Sobre largura mínima para ciclofaixas e ciclovias

Essa tabela está na penúltima página do relatório final do Plano Cicloviário de Porto Alegre. [baixar]

Qual é a largura das ciclofaixas da Icaraí e Nilo Wulff mesmo…? Beira em 1,5 metros de largura total. Levando em conta que o tachão e mais duas faixas brancas (área não-ciclável) ocupam 45cm, isso significa que o ciclista fica com espaço de menos de um metro para se equilibrar (excluí 10cm da conta porque tem que haver uma distância entre o pneu e o cordão por motivos óbvios). Ou seja, a EPTC não faz juz à largura mínima ciclável de 1,20 metros e nem o afastamento total necessário (60cm) somando o dos automóveis e do cordão.

Pesquisando em textos acadêmicos, encontrei nessa monografia (páginas 33 e 34) de Engenharia Civil a seguinte ilustração que confirma a tabela acima:

E agora, será que a EPTC vai cair na real e fazer ciclofaixas de verdade ou inventar outras desculpas? Divulguem para que isso fique no conhecimento de todos.

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26 respostas para Sobre largura mínima para ciclofaixas e ciclovias

  1. airesbecker disse:

    Foi esclerecedora a palestra do Régulo, sobre o conceito de “Mínimo Possível” que cerca esta dimensão de ciclofaixa, nota-se que a Prefeitura optou pela surpresa, por isto está mais que correto este título ciclovia do estranhamento, as medidas não estão sendo divulgadas, mas o certo é que não vai ter nada mais do que já está lá e os tachões vão ficar para dentro da pintura das faixas limites para não atrapalhar os carros, restringindo mais ainda a já limitada medida disponível aos ciclistas.
    Eu sabia que tinha treta, a ciclovia da Icaraí está em desacordo com a recomendação do DNIT e é ilícita ao PDCI:
    “Assim, a largura recomendada de uma faixa de tráfego para ciclistas é de 1,50 m, medida da face do meio-fio à faixa pintada no seu limite.” Pagina 123 do Publicação IPR – 740, MANUAL DE PROJETO GEOMÉTRICO DE TRAVESSIAS URBANAS.
    Nota-se: “largura recomendada de uma faixa de tráfego”, largura esta a ser medida da face do meio sul à faixa pintada no seu limite!!
    E segue o manual do DNIT:
    “Entre uma ciclofaixa e a faixa para veículos motorizados adjacente deve ser pintada uma faixa branca contínua com 0,20 m de largura. Em alguns locais pode ser recomendado 0,30 m. Uma separação adicional de áreas de estacionamento deve ser feita com pintura branca contínua com 0,20 m.”
    É ilícita ao PDCI pois também não segue o Artigo 16 desta LC 626.
    Não dá para se enganar com esta Prefeitura, é uma sim e outra também.
    https://vadebici.wordpress.com/2012/04/09/6790/

    • airesbecker disse:

      Nota-se a má divulgação, totalmente errada da Prefeitura ao anunciar a ciclofaixa com a medida de 1,5m de largura que seria a recomendada, só que esta medida de 1,5m é a medida da ciclofaixa mais a sua borda de proteção ou entorno!

      Ora alguma faixa de rodagem por acaso é contabilizada em sua medida juntamente com sua proteção ou entorno?

      Ao se apresentar a medida de alguma faixa de rodagem se considera junto também dentro da largura desta faixa de rodagem a dimensão de seu guard rail ou acostamento?

      Foi uma deslavada mentira a apresentação desta ciclofaixa como se tivesse a medida de 1,5m.

      • Aldo M. disse:

        Faz anos que eles tentam aplicar esse “Conto da Ciclovia de um metro e meio de largura”. Acho que, de tanto repetir, eles mesmos passaram a acreditar, pois nem vermelhos ficam mais.

    • Melissa disse:

      Só que o DNIT tem a desculpa que “não se aplica em vias urbanas” (apesar de ser citado no concurso do guarda-corpo, como disse o Aldo). Agora, contradizer o próprio PDCI não tem desculpa nenhuma.

  2. Aldo M. disse:

    A questão é a seguinte: a prefeitura quer preservar duas faixas para veículos em cada sentido e o estacionamento no sentido bairro-centro da Av. Icaraí. Esta pista mais larga tem 10,5 metros. A largura padrão das faixas de trânsito dentro das cidades é de 3 metros e pode ser até mais estreita, 2,75m por exemplo, se for exclusivamente para automóveis. Em Porto Alegre, este critério já é utilizado em diversas avenidas para maximizar o número de faixas. Porém, em muitas outras há excessos de largura roubando o espaço que poderia estar sendo utilizado pelos ciclistas.

