Futuro do pretérito.

Artigo de Juremir Machado da Silva.

<br /><b>Crédito: </b> ARTE JOÃO LUIS XAVER


Crédito: ARTE JOÃO LUIS XAVER

Porto Alegre rodou para frente. Começou a alugar bicicletas, como fazem grandes cidades europeias. O futuro está no passado: trens, bicicletas, barcos, bondes, sol, natureza. Precisamos deixar a era JK para trás. O tempo do automóvel e do rodoviarismo caducou. Vivi quase seis anos em Paris e não sei onde fica a estação rodoviária da cidade. Conheço bem as suas seis estações ferroviárias. A capital francesa orgulha-se de não ter uma só residência a mais de 500 metros de uma boca de metrô. Esses europeus sempre foram muito chatos. Começaram a construir metrôs subterrâneos ainda no século XIX, quando se andava de carroça. Andam de bicicleta pela saúde e pela facilidade.

De quebra, não colocam motores nas bicicletas. Os franceses não chamam bicicleta de bike. É só vélo.

– On va faire du vélo pour maigrir.

Assim mesmo: andar de bicicleta para emagrecer. Por aqui, ainda temos preconceitos, e os motoristas, com seus 4 x 4 absurdos e inúteis para a vida urbana, acham-se os donos das ruas. Há pouco, Porto Alegre fez uma grande descoberta: o rio Guaíba. Ressurgiu o transporte de barco entre a Capital e a cidade de Guaíba. A ideia foi tão revolucionária que está sendo ampliada para nossos bairros. Faz alguns anos, moderno era andar de ônibus e levar o dobro do tempo. Eu sou a favor de multa pesada para quem ocupa sozinho um carro em horário de pico. Quanto maior o carro, maior a multa. As pistas devem servir preferencialmente para transportes coletivos e limpos. Em quatro pistas, uma poderia ser destinada aos carros particulares. Na bucha.

Mesmo a Europa ainda está atrasada em relação a tudo isso. Vai acelerar. Alguns dos nossos motoristas sentem-se ultrajados por ter de dividir o espaço das ruas com bicicletas. Acham que bicicleta é coisa de pobre. O mesmo pensam os ricaços paulistanos e cariocas do metrô. Só gostam de subterrâneo em Paris, Londres e Nova Iorque. Aí é chique, fashion, choque. Porto Alegre cansou de ser moderna. Agora quer ser hipermoderna. A hipermodernidade é a bicicleta, o metrô, o barco, o deslocamento a pé, as energias limpas, o uso do corpo para se mexer. Para avançar, temos de recuar. Tudo aquilo que foi enterrado como anacrônico, reaparece como solução. Até o piquenique, que os europeus nunca desdenharam, está voltando aqui. Brasileiros achavam que era um baita mico.

A pós-modernidade condenou o cigarro, as caçadas e uma série de preconceitos. Abriu os armários. A hipermodernidade é um novo estágio que não dá mole para combustíveis fósseis, bullying, humor racista e outras sacanagens do gênero. Triunfo do politicamente correto? Em parte. Vitória da idiotice? Só se incomoda mesmo com o politicamente correto quem se beneficiava da incorreção, quem tinha poder ou força para humilhar os outros. A principal característica da hipermodernidade é a redefinição do espaço urbano: uma nova ocupação das ruas, o fim do reinado absolutista ditatorial do automóvel.

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44 respostas para Futuro do pretérito.

  1. Felipe X disse:

    Acho que multa não, deveria ter um fator multiplicador do IPVA conforme o tamanho, peso e consumo do veículo.

    • heltonbiker disse:

      IPVA é imposto sobre a Posse do veículo, independente do uso. Pedágio Urbano (pra não chegar a extremos como multas) seria uma taxação sobre o Uso em espaço urbano considerado nobre (ou seja, idealmente todo ele).

    • Aldo M. disse:

      Multa é um bom termo, pois o objetivo é mesmo penalizar o motorista com finalidade educativa. Pedágio urbano é um eufemismo.

