Relato – Congresso do Detran/RS – José Antônio Martinez

Quinta fui assistir o Congresso Internacional de Trânsito organizado pelo Detran. Já na inauguração vi que estava num ambiente bem diferenciado e claramente voltado a resolver problemas claros e que dizem respeito a vida de todos nos. Desde o tema do Congresso “IDEIAS QUE SALVAM VIDAS” até os participantes todo estava voltado a melhorar este problemático trânsito que tanto nos afligem.

Aldo alguns dias atrás falava sob o norte do congresso dizendo que possivelmente seria mais voltado a problemas de punições e infrações mas posso dizer que não foi assim, logicamente sem deixar de lado este aspecto também importante do trânsito que é o controle e as punições.

Os principais focos sim foram os que mais matam, álcool, drogas e velocidade.

Duas experiências foram muito importantes e me ajudaram a derivar minhas idéias para campos muito mais esclarecedores, a da França e a da Austrália concretamente da área de Victoria no sul deste país.

A experiência da França foi apresentada pelo Joel Valmain – Conselheiro técnico e delegado interministerial para segurança viária do Ministério do Interior da França que demonstrou rapidamente como foi desenvolvido um processo de 40 anos em que começou com quase 40000 mortos por ano na Franca para chegar aos dias de hoje com algo em torno dos 4000 mortos em acidentes no ano de 2011.

A França assinará proximamente um acordo de colaboração com o Brasil promovido pelo governador Tarso Genro, para promulgação e aplicação da política rio-grandense de trânsito, que estará a nossa disposição para análise no Gabinete Digital do Governo do Estado.

Assim foi promovido em todos os poderes  na França um engajamento de todo o governo na questão da segurança viária, desde o Presidente a todo o Legislativo o Judiciário e toda a sociedade. Nada do que acontece no trânsito na França fica livre de investigação pela autoridade policial, pode ser desde uma simples batida até o mais grave acidente. Todos os Ministérios estão engajados, desde o Ministério de Saúde com seus bancos de dados, Ministério do Interior, Ministério da Justiça, Ministério de Obras, etc.

Assim na França existe o comitê interministerial de segurança  do trânsito (routier) presidido pelo primeiro ministro do país; em nível estadual ou municipal, tem um Coordenador e os representantes de cada secretaria, integrados.

Por que Saúde, podem se perguntar, para poder trabalhar de forma previdente, nos tratamentos de usuários de drogas e álcool, por exemplo ou até pessoas com problemas emocionais graves. Por exemplo, neste caso no Brasil se tivesse se agido previdente, muitas das mortes que acontecem no trânsito poderiam ter sido evitadas.

E no caso do ministério de Justiça e Interior os antecedentes ajudam a retirar as carteiras de motorista, de delinqüentes, considerando que as atitudes no trânsito muitas são advindas de um comportamento criminoso. Se por exemplo quando o atropelador de ciclistas (não quero propositalmente usar o nome, tenho nojo dele), na MC; atacou a namorada com um machado ou agrediu outras pessoas, tivesse sido retirada a carteira de motorista e tivesse sido feito uma análise, mais aprofundada da personalidade dele, nunca este atropelamento teria acontecido.

Dito pelo Delegado que fez a palestra: …”o que fizemos foi pensar menos em votos e mais em vidas” e isto foi repetido posteriormente pela Dra. Janet Dore da Transport Accident Comision TAC do Canadá com a mesma veemência.

Mais uma circunstância na França, assim como na Austrália, não adianta nada não querer fazer o bafômetro ele é aplicado na delegacia mediante amostra de sangue de qualquer forma e se transforma numa atuação criminal, a simples recusa. Concordo com eles este não é um assunto de liberdade e sim de prevenção de morte.

Uma constatação foi que na França os jovens de 18 a 24 são 9% da população, mas eram responsáveis por 21% dos acidentes fatais. E as motos representavam 2,5% do parque automotor, mas eram responsáveis por 25% dos acidentes fatais que em 2011 foram de 980.

Os eixos em que se estruturou a política francesa de trânsito foram:

– COMPORTAMENTO:

– FORMAÇÃO NA OBTENÇÃO DE CARTEIRAS;

– CONTROLE E SANSÃO AUTOMATIZADA, DE INFRAÇÕES;

– A VELOCIDADE É CONTROLADA NÃO TÃO SOMENTE SOB O VISUAL DO LIMITE MAS PRINCIPALMENTE  SOB O VISUAL DAS CIRCUNSTANCIAS, CHUVA, NEVE, GENTE NA PISTA, ETC;

– CAMPANHAS:

– ETILOMETROS ATÉ EM DISCOTECAS

-INFRAESTRUTURA

– CÓDIGO DE RUA ESTRUTURADO PARA PROTEGER OS MAIS VULNERÁVEIS.