    Uma delas é a Icaraí. Duas faixas com largura padrão de 3 metros e uma de estacionamento com 2 metros de largura perfazem 8 metros. Sobram então 2,5 metros, que permitiriam fazer uma ciclofaixa decente, com espaço de segurança. Mas a Prefeitura só aceita subtrair 1,4m (medidos do meio-fio ao lado externo dos tachões) dos veículos automotores, e ainda assim onde não houver parada de ônibus. Por que essa avareza da Prefeitura com a largura das ciclofaixas? Por que ela insiste em manter as faixas tão largas para os automóveis?

    Uma das principais consequências das faixas extra-largas, como as do trecho da Goethe que cruza o Parcão que têm 3,5 metros cada uma, é o incentivo às altas velocidades dos automóveis. Uma faixa muito larga “convida” o motorista a pisar mais fundo: “Esta faixa é tão larga. Se eu andar a 80km/h, tudo bem”.

    Pode-se pensar que são avenidas projetadas na década de 70, para serem auto-estradas urbanas. Mas, quando refaz a pintura de demarcação das faixas, a Prefeitura de Porto Alegre tem mantido as sobrelarguras, reafirmando sua prioridade de trânsito para automóveis em alta velocidade.

    O curioso é que a EPTC, a empresa pública de transportes e circulação de Porto Alegre, é sustentada pelo dinheiro arrecadado das multas, especialmente as por excesso de velocidade. E, ao mesmo tempo, incentiva as altas velocidades através de sua Engenharia(?) de Tráfego, aumentando assim a arrecadação, mas também as mortes no trânsito.

  3. Aldo M. disse:

    Em Curitiba, fizeram uma ciclofaixa com as mesmas dimensões (a Prefeitura de PoA poderia copiar bons exemplos, mas preferiu esse).
    http://bicicletadacuritiba.org/2011/12/nova-ciclofaixa-da-marechal-tem-75cm/

    A única diferença é que em PoA foi pintado de vermelho até a borda do meio-fio. Só que a menos de 25cm do meio-fio, o pedal da bicicleta colide com ele, o que torna impossível usar esse espaço. Então pintá-lo, para mim, só pode ter a intenção de iludir os cidadãos, digo, os eleitores (é assim que nos veem em ano de eleição).

    Se não concordarem com meu cálculo, sugiro que alguém da atual administração vá lá de bicicleta e tente pedalar a menos de 25 cm do meio-fio. Mas o faça por sua conta e risco, porque não me responsabilizo pelas consequências, que podem ser inclusive fatais.

  4. airesbecker disse:

    Porque as leis são orientadas com princípios e objetivos?
    Para que sejam bem aplicadas e interpretadas.
    Os princípios também são partes das leis a serem seguidos.
    Portanto a atuação da prefeitura é ilícita ao PDCI só por priorizar o espaço dos automóveis em detrimento da bicicletas, independente de qualquer medida adotada que não represente qualidade e segurança ainda que subjetivamente.
    http://www.camarapoa.rs.gov.br/biblioteca/integrais/LC%20626.pdf

    • Aldo M. disse:

      E, mesmo que nem existisse o Plano Diretor Cicloviário, Porto Alegre tem um Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano, a Lei Complementar 434 de 1º de Dezembro de 1999. Há mais de DOZE ANOS ele estabelece em seu capítulo de Mobilidade Urbana que a estratégia de mobilidade urbana tem como objetivo qualificar o transporte e a circulação através de: PRIORIDADE AO TRANSPORTE PÚBLICO, AO PEDESTRE E À BICICLETA, já em seu primeiro item.
      http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/spm/usu_doc/lei_434_integra_revisado_2010.pdf
      Baseado neste princípio, no meu entendimento, a Prefeitura não poderia investir um centavo que fosse em infra-estrutura para tráfego de automóveis antes de atender plenamente aos modais de transporte coletivo, a pé e de bicicleta. E, se o faz, faz de forma ilícita, ao arrepio da lei.

    • Aires perfeito, os caras são de lascar, é uma vergonha em 2012 temos que lutar contra príncipes da ditadura, que se acham ao melhor exemplo do AI5 donos das leis e das interpretações delas. Que triste panorama. Saúde

      • Aldo M. disse:

        Pois é, Martinez, os descendentes da ditadura estão aí; É o preço que estamos pagando por ainda não termos julgados as atrocidades do “período de exceção”. As atitudes arrogantes e anti-democráticas ainda estão em voga.