  2. Felipe X disse:

    Mas dizer que “Só se incomoda mesmo com o politicamente correto quem se beneficiava da incorreção” é meio engraçado, pois é um preconceito de quem escreveu. Se incomoda com isso também quem acha que tudo quando é demais não é bom. Estes dias vi um cara mudando a célebre frase de Deng Xiaoping, para usar a cor azul em vez de preta. Se isso não é ridículo eu não sei o que é…

    • Marcelo disse:

      Desculpa, Felipe, mas mas o que eu não entendo é o fato de alguém se incomodar com o que os outros fazem para tentar não ser racistas.

      O racismo está tão inserido na nossa cultura que é melhor pecarmos por precaução excessiva do que por omissão/negligência quando buscamos evitar a opressão.

      No Brasil rola uma ridicularização e rejeição do politicamente correto que só beneficia os privilegiam com as indiferenças e preconceitos.

      • lobodopampa disse:

        Não é bem assim…

        Nos EUA rola uma exagero paranóide e caricato do politicamente correto que começa a ser reproduzido aqui. Isso tira espontaneidade das relações, na minha opinião. Pra eles talvez tudo bem, porque espontaneidade não é uma característica cultural forte – mas para nós seria uma perda importante.

        Na qualidade de pai de crianças afro-descendentes, afirmo, por experiência própria, que entre nós – na família – não existe isso. Em casa se fala assim: nego, neguinha, negão. Sendo que o negão sou eu. Eu digo assim: sou negão honorário. É meio brincadeira, mas é sério. Mas tem gente com quem não posso falar assim – inclusive alguns negões e neguinhas – o que eu acho triste.

        Eu acho que quem não consegue usar palavras normais no sentido normal é que talvez tenha algum problema com racismo.

        Neste sentido eu tbém não concordo com o Juremir, acho que generalizou demais. O resto do artigo é magistral, aliás nem precisava misturar mais esse assunto.

      • heltonbiker disse:

        Acho que, na nossa geração, que cresceu ouvindo piadas racistas, numa época em que as dificuldades nesse sentido eram maiores ainda do que hoje, é inegável que o tema ainda gera desconforto (ao menos pra mim gera, é difícil fazer de conta que não). Acredito que o monitoramento “hiperzeloso”, ao menos no sentido do racismo (não tanto do politicamente correto em geral) é muito importante para que AS PRÓXIMAS gerações tenham a possibilidade desse mal-estar definitivamente erradicada de suas mentes.

      • Marcelo disse:

        Uma coisa é chamares carinhosamente teus filhos de neguinho, negão, negona, não vejo problema nenhum nisto. Outra coisa completamente diferente, mas que é muito comum no Brasil, é chamar pessoas com quem não se tem a menor intimidade de “negão”, “nêgo”, palavra que é carregada de significado culturais e históricos depreciativos.

        O principal problema é que o preconceito e o racismo no Brasil são muito espontâneos. É preferível que a nossa espontaneidade seja prejudicada, pelo menos até que eliminemos o preconceito da nossa cultura, do que continuar oprimindo os outros de uma forma dissimulada e muitas vezes inconsciente.

      • Marcelo disse:

        Perfeita colocação, Helton, foi mais ou menos o que eu quis dizer. Talvez tenhamos que perder um pouco da nossa espontaneidade para que as próximas gerações possam ser espontâneas sem serem racistas.

      • Felipe X disse:

        Marcelo, meu ponto é exatamente que o esforço vai além de cuidar para não ser racista. Criar um tabu em volta da palavra “preto” é neurose. Sério. Afinal, Deng Xiaoping estava exatamente criticando certos preconceitos ideológicos na frase dele, não fazendo uma comparação racista.

        E o grande problema do exagero é exatamente isso que apontei acima: na cruzada por alcançar o ideal “politicamente correto”, quem escreveu este texto se mostrou preconceituoso.

      • Felipe X disse:

        E mais: não acho que seja só no Brasil que já se faz piada com o politicamente correto não. Algumas séries americanas (family guy, por exemplo) fazem sátiras extremamente politicamente incorretas que no brasil provavelmente seriam proibidas. Mas enfim né, não temos lá tanta liberdade de expressão, inclusive acabam de proibir o “A Inocência dos Muçulmanos”

  3. Caros amigos, eu sinceramente não sei bem se metrô e o que precisamos ou se ele está dentro do futuro imediato que gostaríamos.

