Valores

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Pátio de uma escola de ensino fundamental.

Pai de aluno do 1º ano (doravante alcunhado “Tio”) conversa animadamente com guri  de uns 13 anos (que chamaremos simplesmente “Guri”). A conversa é bem descontraída e os assuntos vão mudando. Uma hora o guri põe o olho na Bici-Caixa  ali estacionada. Trata-se de uma bicicleta estilo “bakfiets”, que vem a ser um veículo não-motorizado para transporte de pessoas e cargas. A curiosidade do Guri fez render o seguinte diálogo:

Guri: Onde tu comprou essa tua bicicleta?

Tio: Não comprei. Eu mesmo fiz, com minhas próprias mãos.

Guri: Tu só tem essa? Quantas bicicletas tu tem?

Tio: Quatro. Cada uma serve para uma coisa diferente.

Guri: Tu mesmo fez?!

Tio: É. Estudei um monte, fiz o projeto. Aprendi a trabalhar com metal. A madeira para as paredes da caixa eu mandei cortar e montei. A parte do quadro teve a ajuda de um técnico em solda.

Guri: Quanto custou?

Tio: Bom, a parte do técnico é bem dispendiosa. O equipamento e o material de solda é sofisticado. O trabalho é muito especializado. Essa parte custou uns 800 reais. Leva tempo, é uma bicicleta grande, tem muitos detalhes.

[na verdade, o serviço prestado pelo técnico em questão – que vem a ser o Rubimar “Solda Tudo Toda Hora” – foi muito além de meramente soldar – mas isso acabou não sendo mencionado na conversa]

Guri: Bá! 800 reais! Que caro.

Tio: É, não é pouco dinheiro. Mas não é “caro” – considerando o custo-benefício, a utilidade que essa bicicleta tem na minha vida, e a alegria que ela traz para a família. Com essa bicicleta eu posso levar meus filhos a qualquer lugar com segurança e diversão, posso fazer rancho no súper, posso transportar cargas bem grandes.

Guri: Tu tem carro?

Tio: Tenho. Nós temos um carro para a família.

[Tio começa a se entusiasmar, inverte os papéis, passa a fazer as perguntas]

Tio: Olha só, tu acha 800 reais caro para fazer uma bicicleta dessas. Muitas famílias têm 2 ou 3 carros. Nós só temos um, porque as bicicletas complementam e substituem o papel de um 2º carro com grandes vantagens. Me diz uma coisa, quanto custa UM carro?

Guri: A minha família tem 3.

Tio (levemente chocado, é uma família sem filhos adultos ainda): É mesmo? E quanto custa UM deles?

Guri: Bom, a caminhonete do meu pai custou 160.000 reais.

Tio (de cabelos em pé): CENTO E SESSENTA MIL REAIS? E tu acha 800 reais por uma bicicleta que faz tudo que essa faz CARO? Esse carro custou 200 vezes o preço da minha bicicleta! Daria pra fazer 200 bicicletas maravilhosas como essa com esse dinheiro!

[Tio começa a rir e Guri dá uma risadinha amarela.]

Tio: Acho que acabei com teu argumento…

Guri não consegue dizer mais nada, apenas sorri.

————-

Essa conversa foi bem legal.

Depois lembrei de um colega meu que outro dia se queixava pra mim do valor das bicicletas. Ele queria comprar uma, mas acha muito caro, tipo mais de mil reais. Ele falou isso com rugas na testa, com a expressão de alguém que comenta tristemente mais uma absurdidade deste mundo tão caótico: mais de mil reais numa bicicleta, como é que pode! Onde vamos parar desse jeito.

Essa pessoa usa como veículo pessoal um enorme jipão a diesel, daqueles de marca famosa. E tem um smart fone do tamanho de uma barra de chocolate (das grandes).

Um outro amigo meu viu uma reportagem sobre bicicletas elétricas e comentou como elas são caras. Eu disse: não, é barato, o custo-benefício é muito bom!

Na verdade, me dou conta, o problema tbém está em mim – ainda que escondido.

Lembrei que eu mesmo me sinto constrangido quando perguntam o valor de alguma das minhas bicicletas. Sinto um desconforto, um levíssimo sentimento de culpa, quase imperceptível, mas está lá. Por um lado deve ser tristeza – por saber que muitas pessoas realmente não teriam como comprar uma bicicleta razoavelmente boa. Mas acho que lá no fundo eu tbém carrego comigo essa idéia de que uma bicicleta “cara” é algo levemente absurdo. Como se fosse um um hobby inútil e esnobe, ou mesmo um vício dispendioso e destrutivo.