– OBRAS DE INFRAESTRUTURA ANALISADAS E  REFORMULADAS NA PRESENÇA DE ACIDENTES REPETITIVOS,ETC;

– EQUIPAMENTOS VEICULARES

– PROMOÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE SEGURANÇA VEICULAR OBRIGATORIOS.

– EDUCAÇÃO PARA O TRÃNSITO AO LONGO DA VIDA:

– ESCOLAS PRIMARIAS

– COLEGIOS

– ESTAGIOS POSTERIORES

 – PARA CONDUTORES NOVOS E ANTIGOS.

 

Alguns dados aleatórios 1 de cada 3 acidentes mortais tem o álcool como componente.

O homem responde por 92% dos acidentes com mortes.

Teve depois algumas palestras referentes à Balada Segura e como estas operações em vários estados da federação tiveram resultados positivos.

O Deputado Henrique Fontana como Vice-Presidente da Frente parlamentar para o trânsito seguro, manifestou fortemente a dificuldade que está atravessando para colocar em votação a lei que proíbe a propaganda de bebidas alcoólicas, nos meios de comunicação; mas assumiu compromisso de não desistir e continuar lutando até conseguir que esta seja banida totalmente como foi a do cigarro.

Depois assisti  a apresentação da Dra. Janet Dore CEO da Transport Accident Comission de Victoria State da Austrália a tão famosa TAC que apresenta as propagandas mais realísticas e genuínas referentes a acidentes de trânsito na conferência “Conte a verdade, mostre a verdade”.

Ela falou muito do tripé escolhido por eles para sair de uma realidade imensa de acidentes e mortes no trânsito.

-enforcement (POLICIA) (30% do esforço)

-education (EDUCAÇÂO) (70% do esforço)

-emotion (CAMPANHAS PUBLICITÀRIAS EFETVAS)

O TAC em por objetivo atender a acidentalidade numa região do tamanho do Rio Grande do Sul na Austrália com mais ou menos a mesma quantidade de habitantes, 6.000.000 de habitantes.

Eles tem helicópteros, hospitais , emergências, hospitais de recuperação. São os que pagam os seguros e são os responsáveis pela recuperação ou não das pessoas com seqüelas de acidentes de trânsito.

Para eles um tetraplégico custa aproximadamente 1.000.000 de dólares ao ano, até o final da vida do paciente; então eles investem pesado para evitar os acidentes e trabalham muito a emoção das pessoas.

Cada uma das campanhas implementadas representaram uma queda muito grande no número de acidentes.

Por exemplo quando se falou que só “um pouco de velocidade” não matava eles implementaram a campanha que termina com uma jovem “um pouco morta”, eles são diretos porque como eles falam se trata de vidas e não de votos.

Peço para que assistam estes vídeos do TAC no youtube e vão encontrar coisas incríveis e pensem que cada um destes eventos foi tentando diminuir ou melhor dito diminuindo a acidentalidade.

Só para informação a velocidade na maior parte deste estado da Austrália é de 50 kilometros hora.

Falando de traffic calmig eles tem partido para a redução de velocidade demonstrando claramente nas campanhas a diferença de atropelar uma pessoa indo a 60 km/h com 65km/h, assim como as diferenças de bater nestas velocidades. Eles criaram a personagem “bloody idiot” que seria o idiota sangrento que é o responsável pelos acidentes por ter tomado álcool ou drogas.

Para mi pessoalmente como cidadão foi muito bom, este congresso do Detran/Rs, eu saí de lá convencido; que nada tem para ser feito em infra-estrutura de trânsito isoladamente, o trabalho tem que ser integrado (interministerial ou inter-secretarial) e sempre é uma questão multidisciplinar  onde médicos, psicólogos, engenheiros, especialistas e sociedade civil organizada trabalham juntos pelo bem da sociedade.

Resumo como a EPTC está errada no que faz ela trabalha no problema e não nas causas e nunca na prevenção. Será que isto tem futuro? Certamente não porque nunca os registros médicos dos cidadãos poderão ir dar na mão de funcionários de uma Empresa controladora do trânsito. Sinceramente, hoje  acredito que foi uma roubada terem tirado a Brigada ou Polícia do controle do trânsito.

