Diagrama tempo x deslocamento da ciclovia da Ipiranga – o impacto dos semáforos

Ontem à tarde resolvi pôr a tecnologia a serviço da ciclo-mobilidade, e levei meu GPS para passear na Ipiranga, com o objetivo de fazer um experimento pseudo-científico: avaliar o impacto da sinalização luminosa (semáforos exclusivos para ciclistas) em três regimes de uso da ciclovia:

  1. Fora da ciclovia, pela avenida, em um regime de velocidade confortável de acordo com o fluxo de automotores, possivelmente furando sinais fechados mas sem incomodar pedestres;
  2. Dentro da ciclovia, em uma velocidade de cruzeiro confortável (não de passeio, mas não com grandes acelerações), aproveitando as oportunidades de passagem sem respeitar os semáforos exclusivos, mas sem incomodar pedestres;
  3. Dentro da ciclovia, em uma velocidade de cruzeiro confortável, obedecendo rigorosamente a sinalização da ciclovia, tanto as faixas pintadas quanto os semáforos.

Segue o diagrama de tempo vs. velocidade. A modalidade 1 (na avenida) está em vermelho, a 2 em amarelo, e a 3 (respeitando rigorosamente a sinalização) está em verde.

Image

A primeira pseudo-conclusão é que não é tão mais devagar andar na ciclovia, com relação a andar na Avenida. Considerando que em todos os trechos na avenida acabei tendo que acelerar mais do que gostaria para “fugir” dos carros, diria que naquele trecho já não vale mais a pena andar na avenida, até porque ela tem vários buracos que “surgem de repente” por baixo dos carros, ao contrário dos buracos (!) da ciclovia nova (!!) que se deixam ver de longe.

Por outro lado, os semáforos exclusivos para ciclistas são EXTREMAMENTE demorados, em especial o semáforo duplo da Érico Veríssimo, que é atuado por botão e dessincronizado entre si, ou seja, quando abre um, o ciclista anda um pouquinho e pega o outro fechado. Há vários momentos em que o semáforo está fechado para o ciclista, e que é perfeitamente possível prosseguir sem incomodar ninguém.

Analisando diretamente os gráficos, vemos que na modalidade amarela (“passando quando der”), o tempo máximo de espera para os quatro percursos mostrados foi de um minuto, com tendência a uma média de pouco mais de 30 segundos. Por outro lado, na modalidade “respeito total”, em praticamente METADE do tempo de percurso o ciclista acaba ficando parado, muitas vezes de forma humilhantemente desnecessária. Em duas das paradas da Érico, uma em cada sentido, o tempo parado foi maior que dois minutos. Na Getúlio, o tempo mais longo ficou em pouco mais de um minuto, sendo que havia frequentes possibilidades de prosseguir sem risco algum.

Quero ressaltar o caráter pseudo-científico desse pseudo-experimento, visto que a amostra foi constituída de poucos deslocamentos de um único indivíduo (no caso, eu). Caso haja interesse, os dados encontram-se disponíveis para download no link abaixo, em formato JSON:

http://app.strava.com/api/v1/streams/30036163

Se houver tempo e oportunidade, atualizo com mais informações (por exemplo, velocidade média geral, proporção entre tempo parado e tempo rodando, etc.)

 

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26 respostas para Diagrama tempo x deslocamento da ciclovia da Ipiranga – o impacto dos semáforos

  1. Felipe X disse:

    arghhh odeio estes sinais desincronizados, seja como ciclista ou como pedestre…

  2. Olavo Ludwig disse:

    Helton, não chegaste a fazer o experimento de esperar o semáforo do ciclista fechar e já apertar novamente para ver o tempo mínimo do ciclo completo até abrir novamente? Seria interessante fazer isto cuidando o semáforo dos carros na perpendicular(quando fecha).
    Adoro estas tuas experiências.

    • artur elias disse:

      Tbém gostei. Aliás só quem não gosta e aparentemente não se interessa por essa expressiva massa de saberes que vem sendo produzida e oferecida de graça para a comunidade é justamente quem mais deveria estar interessado.

      Só acho que faltou comparar comportamento “rigorosamente legal” na ciclovia com comportamento “rigorosamente legal” na VIA. Quem sabe da próxima.