[Provavelmente há vícios dispendiosos e destrutivos, e com toda certeza existem hobbies inúteis e esnobes, que gozam de status social superior ao ciclismo (até mesmo o ciclismo esportivo), no seio das classes A e B deste País. O status ajuda a “justificar” a aplicação de vultosos recursos em tais objetos ou atividades.]

Valores.

Gostei daquele guri.

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Sobre lobodopampa

Falar de si mesmo é contraproducente. Ah: lobodopampa e artur elias são a mesma pessoa (eu acho).
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32 respostas para Valores

  1. Pablo disse:

    Sobre a diferença de preços entre carros e bicicletas eu andei pensando que a prefeitura de Porto Alegre dá prioridade para construção de ciclovias junto a avenidas onde os carros circulam bem rápido, como Ipiranga ou Sertório, pois se houvesse ciclovias na Assis Brasil ou Osvaldo Aranha, seria muito angustiante para o motorista ver que ele paga tão caro para andar muito mais lentamente do que uma bicicleta.

    • Olavo Ludwig disse:

      As pessoas precisam entender que pagam caro para ter um determinado carro e isso não tem relação nenhuma com a velocidade com ela vai andar nas ruas, e também entender que este valor não lhe dá o direito de ocupar mais espaço.

      • Pablo disse:

        Isso é verdade… eu já ouvi algo assim: “Não está certo a pessoa comprar um carro que custa $$$$ reais e andar mais devagar que uma bicicleta!”. O orgulho é f. não é mesmo?

    • andré gomide disse:

      Venho pela sertório todos os dias….é muito engraçado a cara que alguns alienados fazem quando ultrapasso eles…rsrsrsrsrrsrs
      Na sertório a realidade de veículos passando rápido só existe depois das 19horas;
      Pela parte da manhã e no final da tarde ganho fácil….é real o que falo.

  2. heltonbiker disse:

    Sempre considero essas diferenças de preço, e principalmente como “justificar” que vale a pena pagar, digamos, 4000 reais numa bicicleta muito boa (“boa” significando que vá aguentar o tranco, tipo andar diariamente por mais de dois anos sem precisar trocar nenhuma peça exceto correntes).

    TODOS os dias vou trabalhar de bicicleta e às vezes volto pra almoçar. Isso daria, “arredondando”, quinze viagens por semana, que de outra forma eu faria de ônibus. Como um mês útil tem em torno de 4 semanas úteis, 15 vezes 2,85 vezes 4 = no mínimo 170 reais. Em um ano, são em torno de 2000 reais. Assim sendo, eu levaria dois anos para “pagar” uma bicicleta de 4000 reais, fazendo 15 viagens por semana em substituição ao ônibus, sem falhar nenhuma vez, sem tirar férias, e sem ter despesas com manutenção da bike.

    Pode parecer desanimador, mesmo considerando a nossa passagem relativamente cara (que deveria tornar mais fácil economizar mais rápido), mas é importante fazer uma distinção CRUCIAL entre o ônibus, o carro e a bicicleta:

    1) O ônibus é um transporte que tem custo puro, relativamente baixo, não tem maiores consequências econômicas para o usuário (que só gasta quando usa), e também não tem grandes benefícios adicionais além de ir do ponto A ao ponto B;
    2) O carro tem benefícios adicionais, pois com o que se gasta com ele é possível fazer MAIS coisas além de ir e voltar do ponto A ao ponto B, como passear no fim de semana com um custo adicional “relativamente” baixo, além do que o carro é propriedade do usuário, está sempre à mão, pode ser levado aonde se queira ao invés de somente onde haja linha de ônibus. Entretanto, colocado na ponta do lápis, como todo o dono de carro sabe mais do que muito bem, representa uma fatia do orçamento “quase igual à de um filho”, ou seja em português claro: uma sangria.
    3) Por fim, a bicicleta pode até custar caro mesmo, não é exagero. Mas em geral, o custo acaba por aí (na aquisição), ou ao menos a sangria galopante e ininterrupta. Como já vimos, o custo do uso regular da bicicleta é MUITO MENOR do que o do ônibus, com a vantagem de que, considerando o exemplo dado, depois de apenas dois anos a bicicleta já dá “retorno” financeiro – e estamos falando de uma excelente bicicleta de 4000 reais, que nas horas vagas permite fazer INÚMERAS outras atividades que vão muito, mas muito além de ir do ponto A ao ponto B, incluindo lazer, saúde, esporte, socialização, etc, etc.

