EPTC apresenta três novas ciclovias.

Fonte: ACPA

Na última quinta-feira, 20 de dezembro, a Associação dos Ciclistas de Porto Alegre participou da reunião de apresentação do projeto das ciclovias da José do Patrocínio, Loureiro da Silva e Sete de Setembro.

O objetivo era debater as novas obras com os moradores da região, mas ao contrário do último encontro, realizado na paróquia da José do Patrocínio no mês de setembro, o número de participantes foi extremamente baixo, comparecendo somente cicloativistas e outros poucos interessados.

José do Patrocínio
A sugestão de se fazer uma ciclovia unidirecional na José do Patrocínio, com o sentido Centro – Bairro e outra também unidirecional no sentido contrário, na Lima e Silva ou na João Alfredo, apresentada na reunião anterior, foi descartada pelo corpo técnico da EPTC.

A ciclovia da José do Patrocínio será mesmo bidirecional, localizada no lado esquerdo da via, com dois metros e meio de área útil e mais meio metro de área de separação.

Ao contrário do projeto anteriormente apresentado, a divisão física não se dará mais por malas de concreto, mas sim por super tachões. As esquinas das ruas transversais provavelmente também sofrerão alterações, buscando reduzir a velocidade de conversão dos veículos que ingressam na José do Patrocínio. A maioria das vagas de estacionamento serão removidas, sendo mantidas somente as que estão localizadas nas proximidades da Rua da República. O ponto de Táxi em frente ao Bar Opinião provavelmente passará para a rua lateral, liberando a passagem das bicicletas. A ciclovia da José do Patrocínio será ligada diretamente com a da Loureiro da Silva.

Loureiro da Silva
Ao que tudo indica, as solicitações da nossa associação e de diversos outros ciclistas foram atendidas. A Av. Loureiro da Silva não terá mais uma ciclovia bidirecional localizada no canteiro central, o que aprisionaria os ciclistas entre um intenso tráfego de três ou quatro pistas de rolamento, excluindo os usuários de todo o contexto externo, tal qual ocorre na ciclovia da Av. Ipiranga.

O novo projeto viabiliza a construção de duas ciclovias unidirecionais, uma em cada sentido da avenida (Bairro-Centro e Centro-Bairro), no bordo direito, junto da calçada.

Em cada sentido a ciclovia terá um metro e meio de largura e mais meio metro na área de separação. A divisão física também será através de super tachões. O ponto crítico desta obra será no sentido Bairro-Centro, na alça de acesso ao viaduto da Borges de Medeiros (Praça dos Açorianos). Neste local a ideia do corpo técnico da EPTC é que os ciclistas percam a preferência para os veículos automotores que pretendam fazer tal conversão, sendo necessário parar a bicicleta e verificar a aproximação dos carros, para depois então continuar trafegando pela ciclovia.

De imediato contestamos tal posição. Nosso entendimento é de que a preferência deve ser dos ciclistas que estiverem trafegando na ciclovia, e que os carros que pretendam converter aguardem a passagem dos ciclistas.

Deixamos também a sugestão de que neste ponto, a conversão só seja permitida para os veículos que trafeguem pela pista mais da direita, ficando proibida a conversão dos que vierem pelas pistas centrais. As sugestões foram recebidas e serão analisadas.

No sentido contrário, Centro-Bairro, outro ponto crítico é junto ao Largo Zumbi dos Palmares, onde vários veículos originários da Borges de Medeiros e da João Alfredo ingressam na Loureiro da Silva. Neste ponto, segundo o corpo técnico da EPTC, a preferência será sim dos ciclistas que estiverem na ciclovia.

Em um primeiro momento, a ciclovia da Loureiro será construída da Augusto de Carvalho até a José do Patrocínio. O segundo trecho será da Augusto de Carvalho até a Câmara dos Vereadores, onde a ciclovia provavelmente passará por cima do canteiro central, posição da qual também fomos contrários, defendendo a continuidade no bordo da pista de rolamento em cada um dos sentidos.

Infelizmente, somente em um terceiro momento a ciclovia será estendida da José do Patrocínio até o Parque Farroupilha e a UFRGS. É provável que todas as vagas de estacionamento hoje existentes no primeiro trecho (entre a José do Patrocínio e Augusto de Carvalho) sejam removidas.

Sete de Setembro
A ciclovia da Sete de Setembro terá início na Borges de Medeiros e finalizará na Praça Brigadeiro Sampaio. Será bidirecional e segundo os dados divulgados, apresenta alguns pontos críticos.
Entre a Rua Uruguai e a Praça da Alfândega, em função da existência de terminal de lotações, a ciclovia bidirecional terá uma largura útil de apenas um metro e meio. Novamente contestamos o projeto, pois não acreditamos que uma ciclovia bidirecional de apenas um metro e meio de área útil (75 centímetros para cada bicicleta), ofereça um nível mínimo de segurança.

