Ciclovias não bastam!

Carro capota, invade ciclovia e deixa cinco feridos no Rio de Janeiro perto das 8h30 da manhã desta sexta-feira. Não é a primeira vez e não será a última que carros invadem ciclovias no Brasil e deixam pessoas feridas.

Para mim esses são exemplos mais do que suficientes de que a segregação dos diferentes modais no trânsito não garante a segurança das pessoas. Pedestres por exemplo, trafegam há décadas em vias segregadas dos automóveis, têm preferência sobre eles de acordo com a lei, e mesmo assim quase metade das mortes em acidentes envolvendo automóveis são de pedestres.

Acredito que o que é preciso para termos um trânsito seguro no Brasil é:

  • Engenharia de trânsito que limite a velocidade dos automóveis, com mais curvas, desvios e pistas mais estreitas, que desencorajam as altas velocidades;
  • Uma verdadeira educação para o trânsito, com qualidade e carga horária adequadas e com exames mais rigorosos;
  • Mais rigor no exame psicotécnico e na suspensão das habilitações de motoristas imprudentes, dirigir um veículo motorizado deve ser encarado como uma responsabilidade e um privilégio que deve ser cedido apenas a pessoas responsáveis e cordiais, não é um direito fundamental;
  • Mais rigor na fiscalização com multas mais severas, proporcionais ao valor do veículo;
  • Restrição do número de automóveis particulares em áreas densamente povoadas;
  • Redução das velocidades máximas permitidas e rigor na sua aplicação.
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35 respostas para Ciclovias não bastam!

  1. lobodopampa disse:

    Na Dinamarca, há pouco tempo, um menino de 6 anos morreu atropelado por um caminhão. O menino estava na ciclovia e o caminhão estava fazendo uma conversão à direita. Este é o mais clássico exemplo de como ciclovia não é sinônimo de segurança. A maioria das colisões acontecem em cruzamentos. Em cruzamentos a ciclovia não apenas não protege, mas atrapalha, porque impede (legalmente falando) o ciclista de se posicionar corretamente (veicularmente) segundo sua intenção de destino.

    http://www.copenhagenize.com/2012/03/trucker-union-its-cyclists-fault.html

    (Nunca jamais pedale ao lado e próximo de um veículo grande. Ponto cego é real e extremamente perigoso. Ultrapasse ônibus e caminhões apenas quando eles estiverem claramente PARADOS. Carros puxando reboques são ainda mais perigosos porque o reboque é articulado e percorre trajetória diferente do carro)

    Está faltando na lista a educação para o ciclista. Esta é a medida mais barata e a que dá mais resultado mais rápido. Se for feita a sério. Por educação nesse caso entendo treinamento visando a compreensão dos procedimentos que realmente funcionam.

    • Marcelo disse:

      Por sinal, uma coisa que eu não coloquei, mas deveria ter colocado é que é preciso fazer uma legislação que proíba a fabricação e importação de carros que andem a velocidades acima das máximas permitidas pelo CTB.

      Acho que seria bem possível que se fizéssemos um abaixo-assinado pra isso recolhêssemos MUITAS assinaturas.

  2. Marcelo disse:

    Condução defensiva para ciclistas ajuda mas não ataca o problema, é apenas uma forma do ciclista, individualmente, tentar evitar ser atingido. É muito útil, sem dúvida, mas não coloquei na lista porque a intenção do post é atacar “o problema” e não suas conseqüências.

    • lobodopampa disse:

      Não acho que é só conseqüência.

      Existem convenções para circulação de veículos. Todos os veículos. Essas convenções se tornaram parcialmente leis, e são parecidas em toda a parte. Isso não é fruto do acaso. É o melhor que o ser humano conseguiu até agora para acomodar todo mundo. Aliás as primeiras convenções e leis foram criadas em função dos ciclistas, bem como as primeiras vias asfaltadas.

      Não é “direção defensiva”. É condução competente, num sentido amplo. Quem conduz de maneira competente não cria segurança e contentamento apenas para si, mas tbém para quem está em volta. Ciclistas incompentes são um problema e um saco pra todo mundo – inclusive para outros ciclistas, e muito especialmente para pedestres.

      Defender um uso não-competente, aleatório, “livre”, da bicicleta no trânsito urbano (ou rural, tanto faz) não deixa de ser uma perpetuação do estigma da bicicleta-brinquedo.

      • Marcelo disse:

        Bom, temos uma diferença de visão.

        Pra mim a bicicleta é um veículo E um brinquedo. E ela é importantíssima como ambos.

      • airesbecker disse:

        Sim o uso como laser é tão importante quanto o transporte.
        Agora o laser também pode ser responsável e veicular.
        São coisas diferentes uma é o por que usar outra é o como usar.

        Tanto o laser quanto o transporte ambos podem ser veiculares ou não.

        Há várias modalidades e cada uso é um uso.

  3. Enrico Canali disse:

    Concordo com cada palavra do texto. E concordo plenamente com a ideia de que veículos venham de fábrica com limitadores de velocidade. Se a velocidade máxima no Brasil, na estrada mais rápida, é de, digamos, 120 km/h, não há absolutamente nenhuma justificativa para que se permita a fabricação de um carro que ande a 130km/h.

  4. Enrico Canali disse:

    E se fizéssemos algo como o VotoLivre.org nesse sentido?

    • Marcelo disse:

      Tô criando uma petição no Avaaz:

      Precisamos acabar com a guerra no trânsito.

      Morrem anualmente no Brasil mais de 40.000 pessoas, vítimas da violência no trânsito. Grande parte dessas fatalidades são em decorrência de motoristas imprudentes conduzindo acima das velocidades máximas permitidas. Não faz sentido num país onde a velocidade máxima permitida nas rodovias é de 120km/h, aceitar o comércio de veículos que alcançam mais de 150, 200km/h.