    Uso metrô em todo o mundo por praticidade mas não acho o melhor meio de locomoção. Quer dizer sou forçado a ir por baixo da terra, perdendo as belezas naturais ou arquitetônicas, da cidade, para que os carros cuspam suas doses de veneno livremente e coloquem em grande risco pedestres e ciclistas.

    Eu proponho uma troca, fazer grandes túneis por baixo da cidade para a circulação de carros como fez em parte Santiago de Chile, Barcelona, Paris, etc. ultimamente, deixando a beleza da cidade para os ciclistas e pedestres.

    Longe da visão horrível que eles nos proporcionam e facilitando a vida de todos que querem desfrutar o que a vida nos da de melhor.

    Não sou contra os carros, sou contra qualquer tipo de exagero e o dos carros passou dos limites. Barcos cruzando o rio e usando ele como meio de transporte não é uma novidade e certamente poluirão o Guaíba bastante, deixando seu rastro de diesel, gasolina, etc. vejam bem no mundo hoje o transporte de barco é elétrico, para evitar contaminação e os detritos dos motores diesel que recarregam as baterias são obrigados a serem mantidos a bordo, para posterior reciclagem. Não esqueçam que o esfriamento dos motores náuticos é feito com água do próprio rio, que volta a ele contaminada. Este tema não foi discutido ainda nas licitações da infortunada Prefeitura de Porto Alegre, que nem tá para estes temas ecológicos.

    Então acho que precisamos avançar bem na discussão, de qual é o modelo de cidade que queremos. Mas ainda, meus respeitos para o grande Juremir, exemplo de cidadão de bem e grande professor. Saúde a todos Martinez

    • Marcelo disse:

      Bem colocado, Martinez, também não sou grande entusiasta do metrô, sou mais favorável aos VLTs, e desconhecia esse resfriamento dos motores de barco, que contamina a água. :/

    • Felipe X disse:

      Eu sempre digo, o sonho do carróletra é esse: transporte público em baixo da terra, ciclistas no ar (vide aquele projeto estranho londrino) e toda superfície pra eles hehe

    • Pablo disse:

      Eu já não concordo… há alguns anos se fala em um modelo de cidade onde todo o transporte motorizado é subterrâneo e toda a superfície é para as pessoas, ciclistas, patinadores…

      Isso seria o ideal. Claro que escavar o subsolo é caro, mas acredito que liberar totalmente a superfície para as pessoas é uma meta que se pode ir buscando pouco a pouco.

      Metrô já existe a mais de cem anos, na Europa há projetos de se criar estações de trem subterrâneas no centro das cidades. Os trens são ótimos meios de transporte, mas dividem regiões da cidade e não podem trafegar muito rápido nesse locais, por medidas de segurança, mas no subterrâneo não há problemas.

      Eu acredito que em um futuro não muito distante, “cidades inteligentes” possuirão grandes artérias subterrâneas para transporte de energia, comunicação, produtos, esgoto, água, pessoas… liberado completamente a superfície para as pessoas.

      • Daniel disse:

        Sobre essa questão de liberar a superfície para as pessoas e colocar o transporte motorizado no subterrâneo, eu traduzi um texto muito interessante do arquiteto Constant Nieuwenhuys que propõe isso – ou, na verdade, ele propõe “setores” elevados em relação à superfície, onde se dá todo o convívio social e, abaixo deles e apartadas do convívio, as estradas. Na verdade é um esboço de um projeto muito mais ambicioso, uma cidade utópica do futuro onde a liberdade plena seria realizada. Esse projeto foi chamado por Constant de “New Babylon”, e o texto escrito em 1974 que faz a síntese de 20 anos de pesquisas está aqui: http://dl.dropbox.com/u/65249844/NIEUWENHUYS_Constant_New_Babylon.pdf
        Em outro texto dele dos anos 50 ou 60 que eu li, mas não traduzi e acho que não está publicado na net, ele propõe que os automóveis da cidade sejam públicos, baseado no fato de que os particulares ficam a maior parte do tempo parados, o que possibilitaria a enorme redução de seu número. Um sistema parecido com o aluguel de bicicletas, mas para automóveis. Redução drástica do número de automóveis e segregação do convívio destas máquinas antissociais, acho que seria uma boa, hehe.

