ObservaPOA divulga mapa dos acidentes com ciclistas.

O Observatório da Cidade de Porto Alegre (ObservaPOA) divulgou o mapa dos acidentes envolvendo ciclistas. Na classificação por regiões, Centro, Norte e Restinga concentram a maior parte dos acidentes.
Já na classificação por bairros, é a Restinga e o Sarandi que ficaram com a pior classificação (26 e 30 acidentes, respectivamente).

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24 respostas para ObservaPOA divulga mapa dos acidentes com ciclistas.

  1. lobodopampa disse:

    Tem muitos bairros que se tivessem sua área multiplicada por 10 ou 20 ainda caberiam dentro da Restinga ou do Sarandi. Em termos de população não sei como ficaria a comparação. Mas em termos de tamanho, é mais fácil comparar a Restinga com um município pequeno do que com um outro bairro de PoA. De qualquer forma, está aí a prova que a prefeitura estava certa quando decidiu começar a implementação das ciclovias pela Restinga – lamentavelmente o fez do jeito que fez.

    Por outro lado, me parece que é nessas regiões que existe o maior tráfego de bicicletas-transporte (e não bicicletas-passeio). E por observação pessoal, no extremo Sul especificamente (incluindo Restinga), muitos desses ciclistas transportacionais fazem TUDO errado: pedalam na contramão, sem sinalização de nenhum tipo à noite, sem nenhuma noção de posicionamento nem de comunicação (gestos), e o que é pior, sem nenhuma auto-estima ciclística. Não é culpa deles – ninguém nunca se preocupou em instruí-los.

    Nos bairros de classe média alta, os ciclistas-passeadores fazem muitas dessas coisas erradas tbém, mas eles se expõe menos, porque pedalam em circunstâncias menos perigosas (horários e ruas), com mais “atitude”, muitas vezes em grupo, e mesmo os mais sem-noção neste grupo estão aos poucos aderindo à sinalização noturna.

  2. Jeferson disse:

    Mais dados para ciclistas argumentarem quando alguém usar um argumento bastante frequente no discurso anti-bicicleta em Porto Alegre: “O sujeito não pode sair da Restinga e ir até o Centro pra trabalhar! Bicicleta é coisa de quem mora e trabalha perto do centro bla bla bla”. Os mapas mostram que há pessoas se movendo de bicicleta em todos os lugares e que há intenso tráfego intrabairros. Isso posto, os números são alarmantes. É muito acidente. É claro que as pessoas precisam se responsabilizar pela própria vida, como colocou o colega acima, mas convenhamos: é preciso ir direto na fonte do desastre: EPTC.

    • lobodopampa disse:

      Essas pessoas que pedalam de maneira a se colocar em alto risco não o fazem por irresponsabilidade, e sim por ignorância. Muitos dos acidentes causados por esse tipo de ignorância são acidentes MESMO, e não fruto negligência/agressividade/incompetência dos motoristas.

      Uma rede cicloviária vai ajudar, mas não vai resolver porque essas pessoas vão continuar se colocando em risco em todas as OUTRAS vias não dotadas de infraestrutura cicloviária.

      O CTB estipula que deve haver educação para o trânsito. Eu não sei exatamente quem deve ser responsabilizado por não cumprir essa lei; suspeito que seja o Executivo nos três níveis, mas provavelmente mais no nível estadual e municipal, que admnistram a quase totalidade das escolas públicas.

      A EPTC nesse caso até faz um trabalho admirável, com o seu diminuto departamento de Educação. Um tapa-furo feito com muita boa-vontade, mas mesmo assim um tapa-furo porque é humanamente impossível eles conseguirem atender a toda a população em idade escolar (nem falo dos adultos). Na minha opinião, quem deveria assumir essa tarefa são as Secretarias de Educação.

  3. lobodopampa disse:

    A classificação por Regiões faz mais sentido. Aí a Restinga começa a parecer tão “normal” quanto os outros bairros (ela é classificada como bairro E como região).

    Alarmante os dados da região Central. Certamente tem a ver com a densidade demográfica e com a localização (óbvio), mas mesmo assim acho preocupante. Aqui uma malha cicloviária básica já faria bastante diferença, provavelmente.

