Por um 2013 sem mortes de ciclistas.

É inegável, o número de pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte vem crescendo ano a ano e felizmente, o número de feridos e vítimas fatais não segue o mesmo padrão. Em 2009, quando a EPTC começou a divulgar essas estatísticas o número de vítimas fatais envolvendo bicicletas era de 10, este ano foram apenas quatro. Os dados do mês de dezembro ainda não foram divulgados, mas até hoje não fiquei sabendo de nenhum caso de morte de ciclista.

Captura de tela de 2012-12-31 11:00:50Ou seja, o número de acidentes fatais caiu 60%, se levarmos em conta que nesse mesmo período o número de pessoas usando bicicleta diariamente cresceu vertiginosamente, perceberemos que na verdade as estatísticas são ainda mais favoráveis. Tudo isso reforça a idéia de que quanto mais gente pedalando, mais seguro é para pedalar. Afinal, quando é rotineiro ter pessoas circulando de bicicleta pelas ruas, os motoristas já esperam encontrar ciclistas na via, aprendem a conviver, compartilhar o espaço e aos poucos todos vão aceitando a idéia de que rua também é lugar de bicicleta.

Creio portanto ser perfeitamente possível termos um 2013 sem mortes de ciclistas no trânsito. Basta continuarmos a fazer o que fazemos, pedalar, difundir a cultura da bicicleta, conscientizar motoristas, reclamar junto à EPTC e DA EPTC quando ela não cumpre o seu papel e também conscientizar outros ciclistas sobre as formas mais seguras de se deslocar no trânsito e como evitar acidentes.

Cresce participação do automóvel nas mortes no trânsito

Por outro lado o percentual da participação dos automóveis particulares em acidentes com vítimas fatais cresceu muito, de 2007 a 2012 passou de 37,9% a 46,2%, um acréscimo de 22%! Enquanto isso a participação das bicicletas no total de acidentes com vítimas fatais caiu de 4,43% para 3,03% uma queda de 31%.

Captura de tela de 2012-12-31 11:26:19Isso nos mostra a necessidade de mudança nas políticas de planejamento da cidade, precisamos planejar vias e ruas que desincentivem as altas velocidades, que forcem os automóveis a reduzir nos cruzamentos e esquinas, que acima de tudo priorize a segurança dos pedestres – e não o fluxo de veículos automotores – além de intensas campanhas de conscientização, educação e fiscalização, praticamente inexistentes. Quem sabe assim conseguiremos garantir também uma redução do número de feridos por atropelamentos, número este que vem se mantendo firme. São cerca de 1.500 feridos em atropelamentos todo os anos em Porto Alegre (este ano foram 1.438 sem contabilizar o mês de dezembro).

Captura de tela de 2012-12-31 14:09:05Com este alto número de pedestres feridos em atropelamentos, evitar as quatro fatalidades em acidentes envolvendo ciclistas parece tarefa fácil.

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17 respostas para Por um 2013 sem mortes de ciclistas.

  1. Marcus Brito disse:

    Na verdade, o assustadoramente alto número de atropelamentos mostra como eliminar a morte de ciclistas não vai ser tão fácil assim. Não quero trivializar a perda da vida, mas é uma surpresa boa notar como relativamente poucos ciclistas morrem considerando o número absurdo de pessoas se ferindo no trânsito.

    Claro, acredito que um bom trabalho pode sim trazer o número de vítimas fatais para zero — mas só isso não basta, é preciso continuar exigindo o fim da violência no trânsito.

  2. Acredito que a questão dos atropelamentos não irá melhorar enquanto continuarem a construir artérias para que os carros andem cada dia mais rápido e a fiscalização não aumentar. Não bebi na noite do dia 31 porque tinha que dirigir, quando voltei para casa a 1 da manhã não vi nem sequer um guarda de trânsito, nem um brigadiano e nada de balada segura. Tinha todas as condicionantes para acidentes graves, dia de festa em que as pessoas bebem muito, chuva, vento e muitos carros em alta velocidade. Lamentável.

  3. Pablo disse:

    Saiu um estudo à algum tempo sobre a quantidade de acidentes proporcionais à frota. Para cada acidente de carro ocorrem 11 acidentes envolvendo ônibus. Me impressionou a quantidade de acidentes envolvendo ônibus…. que é muuuito superior inclusive às motos.

    http://vias-seguras.com/content/download/932/5503/file/Diagnostico%20viol%C3%AAncia%20no%20tr%C3%A2nsito%20RS.ppt

    • artur elias disse:

      Que estranho, eu vejo carros parados na rua devido a colisões entre si ou sozinhos TODOS OS DIAS, motos com grande freqüência (geralmente automóvel envolvido tbém) e só muito raramente vejo ônibus nessa situação.

