O Parque do Gasômetro

Durante o debate sobre o corte das árvores da Praça Júlio Mesquita foi mencionado que a área constava no Plano Diretor como área para rebaixamento da pista de rolamento existente e criação de um parque.

Realizando uma rápida pesquisa o que se descobre é que em 2007 o recém criado “Movimento do Gasômetro” incluiu entre suas sugestões a criação do Parque do Gasômetro. Na revisão do Plano Diretor de 2009 a criação do Parque do foi apresentada e aprovada.

O seguinte texto foi extraído da “Lei Complementar nº 646, de 22 de Julho de 2010″[1], que trata de alterações do Plano Diretor. Estes trechos são relacionados ao parque. Notem que todos prazos mencionados abaixo já venceram:

Art 154

XXI – 18 (dezoito) meses, contados da data de vigência desta Lei Complementar, para a instituição do Corredor Parque do Gasômetro, mediante lei específica;

XIII – 12 (doze) meses, contados da data de vigência desta Lei Complementar, para a
instituição de Largo Cultural, nos termos dos §§ 1º e 2º deste artigo, mediante lei
específica;

§1º O Largo referido no inc. XIII deste artigo será constituído, no mínimo, pela Rua
General Salustiano, no trecho entre a Rua dos Andradas e a Rua Washington Luiz,
incluindo seus prédios históricos tombados ou listados.

§ 2º O projeto que instituir o Largo referido no inc. XIII deste artigo priorizará o espaço
para pedestres e espaço cultural e artístico.

§ 3º: O Corredor referido no inc. XXI deste artigo deverá, no mínimo, incluir a orla do lago Guaíba até a ponta do Cais Mauá, o Museu do Trabalho e seu entorno e as Praças Brigadeiro Sampaio e Júlio Mesquita.

O que nos leva a pensar que o parque seria algo similar a esta imagem, cedida pelo blog do Porto Imagem[2]:

trincheira

Como a prefeitura não divulgou adequadamente a obra, só nos resta tentar montar o quebra-cabeças. Aparentemente, o projeto é este (também do Porto Imagem, baseado no Transparência na Copa [5]):

rotula

Ou seja, a obra de duplicação da Evaldo Pereira Paiva não leva em consideração o Plano Diretor aprovado na câmara. Aliás, contradiz ele, considerando que o tráfego de pedestres deveria ser valorizado na região. Notem também que o Parque foi incluído nas obras do Cais Mauá[3] depois de muito esforço por parte de movimentos da sociedade civil[4].

Uma possibilidade levantada seria que a mudança seria a preparação da pista para Fórmula Indy que a própria prefeitura divulgou[6] há mais tempo. É apenas especulação, mas segue o traçado divulgado:

Cada leitor pode tomar suas próprias conclusões. Este editor particularmente pensa que esta obra da prefeitura é apenas mais uma de tantas outras, sempre valorizando o transporte automotivo e deixando em segundo plano os pedestres ou o transporte de massa. Seria razoável alguma redução da área de lazer para a construção de um trem leve ou similar, mas continuar criando infraestrutura para carros só vai aumentar a poluição da cidade, ao contrário do que pensa nosso prefeito.

Fontes:

  1. http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/spm/usu_doc/lc_646_para_site-_22_de_julho.pdf
  2. http://portoimagem.wordpress.com/2010/08/20/viva-gasometro-propoe-parque-com-tunel-no-gasometro/
  3. http://www2.camarapoa.rs.gov.br/default.php?reg=16275&p_secao=56&di=2011-12-22
  4. http://www2.camarapoa.rs.gov.br/default.php?reg=15389&p_secao=56&di=2011-09-22
  5. http://portoimagem.wordpress.com/2013/02/07/a-nova-rotula-do-gasometro/
  6. http://www2.portoalegre.rs.gov.br/portal_pmpa_novo/default.php?p_noticia=140711&PREFEITURA+E+ESTADO+FORMALIZAM+PARCERIA+COM+FORMULA+INDY
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26 respostas para O Parque do Gasômetro

  1. Pingback: Sul 21 » O Parque do Gasômetro

  2. AlexP disse:

    Excelente texto!

  3. lobodopampa disse:

    Parabéns pela investigação. Mais uma vergonha oculta para a longa lista dessa gestão municipal.

