Ciclofaixa da Icaraí deixa motoristas confusos

A estratégia da EPTC de começar a instalar ciclovias e ciclofaixas “que não vão incomodar os motoristas” não está dando certo. Está incomodando os motoristas e o pior está fazendo ciclovias e ciclofaixas que não dão prioridade à segurança do ciclista, criando a possibilidade delas darem errado e não serem utilizadas por quem usa a bicicleta.

Abaixo, matéria do Jornal do Comércio:

Ciclofaixa da Icaraí deixa motoristas confusos

A ciclofaixa da avenida Icaraí já está quase pronta, faltando apenas 20% da pintura e a instalações dos tachões de separação do espaço destinado às bicicletas e à área de trânsito de veículos. Como ela ainda não foi inaugurada, mas a pintura foi praticamente toda feita, os motoristas acabam se confundindo com o local para estacionar. Além disso, o espaço pintado posterior à ciclofaixa, que será destinado para estacionamento, é considerado por quem transita ali muito rente à via de trânsito. O local também não conta com sinalização própria que indique para que se destinam os espaços pintados.

De acordo com Ricardo Mendes, proprietário de uma banca de jornal na avenida, a falta de placas de indicação faz com que os motoristas estacionem tanto na ciclofaixa quanto no espaço do futuro estacionamento. “Alguns ciclistas passam aqui, mas não tem lugar para eles, pois os carros estão parados. Nesta semana, um veículo que estacionou fora da ciclofaixa, na pintura destinada para os automóveis, teve o espelho arrancado por outro carro que passou pela via. Ficou muito apertado”, relatou.

Assim, os motoristas optam por estacionar em cima da faixa destinada aos ciclistas porque têm medo de que algum ônibus passe pela via e bata na lateral do veículo. O grande fluxo da avenida também preocupa.

O motorista Waldir Godoy diz que a ideia de implantar a ciclofaixa é boa, mas quem utiliza o local para estacionar precisa de informação. “Acho importante respeitar quem utiliza a bicicleta como meio de transporte, mas eu estou bem inseguro em estacionar aqui”, afirmou.

A dúvida dos condutores deve acabar quando forem instalados os tachões de separação da ciclofaixa, que impedirão a colocação dos carros no local indevido. Outro problema relatado é que o espaço destinado aos ciclistas é muito pequeno, o que não permitiria a passagem de duas bicicletas ao mesmo tempo em sentidos opostos. Entretanto, de acordo com o projeto da prefeitura, o ciclista deve trafegar apenas na mão correta, usando no sentido Centro-bairro a pista contrária ou a ciclovia da  Diário de Notícias.

Segundo Vanderlei Cappellari, diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), para a implantação dos tachões só falta o fim da pintura e a adequação do asfalto de um trecho de 80 metros da Icaraí. “A ciclofaixa ainda não foi inaugurada, por isso a pintura ainda não é válida. Com a instalação da sinalização, que acontecerá em breve, os motoristas vão poder se orientar melhor”, explica. De acordo com o que foi divulgado pela prefeitura, o prazo para o término dos trabalhos na Icaraí é metade de maio.

A área destinada para as bicicletas tem 1,7km de extensão, entre as avenidas Chuí e Wenceslau Escobar. Sua largura é de 1,5 metro. Sobre o tamanho dos espaços destinados tanto para os ciclistas quanto para os carros, Cappellari afirma que eles realmente são limitados, mas que os condutores precisarão se reeducar e aprender a conviver com os ciclistas. “O trânsito será compartilhado, pois é uma ciclofaixa e não uma ciclovia. É o mesmo método utilizado em qualquer lugar do mundo”, afirma.

Anúncios
Esse post foi publicado em Sem categoria e marcado , . Guardar link permanente.

12 respostas para Ciclofaixa da Icaraí deixa motoristas confusos

  1. Olavo Ludwig disse:

    Os confusos estão precisando de uma reciclagem para manterem a habilitação.

    • taisascavone disse:

      A começar pelos motoristas de ônibus que são os que mais ameaçam a integridade de qualquer coisa naquela avenida em razão da velocidade que praticam.

      • Aldo M. disse:

        Em 2011, segundo dados da própria EPTC
        http://www2.portoalegre.rs.gov.br/eptc/default.php?p_secao=203
        houve 61 mortes por atropelamento, sendo 23 mortes por ônibus ou 38%.
        Ainda em 2011, foram 1530 feridos em atropelamentos, sendo 879 feridos apenas por ônibus, ou 57%.
        Então, o massacre do trânsito em Porto Alegre é em grande parte institucional, relacionado ao transporte público que é responsabilidade da EPTC fiscalizar, em especial no aspecto da segurança. Com que legitimidade ela ensaia algumas campanhas de segurança no trânsito se nem o dever de casa ela faz?

      • Felipe Koch disse:

        A situação dos ônibus tá séria mesmo, são os que mais dão finos sem nenhuma “necessidade” ou seja, com muitas faixas sobrando. Acorda EPTC!

      • Olavo Ludwig disse:

        Eu penso que uma das primeiras medidas de alguma das associações que estão surgindo, deveria ser formação de um grupo para educar os motoristas profissionais.