    É uma pena que a inércia cultural do motorizado vs. não-motorizado ainda é gigantesca, incluindo em espeical as otoridades que nos governam e os meios de manipulação, mas aos poucos as pessoas vão saindo da Matrix, e a indústria automobilística sabe muito bem que as pessoas que hoje são crianças é que vão fechar a torneira…

  3. Luciano Bessa disse:

    Já me cansei de passar por situações como essa, onde a gente se sente com vergonha de falar sobre o que é seu. De repente percebi que, a cada expressão de espanto pela preço das bikes e seus acessórios, também passei a comparar com os preços dos carros de meus interlocutores e susa formas de uso dos mesmos. Já conseguia dialogar/argumentar/convencer .melhor.
    Mas não era o bastante. Quando passei a argumentar que aquele “preço exorbitante” para uma bicicleta era, na verdade, algo mais seus impostos e que eu não sou do tipo que compra coisas de contrabando nem de ladrões, então eu pagaria pelo custo-Brasil como em qualquer outro tipo de aquisição.
    Então o problema não é o preço da bicicleta. É o preço que se paga para viver no Brasil.

  4. Parte da solução passa pelas crianças. 🙂

    • lobodopampa disse:

      Sem dúvida. Cada geração é obrigada – querendo ou não – a superar os desafios do mundo que encontra, ou pelo menos lidar com eles. Que nesse caso significa ter que lidar com um MONTE de merda que a geração anterior fez e deixou por aí. Mas eles têm a energia, precisam ter, para encarar os desafios.

  5. Fernando Pavão disse:

    Discordando um pouco: o custo x benefício das bicicletas no Brasil é bem ruim comparado com países de primeiro mundo. Falta muita coisa de qualidade por aqui, e as coisas que chegam de fora (porque a indústria brasileira não tem capacidade de fabricar coisas boas) são caras e com alto imposto.

    Mas concordo com todo o resto (na real nem discordei, foi só um adendo).

  6. Meu segundo veículo em casa é uma camioneta o primeiro é uma bicicleta. A camioneta fica parada na rua na porta de casa praticamente o ano inteiro.
    So uso ela em alguma eventualidade quando tenho que transportar algum figurão ou algo assim.
    Ela gasta 1.500 reais por ano de IPVA e 1.900 reais de seguro, quando uso ela consome 1 litro de gasolina cada10 km. Na época que usava ela como meio de transporte eu gastava por mês algo em torno de 500 reais de gasolina, por que sempre me pediam para dar mais algumas voltas, total estava de carro e tinha que ir ao trabalho. Ainda aproximadamente cada 6 meses troco óleo e filtros e alguma manutenção de algo em torno de 500 reais cada seis meses. Agrego a isto 150 reais de estacionamento no trabalho.
    Após o uso da bicicleta como primeiro veículo eu gasto por mês algo em torno de 50 reais de gasolina e mantenho o custo de IPVA seguro e trocas e de óleo. Quer dizer com meus 40 kilometros diários de bicicleta em idas e voltas do trabalho e outras viagens tipo supermercado e reuniões, que tenho mantido na bicicleta; poupo mensalmente algo em torno de 450 reais + 150 reais de estacionamento.
    Se tivesse vendido a camioneta, a poupança ainda seria maior, mas tenho alguns problemas operacionais a serem resolvidos futuramente, que me permitirão isto.
    Ou seja cada 12 meses eu poupo de transportes 6000 reais, nada mal meus amigos.
    Agora qual era o tema? A sim a bicicleta cara… ela é cara mesmo? Eu já fiz na minha bicicleta nos últimos 4 anos 25000 kilometros e troquei dela 1 garfo c/suspensão dianteiro gastei 2000, troquei a corrente e o cambio traseiro algo em torno de 350 reais e ultimamente andei recuperando a pintura e gastei mais 350 reais.
    Será que uma bicicleta de 10 ou 15 mil reais que agüente o tranco mesmo de 5 ou seis anos de uso é uma despesa grande? Eu não acredito nisto.
    Lobo, acho que a criança nem sabe quanto o pai dele gasta no carro e nos temos consciência pesada, não porque as bicicletas são caras; eu acho que seja porque curtimos demais termos descoberto a bicicleta e não queremos contar para ninguém quanto se poupa usando ela. Eu não contarei nunca deixa eles de carro.

