60km/h é rápido demais!

Tem um vereador infeliz querendo aumentar o limite de velocidade para automóveis na área urbana de Porto Alegre de 60 para 70km/h. Mas 60km/h já é rápido demais para uma área urbana e o vídeo abaixo mostra o porque, a diferença de 60 para 40km/h pode salvar uma vida em caso de atropelamento.

Essa redução no limite máximo de velocidade teria um impacto insignificante no tempo de deslocamento dos automóveis, visto que a velocidade média da cidade já é abaixo dos 30km/h. O que o limite de 60km/h permite é que os motoristas andem em alta velocidade até o próximo semáforo ou congestionamento.

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6 respostas para 60km/h é rápido demais!

  1. heltonbiker disse:

    No livro “Trânsito: por quê dirigimos assim?”, de Tom Vanderbilt, ele explica um fenômeno muito interessante, relacionado ao que os engenheiros de tráfego chamam de “fricção”, ou seja, os micro-conflitos que acontecem quando dois veículos precisam negociar a ocupação de espaço na via. Idealmente, as vias contariam com um fluxo constante de veículos, em velocidade e densidade uniformes, com poucas paradas e poucas trocas de faixa. O que acontece é que carros não são fluidos (apesar de se expandirem como gases até ocupar todos os espaços), e quando a densidade aumenta muito, tanto a velocidade quanto o fluxo diminuem, causando um “colapso” gradativo até que, no caso extremo, todos tenham que ficar parados.
    Em especial, quando há muitas trocas de faixa, possivelmente devido à pressa de uns ser maior que a de outros, criam inúmeros pontos de fricção.

    Ou seja, a ilusão de que correndo mais, se chega mais rápido, é realmente ilusória. É um caso clássico de uma ação que é percebida como vantajosa pelo indivíduo, mas que acaba sendo prejudicial para o sistema do qual o indivíduo participa (e portanto para ele próprio).

    Agora, COMO fazer com que as pessoas todas abram mão de grandes velocidades ou acelerações, em troca de uma suposta maior fluidez e maior segurança sua e dos outros?
    Como conseguir dessas pessoas um comportamento “altruísta”, justamente quando imensos poderes econômicos e midiáticos bombardeiam dia e noite essas pessoas com uma idéia de fluidez, independência, velocidade e liberação de impulsos?

    Aparentemente, num primeiro momento, nada seria melhor do que uma engenharia de trânsito mais urbana e menos rodoviarista. Muito traffic calming nessa ora…

    • Enrico Canali disse:

      Esse teu raciocínio, bastante lúcido, me faz lembrar da teoria dos jogos e do dilema do prisioneiro (http://pt.wikipedia.org/wiki/Dilema_do_prisioneiro), onde em um sistema composto por indivíduos que buscam maximizar seu bem-estar, se cada um deles seguir buscando esse estado, todos saem perdendo. É necessário, então, que se abra mão de uma certa dose de conforto individual (no caso, de acelerar para chegar mais rápido ao destino) para que o bem-estar coletivo seja maior.

      E essa mediação de interesses é o papel dos governos, pelo menos em uma sociedade ideal, ao suprimir parcialmente vantagens e liberdades (no sentido mais econômico do que jurídico) individuais em benefício do bem-estar coletivo.

      O grande problema disso tudo é que aqui (e em boa parte do mundo, deixando o espírito de vira-lata um pouco de lado) os governos estão tão comprometidos com grupos de poucas pessoas com grandes poderes que acabam beneficiando-os e vendendo a imagem de que o benefício é para todos. Os recentes incentivos que foram concedidos para a indústria automobilística (redução de IPI e protecionismo) são anunciados como benéficos para a população, mas a médio e longo prazo só trarão incômodos para a sociedade, como estamos cansados de ver.

      Dessa forma, o que há de mais essencial e urgente é uma educação séria e que estimule o questionamento, até para deixar mais claro às pessoas de que abrir mão de um pretenso conforto individual em troca de mais bem-estar coletivo pode ser algo positivo. Mas falar em melhorar a educação me dá um desânimo tão grande…

    • Aldo M. disse:

      Helton,

      Acho que esses problemas relacionados com a excessiva troca de faixas, bem como procurar grandes acelerações e velocidades, a ponto de prejudicar seriamente o fluxo de todos os veículos, ocorrem principalmente em estradas, não tanto no ambiente urbano. Nas estradas, eu concordo que um comportamento menos egoísta favoreceria tremendamente o fluxo de todos os veículos. Isto minimizaria a ocorrência das “ondas de tráfego” que paralisam periodicamente os veículos sem uma causa aparente.

      Nas grandes cidades, o fluxo é limitado pelos semáforos. Quando há excesso de veículos, ou seja, as filas nos semáforos se estendem por mais de um quarteirão, ocorrem os congestionamentos (grid lock) por saturamento das vias. Pode-se apenas tentar evitar que a situação fique ainda pior, quando alguns motoristas deliberadamente trancam os cruzamentos.

      O que eu quero dizer é que, na cidade, tentar alcançar velocidades maiores praticamente não reduz os tempos de deslocamento, apenas se chega mais rápido ao próximo semáforo. Então, não é uma questão de conscientizar motoristas a terem comportamentos menos egoístas para que todos sejam beneficiados – isto daria bons resultados nas estradas, mas quase nenhum no ambiente urbano.

      Precisamos conscientizar os motoristas, governantes, empresários de transportes, que almejar velocidades maiores nas áreas urbanas é, sem tirar nem por, uma prova incontestável de estupidez. Não há ganho nenhum de tempo, nem às custas dos outros, como muitos imbecis imaginam.

      Então, não é necessário levar a cabo a dificílima tarefa de conseguir comportamentos mais altruístas das pessoas. O argumento central para reduzir a velocidade máxima nas áreas urbanas é simplesmente o de que não afeta os tempos individuais de deslocamento de forma perceptível. Este é o argumento que vem sendo utilizado para convencer cidadãos nos países mais desenvolvidos a implantar zonas de 30km/h mesmo em grandes avenidas. Mas o convencimento não é imediato, pois é necessário desfazer mitos e ilusões das pessoas com seus “potentes e velozes” automóveis.

  2. Aldo M. disse:

    Para mim, o mais urgente é fazer uma campanha para reduzir a velocidade máxima dos ônibus e caminhões. Na Europa, o limite nas cidades é de 50 km/h e para os caminhões com reboque é de 40 km/h. O sistema de ônibus rápidos que está sendo implantado em Porto Alegre precisa ter a velocidade limitada a 40 km/h, pois são articulados e até bi-articulados. O único motivo para os ônibus transitarem mais rápido é a estupidez de alguns políticos e empresários de ônibus, pois a redução nos tempos de viagem é desprezível.
    Em Paris, os veículos leves sobre trilhos transitam a apenas 25 km/h. Ainda assim, é um sistema bem competitivo com outros modais.

  3. Pablo disse:

    Em relação à segurança tem um vídeo interessante sobre o assunto:

    As informações nesse vídeo são verdadeiras, dá para calcular usando MRU e equação de Torricelli. Tem um professor de física da UFRGS que refez os cálculos.

  4. Aldo M. disse:

    Para quem quiser se aprofundar na questão da velocidade, achei um manual excelente.
    http://www.who.int/roadsafety/projects/manuals/speed_manual/en/index.html

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