  4. sergiok disse:

    Em relação a corrida de formula Indy, esse post de Nov de 2012 do correio do povo diz que o trajeto não deve ser alterado, ou seja, passaria ali pelo Gasômetro mesmo.

    http://www.correiodopovo.com.br/blogs/pitlane/?p=12960

    Outros trechos:
    “Fortunati, reeleito para novo mandato até 2016, me garantiu que aguarda o próximo ano para retomar as negociações com a administração da Fórmula Indy, para tornar viável o GP Porto Alegre Mercosul.”
    “Também vale a pena lembrar que as corridas de rua estão proibidas em Porto Alegre desde 1968, quando houve mortes durante a disputa das 12 Horas da cidade. A prefeitura, caso ocorra a corrida, enviará lei para a Câmara de Vereadores alterando lei anterior.”

  5. Neli Colombo disse:

    É incrível, a administração do prefeito Fortunati demonstra uma única referência para qualquer intervenção na cidade: carros, carros, carros e fórmula indy e caro… é uma única ideia fixa.

  6. Aquela pracinha! Um dos recantos que eu imaginava seriam preservadas todas as árvores e a retirada do elefante branco em eterna ex posição que é (ou era, não sei) o trem aéreo e suas estacas de concreto que por motivos estranhos ou que a gente pode apenas imaginar não foram levados a cabo por nenhum governo municipal. Morei muito tempo e por 4 vezes em POA, a cidade mais civilizada do país. Talvez eu volte por uns dias este semestre. Humberto Cavalcanti , Recife, Pernambuco.

  7. Luiz Müller disse:

    O Movimento Viva Gasômetro fez uma ampla mobilização da comunidade local e juntamente com outros movimentos conquistou as alterações no Plano Diretor, que foram aliás sancionadas pelo próprio Fortunatti, então já prefeito da cidade, substituindo Fogaça. O problema de fato não são estas arvores, que talvez tivessem mesmo que ser cortadas para “entrincheirar” a Avenida e possibilitar que sobre ela houvesse a extensão da praça e criando então o Parque e o Largo do Gasômetro. Na verdade os movimentos sociais deveriam unir forças para obrigar o poder público a implementar as ações que beneficiem o conjunto da cidade.Por exemplo: ter alí o Largo do Gasômetro é bom para quem anda de bicicleta ou a pé. O problema é que os movimentos só se movimentam em função da sua específica demanda. Então, quem anda de bicicleta defende ciclovia e ciclofaixa. Já quem defende as árvores, defende as árvores, e assim por diante. Mas a cidade é um todo e por ser um todo, precisaria ser compreendida pelos movimentos como um todo e assim impediriamos ações traiçoeiras como esta que foi adotada pela Prefeitura Municipal, cujo prefeito, sabe-se lá movido por que interesses, pisoteia até a própria lei que ele mesmo sancionou e não busca o dialogo, agindo de forma ditatorial, sem sequer discutir com a população. Aliás, entre os apoiadores de qualquer um destes movimentos, com certeza houve aqueles que votaram no referido prefeito.

    • Felipe X disse:

      Ótima análise dos problemas de articulação entre os movimentos 🙂

    • heltonbiker disse:

      Luiz Muller, excelente teu comentário e a postagem do teu blog. Apesar do que comentaste, me parece que muitas pessoas fazem parte de mais de um grupo reivindicatório, e mesmo que não, percebe-se (ao menos eu percebo, grandemente devido ao sucesso das redes sociais) que os grupos estão ampliando seu escopo e se mesclando cada vez mais. O que não impede, claro, de que cada ação tenha um escopo específico. Pretende-se, entretanto, e eu particularmente estou comprometido com isso este ano, é que as pessoas “acordem” de uma relativa anestesia, e comecem a reivindicar a cidade que desejam, abordando os problemas em uma escala cada vez mais ampla. A questão nesse sentido não é a bicicleta, ou o trânsito, ou a árvore, mas o tipo de uso e desuso que se pretende fazer com o espaço público da nossa cidade.

  8. luizmullerpt disse:

    Reblogged this on Luizmuller's Blog.