  2. Ricardo disse:

    Só para esclarecer que a ciclofaixa ainda não foi inaugurada e nem sinalizada.

  3. Melissa disse:

    “O trânsito será compartilhado, pois é uma ciclofaixa e não uma ciclovia”
    Receio que o diretor da EPTC não sabe que uma ciclofaixa é faixa exclusiva de bicicletas, e não um espaço compartilhado com outros modais.

    • lobodopampa disse:

      É uma grande confusão. Ciclofaixa não é compartilhada, a não ser que ele estivesse se referindo às entradas de garagem, paradas de ônibus e cruzamentos – mas nesses pontos a ciclofaixa “desaparece”, literalmente…

      Por outro lado, ciclofaixa propriamente dita não tem nenhum tipo de proteção. Isso aqui é um híbrido de ciclovia e ciclofaixa, ou se poderia ver assim:

      – é uma ciclofaixa com tachões que dificultam manobras necessárias como ultrapassagem, desvio de (inevitáveis) obstáculos como carros estacionados ilegalmente, e o mais importante, posicionamento correto segundo o 3º Princípio do Ciclismo Veicular (“Ao se aproximar de [antes de chegar a] uma interseção, posicione-se de acordo com o destino desejado – se você vai virar à direita, fique na direita, próximo ao meio-fio; se vai virar à esquerda, fique à esquerda, junto à linha central; e se vai seguir reto, entre as duas posições acima)

      – é uma ciclovia que não fornece suficiente segurança subjetiva por ter largura sub-standard e por ter proteção insuficiente (os mesmo tachões).

      Claro que essas “minúcias” não interessam ao Sr. Diretor da EPTC.

  4. JR disse:

    Tá faltando colocação de tachões para impedir estacionamento sobre a faixa da ciclovia.

  5. Aldo M. disse:

    A Prefeitua está se recusando a dialogar com a sociedade. O próprio diretor da EPTC uma vez afirmou que se fizerem um debate, (os cidadãos) irão encontrar tantos problemas nas ciclovias que “aí não sai nada”.

    De fato, A forma desta administração da Prefeitura fazer qualquer obra`(pelo menos às ligadas à mobilide urbana tem sido sempre a mesma:
    – Nunca divulga seu planejamento ou projetos, iniciando as obras de surpresa para evitar o debate com a população.
    – Ignora por completo as críticas; considera seus próprios pontos de vista verdades absolutas e avalia tudo o que faz como se fosse o melhor possível.
    – Trata os cidadãos como imbecis, afirmando que a ciclovia tem 1,5 metros de largura, o que pode ser desmentido por qualquer um que vá lá medir.

    Na última audiência no Ministério Público, eu denunciei que a Prefeitura não dispunha sequer de um Plano de Transportes e Mobilidade Integrado, como exige a lei. Fiquei surpreso quando o chefe de gabinete do diretor da EPTC declarou que haviam iniciado sua elabração em janeiro deste ano. Esta informação, se for verdade, é inédita, porque, como sempre, fazem tudo às escondidas e se recusam á prestar contas, até mesmo quando solicitados pelo proprio Ministério Público do Estado.

    Se Prefeitura quiser saber como se faz um Plano de Mobilidade, aí vai o link para um excelete guia, elaborado pela:

    European Platform on Mobility Management
    GUIA PARA A ELABORAÇÃO DE. PLANOS DE MOBILIDADE E. TRANSPORTES
    http://www.epomm.eu/docs/2075/Guia_para_a_elaboracao_de_PMT_Marco_2011.pdf

    Duvido que essa administração da Prefeitura tenha a intenção de fazer um plano de mobilidade integrado, pelo menos um sério, ainda mais em final de mandato. Mas o guia esta aí, e certamente muitos cidadãos irão lê-lo e ficarão capacitados a cobrar da Prefeitura.

  6. Aldo M. disse:

    Descobri como eles “dimensionaram” essa ciclofaixa: partindo dos espaços sagrados dos veículos automotores, totalmente preservados, e deixando a sobra junto à sarjeta para os ciclistas.
    A pista tem 3 faixas com generosos 3,5 metros de largura, que é o antigo padrão para autopistas urbanas, ainda na moda em Porto Alegre.
    As faixas foram então repintadas mantendo estas larguras. Uma delas foi reservada para estacionamento de automóveis, que tem folgados 2,1m de largura, padrão em Porto Alegre. Sobram então 1,4m, que é exatamente a distância do meio-fio à face externa do tachão (que passa a fazer a função de meio-fio para os carros estacionados).
    Para maquiar a traquinagem, consideraram como ciclofaixa: 105 cm de faixa pintada em vermelho (incluindo indevidamente 50 cm de margem do meio-fio e 45 cm a menos de 80cm dos automóveis estacionados), 10 cm de listra branca de margem, 25 cm de tachão e 10cm de linha branca sob os pneus dos automóveis). Somaram tudo isso e deu 1,5m, mas há apenas 20 cm úteis para evitar as portadas dos carros e o choque dos pedais com o meio-fio.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s