Ainda ciclovias inseguras: ciclovia com perigo de morte na rua Adda Mascarenhas

Ciclovia possui 1m de largura.

Ciclovia da Adda Mascarenhas possui 1m de largura e é ao lado da faixa onde circulam carros em alta velocidade.

Está em construção a ciclovia da Rua Adda Mascarenhas, na zona norte da cidade, e já é perceptível a falta de preocupação com a segurança do usuário de bicicleta. O projeto apresenta pelo menos duas falhas gravíssimas:

  • A largura da da ciclovia é de apenas um metro, comprometendo a segurança dos ciclistas, por não haver área de manobra e espaço para realizar ultrapassagem sem correr o risco de ser abalroado por um carro. Diversos países e estudos sugerem que a largura mínima de uma ciclovia ou ciclofaixa unidirecional, seja de 150 a 180cm. Esta ciclovia, contraria todos eles.
  • A ciclovia é localizada junto ao canteiro central da rua o que dificulta o acesso a ela e coloca em risco de atropelamento os usuário que estiverem atravessando a rua para acessar a ciclovia. A localização também é perigosa pois é ao lado da faixa da esquerda, onde passam os carros em mais alta velocidade, quando na verdade o mais seguro é fazer à direita, junto ao meio-fio, onde os veículos transitam em velocidades mais baixas.

Além disto este projeto mostra uma grave falta de padrão nos projetos de ciclovias de Porto Alegre. Na Avenida Icaraí, por exemplo, que é uma via similar, também com canteiro central, a EPTC optou por implementar a ciclovia entre os carros estacionados e o meio-fio. É importante manter um padrão para haver uma previsibilidade para os motoristas. Sabendo onde esperar ciclovias e fluxo de bicicletas, fica mais fácil para o condutor de um automóvel, antecipar e prevenir acidentes. Isso é impossível quando não há um padrão na implementação de ciclovias. E de fato não há nenhum padrão na construção de ciclovias em Porto Alegre, vamos dar uma revisada:

  • Ciclovia da Avenida Diário de Notícias e da estrada João Antônio da Silveira: bidirecional sobre a calçada em uma via de mão dupla;
  • Ciclofaixa da Avenida Icaraí:
    unidirecional entre estacionamento e meio-fio, em uma via de mão dupla;
  • Ciclovia da Rua Sete de Setembro:
    bidirecional entre veículos estacionados e meio-fio, à direita da pista, em uma via de mão única;
  • Ciclovia da Rua José do Patrocínio (ainda não construída):
    bidirecional entre estacionamento e o meio-fio, à esquerda da pista, em uma via de mão única;
  • Ciclovia da Avenida Nilo Wulff e rua Adda Mascarenhas:
    unidirecional junto ao canteiro central;
  • Ciclovia da Avenida Ipiranga:
    bidirecional sobre o canteiro central em uma via de mão dupla.

Ou seja, Porto Alegre não tem nem 12km de ciclovias, mas tem seis tem padrões de ciclovias diferentes, um para cada dois quilômetros! Não será nenhuma surpresa se acontecerem acidentes sérios, se tivermos em vista a imprevisibilidade destes projetos e largura insuficiente para garantir a segurança de quem pedala.

As mais problemáticas, sem sombra de dúvida são as ciclovias junto aos canteiros centrais, essas ciclovias devem inclusive ser evitadas, pois aumentam o risco de quem pedala sofrer um acidente sério, principalmente as pessoas que estão menos acostumadas a usar a bicicleta.

Abaixo, mais algumas fotos da nova ciclovia da Rua Adda Mascarenhas:

DSC00911

Tão estreita que mal aparece na foto!

DSC00913

 

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21 respostas para Ainda ciclovias inseguras: ciclovia com perigo de morte na rua Adda Mascarenhas

  1. Felipe X disse:

    A falta de padrão é o normal da prefeitura! Isso e a falta de segurança.

  2. Felipe X disse:

    Concordo que a falta de padrão confunde os motoristas, e a EPTC não investe em educação. Ontem ainda eu tava pedalando na ciclovia da Icaraí e um taxista me cortou para ESTACIONAR em cima da ciclovia, em um trecho onde tem estacionamento.