  4. Mario disse:

    Não sou racista, mas se minha filha namorasse um negro, deusulivre. Não sou preconceituoso, mas se meu filho fosse viado, deusulivre. Uso desodorante AXE, mas não sou machista, quero arranjar mulheres, quero arranjar PROBLEMAS, quero um Fiat Linea na minha garagem, para eu aparentar e merecer mais RESPEITO. Sério, onde está a estranheza da frase ” Só se incomoda mesmo com o politicamente correto quem se beneficiava da incorreção, quem tinha poder ou força para humilhar os outros”? Achei ótima, cai como uma luva, tanto nos tempos de hoje quanto nos anteriores, em que o próprio autor, em algum momento ou de alguma maneira, fez menção de serem em algum grau superiores.

    • Felipe X disse:

      O que vejo muito por aí é: não sou racista, mas enchergo preconceito e racismo em todo mundo pra eu me sentir mais muderrrrno.

      • Mario disse:

        Calma lá. Os exemplos que eu dei não foram direcionados a sua pessoa, que não conheco e não tenho autoridade pra falar. Foi só pra ilustrar o véu de inocência do politicamente incorreto que mora no nosso inconsciente, meu, teu e de todo mundo. Superar vícios implica em mudança e muita gente é resistente a ela. Bom, não cabe colocar aqui e nem tenho conhecimento nem saco o suficiente pra discorrer blá blá blá sócio-antropológico mas eu, na minha ignorância acho que, pelo menos TENTAR superar esses “pequenos” estigmas -que infelizmente muitas vezes são usados como pretexto para um fim de interesse próprio- é um passo a frente.

  5. Isabella Balthazar disse:

    Olá,

    Tudo bem?

    Sou a Isabella, administro o perfil da Porto Seguro nas redes e como o seu site tem tudo a ver com a iniciativa Trânsito+gentil, vim convidar você a participar do concurso cultural que está rolando em nosso Instagram.
    Para concorrer à uma bike dobrável do Trânsito+gentil, basta seguir o perfil da @portoseguro e utilizar a hashtag #alternativagentil na legenda da imagem enviada (http://porto.vc/6n).
    O tema da foto é: cenas que mostrem porque a bicicleta é uma alternativa gentil para o trânsito.

    Iremos presentear o internauta que enviar a imagem mais criativa!
    Convide seus amigos e leitores à participarem também, é uma oportunidade incrível de ganhar uma bike supermoderna e de quebra, contribuir para a mobilidade nas grandes cidades 🙂

    Acesse o regulamento em caso dúvidas: porto.vc/regrasbike

    Um abraço e boa sorte!

    Equipe Porto Seguro

    Isabella Balthazar

  6. Sinceramente não entendi o ponto, caro Mario; não entendi mesmo; será que tu queres dizer que tu pensas assim e que gostarias que os outros pensem da mesma maneira? porque eu não penso desta forma e não gostaria que ninguem na minha familia tivesse este tipo de abordagem ao respeito da vida, seria muito triste. Saúde a todos Martinez

  7. PinhaFixa disse:

    Caro José Antonio, tua preocupação com os poluentes dos barcos está correta se fores e referir a navios de carga e pesqueiros velhos e antigos. A água que circula pelo motor para seu resfriamento jamais entra em contato com a parte interna do motor, onde certamente existe óleo e restos de combustiveis e lubrificantes carbonizados, se a água tiver contato com a parte interna do motor ele pode parar ou se danificar, logo isso não existe. Os motores que equipam estes barcos com certeza são de ultima geração e utilizam lubrificantes adequados que agridem menos o meio ambiente… quanto a JetSkis usados para entretenimento….

  8. André Gomide disse:

    Belo texto…onde foi publicado? No correio?

