Ciclovia na orla? :-)

Encontrava-me a caminho para um ensaio, hoje pela manhã, com a Bici-Caixa abarrotada de coisas (como é bom poder simplesmente jogar tudo lá dentro, sem precisar calcular o que cabe e o que não cabe, nem passar preciosos minutos ajeitando tudo em alforjes), meio atrasado como de (mau) hábito, quando ao passar pelas obras da duplicação da Av. Edvaldo Pereira Paiva, vislumbrei uma língua de asfalto preto novinho esticada lá do outro lado, à esquerda no sentido bairro-centro, onde até ontem só tinha terra e uma bagunça enorme.

Mudei imediatamente de lado e fui conferir isso que parece ser o primeiro trechinho da ciclovia da Orla, sobre a qual tanto falei (geralmente sozinho).

“De onde menos se espera –

daí mesmo é que não vem nada”

Volta e meia as sábias palavras do Barão de Itararé surpreendentemente NÃO se confirmam hehehe.

Na volta, com mais calma e tempo, fiz umas fotinhos muito vagabundas (de celular, e dos modestos).

Essa imagem mostra bem que se trata ainda de um canteiro de obras, a via não está oficialmente liberada para uso, obviamente. Trecho próximo ao acapamento com-terra conhecido como Parque Gigante, que uns posseiros pegaram anos atrás e não devolveram mais.

Hmmm. Bem lisinho.

Não medi, mas a largura permite tráfego bidirecional, como se vê.

Ah! Já terminou?

Regiões de orla e outros logradouros livres de cruzamentos são predestinadas para receber ciclovias. Ciclovias estas que não precisam nenhum gênio holandês para projetar, porque são fáceis!

Difícil é projetar ciclovias em áreas densas, e mais difícil ainda juntar vontade política para conseguir tomar as decisões difíceis, quando o projeto assim o exigir – o que deve acontecer, se o projeto for realmente bom.

Parece que pelo menos este trecho da futura ciclovia da Orla vai acontecer – está acontecendo! Parece que os responsáveis pela maldita duplicação que rasgou o Marinha ao meio tiveram ao menos a inteligência de aproveitar as máquinas e a bagunça que a obra causa, e já fazer a pavimentação da ciclovia.

Por favor alguém me diga que aquilo não vai ser o novo kartódromo, cancha reta para skate a motor, ou algo assim.

Ou melhor, não me digam nada. Hoje quero sonhar com uma grande ciclovia percorrendo toda a orla portoalegrense até Itapuã!

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Sobre lobodopampa

Falar de si mesmo é contraproducente. Ah: lobodopampa e artur elias são a mesma pessoa (eu acho).
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15 respostas para Ciclovia na orla? :-)

  1. virtu disse:

    “Ou melhor, não me digam nada. Hoje quero sonhar com uma grande ciclovia percorrendo toda a orla portoalegrense até Itapuã!”

    Eu sonharia um pouco mais ou beeeeeem mais, ciclovia começando lá em Novo Hamburgo, vindo próximo do trensurb, no finalzinho de Canoas, já viria costeando o Guaíba, passando por dentro do caes do porto, emendaria no gasômetro eu por sua vez seguiria até Itapuã.

    Dai sim… =)

    • Miguel disse:

      Pra a ciclovia ir até Itapoã Porto Alegre teria que ser uma cidade com as demais cidades do mundo, onde é proibido contruir junto a orla, e o espaço é amplamente aproveitado pelas pessoas e para ciclovias, por não existirem automóveis nem cruzamentos. Mas para isso acontecer em Porto Alegre teriam que incomodar algumas poucas pessoas que construiram ilegalmente junto a orla e tem sua praia particular, em detrimento da melhoria da qualidade de vida da cidade inteira! E isso é inpensável em Porto Alegre.

    • lobodopampa disse:

      Por isso mesmo mencionei os posseiros do clube de vermelho. E logo ali adiante, na Diário, em frente ao Barra, tem os posseiros do clube de azul, que se instalaram com uma escolinha de futebol. E a partir da Assunção, Tristeza, Vila Conceição, Ipanema, Ponta Grossa, etc, é um verdadeiro festival de pequenos posseiros que privatizaram a orla. Mas o mundo é redondo. Um dia essa gente toda vai sofrer as conseqüências de ter se apossado daquilo que é de TODOS.