Fico a disposição, abraços e saúde e dirijam suas vidas com cuidado.

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11 respostas para Relato – Congresso do Detran/RS – José Antônio Martinez

  1. Quero deixar mais algumas produções do TAC:

    só uma distração de 5 segundos, não foi um acidente


    só um pouquinho bêbado e ela só um pouquinho morta


    reconstrução de acidente só que no lugar de 65 km hora a 60 km hora


    você não precisa estar bêbado para ser um condutor alcoolizado, só mais um traguinho, seu sangrento idiota(bloody idiot.).


    se você bebe e depois dirige você e um “sangrento idiota” (bloody idiot.)


    se você bebe e depois dirige você é um sangrento idiota (bloody idiot) never drink and drive


    você e torcedor do seu filho faça o mesmo detrás do volante serie das últimas campanhas

  2. Pablo disse:

    Quando eu li “Congresso do Detran/RS” achei que seria uma encheção de linguiça, mas pelo relato fiquei positivamente surpreendido! A inclusão de questões emocionais é fundamental! Achei isso fantástico!
    Quantos acidentes acontecem porque as pessoas estão estressadas, com medo de assalto ou ainda mais grave com distúrbios emocionais que todos nós estamos sujeitos em algum momento da vida?
    Parabéns pelo relato! Parabéns pela aproximação do Vá de Bici com o Detran! Parabéns pelo Congresso!

  3. lobodopampa disse:

    Sem palavras. Grande contribuição. Em algum momento o poder público local vai se sentir obrigado a acertar o passo com o resto do mundo. É uma questão de tempo.

    p.s. Martinez, se quiseres is ouvir a 4ª Sinfonia de Mahler com a OSPA e um maravilhoso regente hoje, me liga.

  4. Aldo M. disse:

    Maravilhoso relato, Martinez!
    No site oficial do Congresso, ainda não publicaram o conteúdo apresentado.
    http://www.congressodetransito.rs.gov.br/publicacoes

    Eu diria que o ponto comum dessas boas políticas de trânsito de outros países é o foco nos CAUSADORES DOS ACIDENTES, ou seja, os motoristas.
    Por exemplo: Lá, o limite de velocidade nas área urbanas é de 50 km/h, sendo de 40 km/h para caminhões com reboque. Na França, em dias de chuva, é de 40 km/h inclusive para os automóveis .

    Na contra-mão do resto do mundo, está a perversa política de trânsito da Prefeitura de Porto Alegre (governo PMDB-PDT, para dar nomes aos bois). Aqui, a tônica é CULPAR AS PRÓPRIAS VÍTIMAS dos acidentes de trânsito. Alguns exemplos recentes do site da EPTC:

    Pedestres com fones de ouvido têm mais riscos de atropelamentos
    http://www2.portoalegre.rs.gov.br/eptc/default.php?p_noticia=153601&PEDESTRES+COM+FONES+DE+OUVIDO+TEM+MAIS+RISCOS+DE+ATROPELAMENTOS

    EPTC faz novas ações pelo uso do cinto de segurança em táxi
    http://www2.portoalegre.rs.gov.br/eptc/default.php?p_noticia=152838&EPTC+FAZ+NOVAS+ACOES+PELO+USO+DO+CINTO+DE+SEGURANCA+EM+TAXI

    EPTC instala semáforo para pedestres na Voluntários (comentário: A EPTC deveria antes limitar a velocidade máxima, que é de excessivos 60km/h em quase toda a avenida, de forma a compatibilizá-la ao grande fluxo de pedestres na região. Mas ela prefere instalar semáforos para pedestres EM VEZ DE reduzir a velocidade dos automóveis)
    http://www2.portoalegre.rs.gov.br/eptc/default.php?p_noticia=152872&EPTC+INSTALA+SEMAFORO+PARA+PEDESTRES+NA+VOLUNTARIOS

    Enquanto isso, na Austrália e em diversos outros países, está-se reduzindo ainda mais a velocidade nas áreas urbanas: de 50km/ para 30km/h, mesmo em vias arteriais, se houver grande circulação de pedestres. O curioso é que o problema dos pedestres desatentos é tratado, não com sua conscientização, mas com a redução de velocidade máxima dos carros e a responsabilização dos motoristas, que são obrigados a zelar sempre pela segurança dos entes mais vulneráveis.

    • lobodopampa disse:

      Recentemente, ZH publicou uma pesquisa que mostrava que apenas 25% dos mortos no trânsito são pessoas que estavam atrás do volante.