    Sério, eu dei a volta, parei do lado dele e comecei a falar educadamente, sem elevar o tom de voz “Aqui é uma ciclovia, o sr não deve estacionar nela, mas nas vagas desenhadas ali…”

    Adivinha a resposta? “Vai tomar no…”. Certo que eu questionei a masculinidade dele né?

    • Felipe X disse:

      Não mencionei, mas antes da resposta acima ainda falou “que, vai querer me ensinar a fazer meu trabalho?” Pelo jeito tenho que ensinar sim 🙂

    • Ricardo disse:

      Tudo o que a EPTC fez relacionado a educação de motorista foram aqueles banners “conviver para viver melhor”,onde mal se vê que tem uma bicicleta,de tão mal desenhado que é.Agora é essa porcaria que parece ser a ciclovia da Adda,Faz muito bem mesmo um certo pessoal em entrar com uma ação no MP contra essa instituição

  3. Bagual disse:

    Essa ciclovia é a pior de todas. Estreita e ao lado da faixa da esquerda. Vai morrer ciclista COM CERTEZA. E depois vão chamar de acidente, fatalidade… ACORDA EPTC!!!!

  4. airesbecker disse:

    Observa-se nas obras da Prefeitura, sobre a inadequação ao atendimento da Lei, sobre a falta de qualidade dos projetos e falta de segurança, que as autoridades públicas se manifestam repetidamente admitindo o caráter experimental das obras:

    Temos esta reportagem do jornal G1 de 07/05/2012:
    O G1 entrou em contato com o diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Capellari. Ele explicou que o evento não se tratou de uma inauguração, mas sim da apresentação do modelo que será utilizado. Segundo ele, até dezembro o trecho terá 9,4 quilômetros, entre as avenidas Edvaldo Pereira Paiva, às margens do Guaíba, e Antônio de Carvalho.
    “Não foi uma inauguração, mas a apresentação de um primeiro trecho usado como modelo padrão para testes da ciclovia que é uma das mais emblemáticas da cidade em termos de método construtivo e localização. Precisávamos criar esta modelagem”, afirmou Capellari.

    Tem esta outra também da Zero Hora n° 17034, de 09 de abril de 2012:
    Arquiteto e coordenador de projetos de mobilidade da EPTC, Régulo Ferrari admite que o tema não passou por um debate com a comunidade local, com a justificativa de que a empresa tem autonomia para implementar ciclofaixas na cidade.
    – Procuramos fazer de uma maneira que favoreça o ciclista, mas sem causar prejuízo a ninguém. Não teria por que abrir um processo de discussão e demorar para implantar – diz.
    Segundo Ferrari, a Icaraí foi escolhida em razão do recente recapeamento e por ter uma dimensão que permite uma ciclofaixa. A avenida será utilizada como piloto para verificar se vale a pena colocar o projeto em prática em outras ruas.

    Eles deixam claro que são projetos experimentais.

    Para gastar o dinheiro público e para colocar as vidas dos ciclistas em risco deveria ter um referencial técnico definido.

  5. lobodopampa disse:

    O mais incrível, a coisa mais – como dizer? – estapafúrdia, é que os ‘projetos’ cicloviários da prefeitura de poa NÃO RESPEITAM o manual técnico da PRÓPRIA PREFEITURA, conforme foi exposto aqui pela Melissa meses atrás. O Arquiteto Régulo chegou a postar comentários aqui, mas jamais respondeu a uma simples pergunta: por que a prefeitura não respeita a largura mínima estipulada no SEU PRÓPRIO manual?

    (vejam, não estamos querendo que respeitem os manuais holandeses ou outros igualmente rigorosos e de um nível técnico quiçá não realizável no Brasil no momento)

  6. André Alves disse:

    Eu duvido que realmente tenha algum engenheiro que faça um projeto desses, sugiro que se descubra o nome do indivíduo e lhe pergunte no que se baseou. Outra coisa, será que ninguém se deu conta ainda que a EPTC, tá fazendo o que quer apenas tentando calar a boca do povão, simples, A CICLOVIA ESTÁ AI, MELHOR QUE NADA, é o que muita gente deve estar pensando ou pior ainda, QUANDO NÃO FAZEM NADA RECLAMAM E QUANDO FAZEM É A MESMA COISA, a falta de cultura, de educação, bom senso etc… é o que é mais presente em tudo, como sempre.