  4. Jeferson disse:

    Desculpe, mas a EPTC faz um péssimo trabalho. O “diminuto” departamento de educação, como você disse, é diminuto. Isso é bom trabalho? Não estou criticando os três ou quatro azarados que caem lá. Estou criticando a organização da coisa, as opções criminosas da prefeitura. Ora, convenhamos, querer sempre botar panos quentes é o que deixa tudo no estado em que está.

    • lobodopampa disse:

      Não tem nada a ver com “panos quentes”, meu. Você tem idéia de quantas crianças em idade escolar existem em PoA? No RS? No País? Isso é coisa grande, é tarefa para o MEC, para Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, poderia até ter uma parceria com a EPTC no caso de POA, mas a EPTC obviamente não tem como fazer esse trabalho sozinha, nem eu acho que seja a obrigação dela, em princípio.

  5. Beto Flach disse:

    Não há investimento sério em educação para o trânsito (trânsito sério, de verdade, plural e diverso). Este é o problema. Algo que comece desde a infância. O Estado não se preocupa com educar as pessoas para que possam contar com as bicicletas como um veículo DE FATO! Por isso, muitos ciclousuários não tem a menor noção de segurança, visibilidade, sinalização, etc.. e os motoristas de automotores também não tem a menor noção. Não quero me estender porque me sinto, ao escrever isso, “pedalando no mesmo lugar”.
    Abraço.

  6. andre gomide disse:

    Colegas, vai a visão de quem utiliza por opção a 1 ano a bike do final da assis brasil até a farrapos diariamente.
    Na zona norte o pessoal que a utiliza tem visivelmente menos instrução(educação) e condições sociais.
    Não conhecem sinalização de trânsito. É comum encontrar pessoas trafegando na contra-mão na sertório, assis brasil, francisco silveira bitencourt( tráfego intenso de bikes no final da tarde ),Bernardino silveira Pastoriza (acesso a Alvorada-tráfego intenso de bikes no final da tarde tb).
    Nesta região a imensa maioria não possui iluminação das bikes, aliás a minha acaba chamando a atenção.
    Casualmente conversando com um fiscal da CONORTE dois dias atrás, na Bernardino Silveira Pastoriza, chegamos a conclusão que naquele local seria o ideal para instalação de um aparato viário na zona norte, pois nas vias de maior acesso, como a Ipiranga é mais fácil o deslocamento pelo trânsito.
    Eu particulamente fico mais a vontade no trânsito da sertório do que na região do sarandi.
    É uma região esquecida pelo poder público onde a bike tornou-se não uma “moda”, mas uma necessidade para aquele pessoal.
    Convido aos colegas, quando puderem pedalarem por lá, verifiquem, em loco, aquela realidade.
    Cheguei a contar pelo caminho cerca de 60 bikes no final da tarde.
    Aquela famosa verba desviada das multas caberia como uma luva para educação no trânsito aos ciclistas das regiões mais carentes.

    • lobodopampa disse:

      oi André, embora eu morando na Zona Sul, eu atravesso a cidade pedalando com certa freqüência e concordo com você: a Sertório é a rota mais viável, assim como a Farrapos (especialmente onde tem 3 pistas), e a Voluntários tbém é razoável, quanto mais longe do Centro melhor fica. E tem algumas daquelas ruas compridas de mão única que são bem cicláveis, nunca lembro qual é qual.

      Eu não gosto muito de tachar os ciclistas mais pobres economicamente de serem tbém mais sem-noção em termos de condução, porque canso de ver ciclistas visivelmente de classe média cometerem exatamente todos os mesmos absurdos que os “trabaiadores”. Mas é possível que você esteja certo, e certamente sua opinião não está viciada por preconceito social.

      Educar adultos é complicado, em primeiro lugar porque eles têm que QUERER. Aí vem todo o resto, a competência, a didádica, o carinho, etc. Vejo mais futuro num trabalho comunitário, voluntário, nesse caso, do que em uma iniciativa estatal.

      A iniciativa mais bacana que eu conheço nesse contexto é a do Klaus. Ele anda com adesivos refletivos para distribuir. Mas não é só isso, ele pára, pede licença, conversa, explica, e se o vivente deixar ele mesmo cola o adesivo no lugar mais eficiente.

      • airesbecker disse:

        Os ciclistas de classe mais baixa são menos respeitados não por serem ciclistas mas por serem pobres.