      • Olavo Ludwig disse:

        Tu tá super otimista hoje Artur!!!! E para não estragar, deixa eu sonhar junto, eu imagino faz tempo e já falei para alguns amigos, um caminho verde tipo o caminho que tem no Parque Marinha, chão batido e árvores fazendo um túnel verde, do centro de Porto Alegre até Itapuã, o cara olhando para um lado e vendo o Guaíba, olhando para o outro e vendo um parque enorme, depois construções e só atrás delas ruas, bem o que o Penalosa falou. Espaço para caminhar, ciclovias de asfalto para treinos, ciclovia de asfalto para passeio e essa de chão batido, tudo dentro do túnel verde. E acrescentando agora o prolongamento dela até NH como sugeriu o Virtu. Imagina pedalar tudo isso, sem escutar um barulhinho de motor.

    • lobodopampa disse:

      🙂

    • Aldo M. disse:

      Ciclovia junto ao Trensurb? Ouvimos surpresos na palestra da Arq. Fiona, no 1ºFMB, que existe, ou pelo menos existiu, uma. Seria bem junto ao muro do Trensurb no lado da Guilherme Schel. Parece que é muito estreita e colada no muro, além de estar degradada. Mas o importante é que aquele espaço é das bicicletas, então teria que ser retomado com a construção de uma ciclovia decente e de bicicletários com segurança em todas as estações. Apesar de não ter ciclovia utilizável, a Guilherme Schel já é bastante utilizada por ciclistas que se deslocam diariamente por ela.

      • heltonbiker disse:

        Aliás, a Guilherme Shell é o ÚNICO caminho que sobrou para vir de Canoas a Porto Alegre sem passar por Cachoeirinha ou andar na contramão… Pra mim, a BR-116 sentido Canoas-Poa é o exemplo mais emblemático de que o progresso é de fato capaz de tornar definitivamente intransitável às bicicletas um caminho que outrora foi transitável, dessa forma DIMINUINDO ainda mais a quantidade de lugares por onde se pode passar de bicicleta.

      • Aldo M. disse:

        A tal ciclovia é igual a um passeio público, pois fica elevada em relação ao resto da via. Tem 2 metros de largura entre o muro do Trensurb e o meio-fio; Há inúmeros postes e placas sobre ela; e seu asfalto está em péssimo estado. Certamente precisa ser remodelada para ser utilizável. Mas o conceito de uma ciclovia naquele lugar é bem interessante, pois não há cruzamentos. A solução é alargá-la de alguma forma. Basta transformar o estacionamento no outro lado da via em uma faixa de trânsito que pode-se manter até as quatro faixas de rolamento para os automotores (e ainda livre das bicicletas que hoje transitam por ali). Tá caindo de maduro. E tornou-se urgente após a a supressão do acostamento na 116 referida pelo Helton.
        A qual governo caberia esta responsabilidade? Alguém sabe?

  2. Lucas disse:

    Opa, vou sonhar junto com vocês então! uma ciclovia de NH-Itapuã com fim da privatização da Orla! Para ter uma idéia de como poderia ficar vale pensar em Montevidéo (mas eu consigo imaginar coisa muito melhor!).
    Será que não cabe uma Lei de Inciativa Popular Municipal para tirar os posseiros da Orla? Só precisamos de 1% do eleitorado da cidade, e da pra coletar as informações pela internet. Com as mídias sociais a idéia pode pegar a de uma hora pra outro aparecer tal demanda popular na ordem do dia na Câmara dos Deputados. Aí mais um pouquinho de pressão popular nos vereadores e quem sabe começa o despejo dos posseiros.
    Já que estamos sonhando vou imaginar bulldozers demolindo casas e campinhos de futebol pela orla do nosso maravilhoso Guaibão!