      Tipo assim, na ciclovia eu me sentiria impelido a burlar a lei – por percebê-la como algo que beira o absurdo – mas na via, se eu faço isso, é por minha conta, sem auto-justificações válidas/defensáveis.

      Por isso acho que essa seria – quem sabe – a comparação mais relevante de todas.

      • heltonbiker disse:

        Artur, gostei de fazer o experimento e também da “cara” dos resultados. Minha idéia inicial já era de coletar dados novamente em outros dias e horários. Quando e se eu vier a fazer isso, vou incluir o comportamento legalmente correto na avenida também, obrigado pela dica (não tinha nem considerado fazer isso, pra tu ver…)

      • andré gomide disse:

        Artur, concordo com vc….eu não furo sinais e gostaria de ver o tempo calculado assim. respeitando todos os sinais, tanto para nós ciclistas quanto para os automóveis.
        No meu mundo perfeito não precisaríamos gastar um centavo com ciclovias, mas sim com a fiscalização de todo trânsito…mas fiscalização de verdade, não essa que temos na cidade

  3. Muito bom Helton como sempre; preciso tentar mais o uso da ciclovia para sentir a coisa melhor o que me esta preocupando bastante são os invasores, mas vamos tentar ser condescendentes , saúde a todos

  4. Aldo M. disse:

    Já experimentei a ciclovia e achei insuportável aguardar tanto tempo nos semáforos vendo os carros serem priorizados nos cruzamentos. O tempo que levaste para fazer o percurso, obedecendo às regras impostas por essa prefeitura carro-cêntrica, significa uma velocidade média de apenas 10 km/h, inviabilizando-a como alternativa de transporte, De carro consegue-se deslocar entre 20 km/h e 30 km/h, graças ao incentivo do Fortunati ao seu modal preferido.
    Por outro lado, a Prefeitura foi extremamente eficiente na retirada da placas “ciclistas na via”, liberando todas as faixas da avenida para os automóveis, esses sim os grandes beneficiados com a obra desta ciclo-calçada.

  5. Bom dia pessoal. Pedalo diariamente no trânsito em POA para fazer meu deslocamento para o trabalho, e voltando para casa e várias vezes peguei a nova ciclovia. Particularmente gostei muito da nova ciclovia e acredito que há um certo extremismo nas críticas à mesma. Alguns minutos de espera em um semáforo é um preço pequeno a se pagar pela oportunidade de desenvolver uma boa velocidade de forma mais segura. Este comportamento é idêntico ao que é criticado nos motoristas que acreditam que toda a cidade é dedicada apenas para os carros. Como o trânsito é um conjunto composto por TODOS os moradores de Porto Alegre, buscar um equilíbrio entre carros, ciclistas e pedestres é um objetivo ideal, porém muito complexo de se atingir, afinal não existe uma “bala de prata mágica” que vá resolver todos os problemas do dia para noite. A ciclovia proporciona um acréscimo para o lado dos ciclistas, e para haver um equilíbrio, assim como deve haver ganho para todos, as vezes é necessário que cada parte ceda um pouco.
    Sim, os carros foram beneficiados com a ciclovia. E também os ciclistas e os pedestres. E acredito que o caminho adotado nas cidades que são modelo na utilização de ciclovias é o equilíbrio entre as partes e não o extremismo que é expresso em POA, que geralmente só aumenta a falta de respeito aos ciclistas.

    • Júlio disse:

      É o que penso também…

    • Aldo M. disse:

      Gilson e Júlio, para buscar um equilíbrio entre carros, ciclistas e pedestres (e transporte coletivo), é necessário que todos sejam tratados como modais de transporte. Ou seja, a Prefeitura deve se preocupar com os tempos de deslocamento que o cidadão terá ao escolher cada um destes modais, ou mesmo uma combinação de alguns deles.
      Foi o que fez o autor do post, preenchendo uma importante lacuna deixada pela Prefeitura de Porto Alegre, que ainda parece não enxergar o ciclismo e a caminhada como opções válidas de mobilidade urbana.
      Todos conhecem o ditado que é preciso quebrar ovos para fazer uma omelete. Pois, em Amsterdam, quando começaram a reduzir o espaço dos carros para construir ciclovias, o trânsito piorou num primeiro momento. Hoje, é modelo mundial em democratização do uso do espaço urbano e mobilidade não motorizada.
      Falta em Porto Alegre um governo que tenha coragem de dar este primeiro passo. O que está aí, chegou a dizer que não se reelegeria se tirasse espaço dos automóveis. Pois bem, reelegeram-se, mas continuam presos às suas velhas políticas urbanas que estão levando nossa cidade a um colapso de mobilidade e, por conseguinte, a um inevitável colapso econômico.

