Bicicletada Nacional contra as “ciclo-falsas”.

Está sendo organizada, através das redes sociais, mais uma Bicicletada Nacional, desta vez contra as “ciclo-falsas”, ciclovias mal-planejadas que mais dificultam do que facilitam a circulação do ciclista na cidade.

Imagem de divulgação do evento.

Clique aqui para acessar a página do evento.

Em Porto Alegre existem diversas “ciclo-falsas”. Como a ciclovia da Restinga, que na verdade é uma calçada, pois não há calçada no local e portanto a preferência é do pedestre, e além disto é usada como estacionamento. Existe também a ciclo-falsa da Avenida Icaraí que coloca o ciclista em risco de levar portadas dos carros estacionados e cujo término é mal-planejado e perigoso, recentemente um ciclista experiente foi atropelado neste local e sofreu lesões sérias, como uma clavícula quebrada.

A Bicicletada Nacional acontece em diversas cidades simultaneamente no dia 21 de setembro. Em Porto Alegre, provavelmente sairá do Largo Zumbi dos Palmares, às 19h.

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8 respostas para Bicicletada Nacional contra as “ciclo-falsas”.

  1. Felipe X disse:

    puuuuuuuuuuuutz queria ir mas no feriado…

  2. DIA 21 BICICLETADA E DIA 22 DIA MUNDIAL SEM CARRO
    vamos fazer uma limonada de toda esta maré positiva?
    abraços e saúde

  3. Daniel disse:

    Abaixo pequeno texto que escrevi sobre a política de mobilidade cicloviária da prefeitura.
    ***

    A guetização dos ciclistas de Porto Alegre

    Daniel Cunha

    As obras de engenharia e de arquitetura, mais do que estruturas e construções, sempre deixam as marcas de sua intenção em seu resultado final. O caso da estrutura cicloviária de Porto Alegre oferece um claro exemplo disso. Tomemos a ciclovia da avenida Ipiranga. Ela foi construída fora do leito da pista, sobre o talude que margeia o Arroio Dilúvio. Por isso, há obstáculos na pista, como postes de energia elétrica, que causam estrangulamentos na
    faixa de circulação. Ela está localizada embaixo de fios elétricos de alta tensão. Há cercas de ambos os lados da ciclovia, que a isolam e dificultam o acesso. Por fim, conforme prevê o projeto, será necessário trocar de lado na avenida cinco vezes ao longo do trajeto. Em termos de trânsito de bicicletas, seria difícil imaginar algo pior do que isso. De fato, o que se aterializa neste projeto é a clara intenção, não de facilitar o tráfego de ciclistas, mas de afastá-los do leito da pista para que os automóveis possam trafegar sem precisar compartilhá-la. A bicicleta
    é claramente tratada como um problema, um incômodo a ser “gerenciado” e apartado. Em suma, um verdadeiro gueto para confinar os párias que ousam fugir à norma do transporte individual motorizado-poluidor.

    Analisemos agora as novas ciclovias cuja concepção inicial de projeto foi apresentada recentemente em reunião com a comunidade na Cidade Baixa. Na Loureiro da Silva, propõe-se construí-la junto ao canteiro central, justamente o local de pior acesso, que isola os ciclistas. Na José do Patrocínio, propõe-se uma ciclovia bidirecional, o que aumenta muito o risco de acidentes, além de provavelmente restringir o espaço potencial para bicicleta. Na Érico Veríssimo, a proposta é fazer a ciclovia sobre o canteiro central, embretada em meio às árvores. Mais uma vez, a bicicleta é tratada como um problema a ser gerenciado, os ciclistas são espremidos e jogados sobre terrenos improváveis, para que os veículos motorizados possam se deslocar sem ser importunados em seu sagrado deslocamento. As soluções óbvias – ciclovia na margem da pista na Loureiro da Silva, duas ciclovas unidirecionais na José do Patrocínio e na Lima e Silva e ciclofaixa no leito da pista na Érico Veríssimo – não são cogitadas.

    Conforme o arquiteto que apresentou as propostas da prefeitura, é preciso haver “tolerância” para com o trânsito de bicicletas. Trata-se de discurso que apenas confirma o processo de guetização dos ciclistas. Ou alguém imagina que o movimento feminista reivindica que as mulheres sejam “toleradas” pelos homens? Ou que os movimentos antirracistas demandem que os negros sejam “tolerados” pelos brancos? “Tolerância” pressupõe a reprovação. De fato, as ciclovias construídas e projetadas pela prefeitura são monumentos à “tolerância”: toleramos os ciclitas, desde que estejam fora do nosso caminho, apartados do espaço onde circulamos, espremidos em guetos. Elas são o registro físico, na forma de obras de engenharia, da opção política incondicional da prefeitura de Porto Alegre: a prioridade
    absoluta e intocável da circulação de automóveis – a mais insustentável forma de transporte urbano – sobre as demais formas de locomoção. Enquanto esta política não for modificada, não haverá uma única ciclovia decente nesta cidade.

    O que os ciclistas de Porto Alegre querem não é “tolerância”. Não queremos ser “tolerados” pelo prefeito, pelo presidente da EPTC ou pelos motoristas. Não queremos pedalar em guetos que eles chamam de “ciclovias”. O que queremos é respeito e dignidade.

  4. heltonbiker disse:

    Sinônimos: ciclo-coisa, ciclo-farsa, circo-faixa

  5. pedalante disse:

    Reblogged this on Pedalante.

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