      Infelizmente o leitor comum passa os olhos por cima e não interpreta o que lê.

      O que esses números dizem é o seguinte:

      aqueles que causam (quase) 100% das mortes são os que menos morrem.

      Isso é um escândalo e precisa ser tratado como tal.

    • Pablo disse:

      A quantidade de atropelamentos nos corredores de ônibus é algo absurdamente alto! Isso não é divulgado, para não dizer escondido, pois corredores de ônibus e ônibus propriamente dito são minas de ouro em PoA.
      Metrô ou Aeromóvel tem índice de atropelamentos praticamente nulo, no entanto a prefeitura vai investir nos estúpidos BRT, que é um corredor de ônibus.
      Em todo lugar, onde tem bondes, ou VLT, quando esse para no eixo da pista, os carros dos dois lados param, para permitir o embarque e desembarque, logo não há atropelamentos.
      Mas em PoA, onde o carro tem prioridade, não deve jamais parar.

  5. Estive tb no Congresso e concordo com tuas pontuações… Penso que é mais importante nesse momento o incentivo à intervenções interdisciplinares. Os exemplos da França, Autrália, Espanha e, agora mais recentemente Argentina, mostram é preciso olhar o trânsito olísticamente.

  6. Esse é o termo correto holísticamente em todos os aspectos, vejam o esclarecimento do Pablo que é verídico se estou sendo submetido a um tratamento médico em que estou tomando medicamentos que diminuem ou aumentam ou até de alguma alteram o meu comportamento o certo é que seja suspenso meu direito de dirigir temporariamente, nada que seja do ponto de vista econômico custoso, nada disto a simples suspensão do direito com comunicação as autoridades.

    Vi hoje um acidente, vejam como acontece. Chovia na Avenida Beira Rio e uma camioneta dessas de nome estranho tipo XINON ou algo parecido vinha detrás de mi no maior nervosismo para passar, eu como responde a um dia de chuva a uma velocidade não maior de 40 kilometros por hora. Um jovem dirigindo me ultrapassa nesta camioneta na altura do Beira Rio. Chego na frente do Praia de Belas e este carro tinha abalroado outra camioneta. Quando a pessoa não está bem é previsível que acontecerá alguma coisa e este jovem não estava bem, dava para perceber. Agora este acidente não será investigado porque não teve feridos, mas eu acredito que se fosse certamente o direito de dirigir deste motorista seria suspenso. Vejam que ele poderia estar até sessenta kilometros por hora mas era dia de chuva com trânsito pesado, não tinha como correr nestas circunstancias.

    A EPTC tem que para de querer dar uma por cima de que só faz estatística de acidente e não investiga nada nem a polícia quando e só ferros e não existem feridos. Só o simples fato de existir uma investigação policial já coibiria muito as correrias assim como os motoristas que se sentem acima da lei.

    Eu acredito hoje muito na intenção do Detran/RS e no governo do Estado, fora politicagem, porque não tenho procuração de nenhum político, nem sequer sou ativista ou filiado dos mesmos partidos políticos deles; mas vejo pela atitude clara deles, que estão trabalhando como realmente tem que ser feito, sem estardalhaço, e buscando soluções diferentes para problemas antigos. Hoje o fato do Detran/Rs ter pedido que seja proibido o trânsito de motos, entre os carros, usando um corredor imaginário que é o maior vitimador de motoqueiros é uma demonstração de querer salvar as vidas, sem se preocupar com os votos.

    A Diretora do Departamento de trânsito de São Paulo falou claramente, apenas 24% dos motoqueiros que transitam pelas ruas de São Paulo são entregadores e se tinha a convicção que estes eram maioria e corriam por estar com necessidade premente de fazer entregas, este chavão foi desmascarado.

    A Administração da EPTC meu caro amigo Aldo já era, eles estão trabalhando no passado, com paradigmas que não mais são válidos; lamentavelmente esta troca, volto a repetir, de policia por uma empresa “especializada” não foi boa e não trouxe resultados incentivadores. As palavras do Capellari naquela reunião em que estive presente e que tenho a gravação e que diz: “se tirarmos uma via de trânsito dos carros, para os ciclistas, o Prefeito não se reelege” diz todo, nem precisamos mais pensar de outra forma da atual administração da EPTC.

    Saúde a todos e dirijam pela vida com cuidado.

  7. André gomide disse:

    obrigado pelo relato dos colegas que estiveram presentes.

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