    Que inveja deste “maluco”:

    Eslovaco faz manobras de downhill no centro de Porto Alegre

    http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/esportes/noticia/2012/09/foto-eslovaco-faz-manobras-de-downhill-no-centro-de-porto-alegre-3899225.html

  9. Ok Mario déficit de entendimento meu. Caro Pinha a água que resfria motores a explosão circula sim dentro deles, não na área de explosão mas nas recamaras contíguas, e o mar ou rio são os grandes refrigeradores deles. Olha um motor qualquer de lancha, tanto fora como dentro de borda, e assim funciona; inclusive misturando os restos de gases com a água o que ajuda a suportar o fedor horrível que estes monstros transmitem ao redor deles. Os jet skis ainda usam compressores de água(turbo) e estes equipamentos semelhantes são usados por ferri-boats bastante modernosos. A solução para contaminação tem sido os motores elétricos menos poluentes assim como menos barulhentos desde que os líquidos sejam mantidos a bordo para posterior tratamento. E por favor Pinha não tenhas certeza, de nada que seja mais caro, mais moderno e melhor, como utilização a motivação própria de concessionários de serviços públicos a não ser que estejam nos Editais licitatorios. Sabes qual é o motor que usa este catamarã, que une Guaiba com Porto Alegre, não é um MWM diesel? Qual a fábrica deste catamarâ? alguem sabe? Abraço e saúde a todos.

    • Aldo M. disse:

      Uma vez eu estava mergulhando com snorkel e senti um gosto forte de óleo na água quando uma lancha passou por perto. Com a saída do escapamento dentro d’água dos barcos a motor, não poderia ser diferente.

  10. Marcelo Martins disse:

    Ótimo texto do Juremir. E as opiniões posteriores sobre o tema, feitas nesse espaço, também são de excelente nível 🙂
    abcs!

  11. Cyro disse:

    Quero deixar registrado aqui algo que vem acontecendo ultimamente na avenida Ipiranga, que demonstra a ilusão das melhoras criadas pela prefeitura, e como ainda existe muita falta de educação e falta de respeito dos motoristas para com os ciclistas. Agora que fizeram aquela pseudociclovia na avenida Ipiranga, alguns motoristas irracionais estão se achando no direito de dar fechadas nos ciclistas que andam na pista, hoje me fecharam umas 2 vezes na Ipiranga no fim da tarde, e uma mulher me fechou, mesmo dando todo o espaço possível para ela me ultrapassar ela meteu carro pro lado me fechando, businando, e depois gritando para eu ir pra ciclovia e sair da rua, como se eu tivesse perdido o direito de andar na pista e agora fosse obrigado a andar naquela coisa vergonhosa que chamam de ciclovia, que não serve pra nada, pelo menos para quem usa a bicicleta como meio de transporte.
    Eu não vejo sentido subir naquela coisa e ficar preso esperando os carros passarem quando eu preciso estar do outro lado da pista para poder seguir o meu rumo de forma mais rápida. A bicicleta faz parte do trânsito tanto quanto os carros, mas o que me parece é que essa pseudociclovia criada pela pŕefeitura é um meio de se livrar dos ciclistas, os retirando da pista para dar espaço aos carros. Se a prefeitura estivesse realmente preocupada com a mobilidade da bicicleta como meio de transporte, faria uma ciclofaixa do lado direito da pista, que é o mais sensato!
    Não se iludam, pois ainda é uma realidade muito distante para Porto Alegre chegar ao nível das cidades europeias, nas quais existe um verdadeiro respeito pelos ciclistas, pois aqui a verdade é que eles tentam excluir e não integrar a bicicleta ao trânsito.

    • Jeferson disse:

      Cyro, um amigo me relatou a mesma experiência na Ipiranga DEPOIS da ciclovia. Um carro fechou ele mesmo tendo muito espaço livre nas outras pistas da via e o carona gritou “vai pra ciclovia, filho da puta!”. Precisamos estar atentos, antes que aconteça uma morte por ali. Embora nada adiante, entramos em contato com a EPTC relatando o caso. Alguém sabe se existe uma associação de ciclistas que usam bike como meio de transporte em Porto Alegre?

    • Aldo M. disse:

      A única ideia que me ocorre para enfrentar essa barbárie é pedalar sempre com uma corrente de prender a bicicleta balançado na mão esquerda para rechaçar o motorista que passar perto demais.

