Resistência ao Carrocentrismo!

O carrocentrismo avança em passos largos na cidade de Porto Alegre. Só no dia de hoje, foi anunciado o início de duas obras que colocam o fluxo de automóveis particulares  acima da qualidade de vida e do espaço público: a desnecessária duplicação da Rua Andrade Neves, em pleno centro histórico de Porto Alegre, e o absurdo viaduto Pinheiro Borda, pasmem, na orla do Guaíba, para facilitar o fluxo em uma avenida onde não passa uma linha de ônibus sequer.

Felizmente existe resistência. Há um chamado para um piquenique/protesto no próximo domingo, dia 02/09, no cruzamento das avenidas Beira-Rio, Padre Cacique e Pinheiro Borda, onde será construído o viaduto. Participe! Leve comida e bebida para compartilhar, leve música, bola, malabares e cachorro! Leve cartazes e faixas que expressem as suas idéias.

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40 respostas para Resistência ao Carrocentrismo!

  1. Felipe X disse:

    Sério? Acho questionável a necessidade do viaduto mas acho que vocês só vão se queimar com isso. Faria muito mais sentido protestar pelas piadovias em construção ou a falta de calçadas na beira-rio.

  2. Daniel disse:

    Eu trabalho na Andrade Neves. É uma das poucas ruas do centro node a prioridade ainda é dos pedestres, com mais espaço para pedestres do que para automóveis. Mesmo assim, em alguns momentos se torna difícil andar pela calçada, pois o movimento é grande. Agora os “jênios” querem aumentar o espaço para os automóveis e espremer os pedestres, para estimular ainda mais o trânsito de aumóveis e causar ainda mais congestionamentos. Para planejarem a próxima duplicação. E dê-lhe financiamento de campanha política pelas construtoras, e rabaixamento de IPI dos automóveis. Essa lógica é uma bomba de destruição de cidades.

    • Felipe X disse:

      Pensei a mesma coisa quando anunciaram a obra: vão estragar a única calçada decente do centro.

      • Daniel disse:

        Estou impressionado com a velocidade desta obra. Colocaram um placa anunciando a obra – estranhamente, sem especificá-la – e uns dois dias depois já estão quebrando a calçada.

  3. João disse:

    Opa, olha só nosso amigo Felipe X, expandindo sua defesa à “maneira Capellari de pensar” além dos limites do Portal Sul21.

    • Felipe X disse:

      João, tenho certeza que te sentes melhor falando essa bobagem. Pois tenho ido de bicicleta para o trabalho e discordo de muita coisa. Mas ficar dividindo o mundo entre quem concorda comigo e os outros é no mínimo infantil. Mas fazes isso bastante lá eu suponho. Parei de ler as respostas por lá há tempo. TOdos pensam como tu.

    • Olavo Ludwig disse:

      João, o Felipe X melhorou uns 300%, tinha que ver o que ele falava antes de andar de bicicleta todo dia, lá no Porto imagem ele tá irreconhecível, mas dá tempo pro rapaz que ele tem muito potencial…eu acho!

      • Marcelo disse:

        Pior, eu tava em dúvida quanto a isso. “Ué, que eu me lembre eu discordava muito dele” e agora concordo em QUASE tudo.

        O que a bicicleta não faz com as pessoas.

      • Felipe X disse:

        Em minha defesa, eu sempre disse que a princípio concordava com as bicicletas mas discordava com a postura. Mas de qualquer maneira, a gente tá aí para mudar. Todos nós, certo? 😛

      • Felipe X disse:

        E minha mudança de postura não justifica esse comportamento “sei que tenho razão” do João. Pena que

      • Marcelo disse:

        Com certeza, Felipe. Eu também já mudei muito, antigamente eu andava de carro até mesmo para deslocamentos dentro do bairro e tinha uma visão parecida com a dos governantes de POA, de que progresso é alargamento de vias e construção de viadutos. De lá para cá foi um longo caminho. 🙂

      • Felipe X disse:

        Eu até não mudei tanto quanto acham, eu comprei meu apartamento antes do carro e andava só de ônibus… a bicicleta apareceu por que agora trabalho relativamente perto (uns 5-6km) e consigo ir para o trabalho por dentro do Marinha, ou seja, fugindo dos carros!

  4. Aldo M. disse:

    É exatamente por alguns brasileiros defenderem esse tipo de obra metida a besta que somos chamados pelos americanos, e com toda razão, de “rednecks” (caipiras).
    Imaginem o mico de mostrar aos supostos turistas, que virão nos visitar na copa, um viaduto à beira de um lago! Ou então uma autopista na Voluntários da Pátria no lugar de CEM prédios que precisaram ser demolidos junto com a história da nossa cidade.