      • andré gomide disse:

        Não sou extremista nas minhas opiniões, mas não posso fechar os olhos para o que fazem na nossa cidade.
        NÃO ME ENGANO COM ESTA PSEUDO CICLOVIA.
        Se a prefeitura realmente importasse com todos os meios de circulação na cidade não estaria questionando o famoso 20%….que saco.
        A prefeitura é muito boa conosco, né ciclistas.
        Não tentou acabar com a massa, não partidarizou a discussão, não deixou de aplicar os recursos provenientes das multas, não “asfaltou” pequenos trechos de ruas isoladas pela cidade, deixou o asfalto da cidade “perfeito”, não “deixou” de escutar os ciclistas nas contruções viárias da cidade, não “inaugurou” uma ciclocoisa com postes e paradas de õnibus na Restinga( claro- lá não tem classe média para gritar- eu GRITO por eles então), não nos considerou bardeneiros, não, não não….temos vários relatos diários…..pensem um pouco pessoal. A ciclocoisa da prefeitura é paga com dinheiro privado, não sou contra, mas não é favor …É LEI.
        Não vejo intransigencia da nossa parte…. a prefeitura não cumpre as leis municipais, o que devo fazer???A prefeitura faz uma obra sem técnica alguma, o que devo fazer????? Não falo só de ciclovia, inaugura uma UPA sem mobiliário, o que devo fazer???/

        Aceitar ou exigir a correta aplicação do dinheiro público???? Não sou filiado, apenas coerente com o que acredito

  6. lobodopampa disse:

    Creio que essa impressão de “extremismo” ou “intrasigência” esteja sendo gerada a partir de um ponto de vista digamos – não-questionador do atual modelo urbanista excessivamente carrocêntrico.

    Com todo o respeito, e até carinho, eu perguntaria ao Gilson e ao Julio se realmente lhes parece que a divisão de espaço urbano e a priorização de recursos e esforços e normas etc é algo realmente eqüânime, adequado, moderno, justo.

    Se a resposta for um decidido “sim”, então eu continuo respeitando a opinião de vocês, porém sabendo que vivemos em mundos diferentes por assim dizer.

    Se a resposta for “não”, então fica difícil sustentar a tese de que somos nós – cidadãos querendo ajudar a construir uma cidade mais bacana, mais humana, mais justa – é que somos os intransigentes.

    Se não querem levar em conta cerca de um século de desenvolvimento urbano e viário na direção errada, então pelo menos levem em conta esse histórico recente de atitudes do poder público municipal, muito bem resumido pelo André.

  7. lobodopampa disse:

    Vou mais longe.

    Já houve um tempo em que apareciam postagens e manifestações de setores da comunidade cilística portoalegrense que poderiam ser consideradas agressivas, inadequadas e/ou contraproducentes.

    De um ano pra cá, mais ou menos, APESAR

    – dos projetos mal-feitos e mal executados
    – das mentiras e demosntrações de má fé das autoridades municipais
    – da recusa peremptória de fazer qualquer tipo de debate público

    etc, etc, –

    apesar de tudo isso –

    o nível do lado de cá da “discussão” tem aumentado incessantemente.

    A comunidade, os cidadãos, estão cada vez mais informados, mais focados, cada vez mais sabendo o que querem. Estão produzindo artigos e análises e compartilhando esse saber de graça. Só a prefeitura não se interessa.

    Quando confrontado com um aspecto irregular BÁSICO – a largura insuficiente das ciclofaixas, que contraria ATÉ MESMO o próprio manual DA PREFEITURA – o arquiteto Régulo, Senhor Absoluto das Ciclocoisas, simplesmente abandonou o debate, aqui mesmo neste blog.