    • Ricardo disse:

      Que eu saiba o nome dos responsáveis pela ciclovias que estão sendo construidas são Antonio Vigna e Regulo Ferrari.

      • Aldo M. disse:

        É preciso exigir que a Prefeitura disponibilize o projeto completo da via, que deve conter o nome, título profissional, número de registro no Conselho Profissional e assinatura – nada menos que isto para ser considerado um documento válido. É lei. Ah, e o profissional precisa ter habilitação para elaborar projetos viários.
        Se o projeto não for disponibilizado, a Prefeitura deve ser denunciada por falta de responsável técnico, se for, o profissional deve ser denunciado ao respectivo Conselho por imperícia.

  7. Bagual disse:

    De acordo com a Lei de Acesso à Informação, qualquer um pode solicitar uma cópia do projeto inteiro da ciclovia para a EPTC, correto?

  8. rodrigo marenco disse:

    Gente, a ideia dessa pintura não é ser ciclovia. Passo diariamente de bici por essa rua. No momento da pintura questionei os operários que realizavam a operação se aquilo ali iria ser uma ciclofaixa. Eles disseram que esse espaço serve pra quem faz o retorno na via. Assim tem espaço pra colocar o “bico” do carro sem perturbar a pista da esquerda. Antes de atacar (por mais que os órgãos públicos mereçam) se informe o que vocês estão atacando. Assim nós não perdemos nenhum argumento.

    • Marcelo disse:

      Olha, Rodrigo, sinceramente eu acho que quem está desinformado são os operários. Está prevista uma ciclovia na rua Adda Mascarenhas neste semestre, e a explicação deles não faz sentido algum.

  9. Pablo disse:

    Mas não vai nem ser pintada com uma cor diferente do asfalto?

  10. Rafael disse:

    Em Santos existe uma ciclovia no canteiro central com uma largura reticula e cheio de obstáculos no caminho. Desde postes ao alcance do guidon, a curvas acentuadas (zig-zag) no meio da pista junto a passagem de pedestres, falta de sinalização etc. Segundo o arquiteto responsável a obra foi “o que deu para fazer” para não atrapalhar a fluidez dos veiculos.

    Sera que esse padrão internacional não pode virar lei no Brasil ? Tenho impressão que no Brasil cada um faz do jeito que “acha melhor”(convém)

    • Felipe X disse:

      É típico, fazem uma obra tosca “pra não atrapalhar a fluidez dos veículos” e daí se um ciclista pedala na pista da direita ficam todos motoristas se achando no direito de dar fininho e por a vida do cara em risco.

  11. Felipe X disse:

    Agora essa ciclovia já está pintada de vermelho. Fiquei sabendo também que além de ser no canteiro central desaparece na rótula e reaparece do outro lado. 🙂

  12. Carlos disse:

    Moro no jardim Planalto e acompanho esta obra, posso dizer o seguinte: sob o ponto de vista de ciclovia eu jamais andaria de bike ali, extremamente perigoso, ao lado da faixa da esquerda onde carros trafegam a mais de 100 km/h, a única coisa boa e para cruzar a av. Adda de carro, antes se vc parasse no meio do canteiro, ou ficava com a frente do carro em uma pista ou com a traseira na outra, muitos acidentes aconteciam assim, com a pintura vermelha, ciclofaixa ou não? Ficou ali no meio uma área maior, caso vc necessite parar o carro no meio para entrar na av. Adda. Na realidade o que foi feito foi aumentar o canteiro central com marcação de tinta, para evitar acidentes nos cruzamentos da Av. Adda, que é positivo, mas chamar de ciclovia é querer fazer do limão uma limonada, muito amarga por sinal.

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