Continuando pela Sete de Setembro, a ciclovia cruzará a Praça da Alfandega, e por este ser um local tombado, não será possível a aplicação de qualquer tipo de sinalização ou marcação no piso. Sendo assim, neste trecho, o trânsito será compartilhado entre pedestres e bicicletas. Considerando o diário e intenso movimento de pedestres nesta Praça, somos contrários ao trânsito compartilhado neste trecho, devendo ser aplicada outra alternativa que minimize os riscos para os pedestres e que realmente facilite o deslocamento dos ciclistas.

Seguindo na direção do Gasômetro, a ciclovia terá uma largura útil maior, entre dois e dois metros e meio. Por hora, nada foi mencionado sobre alguma marcação específica na Praça Brigadeiro Sampaio ou outro acesso facilitado até a Usina do Gasômetro.

Durante toda a apresentação, a cor vermelha utilizada na pintura das ciclovias também foi muito questionada. Os técnicos manifestaram uma posição favorável ao não uso, mas salientaram que a aplicação da cor vermelha em ciclovias é determinada pelo próprio Código de Trânsito.

Ficou como sugestão, ao invés de uma pintura sobre toda a ciclovia, a utilização de linhas laterais contínuas na cor vermelha, o que também baixaria o custo de cada quilômetro, tendo em vista o alto custo da tinta utilizada.

Mais do que o cumprimento do Plano Diretor Cicloviário, o objetivo da Prefeitura com a rápida finalização destas três novas obras é o estímulo ao uso das bicicletas de aluguel. A previsão do início das obras é quase que imediata, sendo necessária somente a finalização e acerto de pequenos detalhes.

De modo geral, ficamos satisfeitos com a alteração do projeto da Av. Loureiro da Silva, que deixará de ser mais um brete, ganhando uma maior viabilidade de uso. Por outro lado, esta ciclovia poderia já em um primeiro momento ser construída até o Parque Farroupilha, o que de imediato permitiria uma ligação de inúmeros outros bairros com a orla do Guaíba.

Nossa preocupação maior fica com a ciclovia da Sete de Setembro, que certamente será um dos principais acessos ao centro da cidade, mas seu atual projeto apresenta pontos críticos que exigem uma maior atenção e com certeza algumas alterações.

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6 respostas para EPTC apresenta três novas ciclovias.

  1. Felipe X disse:

    Gostei dos anúncios, e são boas as ciclovias/faixas. Legal que a EPTC cedeu no caso da Loureiro, o resultado vai ser muuuuuito superior do que o original.

    Minha única crítica é que mantiveram bidirecional na José do Patrocínio. Ciclovia bidirecional sempre é inseguro. Ainda acho que em vez disso deveriam fazer uma ciclofaixa em cada lado da João Alfredo aliado a algumas ações de traffic calming por ali.

    • Richard. disse:

      Já vi essa história de ciclovia bidirecional em rua de mão única não dar certo. Vou citar um exemplo: O motorista que vem pela Luiz Afonso e quer ingressar na José do Patrocínio somente costuma olhar para o lado direito da avenida, ou seja, o sentido normal do fluxo. Com a ciclovia bidirecional terá que olhar para os dois lados antes de ingressar na avenida. Risco alto de atropelamento anunciado.

  2. heltonbiker disse:

    A respeito da pintura somente de faixas vermelhas nas bordas, vim visitar a família em Londrina e vi que dentro de um parque (Igapó) foi construída muito recentemente uma ciclovia de lazer. O piso é de asfalto natural, e somente nas faixas laterais a pintura está em vermelho. Me pareceu que, para quem conhece a convenção de que “vermelho = ciclovia”, fica inequívoco, devido à cor vermelha das faixas, que aquilo ali é uma ciclovia. Considerando não só o preço, mas também a natureza escorregadia da pintura usada na ciclovia da Ipiranga, já relatada previamente por alguns colegas, imagino que pintar somente as faixas laterais em vermelho seja uma alternativa perfeita!

  3. So para contribuir um pouco mais, na Europa me lembro de ter visto ciclovias vermelhas e verdes, as vermelhas são quando estão na faixa de trânsito sem segregação física e as verdes são quando a cilcovia está segregada. Suponhamos assim na Ipiranga que a ciclovia corre acima da calçada nada impede ela ser verde. Mas em todo caso, vamos enfrente alguem tem que ganhar sempre. Saúde Martinez

  4. lobodopampa disse:

    Puxa, seria ótimo economizar na tinta e aplicar a economia no projeto ou na aceleração da implementação.

    Espero que nenhum fornecedor de tinta fique chateado com a gente. 😉

    • Aldo M. disse:

      Acho que a insistência maior com essas pinturas desnecessárias e até não recomendadas do ponto de vista técnico é mesmo da Prefeitura. O objetivo é simplesmente marketing: quando os eleitores veem o asfalto pintado de vermelho, identificam que ali foi construída uma ciclovia. Por isso, estou convencido de que a Prefeitura não irá abrir mão de usar toda a tinta vermelha que for possível (chegam até a pintar rente ao meio-fio, uma região impossível de se pedalar).

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