  5. Gustavo disse:

    Me deu a impressão de que era menor ainda que essa da coritiba passando por ali…
    E ainda vai dar xabu lá no final da faixa… praticamente todo meio-fio é rebaixado pra entrada de garagem daqueles comércios ali.

    Como que é feito esse esquema de compartilhar o canto da pista com ônibus (digo, em cidades que não avacalham com td)? Porque me pareceu meio manco aquilo ali… Ou o ônibus fecha o ciclista pra largar o pedestre na calçada, ou ele para longe do meio-fio, o que pode acaba num atropelamento ai… de qualquer jeito o ciclista tem que parar e esperar sempre

    Quanto a faixas largas… espera terminar a Beira-Rio ali… vai virar pista de drag. Não sei qual a moral de construir uma highway numa zona de lazer com tanta gente e tão pouco carro (nunca vi aquela joça congestionada na minha vida, se somar com a Pe. Cacique já são 4/5 pistas pra cada lado). Alguém tem alguma imagem do “depois”? Como vai ser a ciclovia ali? E a calçada?

  6. lobodopampa disse:

    Alô Régulo!

    O povo quer saber:

    quais são as normas/recomendações que dão suporte ao padrão (especificamente, à largura) de ciclofaixa urbana que está sendo implantado atualmente em PoA?

    Pesso@l, deixem o Régulo falar tranquilo. Por favor, não respondam esta pergunta por ele.

  7. E o Régulo, tu achas que ele responderia a esta pergunta? Ele faz ciclofaixas para quem, mesmo?

  8. Pingback: Sobre largura mínima para ciclofaixas e ciclovias « Blog Porto Imagem

  9. Guará qual e a tua o nível da conversa baixou faz tempo com esta gente, abraco

  10. Bom comentando o comentário te direi que debate e quando varias pessoas defendem idéias ou posições diferentes, neste caso aqui si existe uma tentativa de protesto frente aos desmandos arrogantes da Prefeitura e da área técnica da EptcS.A. que faz todo o contrario do que esta sendo feito no mundo, fala David Byrne no seu livro “Diaros da bicicleta ” no seu primeiro capitulo …anos atras urbanistas sugeriram que enormes autopistas solucionariam os problemas de engarrafamentos nas cidades americanas. Nao foi assim. Muito pouco tempo após os engarrafemtos voltaram e cada dia chegando mais carros as soluções nao foram achadas, mas se construíram mais autopistas… ” todo este livro se dedica a mostrar como foi destruído o conceito de núcleos urbanos em todas as cidades americanas quer dizer que quando os técnicos declaram estamos construindo ciclo-faixas sem tirar um centímetro dos carros, este conceito de urbanismo e voltado aos carros. Por outro lado se queres seriedade me responde outra como faz o carona do carro para sair quando esta estacionado ao lado da ciclovia? Carona nao tem retrovisor e tu me falas de nível, qual ? que nao o estou vendo, lamento

    • Aldo M. disse:

      Como disse uma vez um escritor: A palavra “faca” corta?

    • lobodopampa disse:

      Eu concordo com quase tudo que tu dizes, minha principal discordância com o grupo de moderadores e comentaristas assíduos é simples:

      eu creio que um erro não justifica outro.

      E fico contente de ver que o Aires e a Melissa parecem pensar assim tbém.

      Pra mim não existe esse negócio de “o outro desrespeitou antes”. Isso é coisa de criança, me desculpem. Mesmo assim, eu falo para meus filhos pequenos – que têm todo o direito de se comportar desse jeito – “não quero saber quem começou a implicar, quero saber quem vai PARAR primeiro. Esse é o mais legal”.

      Cada vez que um de nós faz julgamentos pessoais, usa expressões agressivas, e palavrões endereçados pessoalmente (que é diferente de um palavrão-interjeição), nós ficamos um pouco menos fortes, perdemos um pqnho de razão, nos tornamos menos capazes de conseguir o apoio da sociedade em geral.

      Eu sei, o sentimento de indignação às vezes é difícil de manejar. Mas vale a pena. Bem direcionada, essa indignação pode gerar uma transformação. Em forma de palavrório ofensivo, ela desqualifica a discussão, nivela por baixo, e se torna uma arma a favor de tudo aquilo que nós não queremos.

