novo e também utilizar cadeiras de praia. O local é um dos melhores pontos para assistir o pôr do sol:

      Lazer improvisado

      Lazer improvisado

    • Duplicação da Av. Edvaldo entre o Parque Marinha e o Estádio Beira-Rio. No primeiro trecho, já há uma faixa inicial de ciclovia asfaltada. No trecho restante, não está sendo tomado nenhum cuidado para preservar as condições de circulação de pedestres e ciclistas, que precisam desviar de montes de terra, valetas profundas, e poças de barro e entulho:

      The Grand Canyon, Colorado

      The Grand Canyon, Colorado

    • Obras do Viaduto da Pinheiro Borda, considerado uma nova “obra de arte” rodoviária junto à orla:
    • Estado indeterminado do entorno do Museu Iberê Camargo, onde uma piscina de brita deve de ser removida manualmente por cidadãos no início do ano passado, contrariando recomendação do DMAE para que a brita permanecesse. Além disso, a área murada que deveria ser um mirante é bem menos utilizada do que o gramado ao lado, que apesar de menos “urbanizado” é bem mais natural e atrativo. O próprio contraste entre a Bela Arquitetura e a “chiqueza” do Museu, e o lamentável desprezo estético com seu entorno, é um legítimo choque “para inglês ver”;
  • MANIFESTAÇÃO ao redor do poste, com as seguintes atividades:
    • Ocupação, com sinalização e segurança (preferencialmente com auxílio da EPTC, que será comunicada), de toda a faixa da direita da avenida, com sinalização para desvio a partir da saída do estacionamento do Museu Iberê Camargo;
    • Sinalização e manutenção de um espaço útil ao redor do poste, para que os pedestres e ciclistas que estiverem passando pela calçada possam, durante a manifestação, circular livremente e com segurança;
    • Abordagem de passantes que quiserem e/ou se dispuserem a parar, para que sejam informados da razão da manifestação, bem como opcionalmente tenham seus depoimentos gravados em vídeo, a fim de documentar a solicitação de providências à Administração Municipal;
    • Fixação e exibição de faixas e cartazes trazidos espontaneamente por participantes;
    • Distribuição de material informativo trazido espontaneamente por participantes;
    • Realização de intervenções, preferencialmente não-destrutivas, elaboradas espontaneamente por participantes;
    • Exploração dos arredores, para gerar idéias de solução para o problema;
    • Participação da mídia jornalística, que será convidada para registrar o evento.

Como atividades preparatórias que podem ser realizadas durante esta semana, sugere-se:

  • Convidar amigos e conhecidos, opcionalmente acompanhando a página do evento no Facebook;
  • Comunicar/convidar meios de comunicação (jornais, telejornais, blogueiros, etc.);
  • Comunicar sobre o evento à EPTC, creio que quanto mais gente fizer isso melhor (é possível comunicar por telefone);
  • Confeccionar cartazes e/ou panfletos;
  • Planejar intervenções.

Esta manifestação busca ser a primeira de quantas forem necessárias para resolver o problema, considerando a reivindicação única de que seja construída pela prefeitura, imediatamente, uma calçada de largura suficiente (mínimo dois metros de largura, com piso regular e firme) que permita aos pedestres e ciclistas circularem com segurança entre o final da Ciclovia da Diário de Notícias e o Acesso Principal do Antigo Estaleiro SóEm princípio, um acabamento de saibro liso, semelhante ao que existe na maioria dos parques de POA (Redenção, Parcão, Encol, Marinha) seria considerado adequado.

Proposta inicial (à direita, em azul), de reconstituir o caminho natural que já existia anteriormente (à esquerda), e que foi aterrado (imagens: Bing Maps).

Proposta inicial (à direita, em azul), de reconstituir o caminho natural que já existia anteriormente (à esquerda), e que foi aterrado (imagens: Bing Maps).

Um Pedido de Providência já foi encaminhado pela assessoria do vereador Marcelo Sgarbossa, e a vereadora Fernanda Melchionna também já manifestou apoio a esta mobilização. Segundo a vereadora Melchionna, “o Sr. Jeferson Gonçalves, Engenheiro Eletricista da Gerência Regional Metropolitana [da CEEE], respondeu dizendo que em agosto haverá um obra no local e irão mexer na calçada, mas que não cabe a CEEE pensar sobre o disposição, em relação a ciclovias, dos mesmos. Isso é atributo da EPTC.” A vereadora também pretende enviar um Pedido de Providência. Imagino que não devemos esperar até agosto para ver se alguma solução ou não.