  3. lobodopampa disse:

    “(…) uma Lei de Inciativa Popular Municipal para tirar os posseiros da Orla? Só precisamos de 1% do eleitorado da cidade (…)”

    essa idéia é MUITO boa!

    não sei a viabilidade prática, temos que estudar o assunto e conversar com o pessoal do Voto Livre

    “vote em idéias, não em pessoas”

    • Enrico Canali disse:

      Excelente ideia!
      E em Porto Alegre, lembro que o pessoal do Voto Livre falou no FMB que, no caso de leis de iniciativa popular, esses projetos passam na frente de toda a pauta, e não se pode votar nada até que se vote essas leis.
      Eu sou parceiro.

  4. Rodrigo disse:

    Na minha opinião, se a situação do pessoal que está “vivendo” as margens do guaíba já é irregular, não seria caso de LEI (de iniciativa popular ou não). Acredito que a solução passaria por uma “ação popular”. Art. 1º Qualquer cidadão será parte legítima para pleitear a anulação ou a declaração de nulidade de atos lesivos ao patrimônio da União, do Distrito Federal, dos Estados, dos Municípios … (Lei 4717/65).

    • Lucas disse:

      Pois é Rodrigo, se a situação deles é irregular, é porque eles já estão infringindo alguma lei, talvez não seja o caso de uma lei de iniciativa popular mesmo. Precisamos procurar essa legilação que proíbe a ocupação das margens no nosso Guaibão e provocar o poder público para efetuar a remoção deles (ou pelo menos publicizar este debate). Se ninguém reclamar a coisa vai ficar como está. Com a Lei de Acesso à Informação se pode fazer esses questionamentos ao governo pela internet e ter resposta em até 30 dias, bem mais fácil que ir até o órgão e protocolar um pedido escrito. Algum advogado ocioso por aí?

  5. Lucas disse:

    achei um link interessante
    http://boxxbrasil.blogspot.com.br/2010/03/orla-do-guaiba.html

    melhor ainda o comentário do post acima:

    “Coitado dos tecnocratas a serviço dos especuladores imobiliários.
    Nada se fala aqui das Leis existentes que delimitam o uso da orla.
    Já em 1989 Milton Bourmeister (Secretário Municipal) indeferia pedido de índices na área do Estaleiro com o argumento de ser área de Preservação (Lei 4771/65), de lá para cá nada mudou, só o poder e o jogo de interesses.
    A Lei 4771/65 ainda esta válida e se aplica á áreas urbanas, se não fosse assim, no Congresso Nacional não existiriam mais de 200 emendas tentando tirar a aplicação da Lei nas áreas urbanas.
    Por outro lado o Código Ambiental do Estado do Rio Grande do Sul, quando trata de parcelamento de solo, proíbe o mesmo em áreas sujeitas às inundações, que é o caso do Estaleiro Só (a Lei Municipal prevê um dique para proteger a área), da Volta do Gasômetro e da área do Cais da Mauá perto da rodoviária onde querem construir edifícios de 100 m de altura dentro do Rio.
    Onde fica a proibição do Código Ambiental, que é uma Lei?
    Também o Código de Postura do Município de Porto Alegre prevê a proibição de aterro em margens de cursos de água. A margem do Rio Guaíba não é margem de um curso de água?

    Vamos respeitar as Leis ambientais é menos oneroso do que o desrespeito, pois a natureza se vinga.

    Temos muitas áreas para belos investimentos em gloriosos Edifícios, poupemos o Guaíba.”

    A primeira vista me parece que a Lei que estamos falando é a Lei 4771/65 – sobre as APP´s – Áreas de preservação permanente, que segundo o comentário acima “A Lei 4771/65 ainda esta válida e se aplica á áreas urbanas, se não fosse assim, no Congresso Nacional não existiriam mais de 200 emendas tentando tirar a aplicação da Lei nas áreas urbanas.”

  6. lobodopampa disse:

    Este debate é muito importante!

    Tem uma pessoa que conhece profundamente essa legislação, e tem militado nessa área nos últimos anos: o arquiteto Nestor Nadruz.

    Temos vários advogados ciclistas e que apóiam um urbanismo outro que este que está aí.

    Se preparem, porque essa é briga de cachorro grande.

    Entre outras coisas, vai mexer com a única coisa “sagrada” que existe no Brasil:

    o futebol.

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