    Leiam esta postagem e me digam se há, ali, qualquer traço de “extremismo” ou “intransigência”.

    https://vadebici.wordpress.com/2012/04/14/sobre-largura-minima-para-ciclofaixas-e-ciclovias/

    • heltonbiker disse:

      Me sinto no dever de responder, com o objetivo de valorizar, aos comentários postados pelo Artur. Meu objetivo escrevendo este, e em geral qualquer outro post cicloativista, é mostrar UMA OPINIÃO POSSÍVEL, não tendo a intenção de afirmar que essa opinião é mais ou menos certa, vista que baseada em uma experiência pessoal única que é a minha. Quando faço relatos ou filmagens, tenho o cuidado adicional de não editar nem o som nem a imagem, pois acho que, mais do que o registro da opinião expressa na narrativa, fica o registro factual do trajeto percorrido, que fala por si, e muitas vezes até contradiz o meu discurso, o que em geral não é premeditado nem intencional, mas é característico da maneira natural e humana como as pessoas se comportam em comparação com a maneira como as pessoas DIZEM que se comportam, o que não é pecaminoso ou sinal de mau caráter, é apenas comum, natural e humano, diria eu.
      Além disso, o objetivo de todo esse tempo investido em divulgação e discussão (que muitas vezes não é pouco tempo) é justamente criar mais e melhores oportunidades para que as pessoas tenham material para refletir, medir com sua escala de valores, e muitas vezes atacar ou defender em debates inflamados, como temos visto. Pois se isso acontece, o objetivo é alcançado, visto que mais pessoas são obrigadas a sair de sua zona de conforto intelectual, e a cidadania se fortalece no processo.
      Infelizmente, como disse o Artur, quem mais deveria saber ou se interessar pelo assunto é quem se mostra mais intransigente e refratário, e algumas vezes dá a impressão de que temos que “trabalhar por eles”, ou “ensiná-los como trabalhar”. Se esse é o preço de termos melhoras objetivas, na base da insistência e por vezes do constrangimento, que seja.

      • andré gomide disse:

        Temos é que nos fazermos sermos vistos e ouvidos com mais força.
        Adoro quando pessoas colocam suas opiniões, mesmo quando não compartilho da mesma. Respeito e tento aprender com o ponto de vista dos outros. Infelizmente o poder público, em regra, não tenta fazer o mesmo. Sem partidarização, já li diversas idéias muito proveitosas aqui mesmo neste blog…sei que há patrulha ideológica de todos os lados, mas que SACO, será que um partido não pode aceitar uma ideia que não tenha sido gerada do seu útero. Sempre esta coisa de chimangos contra maragatos, Azul contra vermelho. Automóveis versos ciclistas e pedestres.
        Há muita gente interessada em fomentar a discórdia…aliás têm muitos que faturam com isso. Vendem jornais, vendem ideias(soluções mirabolantes), vendem até a mãe se possível for para garantir mais uns “pilas” e cargos.
        Pessoas, acordem…estamos em guerra, e esta pessoa não é sua inimiga.