      • Jeferson disse:

        Em Porto Alegre, os ônibus costumam atropelar bastante.

      • artur elias disse:

        Não duvido.

        O que eu duvido, ou melhor, não consigo imaginar, porque contraria totalmente o que observo todos os dias, é que aconteçam 11 vezes mais acidentes envolvendo ônibus do que envolvendo automóveis particulares.

        Não passa um dia em que eu não veja carros parados devido a colisão (sozinho, com moto ou 2 carros ou mais).

        Não passa um dia em que eu não veja vidro de carro “fresquinho” no chão (e dê-lhe trocar e remendar câmara).

        É comparativamente raro ver um ônibus parado por ter se envolvido em qualquer tipo de acidente, com pedestre ou não. Acontece, mas é muito lá de vez em quando, na minha experiência.

    • Pablo disse:

      Talvez a explicação seja que os ônibus rodam 16 ou 18 horas por dia e carros talvez umas 3 em média. Assim há bem mais ônibus nas ruas proporcionalmente em comparação aos carros.

  4. Aldo M. disse:

    O número de feridos em atropelamentos, que se mantém constante em torno de 1500 casos anuais, prova que a Prefeitura não fez nada para proteger o pedestre. Pelo contrário, em 2012 ainda colocou placas de 60 km/h antes de diversas escolas, como nas Avenidas Protásio Alves e Wenceslau Escobar. Um verdadeiro horror.
    A redução das mortes de ciclistas era esperada devido ao aumento do número de bicicletas em circulação nas ruas, uma estatística que se repete em todo o mundo.

  5. artur elias disse:

    Houve um problema de interpretação, Pablo.

    Você escreveu:

    “Para cada acidente de carro ocorrem 11 acidentes envolvendo ônibus”

    Não é isso que o estudo diz. O que diz ali é o seguinte:

    a “taxa de acidentalidade” de ônibus & microônibus somados é de 11, 2, enquanto que a “taxa de acidentalidade” dos automóveis é de 1,2.

    Isso NÃO quer dizer que tem 11 acidentes com ônibus para cada acidente com automóvel!

    Taxa de acidentalidade é “a quantidade de veículos que se envolve em acidentes com vítimas fatais a cada 10000 veículos da frota”.

    No período estudado (2007-2009), houve 326 acidentes com vítima fatal envolvendo automóveis, e 49 envolvendo ônibus + microônibus. O que confirma minha observação/intuição.

    • Pablo disse:

      Sim, correto, mas me referia à números proporcionais.
      Acidentes_de_ônibus/número_de_ônibus = 11,2* Acidentes_de_carro/número_de_carro

    • Pablo disse:

      Acho que não me expliquei bem. Valores proporcionais é o seguinte:

      É lógico que há mais acidentes de carro do que de ônibus, ninguém dirá ao contrário, mas há muuuuito mais carros do que ônibus, por isso os acidentes são divididos pelas frotas.

      É como eu dizer que a maioria das mortes por soluço ocorre entre os chineses… isso é lógico, pois é o grupo predominante.

      • lobodopampa disse:

        Acontece que você DISSE justamente o contrário: disse que acontecem 11 vezes mais acidentes com ônibus do que com carros – o que me pareceu inverossímil, tanto que fui ler o estudo para tentar entender do que se tratava, e constatei o problema que não era isso.

        Depois você apresentou a circunstância muito relevante a meu ver, que o próprio estudo não menciona, que é o fato de os ônibus (individualmente) rodarem MUITO mais horas por dia do que os carros (exceto táxis), o que explica de maneira bastante satisfatória a diferença aparentemente absurda na tal “taxa de acidentalidade”.

      • Pablo disse:

        E acontecem 11 vezes mais acidente, mas em valores proporcionais à frota. Acho que a fórmula acima é bem clara.

  6. Beto Flach disse:

    Olá.
    Alguém soube de um atropelamento de ciclista agora em janeiro (dias atrás), aqui em Porto Alegre? Pelo que ouvi, o rapaz foi pro hospital e faleceu lá mesmo, dias depois, por morte cerebral. Estava sem capacete…
    Abraço.

  7. Beto Flach disse:

    Não, foi aqui em Poa, acho que na Plínio. O rapaz não faleceu no local mas somente mais tarde, no hospital. No mínimo, penso que esta morte estará fora da estatística oficial por não ter morrido “no local”, sendo que a causa da morte foi a colisão com automóvel, ainda que posteriormente.

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