    Outra obra metida a besta, a autopista da Edvaldo Pereira Paiva à beira do Guaíba, já está causando transtornos. Semana passa, um pedestre que praticava jogging junto ao meio-fio (o passeio público foi temporariamente destruído em função da obra) foi atropelado, em torno das 13h, com tal violência que ele atravessou o para-brisas e acabou dentro do carro. Será que a Prefeitura não se sensibiliza nem com os motoristas prejudicados no seu direito de ir e vir por conta dos congestionamento provocado por estes frequentes atropelamentos?

  5. Um viaduto naquele local não faz o mínimo sentido, pelo menos do ponto de vista de mobilidade urbana. Explico: grande parte do fluxo durante a manhã é no sentido bairro-centro. No final da tarde, aumenta o fluxo no sentido inverso.

    Ajustes no tempo do semáforo (por exemplo, durante a manhã deixando o semáforo mais tempo aberto para quem vem no sentido bairro-centro, e à tarde o contrário) resolveriam qualquer eventual problema em termos de mobilidade.

    Tudo isso sem contar que, com a avenida Tronco, haverá mais uma alternativa de ligação da Zona Sul, o que deve aliviar ainda mais o fluxo na Beira-Rio.

    Já que a “engenharia de tráfego” não consegue explicar a necessidade deste viaduto, o financeiro dos partidos talvez consiga: http://www.cartacapital.com.br/politica/construtoras-dominam-lista-de-doacoes-milionarias/

  6. Aldo M. disse:

    No mundo imaginário do nosso Prefeito Fortunati, não existem pedestres nem ciclistas. É o que se conclui, sem sombra de dúvida. a partir de suas declarações a respeito dessa obra.

    “O viaduto é chave para tirar todas as sinaleiras e cruzamentos na região, permitindo a rápida evacuação do trânsito”.

    Com a passagem concluída, os cinco conjuntos de semáforos e a rótula na Padre Cacique serão eliminados, impedindo o acesso de pedestres à margem do Guaíba. Na sua visão míope, pedestres e ciclistas simplesmente não existem e nem fazem parte do trânsito.

    “A mobilidade será plena tanto para ônibus quanto para carros. Os BRTs da Padre Cacique, ligados com os da avenida Tronco, facilitarão a mobilidade da população”.

    De novo, a falta de compreensão de conceitos simples como o de mobilidade. Aqui, nosso Prefeito só concebe a mobilidade das pessoas dentro de veículos motorizados. Alguém precisa lembrá-lo que as pessoas, em sua imensa maioria, ainda têm pernas (e algumas conseguem se locomover por suas próprias forças mesmo sem tê-las).

    O que esperar de um prefeito que faz declarações sem sentido como estas?

    http://www2.portoalegre.rs.gov.br/eptc/default.php?p_noticia=154559&VIADUTO+PINHEIRO+BORDA+FACILITARA+LIGACAO+DO+CENTRO+COM+ZONA+SUL

    • Felipe X disse:

      De maneira geral concordo contigo no raciocínio e acho que isso se aplica em alguns outros lugares, mais centrais. Mas ali o que menos tem é pedestre mesmo, e a ciclovia é logo mais além na orla… sei lá.

      • Aldo M. disse:

        Eu moro na Padre Cacique, Felipe. Em frente ao meu prédio, os automóveis já derrubaram três vezes os grandes postes de iluminação do canteiro central. A última foi há dois dias. Há uma semana, um carro destruiu todos os gradis do canteiro central junto à faixa de segurança. Já contei pessoalmente dois mortos nos últimos anos neste mesmo local. Há alguns meses, um pedestre foi atingido na calçada e teve traumatismo craniano (descrito pela EPTC como “ferimentos leves”. Esta é a realidade, Felipe, infelizmente.

      • Felipe X disse:

        Eu estranho pois passo ali todo dia (de bicicleta) e não vi nada disso, mas enfim…

        Só uma dúvida: Pe Cacique com canteiro central e gradis me remete ao trecho mais pro menino deus, razoavelmente diferente desse local onde vai ser o viaduto. Esotu enganado?