  9. Pingback: A contribuição das árvores para a democracia em Porto Alegre « Luizmuller's Blog

  10. Aldo M. disse:

    Parabéns pelo oportuno texto, Felipe, e pela atenção em prover as referências das suas afirmações.

    A “justificativa” apresentada pela Prefeitura para alargar a avenida – o aumento do fluxo de veículos – é completamente desprovida de nexo.

    Bastaria considerar o notável aumento do fluxo de pedestres ocorrido no entorno do Gasômetro para justificar o oposto: a supressão do tráfego de veículos naquele local. O que pode ser conseguido com o rebaixamento da via proposto no projeto Parque do Gasômetro.

    Já tive o desprazer de assistir a um atropelamento em frente ao Gasômetro, numa tarde de sábado. A principal causa, na minha avaliação, foi a absurda existência de uma via de alto tráfego em meio a um grande número de pedestres.

    E, pasmem, em vez de tentar resolver este grave problema, a nossa administração municipal ainda pretende AUMENTAR o número de pistas, conferindo àquela avenida uma nítida característica de autódromo.

  11. PedroAurelioZabaleta disse:

    Não há planejamento urbanístico em Porto Alegre. Pior, a administração desdenha da necessidade de planejamento urbanístico. A maioria, que apoia o governo, na Câmara Municipal, idem. As decisões são episódicas, em função da possibilidade de novos negócios, frequentemente em áreas públicas. Piorou, e vai continuar piorando.

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  16. Fabio disse:

    Cada leitor pode tomar suas próprias conclusões: sim, seria uma passagem de nível mas o orçamento o fez mudar o projeto para torna-lo em superfície. Projetos não podem mudar? Uma contradição: xiitas dizem que deve ser privilegiar o espaço dos pedestres… ok… porém quando querem reformar a orla, tirando aquele monte de mato na beira do guaíba (área não nativa, criada após o aterro)… daí são contra… vai entender…

    • Felipe X disse:

      1- São assuntos distintos em áreas distintas
      2- Eu, particularmente, sou autor deste artigo e acho que devem cortar todo aquele mato. Estás jogando todo mundo no mesmo saco e estás errado em fazer isso.
      3- Não é uma questão de quererem baixar custo. Dinheiro para fazer outras passagens de nível existem, mas quando é para benefício dos pedestres não é feito, só para o “fluxo dos veículos”, ou seja, é uma questão de visão de cidade. Pena que muitos não entendam isso.
      4- Usou a palavra “xiita”, automaticamente perdeu o argumento.

      • Fabio disse:

        1- Assuntos distintos mas com os mesmo personagens
        2- “Cada leitor pode tomar suas próprias conclusões” estou jogando no mesmo saco porque geralmente os envolvidos nos “protestos ambientais” são os mesmo grupos… e qualquer pessoa que é a favor de projeto que vá cortar uma árvore também é colocado no mesmo saco… tambem gosto de árvores, mas as vezes é preciso perde-las um pouco, senão estaríamos vivendo numa floresta ainda… sou a favor da compensação em dobro de cada árvore retirada…
        3- O dinheiro foi direcionado para onde há uma necessidade a curto prazo. Lembro de uma entrevista na gaucha de manhã cedo que o prefeito falou sobre a mudança do projeto de transito no gasometro (na época que tinha gente em cima das árvores). Ele comentou que devido os eventos nos próximos anos e diversas obras na região próxima ao centro, esta era a solução, que nada impede de depois voltar ao projeto de nível, ou seja, o funcionamento do transito foi priorizada nos próximos anos e foi retirado alguns metros de calçada dos pedestres…
        4- Xiitas e oportunistas! Onde estavam os defensores das árvores quando cortaram as arvores da avenida cavalhada semana passada? Onde estavam os ambientalistas quando tiraram toneladas de vegetação nos loteamentos novos da zona sul?