        Se for andar de bicicleta trata de ter roupas bem vistosas, um capacete bem bonito e várias luzinhas, não serve para ser visto mas sim para mostrar classe social e ser respeitado no trânsito.

      • airesbecker disse:

        É uma pena mas é preciso ter consciência que nossa sociedade sim é preconceituosa e elitista.

      • lobodopampa disse:

        Pois é. Eu vejo os passeadores de bicicleta de classe média (alguns com luzes, outros não) fazerem as mesmas picapalices que os trabaidores. Eu não sei se eles são mais respeitados ou não pelos motoristas, mas sei que eles são mais respeitados pelos seus
        iguais. Lembro muito bem quando eu e mais um maluco queríamos popularizar o defunto (porque será?) movimento Bicicletada. Na lista Bike RS apareceram vários comentários assumidamente elististas, assim, sem disfarçar mesmo. A maioria não queria que o movimento crescesse, se o “preço” disso fosse ter que “se misturar” com a plebe. Acredite quem quiser, quem não acreditar faça uma pesquisa nos arquivos da lista.

      • Aldo M. disse:

        Talvez o termo mais adequado seja segregacionista. Infelizmente, ainda tem muito disso aqui em Porto Alegre, mas ninguém admite, tanto que esta palavra raramente é empregada.

      • lobodopampa disse:

        Fato.

        Por isso eu venho dizendo no FB (onde todo mundo posa de justiceiro):

        desconfio dos que dizem não ter nenhum preconceito.

        Seria algo quase sobre-humano não ter realmente nenhum preconceito. Humano é tentar reconhecer preconceitos e outras idéias equivocadas dentro de nós, encarar isso, aprender a lidar com isso, tentar mudar.

      • lobodopampa disse:

        “Se for andar de bicicleta trata de ter roupas bem vistosas, um capacete bem bonito e várias luzinhas, não serve para ser visto mas sim para mostrar classe social e ser respeitado no trânsito.”

        Se o capacete for branco ou pelo menos bem claro, até ajuda (à noite). A maioria não é. A maioria das camisetas “de marca” tbém não são. Uma boa e simples camiseta ou camisa mesmo, BRANCA, faz muito mais pela segurança do que um uniforme de pseudo-atleta cheio de cores que de noite parecem quase todas escuras. Refletivos fazem muita diferença tbém, mas nos círculos desse pessoal “de atitude” não se fala nisso, pega quase tão mal quanto falar em paralamas…

      • Aldo M. disse:

        Mas aparentar ser classe A é uma boa ideia nesse meio preconceituoso em que vivemos. Com certeza irão nos respeitar mais – e daí se for pelos motivos errados?
        Eu, às vezes, dirijo um Fiestinha 97 pela cidade. É bem interessante. Os flanelinhas e limpadores de pára-brisa nem se aproximam. Os outros motoristas não tem o menor pudor em fazer gestos obcenos (principalmente mulheres!) se julgarem que estou atravancando seus caminhos. Mas quando dirijo um carro deste século, sou bem mais respeitado.

  7. lobodopampa disse:

    Meu filho e eu acabamos de nos tornar vítimas de um picapau-semnoção de classe média. O desgraçado se atravessou na frente da Bici-Caixa, vindo não sei de onde, não ia parar nem desviar de jeito nenhum, eu freei, desviei, não consegui controlar a bicicleta e caímos de lado. Meu filho ficou apavorado, começou a chorar, se fosse qualquer outro tipo de bicicleta o tombo teria sido muito maior para ele e provavelmente teria se machucado. Eu tive escoriações do lado externo do jelho esquerdo.

    O cara perguntou como eu estava, eu disse que estaria bem melhor se ele não tivesse se atravessado na nossa frente, aí olhei bem pra cara dele, uma expressão de estupor, estupidez, semnoçãozisse total, pedir desculpas nem passava pela cabeça do infeliz, aí falei pra ele “vai se chapar menos e dirigir melhor”, o resto (desgraçado f.d.p.) eu pensei mas consegui não dizer não sei como.

    A bicicleta dele não era de supermercado nem velha. Esse cara não é trabaiadô, tenho certeza.

    Cuidem-se com os picapaus sem noção. Especialmente os de classe média, porque além de fazerem tudo errado são arrogantes, e são um perigo para os ciclistas competentes.