      • Aldo M. disse:

        Exatamente. Não disse que era o mesmo lugar, mas o objetivo da Prefeitura é aumentar o fluxo e retirar as paradas em toda a Padre Cacique. A única maneira de atravessá-la atualmente é apertando os botões do semáforo para pedestres que existe em frente à Trevo e aguardar nas duas etapas da travessia. No trecho onde querem fazer o viaduto, há menos circulação de pedestres, mas não se pode criar uma barreira intransponível com base nisto.
        Já que passas ali, aproveite e confira o gradil e o poste que sumiram nas colisões que mencionei.

      • Felipe X disse:

        Aquele cruzamento da Pe Cacique é de chorar mesmo. Além do que descreveste, quando vais atravessar em direção ao Marinha em dia de chuva tens que primeiro nadar pelo rio, para depois caminhar pelo atoleiro e ficar na parada de ônibus tomando “chuá” dos carros que passam. E pior ainda: até os ônibus dão banho nos pedestres. Logo eles que deviam nos transportar.

      • Aldo M. disse:

        Fique sabendo agora que uma vizinha do meu prédio foi atropelada no semáforo para pedestres e está hospitalizada já há uma semana.

        Dei-me conta agora que estes constantes “acidentes” parecem ter relação com o viaduto sobre a José de Alencar. Os carros aceleram neste trecho da Padre Cacique para embalar antes de subir o viaduto. Ou seja, mais um motivo para NÃO construir viadutos, e este é bastante sério. Acho uma boa ideia pesquisar os acidentes que acontecem no entorno dos viadutos. é possível que se descubra uma grande concentração deles nessas áreas

      • Felipe X disse:

        Pois é, ainda tenho uma posição muito em cima do muro sobre viadutos. Uma coisa que me chamou a atenção recentemente é que visitei Sydney (Austrália) e até onde lembro só vi viadutos/pontes lá por cima da água. E mesmo assim não eram tantas, afinal usam mais modos de transporte, inclusive Ferry.

      • Aldo M. disse:

        Eu me convenci da completa inutilidade e inconveniência dos viadutos, mesmo do ponto de vista do tráfego de automóveis, lendo este excelente artigo do Enrico Canali
        http://bikeisbeautiful.net/2012/06/28/para-que-nao-serve-um-viaduto/
        Dentro de uma cidade, os viadutos são um embuste porque não é possível aproveitar a sua única vantagem que é a de permitir fluxos transversais simultâneos dentro de uma malha urbana repleta de cruzamentos. Prova disto é que os cruzamentos com maior fluxo de automóveis em Porto Alegre não têm viadutos e, o que é muito revelador, a Prefeitura não pretende construir viadutos neles: Ipiranga x Silva Só, Ipiranga x Salvador França e Sertório x Dom Pedro II. Dá para explicar isto do ponto de visto técnico?

  7. Jeferson disse:

    Grande Felipe X. É isso aí.

  8. A cidade não é dos carros, a cidade é das pessoas.

    Quando a prioridade é o carro todo fica invertido e sai totalmente da lógica.

    Nas grandes cidades do mundo:

    NÃO SE CONTROEM VIADUTOS MAIS,
    NÃO SE CONSTROEM GRANDES PISTAS DE TRÂFEGO PARA CARROS,
    SE DIFICULTA A CIRCULAÇÃO DE CARROS.

    Por favor, pensem nisto, este é o roteiro.
    As cidades com estas obras morrem.
    Já mataram grandes áreas da cidade em que as pessoas não moram mais como, por exemplo, na área que agora querem construir mais uma obra deste porte, na Voluntários da Pátria.
    Não precisamos provar mais nada esta obra a beira do nosso lago é uma vergonha arquitetônica, é uma vergonha de planejamento e quando a cidade tiver um real Prefeito será destruída para a re-construção do Parque Marinha do Brasil.
    Não pode ser que só alguns estejamos vendo isto.
    Por favor, vejam a cidade de São Sebastian á beira do mar no Norte da Espanha o que fez, acabou totalmente com a Avenida Beira Mar e deixou ela unicamente para pessoas e bicicletas são mais de 20 kilômetros nos quais os carros foram afastados da área de convívio. Este é tão somente um exemplo. Vejam Barcelona, Gijon, Santander, etc. Em Porto(Portugal) por exemplo, foi mantida a avenida a beira do mar e do rio, mas foram incrementadas todas as obras de convívio, construindo um parque quase interminável neste lugar e onde apesar da proximidade dos morros, os parques foram alargados praticamente até a beira destes morros.
    Isto que querem fazer como Porto Alegre é como naquelas casas em que fazem questão de construir uma entrada de carros, que deixa eles ao lado das áreas de lazer da casa; que é uma vergonha arquitetônica já superada.
    Hoje com todas as minhas discordâncias pessoais e intelectuais com o Davi Coimbra li na ZH uma coluna dele em que acusa que a cidade nos foi roubada, justamente falando na sua visão da presença dos shoppings, só que ele ainda não viu que os shoppings só avançaram porque os carros e as suas obras horríveis invadiram a cidade.
    Os carros e seus usuários são a minoria na cidade, as pessoas são a maioria e bom pensar muito antes de seguir enfrente com estas obras. Nos cidadãos desta cidade não apoiamos estas obras e temos vergonha do que está sendo feito com a cidade.
    Saúde a todos, Martinez