      • Adriano disse:

        E tu faria o que com a corrente, caro Aldo?

      • Aldo M. disse:

        Nâo vou fazer conjecturas. Primeiro vou providenciar a corrente. O objetivo é que o carro ultrapasse a uma distância segura. Uma corrente deve atemorizar o motorista de que seu carro possa ser arranhado.

    • Miguel disse:

      Essa ciclovia é uma piora muito grave na mobilidade. Agora por causa desse comportamento ainda mais agressivo dos motoristas (se é que isso é possível), tenho desviado da Ipiranga no pedaço da ciclovia pra evitar esse mal estar. Quando a ciclovia estiver em toda Ipiranga, aí vai fuder geral pra quem usa a bicicleta para transporte.

  12. PinhaFixa disse:

    O Antonio falou e confirmou na ultima reunião da EPTC, que nesta nova ciclovia, a da Cidade Baixa, se poderá transitar a 30Km/h…..

    • Daniel disse:

      Essa ciclovia será bidirecional, portanto apenas a velocidade relativa entre duas biciletas seria de 60 km/h. Além disso há o contrafluxo com os carros. Será que só eu acho isso inviável e temerário?

  13. Miguel disse:

    Sorte que o governo federal, assim como a pefeitura de Porto Alegre, também tá dando aquela força esperta para um futuro melhor!
    http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/09/caixa-anuncia-reducao-de-juros-para-compra-de-carros.html

  14. Estive uma semana em Santiago de Chile, nada de comparações mas, meus caros, todo mundo anda de bici (cleta, como eles chamam) na maior paz, pela calçada, pela rua, por onde querem, no sentido da rua no contra sentido da rua, sem brigas; todo mundo respeitando todo mundo. É pedestre respeitado por ciclista e vice-versa, e motorista respeitado por ciclista e vice-versa, ninguém julga ninguém; ninguém se acha no direito de julgar ou punir ou até intimidar alguém, para isto tem a lei e as autoridades e a resposta que eles sempre dão.
    Em Porto Alegre é triste ver motorista de carro sendo agressivo com pedestre ou ciclista, se achando com algum direito de agir desta forma e a recíproca também é verdadeira.
    Temos um problema de educação e respeito, muito grave; estamos quase chegando numa sociedade sem princípios mínimos de respeito o que certamente nos levará ao caos.
    O dia sem carro, é a semana da bicicleta no Chile, e com a parceria de empresas como Shimano, caloi, etc. eles promovem centenas de eventos em todo o pais com premiações. Neste domingo próximo terá a bicicletada final desta semana festiva e se esperam alguns milhares de pessoas no evento no bairro de Vitacura. Nesta semana passada o Ministro dos Transportes de Chile encabeçou pessoalmente uma bicicletada junto com os ministros para ir ao trabalho sem carro. Alguns podem dizer que é um atitude demagógica mas eu acredito que seja uma atitude exemplar, a ser seguida por muitos candidatos e políticos, que se dizem apoiadores dos ciclistas e propõem avenidas expressas sem semáforos.
    Eu gostaria que fosse deflagrada uma campanha para recuperarmos a nossa educação, a simples educação que tínhamos alguns anos atrás; quando cumprimentávamos as pessoas, quando dávamos bom dia para as pessoas, antes de nos dirigir pedindo alguma coisa, a educação simples, esta sim que tínhamos que recuperar e que acho perdemos nos bancos dos colégios ou não sei onde. Tínhamos que analisar quais os fatores que nos levaram a acreditar que nossa urgência é mais urgente que a dos outros, que nos sabemos todo e que podemos todo sozinhos, quando na realidade nada podemos. Acredito que esteja na hora de pensar mais em educação básica, do lar mesmo e deixar de querer doutorados no exterior que só fazem esconder o real problema que nos afeta 🙂 Saúde a todos Martinez

  15. algumas coisas interessantes para ver de Chile e bicicletas:
    http://www.diadelabicicleta.cl
    http://www.parkeatucleta.cl
    http://www.pedaltrabajo.cl
    tinha esquecido, Saúde Martinez 🙂

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