    Detalhe: eu fiz um trajeto longo hoje, passei por várias ruas consideradas “impossíveis” por alguns, subidas fortes inclusive, peguei a saída do jogo do Grêmio. O único problema que tive foi com essa criatura não-motorizada. Definitivamente, a bicicleta NÃO É imaculada.

    • Aldo M. disse:

      Lamentável, Artur. Esse é um daqueles sociopatas muitíssimo comuns em nossas bandas, que pensam serem os únicos no mundo. Para eles, os outros são apenas parte da paisagem. Uma hora ele acabará se deparando com um de seus iguais, e aí vão ter o que merecem. Fazer o quê?

    • andre gomide disse:

      Valeu pela discussão…sadia e de alto nível.
      Gostei da ideia dos reflexivos para distribuição. Adoraria um dia contar com uma galera para orientar quem pedala naquela região… aliás lembrei hj que conheço uma lider comunitária de lá. Vou pensar em algo pro-ativo, já que esperar alguma coisa da EPTC , em relação a educação, é perda de tempo.
      Detalhe, já percebi que os motoristas da região que sitei, que é caminho para Alvorada, me respeitam mais do que aos outros ciclistas. Imagino ser pelo motivo de ter uma bike mais vistosa em relação às que trafegam por lá. Infelizmente é uma realidade, bicicletas “enferujadas” encorajam os motoristas a impor-se sobre elas, como se quisessem esfregar na cara deles o “status”. Quando adquiri a minha bike, lembro do rapaz da loja da caloi me orientando a andar sempre bem “vestido”( bike iluminada, roupa chamativa, etc), pois assim seria mais respeitado no trânsito. Era uma dura constatação dele, que trabalha no ramo. Sem ranço dele, apenas uma dura realidade.

  8. Aldo M. disse:

    Voltando ao título da matéria: “acidentes” envolvendo ciclistas é ótima. Até parece que não há automóveis “envolvidos” nos “acidentes”. Chega a me dar náuseas esses eufemismos grotescos. O que há são atropelamentos de ciclistas por máquinas de aço de mais de uma tonelada, choques, esmagamentos de corpos, seres humanos sendo mortos, incapacitados, feridos, isto é o que há! Envolver evoca uma participação na culpa como se os ciclistas fossem suicidas por andar nos caminhos que são “dos carros”. Por que se evita tanto o terno homicida para os motoristas que tem a infelicidade de ter um ciclista em suas sagradas trajetórias, que não podem ser desviadas, retardadas ou interrompidas em vão?
    É urgente rever esse vocabulário ideológico, carro-cêntrico, distorcido, que usam para manipular e evitar os assuntos que devem ser debatidos. É preciso expor e resolver essas contradições, não dissimulá-las.

  9. lobodopampa disse:

    “Por que se evita tanto o termo homicida para os motoristas…” [?]

    Acho que encontrei uma boa resposta para isso no excelente blog do David Moulton – um ex-construtor de quadros artesanais de alto nível que virou escritor.

    No artigo intitulado “Lidando com a Realidade da Injustiça”, ele cita esta infeliz declaração de um alto funcionário jurídico (um Assistant District Attorney, tipo um Promotor “Assistente” do Ministério Público) de NY:

    “Enquanto sociedade, nós escolhemos usar esses carros enormes. Também enquanto sociedade, nós ecolhemos não criminalizar todo e qualquer pequeno erro que tenha uma conseqüência dramática (…)
    (…) é importante se dar conta que a razão que [o “acidente”] não é considerado crime é que a sociedade decidiu que ela não quer que seja um crime”

    Palavras infelizes, inconscientes da sua real brutalidade talvez, mas não desconectadas da realidade.

    David Moulton elabora o tema:

    http://davesbikeblog.squarespace.com/blog/2012/4/10/dealing-with-the-reality-of-injustice.html

    • Aldo M. disse:

      Muito boa a análise do David Moulton! Respondeu à minha inqietação, então já posso dormir tranquilo. E já salvei seu blog nos meus favoritos para voltar a beber dessa fonte.
      Se aquele promotor de NY estiver certo, então basta os ciclistas se tornarem maioria e expressarem que os atropelamentos sejam considerados crimes. É questão, portanto, de atingir uma massa crítica. Epa! Esse negócio de massa crítica é uma ameaça para os motoristas! Se for, é mais um motivo para se tornarem ciclistas. Simples!

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