    • Aldo M. disse:

      Existe, desde sempre, uma aliança “diabólica” entre a indústria do automóvel e a de shoppings ou hipermercados. Uma incentiva a outra. O excesso de carros nas ruas reduz a mobilidade a pé ou de bicicleta, levando as pessoas a fazer compras de carro. Isto, por sua vez, leva ao desparecimento do comércio de bairro, deixando os grandes centros de compra como única opção, aumentando mais ainda o fluxo de carros.
      Desconfio muito quando a construção de uma ciclovia como a da Ipiranga é entregue justamente nas mãos de empresários donos de shoppings e supermercados, pois a possibilidade de transitar de bicicleta leva as pessoas a fazerem suas compras próximo de suas casas.
      Os europeus sabem muito bem do efeito danoso dos supermercados em suas cidades. Dentro dos limites da cidade de Paris, por exemplo, não há supermercados.

      • Ricardo disse:

        Achei interessante esse ponto de vista.Existe algum livro sobre o assunto?

      • artur elias disse:

        Não diretamente sobre isso, mas o excelente livro “Trânsito – Por que Dirigimos Assim” de Tom Vanderbilt tem pelo menos um capítulo dedicado ao exame das tendências de planejamento urbano e seu impacto na qualidade de vida e de mobilidade. É um livro caro aqui no Brasil, mas vale cada centavo. Baseado em ampla e profunda pesquisa, inclui informações e dados recentes e trechos de entrevistas com os maiores especialistas das mais diversas áreas que se ocupam do trânsito de alguma maneira.

      • Enrico Canali disse:

        Tem um texto do Zygmunt Bauman que eu li mas não lembro o título, em que ele fala que todo o ambiente interno de um shopping center é justamente um simulacro do que seria uma rua peatonal ideal: folhagens, bancos, fachadas levando em consideração a “dimensão humana” e, obviamente, a ausência de carros…

  9. Os mais velhos nos lembramos do David Byrne, músico do Talking Heads, que escreveu Diários da bicicleta este livro pode ser achado nas livrarias da cidade e trata principalemente destes temas que discutimos no blog segue uma síntese do livro:

    Desde o início dos anos 80, David Byrne tem usado a bicicleta como principal forma de locomoção em Nova York, cidade onde vive. Quando viaja ou sai em turnê, ele sempre leva consigo uma bicicleta dobrável. A princípio, tal decisão foi tomada por mera conveniência. No entanto, quanto mais cidades visitava, mais o músico se tornava adepto desse meio de transporte e da sensação de liberdade que ele proporciona. Ao conhecer novos lugares (ou o próprio lugar onde vive) sobre duas rodas, Byrne percebeu ser possível ampliar a percepção dos ritmos e dinâmicas características de uma cidade, de sua geografia e de seus habitantes, e passou então a registrar em um diário suas observações e descobertas sobre as metrópoles por onde passava.

    David Byrne é mundialmente conhecido por seu trabalho como músico à frente do Talking Heads, banda cult dos anos 80, e por seus álbuns solo e em parceria com Brian Eno, como Everything that happens will happen today, um das colaborações mais recentes. Sob o selo independente Luaka Bop, Byrne foi o responsável por distribuir internacionalmente grandes nomes do que se convencionou chamar de world music (entre os artistas brasileiros, lançou trabalhos de Tom Zé, Yoñlu, +2 e Os Mutantes). Além da música, o artista também encabeça uma série de projetos nas artes plásticas, no teatro e no cinema, colaborando com nomes como Caetano Veloso, Marisa Monte, Thwyla Tharp, Robert Wilson, Jonathan Demme e Bernardo Bertolucci.
    Nascido em Dumbarton, na Escócia, em 1952, David Byrne frequentou a Rhode Island School of Design e o Maryland Institute College of Art. Atualmente, vive em Nova York.

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