Por fim, vale salientar que essa iniciativa não tem absolutamente nenhum cunho partidário, e em especial não tem um caráter de oposicionismo partidário à administração Fortunati. Tem, isso sim, um caráter de choque frontal e definitivo contra uma política de super-valorização do trânsito motorizado, em flagrante prejuízo e desprezo ao transporte, lazer e atividade física de pedestres e ciclistas, política essa que está sendo aplicada de forma sistemática e unilateral pela administração Fortunati. Conforme mencionado dois parágrafos atrás, esta será a primeira de quantas consecutivas e crescentes manifestações forem necessárias, pois esse problema vergonhoso e inaceitável (que também é apenas um dos mais graves entre tantos que se apresentam na questão carrocentrismo vs. espaço público) PRECISA ser resolvido imediatamente, custe o que custar. É um caminho sem volta.

Contamos com a participação de todos nessa empreitada.

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10 respostas para Por uma calçada decente na curva do Estaleiro Só

  1. Felipe X disse:

    Estarei lá!

  2. Felipe X disse:

    Só uma atualização sobre a duplicação da Beira-Rio. Como se não bastasse terem transformado a pista de pedestres/ciclistas em pista de rally para a quadriplicação da avenida, hoje ela foi FECHADA.

    Exatamente, para construção do último trecho da freeway da orla, estão botando máquinas pesadas na calçada. No sentido bairro centro o acesso está livre apesar de inseguro, mas no sentido centro-bairro botaram uma faixa de contenção dizendo que não é para pedestres e ciclistas passarem daquele ponto.

  3. poa resiste disse:

    Por lei existem Regiões de Planejamento onde esse tipo de obras deveriam passar necessáriamente antes de serem aprovadas no CMDUA (o Conselho do Plano Diretor). Mas como as RPs tem seus representantes ELEITOS por voto dos cidadãos, logo representantes dos moradores, muitas delas não passam por lá. Foi o caso da duplicação da Edvaldo e corte de árvores no Gasômetro, o projeto NÃO PASSOU pela RP1. Certamente essa também não passou.
    As Regiões de Planejamento são: http://rgp1poa.wordpress.com/mapa-regioes/

  4. Adriano disse:

    “Por fim, vale salientar que essa iniciativa não tem absolutamente nenhum cunho partidário”

    Essa foi boa.

  5. Karine disse:

    Olá, qual o e-mail de contato do blog para uma entrevista?

  6. Adriano disse:

    Passei no local hoje pelas 17h e haviam homens trabalhando ali bem na curva após o Ibere…tinha um caminhão de saibro/brita. Pelo visto vão arrumar aquela vergonha.

    • heltonbiker disse:

      De fato, no momento (sábado 23, meio-dia) já trocaram os fios para um poste novo que foi colocado mais para dentro, e nivelaram todo o trecho com saibro e rolo compressor. O problema que eu acho é que, mesmo sem poste, a calçada continua estreita e vai continuar o “engarrafamento de pedestres e ciclistas”, com muitos tendo que descer para a pista, A NÃO SER que as obras incluam o ALARGAMENTO, necessário, do trecho que fica ao lado de uma escadinha velha que tem ali. A manifestação segue programada, nem que seja ao menos para ir até ali e fazer um ato simbólico, ou coisa do tipo.

  7. Esta calçada deveria ter sido feita pelo dono do terreno que é a BM PAR, ja, a mais de ano fiz denuncia para a Prefeitura (no denuncie calçadas) e nada foi feito.
    O sistema protege os capitalistas que são donos de grandes áreas e nada fazem, mas sempre encontram um Prefeito que assume o custo e faz as obras para eles.

  8. Henrique Wittler disse:

    FORTUNATI protege os donos do Estaleiro, pois denunciamoa a calçada a nos e nada ainda foi fetio. Mais fatos para o LAVA-JATO ou melhor LAVA-ESTALEIRO. É muito indício de p…..

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