  8. Bahhh, cheguei de bici pela ciclovia e me atrasei desculpem, bueno o negócio que gostaria de dizer é o seguinte, parabéns aos caros amigos que se manifestam contra as nossas “constantes” reclamações muito válida a observação porque realmente somos muito chatos, mesmo. Mas que vamos fazer a vida é assim, alguns somos chatos outros lights, outros meio não sei o que e assim vamos construindo um país. Logicamente quando vamos na Europa e encontramos belas novidades de mais de 500 anos ficamos perplexos, bom eles nos levam alguns milhares de anos na frente e nos precisamos fazer todo de novo, somos como aquele filho que não quer aprender com a experiência dos pais, ele quer quebrar o nariz por si só e aprender do pior jeito possível.
    Bom eu acredito que hoje na Prefeitura não da para pedir nada porque eles estão sob investigação nas secretarias e ninguém quer colocar a cabeça pra fora por medo de chamar a atenção; assim não respondem nem os pedidos de informações que o próprio Marcelo enviou para não ficar no centro da atenção. Entendo deve ser difícil ser investigado em todos os atos praticados nestas secretarias complicadas.
    Agora pelo que sei na EPTC não tem investigação, pelo menos não foi noticiado nada; então eles podem colocar a cabeça para fora, ou não?
    A questão das ciclovias que são desenvolvidas por engenheiros ou arquitetos urbanistas são sempre os pontos de vista da encomenda que foi enviada a estes profissionais. Me explico, pediram uma ciclovia e o cara sai fazendo. Alguns dias atrás vi uma palestra do ciclo TED do talentoso Mikael Colville, enviada pelo Helton e entendi mesmo um problema que não tinha me apercebido e que ele relata com maestria. As ciclovias ou melhor dito as intervenções urbanísticas nas cidades, tem que ser feitas por DESIGNERS URBANOS e não por engenheiros nem arquitetos, porque o designer tem o cacoete de seguir rigorosamente três passos fundamentais antes de agir antepondo eles a qualquer cálculo de “modelos matemáticos”: considerar a experiência pessoal, considerar a observação humana e finalmente considerar as necessidades humanas. E isto porque o DESIGN é uma poderosa ferramenta. Por exemplo o que faz um designer no caso das sinaleiras é “INDUZIR O CICLISTA A NÃO INFRINGIR A LEI” porque os caminhos para os ciclistas são bem desenhados, desenvolvendo até pequenos apoios para os pés para os ciclistas que aguardam nas sinaleiras e isto depois de desenvolver estudos de observação de comportamento dos ciclistas de 300 ou 400 horas, isto quer dizer que o designer trabalha para um usuário final que é o CIDADÂO que se movimenta de bicicleta. Veja bem que esta observação fala por si da diferença intrínseca de andar de bicicleta nos países europeus, em relação ao resto do mundo onde os arquitetos ou engenheiros urbanistas planejam e executam as ciclovias. Ainda dou um exemplo claro para todos refletirem: falamos todos em acessibilidade, quando se fala nisto todos são doutores, todos querem o portador de deficiências com iguais direitos ao resto da população; mas quando é colocada uma sinaleira na Avenida Edivaldo Pereira Paiva esquina com a Avenida Ipiranga para cruzar neste ponto assim como um pouco mais pra frente, na frente da pista de skate a sinaleira tem 12 segundos, vocês acreditam nisto? 12 segundos. Será que existe algum idoso ou deficiente que consiga cruzar numa sinaleira nesta Avenida Edivaldo Pereira Paiva, extremamente perigosa, em 12 segundos? Ato seguido se fala que o deficiente em Porto Alegre não sai à rua, mas como vá sair à rua se não tem condições de transitar na rua de forma segura? Isto mesmo acontece com as bicicletas as coisas são unicamente feitas eu não vejo que tenha existido observação alguma, todo na melhor das hipóteses, foi feito de acordo com alguns manuais mas não existe a mais mínima valorização das experiências pessoais, das necessidades humanas nem da observação criteriosa.
    Ontem ainda agreguei uma coisa que achei bem válida que o Mikael Colville resenhou: foi dito por Shams Tabrizi (1185-1248), grande pensador e poeta persa.
    “As cidades são erguidas em colunas espirituais, como espelhos gigantes. Eles refletem o coração de seus moradores. Se estes corações escurecerem e perderem a fé, as cidades vão perder o seu glamour”
    Para pensar bastante ao respeito.
    Ainda da serie de perguntas sem resposta alguém sabe quando as vistas ao processo do Pleno do Tribunal de Justiça concluem para retorno para julgamento do pedido de inconstitucionalidade do artigo de 20% das multas? Saúde Martinez

    • heltonbiker disse:

      Muito bem colocado. Eu como alguém com formação (pequena) em design, diria que os arquitetos estão muitíssimo mais perto do design do que da engenharia.
      Aqui no RS, em especial, não nos esqueçamos do excelente esforço que o IAB-RS fez e vem fazendo para melhorar as condições de aproveitamento dos espaços públicos, tanto de circulação quanto de convívio.
      O que acho complicado é quando engenharia se confunde com construção, arquitetura se confunde com embelezamento, e design se confunde com “modernização”. Em qualquer uma das áreas citadas, pode haver atuação profissional superficial, sem preocupação com a verdadeira solução dos problema, e a serviço de um modelo de desenvolvimento e progresso nocivo à qualidade de vida da população em geral.

