¿Por qué no?

Don Eduardo Galeano também se debruçou sobre o tema da mobilidade urbana, reafirmando a fundamental importância da bicicleta e a repetida negligência dos governos em enfrentar a “Carrocracia”. Algumas dessas reflexões estão reunidas em uma coletânea de textos verdes chamada Úselo y tírelo, ao que me consta sem tradução ao português. Compartilho com vocês alguns desses pequenos textos, no castelhano original e em traduções minhas. Boa leitura!

Foto: ojodital.com

Por que não? 

Eu vivo em uma cidade onde há um carro de uso privado para cada oito habitantes, o que ainda é poco se se compara, mas a quantidade de automóveis cresce perigosamente ano após ano e nosso índice de acidentes mortais é um dos mais altos do mundo. Os poucos montevideanos que usam a bicicleta como veículo “no caminho para o trabalho” arriscam se converter em mártires da ecologia.

Nós, uruguaios, gostamos de discursar sobre a qualidade de vida, mas Montevideo segue perdendo a oportunidade de colocar em prática uma belíssima experiência de transporte alternativo. A bicicleta seria um meio de transporte perfeitamente possível, como meio único ou complementar, para muitíssima gente.

Por que não se instalam, de uma vez por todas, as imprescindíveis ciclovias? Bastaria com colocar um bloco a cada metro, ao longo dos caminho livres. Lugar, tem. E onde não tem, pode-se inventar. Ou por acaso só se podem alargar as avenidas para reduzir o espaço humano em benefício do automóvel? (Quando a modo de consolo nos deixam, nas calçadas mínimas, umas arvorezinhas bonsai).

Montevideo tem ainda um tamanho bastante humano, com distâncias que não assustam o pedal; e embora não seja uma cidade plana, suas suaves lombas não obrigam a extenuantes subidas e descidas, com exceção de umas poucas ladeiras empinadas. E até o clima ajuda. Não sofremos os calores de Cantão nem os frios de Amsterdam, cidades onde nem os calores nem os frios impedem que a bicicleta seja o meio de transporte mais frequente.

***

¿Por qué no? 

Yo vivo en una ciudad donde hay un coche de uso privado cada ocho habitantes, lo que todavía es poco si se compara, pero la cantidad de automóviles crece peligrosamente año tras año y nuestro índice de accidentes mortales es uno de los más altos del mundo. Los pocos montevideanos que usan labicicleta como vehículo “en el camino hacia el trabajo” arriesgan convertirse en mártires de la ecología.

A los uruguayos nos gusta discursear sobre la calidad de vida, pero Montevideo se sigue perdiendo la oportunidad de poner en práctica una lindísima experiencia de transporte alternativo. La bicicleta sería un medio de transporte perfectamente posible, como medio único o complementario, para muchísima gente.

¿Por qué no se instalan, de una buena vez, los imprescindibles carriles? Bastaría con colocar un bloque cada metro, a lo largo de los senderos libres. Lugar, hay. Y donde no hay, se puede inventar. ¿O acaso sólo se pueden ensanchar las avenidas para reducir el espacio humano en beneficio del automóvil? (Cuando a modo de consuelo nos dejan, en las veredas mínimas, unos arbolitos bonsái).

Montevideo tiene todavía un tamaño bastante humano, con distancias que no asustan al pedal; y aunque no es una ciudad llana, su suave lomerío no obliga a extenuantes subibajas, con excepción de unos pocos repechos empinados. Y hasta el clima ayuda. No sufrimos los calores de Cantón ni los fríos de Ámsterdam, ciudades donde ni los calores ni los fríos impiden que la bicicleta sea el medio de transporte más frecuente.

(Pag. 167).

Anúncios
Esse post foi publicado em Sem categoria. Bookmark o link permanente.

Uma resposta para ¿Por qué no?

  1. Aldo M. disse:

    E olha que pedalar em Montevideo é bem menos assustador que em Porto Alegre. Hoje já existem algumas ciclovias (de lazer), especialmente nas “ramblas” onde Eduardo Galeano aparece na foto. Pena que nos trechos (das ramblas) em que não existem, o limite de velocidade da via compartilhada é de 75 km/h. Como atenuante, os motoristas são um pouco mais respeitosos que aqui, e há umas imagens diminutas de bicicletas para indicar aos ciclistas (mas que são invisíveis aos motoristas) onde devem pedalar – foram pintadas por cidadãos, com autorização da prefeitura de lá. Falando nisso, bem que poderíamos pedir autorização da Prefeitura para indicarmos algumas ciclo-rotas nas ruas de Porto Alegre. Não vão faltar voluntários dispostos nem tinta.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s