  7. lobodopampa disse:

    Pesso@l, se algum de vocês quiser levar o tema para o seu aspecto puramente objetivo, matemático – coisa que eu acho extremamente válida e importante mas não tenho nenhuma vontade de fazer – tem que fazer a conta direito.

    Nos fóruns de língua alemã (e acho que algum de língua inglesa) os reclineiros e velonautas (usuários de reclinadas e velomóveis, que são veículos muito mais dispendiosos do que bicicletas “normais” – especialmente os velomóveis) costumam fazer a conta exata de quanto um “brinquedinho” desses custa por quilômetro.

    Na comparação com o carro, tem que incluir tudo – gasolina, IPVA, estacionamento, manutenção, flanelinha (no nosso caso), ALÉM do valor do carro. Mais ou menos como fez o Martinez.

    Aí se pode fazer uma comparação do custo real por quilômetro.

    Aí só fica “cara” uma bicicleta que ninguém pedala!

    Depois se poderia (deveria?) considerar os benefícios da bicicleta em termos de saúde – muito objetivos, ainda que de difícil quantificação.

    Por último, mas nem por isso menos importantes, os benefícios psicológicos (não quantificáveis).

  8. Júlio disse:

    Há alguns meses, vendi a moto que usava, alternadamente com a bike, como meio de transporte, pensando em adquirir uma moto maior, mais potente. O tempo foi passando e eu me adaptei tão bem com a magrela, que desisti de comprar a moto. O dinheiro tá lá paradinho, aplicado, e eu já penso em “torrá-lo” numa viagem ao invés de “investir” num veículo poluídor.

    Claro que a economia que se faz utilizando uma bike é algo a ser considerado, mas acho que o principal são os benefícios para a saúde, por ser um excelente exercício cardiovascular , por acabar com qualquer estresse e por te colocar um contato com um pessoal do bem. Economiza-se com médico, com remédios, com academia, com terapeutas, psicólogos…

    E acho que tem uma geração – nossos pais, talvez – que já está perdida. Por mais que tentem, eles não conseguem ver alguém que anda de bike como uma pessoa bem sucedida. O carro, para eles, é sinônimo de suce$$o. Mas tenho muita fé de que a minha geração e as que virão vão mudar completamente essa realidade. Estamos vivendo uma época de mudanças, e isso é perceptível.

    • Aldo M. disse:

      Estamos falando de pessoas de vanguarda que podem comprar um carro, mas optam pela bicicleta. Mas existem ainda os que não podem e se resignam a andar de bicicleta, os que estão “ascendendo” na escala social e sonham com seu primeiro automóvel, etc.
      Então, ao mesmo tempo que a opção pela bicicleta aumenta, também aumenta a opção pelo automóvel.

  9. Aldo M. disse:

    Boa a lembrança de que existe uma cultura arraigada muito forte que considera normal gastar dezenas de milhares de reais em um carro mas acha uma bicicleta “cara” e de que não somos imunes à ideologia do automóvel, como gostamos de pensar.

    Eu, como muitos, estou deslumbrado com a redescoberta da bicicleta, mas apenas isto não faz com que a transição automóvel-bicicleta seja simples ou rápida. É uma mudança radical. Apenas como exemplo, lembro da primeira vez que “enfrentei” nosso trânsito de bicicleta. Fiquei estressado tentando correr na velocidade dos carros. Foi ridículo, mais foi o que pude fazer após décadas usando carro para meus deslocamentos e da minha família.

    Esses dias, eu reparei nas bicicletas dos meus vizinhos estacionadas em seus boxes e percebi que a cultura está mudando. Fiquei mesmo muito contente. Um ano atrás, a maioria delas estava simplesmente abandonada, sem condições de uso. Mas hoje, a grande maioria das bicicletas, muitas delas novas, está em perfeitas condições. Só o detalhe dos pneus, agora cheios, revela que elas passaram a ser utilizadas. Foi uma mudança realmente muito grande. Eu vejo como uma primeira etapa: as pessoas passaram a efetivamente possuir bicicletas e as estão utilizando para lazer. Para uso diário, só falta as pessoas aprenderem conceitos de ciclismo veicular, e implantar-se (governos ou cidadãos) uma infra-estrutura cicloviária funcional (não essa de mentirinha que o Fortunati está fazendo).