    • Olavo Ludwig disse:

      Martinez, faz um favor pra mim, marca o tempo que a sinaleira fica aberta para os carros, para pedestre tu falaste que é 12 s, pois eu tive um debate quente com um cidadão da eptc exatamente sobre esses tempos na Bento. Outra coisa colocaram uma sinaleira geral agora? Pois antes era só a sinaleira de quem vinha no sentido bairro-centro.

      Quanto ao vídeo que o Martinez falou, realmente excelente:
      Helton ou Martinez, colem o link aqui, eu colaria, mas devo ter apagado o e-mail.

    • andre disse:

      Ainda sem prazo para nova pauta….to controlando, e o lappus terá que ser citado novamente se não estou enganado pois pelo regimento do TJ passou-se mais de 15 dias deste a sessão e não poderá prosseguir sem novo edital. Posso estar errado pois estou meio enferrujado. Mas o certo é que continua de onde parou.
      Amanhã escrevo minhas impressões sobre o seminário das cidades cicláveis de ontem.

      • lobodopampa disse:

        Aguardando teu relato do Seminário com curiosidade e até um pouco de ansiedade.

        E realmente é uma pena que não tem botão “curtir” em blog. Vários comentários aqui merecem!

  9. Júlio disse:

    Pessoal,

    Apenas me manifestei, concordando com o comentário do Gilson, para dizer que acho, por vezes, exageradas as críticas à ciclovia da Ipiranga. Dificilmente uma obra – ainda mais se executada pelo poder público – será perfeita, ainda mais quando não há “expertise” em projetos como a construção de ciclovias. Em outro post, falei que a ciclovia da Ipiranga havia ficado “tosca”, ao que o próprio autor deste post se manifestou dizendo que não a achava “tão tosca assim”. O que eu quis dizer, ao empregar o termo “tosca”, é que a ciclovia não é perfeita, pelos diversos problemas apontados e discutidos por aqui. Mas ela é um começo! E é assim que a vejo. É esse o meu ponto de vista.

    As críticas e reivindicações devem continuar, até para que os nossos gestores saibam que estamos de olho e para que eles “caprichem” mais em futuros projetos. Quem sabe a própria ciclovia da Ipiranga não ganhe melhorias ao longo do tempo, baseadas nos problemas apontados por aqui?

    • andré gomide disse:

      Júlio…não existe expertise apenas aqui em POA, mas no mundo inteiro existe. Quando há interesse eles procuram informações. O que falta mesmo é vontade política.

    • andré gomide disse:

      Para acrescentar Júlio, já expús a minha opinião antes. Não é só para ciclovias, eu cnsidero qualquer obra pública mal feita um desperdício e um ato de improbidade, pois terá que ser gasto novamente dinheiro público para corrigi-la. Mas não podes esquecer que a cilocoisa da ipiranga ñão está sendo construída com dinheiro público, na teoria, portanto faltou sim é uma cobrança e fiscalização sobre o projeto e a obra do Grupo Zaffari e shopping Praia de Belas. Cara a sua opinião sempre é válida, mesmo quando não concordo com ela, respeito-a.

    • Aldo M. disse:

      Falando claro, Júlio:
      – A falsa ciclovia está sendo executada e contratada pela iniciativa privada, que está demonstrando incrível incompetência nesse caso específico, onde a obra terá uma destinação pública;
      – É sabido que, nas cidades onde há uma boa infra-estrutura cicloviária, as pessoas preferem fazer compras próximo às suas casas, e não em shoppings e supermercados.
      – Como chegamos nesta situação em que grandes comerciantes, que seriam prejudicados com a construção de ciclovias, ficaram responsáveis pelos projetos e construção das mesmas?

  10. Pablo disse:

    Galera, mudando de assunto, como está a questão do Plano Diretor Cicloviário? A Prefeitura entrou na justiça contra, adiou, não sei se perdeu, nem o que houve… E o dinheiro que ficou retido?
    Alguém sabe alguma coisa?

  11. Pingback: A Importância da Padronização das Ciclovias | Vá de Bici

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