  11. Aceito com humildade o teu ponto, saúde .

  12. airesbecker disse:

    quais são as normas/recomendações que dão suporte ao padrão (especificamente, à largura) de ciclofaixa urbana que está sendo implantado atualmente em PoA?

    O Régulo já deixou bem clara esta resposta na reportagem que ele fez bem orgulhoso para a Zero Hora:
    Ele disse a mesma coisa questionado pelos arquitetos na palestra do IAB.
    Disse que o critério era da própria EPTC.

    Ele (a EPTC) faz ciclovia com autonomia, ou seja fizeram pela própria veneta.
    E a ciclofaixa é experimental, ou seja não tem critério científico consolidado.

    Eles estão fazendo experiência como bem entendem com a segurança dos ciclistas.

    • Aldo M. disse:

      Se é experimental, deveriam nos deixar saber pelo menos O QUÊ estão experimentando. Será que nós os cobaias nem este direito temos? Sim, porque os que estão fazendo esta ciclo-coisa nem ciclistas são.
      Nesta situação, o mínimo que deveriam fazer seria colocar placas de advertência; “ATENÇÃO CICLOFAIXA EXPERIMENTAL. NÃO NOS RESPONSABILIZAMOS POR ACIDENTES – EPTC”

      • lobodopampa disse:

        Bem, arriscando-me no nebuloso terreno da adivinhação, eu iria que estão experimentando pra ver se descobrem qual o mínimo denominador comum entre

        – atender as demandas dos cidadãos ciclistas (que estão se tornando um incômodo político cada vez mais preocupante),

        – obedecer às leis, e

        – não se queimar demais com o grosso da classe A e B; que acha que bicicleta atrapalha porque é lenta e é coisa de xinelão, que ciclovia tbém atrapalha porque “tira espaço de rodagem e espaço de estacionamento”

        Sem esquecer que essa mesma classe A paga as campanhas eleitorais e vota neles.

        Esse mínimo denominador comum é isso que estamos vendo: arremedos de infraestrutura cicloviária.

        Se “capricharem” mais, vão acabar conseguindo se queimar com TODO MUNDO…

  13. marcelosgarbossa disse:

    Parabéns a todos pelo debate!

    Melissa, parabéns por trazer estes dados! Acrescentamos mais este importante dado (descumprimento da Lei) na nossa luta!

    Abraços!

    marcelo

  14. Gente tentando esclarecer perdemos o foco do que o Aires falou no começo deste post não existe nada que possa ser bom fora da Lei se esta ciclo-faixa está fora-da-lei não podemos compactuar com o seu autor apesar de acharmos que nos ajude em algo, dura-lex:
    Eu sabia que tinha treta, a ciclosargeta da Icaraí está em desacordo com a recomendação do DNIT e é ilícita ao PDCI:
    “Assim, a largura recomendada de uma faixa de tráfego para ciclistas é de 1,50 m, medida da face do meio-fio à faixa pintada no seu limite.” Pagina 123 do Publicação IPR – 740, MANUAL DE PROJETO GEOMÉTRICO DE TRAVESSIAS URBANAS.
    Nota-se: “largura recomendada de uma faixa de tráfego”, largura esta a ser medida da face do meio sul à faixa pintada no seu limite!!
    E segue o manual do DNIT:
    “Entre uma ciclofaixa e a faixa para veículos motorizados adjacente deve ser pintada uma faixa branca contínua com 0,20 m de largura. Em alguns locais pode ser recomendado 0,30 m. Uma separação adicional de áreas de estacionamento deve ser feita com pintura branca contínua com 0,20 m.”
    É ilícita ao PDCI pois também não segue o Artigo 16 desta LC 626.
    Não dá para se enganar com esta Prefeitura, é uma sim e outra também.”

    pensem nisto e não adianta ser amiguinho nem zen, não estamos aqui neste blog para isto, estamos aqui para lutar pela verdade e pelo cumprimento da lei, na realidade somos uma parte das redes sociais que monitoram os políticos. Saúde.

    • Aldo M. disse:

      A falta de manifestações da Prefeitura para justificar a solução adotada só pode ser entendida como falta de justificativa. O dimensionamento continua sendo feio pelo único critério que a atual administração da Prefeitura usa: NUNCA reduzir o espaço dos automóveis. Há um temor declarado por um dos secretários que 30 cm tirados dos carros seriam suficientes para o Fortunati perder a eleição.

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