      • Felipe X disse:

        1- Talvez sim, talvez não.
        2- Tu leu a parte que eu sou contra a duplicação como foi feita e sou a favor de derrubarem o mato? Ah, já sei, melhor considerar como “eles” apenas quem convém para eu poder desqualificar a oposição.
        3- “Eventos nos próximos anos” seria a copa? E tu acredita em papo de político? A beira-rio vai estar fechada durante a copa, meu caro. E meu ponto é exatamente esse, a gente tem que parar de desperdiçar dinheiro em obras que só vão atender no curto prazo (ou seja, a próxima eleição) e ter um projeto de cidade.
        4- Não sei. Mas sei que ao menos para alguns, inclusive eu, o ponto não era cortar árvores. Era cortar árvores para fazer uma estrada num lugar que deveria ser valorizado o espaço de convivência. Aliás, se derrubassem para fazer um VLT eu apoiaria o corte. Mas enfim, continuas te esforçando em desqualificar o advesário, isso é jogo baixo.

  17. Fabio disse:

    complementando… também quero a passagem de nível… porém é preciso entender os motivos que não foram feitos até o momento ao invés de fazer suposições…

    • Felipe X disse:

      E tu sabe qual é o motivo? Pois se for aquela estória dos “eventos nos próximos anos” nosso prefeito está no mínimo mal assessorado.

      • Fabio disse:

        Se você não se coloca como xiita, não se sinta meu adversário. Sobre política, não sou partidário, sou a favor de quem esta defendendo os meus interesses mas isso não quer dizer que estou ao lado do Fortunati, estou apenas pontuando outro lado da moeda e por isso não sou adversário de ninguém, discuto pontos de vista e sou contra radicais de esquerda, direita, ambientalistas, colorados, gremistas, petistas, etc… acho que todos merecem ser ouvidos e ter o seu espaço respeitador e requerido. Também acho contraditório aquela baita avenida se ela vai ficar fechada para carros em dia de jogos de copa, porém, indo pro lado que beneficia os pedestres, há uma ciclovia e uma calçada nova do anfiteatro até o iberê. Vale lembrar que a padre cacique vai ter menos vazão para carros devido ao corredor de onibus, essas vias retiradas foram “transferidas” para beira-rio. Além disso, já esta em discussão fechar toda a via beira rio também sábado de manhã além do domingo e feriado, deixando toda aquela avenida para os pedestres praticarem esportes e tudo mais… também acho que os projetos devem ser a longo prazo, entretanto estaremos numa vitrine mundial no próximo ano, a entrada e região central de POA é um caos e não há solução imediata, somente melhorias e isso que se propõe a duplicação na região do gasometro. Nossa cidade já vai passar vergonha, que seja o mínimo possível então! Boa tarde, preciso voltar para meu trabalho.

      • Fabio disse:

        Há, e bom mesmo foi o PT, em 16 anos de prefeitura só asfaltou ruas e não melhorou em nada os transporte público… pelo menos nos últimos anos avançamos no projeto de metro, BRT, ciclovia e até catamarã!

      • Felipe X disse:

        Este é meu ponto, não estou assumindo que estás no lado do Fortunatti nem que existe um grupo x que é um problema, estou aqui para debater o que é melhor para POA. Então nada me adianta chamar alguém de xiita, etc só vou responder ideias.

        A calçada feita na beira rio é uma boa novidade. Mas honestamente acho ela uma “meia sola”, jogaram um asfalto de baixa qualidade que já está todo remendado. E de qualquer maneira, não há por que relacionar a obra da calçada com a avenida, uma pode sair sem a outra. Mas sim, ela é um ganho e eu vou pedalando por ali todos dias.

        Sobre a Padre Cacique, não foi removido não. A avenida foi alargada tirando espaço do canteiro central e da calçada do lado do estádio, tanto que a calçada agora vai passar por debaixo da cobertura do Beira-rio. No sentido bairro centro o pessoal “criava” três pistas pois eram largas mas oficialmente eram duas. O corredor de ônibus é sempre bem vindo, mas infelizmente ele vai terminar na José de Alencar, ou seja, bem onde há mais congestionamento ele acaba.

        Mais uma vez, não gosto de partidarizar, mas foi na prefeitura do PT que começaram a perimetral (ue deixaram para o Fogaça terminar de pagar, eu sei) e naquela época tinha ônibus com ar condicionado… honestamente não acredito em nenhum grande partido. O catamarã é também mérito da Yeda, e o metrô do governo federal, mas realmente são ótimas conquistas. O BRT só acredito vendo, por enquanto vejo corredores de concreto e ônibus grandes 🙂

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