  10. André Alves disse:

    Mas tem um outro fato por trás disso, um carro é um bem bastante grande(digo de matéria) e a bicicleta não, o carro te dá a sensação ( a alguns lógico) de poder, devido a este tamanho, mas podem acreditar que as pessoas estão comprando bicicletas mesmo que ainda não estejam aderindo a causa, vejo isso na minha própria família. E um artigo que parece ser caro( se comparado com outros bens) aos poucos vai despertando o interesse das pessoas conforme a necessidade. Com o tempo o prazer de pedalar começa a falar mais alto e querendo ou não as pessoas passm a sedar conta do conforto que as bicicletas oferecem, da praticidade e outras tantas coisas mais, a principal delas, SAÚDE. Bem interessante este texto, bacana mesmo.

    • Olavo Ludwig disse:

      Pode até se pensar que a sensação de poder é por causa do tamanho, mas é só um reflexo, essa sensação tem a ver com o tal do status social, quem tem dinheiro tem poder e quanto mais dinheiro maior ou mais potente o carro…e toda essa babaquice!

  11. lobodopampa disse:

    Pesso@l:

    eu tenho carro. O valor dele é proporcional à renda da família. É um valor alto, mesmo tendo sido comprado usado, por causa do pacote completo: ipva, seguro, combustível, manutenção, estacionamento, flanelinha, etc.

    Não vou jurar que não teria um carro de – digamos, hipoteticamente – 100 mil reais – CASO a renda da família tivesse uma relação de proporção com esse valor (100.000) equivalente à relação de proporção que a nossa renda real tem com o valor real do carro que temos.

    Não é esse o questionamento do post.

    O questionamento – que aparece graças a uma conversa com um adolescente – o qual reproduz os valores dos pais MAS é capaz de se abrir para outros valores é mais sobre…

    …a aparente incapacidade que nós temos de OLHAR para as coisas e conseguir perceber o seu valor real, sem condicionamento cultural, sem usar o metro do status social, sem pensar em termos de o-que-o-meu-vizinho-vai-pensar, mas sim em termos de:

    custo-benefício, de qualidade de vida, termos de impacto ambiental, em termos digamos holísticos (êita palavra maltratada, mas vá lá).

    • andré gomide disse:

      No meu caso o fundamental para esta mudança de “estilo” foi a qualidade de vida….muitos quilos depois, deixados pelo caminho, e muitos quilometros depois, aproximadamente Km 18720 , me sinto FELIZ, aliás muito FELIZ… como contabilizar minha FELICIDADE????….ela não tem preço.

  12. mario disse:

    Parabéns, texto, diálogo e comentários!

  13. lobodopampa disse:

    Valeu!

  14. Aldo M. disse:

    Acho que a bicicleta é um dos melhores exemplos de como unir o útil ao agradável. Há o prazer imediato de estar se exercitando, em contato com o mundo exterior, e também uma boa sensação de estar fazendo a coisa certa.

    Não consigo entender porque muitas pessoas dizem ter prazer ao dirigir um carro. E, por outro lado, percebi que alguns se surpreendem quando revelo preferir não estar na direção.

    Hoje, no trabalho, fiquem mudo quando alguns colegas conversavam sobre carros de mais de R$ 100 mil como se considerassem a alternativa absurda de adquiri-los. Já acho o meu carro, quem comprei por menos de R$ 30 mil, uma extravagância para o uso que faço dele. Não senti vontade de defender a bicicleta como meio viável de transporte, mas às vezes eles veem a minha, dobrada sob o tampo da minha mesa. Como sou o único no setor onde trabalham mais de 40 profissionais de engenharia e arquitetura e estagiários, que às vezes vai de bicicleta, acabo chamando bastante a atenção.

    Mas, para a maioria, usar uma bicicleta no trânsito com os carros é radical demais. É preciso tempo para que as pessoas se acostumem com essa ideia.

  15. isajanaisa disse:

    Deliciosa matéria!!! Bem argumentada!!! Parabéns!!! 😉

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