      Os motoristas são incentivados a fazer o uso indevido do seu veículo particular, colocando a vida de todos em risco, pelos próprios anúncios comerciais destes veículos, que trazem carros supervelozes e motoristas se arriscando em manobras perigosas, exibindo a potencia do veículo.

      Vamos juntos pressionar o o governo brasileiro e o Congresso Nacional para que crie uma legislação que proíba a fabricação, importação e comércio de veículos automotores que atinjam velocidades acima das máximas permitidas no território brasileiro e que enquadrem a publicidade que divulga comportamentos irresponsáveis na lei de apologia ao crime.

      Assine e compartilhe!

      • Melissa disse:

        Seria ótimo, mas existem veículos fabricados que não atingem mais que 120km/h?

      • lobodopampa disse:

        Excelente iniciativa.

      • lobodopampa disse:

        Talvez ainda precise um polimento. Creio que existem outras maneiras de reduzir/controlar a velocidade.

      • Aldo M. disse:

        A scooter Lead da Honda, por exemplo, possui um limitador eletrônico de velocidade em 80km/h. Hoje em dia, é muito fácil e barato instalar limitadores nos veículos, mas acho difícil obrigar. Possivelmente irão alegar algum direito dos cidadãos de possuírem carros velozes.
        Uma ideia que me ocorreu seria obrigar os fabricantes a instalarem um indicador de velocidade nos automóveis que fosse visível para quem estivesse fora dele.
        Outra seria exigir uma carteira de motorista especial para cada classe de velocidade que o motorista pretendesse transitar, só permitindo velocidades maiores se não cometesse infrações de trânsito. E, se fosse apanhado em uma velocidade acima da sua classe, teria a carteira imediatamente cassada. Hoje, os automóveis possuem alarmes de velocidade. É muito fácil controlar o limite. Só corre quem quer.
        Eu, por exemplo, programei o alarme de velocidade do meu carro e do da minha esposa em 55 km/h. Assim ficou fácil evitar de exceder o limite de 60 km/h por descuido. Gostaria de andar a menos de 50km/h, mas hoje isto normalmente implicaria conviver com automóveis colados na traseira do meu o tempo todo.

  5. Marcelo disse:

    Melissa, todos os veículos fabricados ultrapassam 120km/h. A idéia é forçar os fabricantes a limitar essa velocidade.

  6. Aldo M. disse:

    Cheguei a conclusão que talvez o mais importante seja limitar severamente a velocidade dos veículos no perímetro urbano, principalmente dos veículos pesados.

    O limite absoluto de velocidade na área urbana deveria ser de 50 km/h, a exemplo de muitas cidades nos países desenvolvidos. E, sempre que necessário, deveria ser reduzida a 30km/h. Pode parecer um exagero, mas se observa que a redução para 30 km/h em avenidas principais praticamente não aumenta o tempo de deslocamento dos veículos nas grandes cidades. E o benefício é imenso, pelas drástica redução em número e gravidade dos acidentes. Especialistas afirmam que é a medidade com melhor custo-benefício a se promover no trânsito.

    Tenho observado, em Porto Alegre, que existem placas de 30km/h para os ônibus nas paradas em corredores, um local onde costumam ocorrer muitos atropelamentos graves. Fiz um teste para saber qual a velocidade que os ônibus transitam nas paradas, tentando acompanhar um deles com meu carro. Enquanto meu velocímetro marcava 46 km/h (ele é bem preciso) um ônibus me ultrapassava com bastante facilidade na parada próxima à Siva Só, na Protásio Alves (não vi nenhuma placa para os carros, então deduzo que seja permitido transitar a absurdos 60km/h, o que vale também para os ônibus fora das paradas).

    Penso em fazer um experimento para medir a velocidade média que os ônibus transitam nas paradas em corredores. Com uma máquina digital, pode-se fazer fotografias múltiplas a intervalos de 1/30s. Se se fizer algumas marcações com giz sobre a pista, espaçadas por uma distância conhecida, seria bem fácil calcular as velocidades. Creio que, até hoje, nunca houve uma preocupação da Prefeitura em coibir as altas velocidades dos ônibus no trechos das paradas.

  7. airesbecker disse:

    Ciclovias tiram espaço dos carros sejam em vias de rodagem ou em vagas de estacionamento e oferecem espaços mais relaxados para o ciclismo, mesmo que nos cruzamentos demandem mais atenção esta atenção não precisa ser permanente como no tráfego compartilhado.
    Portanto ainda sou favorável às ciclovias.
    Agora os carros esportivos devem sim ser restritos, assim como as carteira de habilitação deveriam ser bem mais limitadas, restrições de tráfego também são importantes.
    Agora todos estes elementos são conjuntos, assim que mais pessoas passam a pedalar por conta das ciclovias também mais pessoas se libertam da cultura dos carros e passam a apoiar medidas de segurança e limitação de trânsito, é uma circular acumulativa, que inclusive já está ocorrendo ainda que no início de sua aceleração.
    Cada esforço é válido neste acréscimo e vai refletir.

    • Aldo M. disse:

      Apenas relembrando que as ciclofaixas podem ser feitas rapidamente e com custos muito mais baixos. Nos Estados Unidos, essa abordagem permitiu implementar redes cicloviárias em diversas cidades em poucos anos. A implementação de colofaixas deve ser associada à redução da velocidade máxima dos automóveis, o que deixaria as ruas mais seguras também para os pedestres.
      Mas não vejo que as diferentes idéias expostas aqui seja excludentes ou conflitantes. Pelo contrário, elas se complementam e são todas necessárias. Qualquer uma das abordagens citadas, se aplicada, dará excelentes resultados, já que Porto Alegre está bastante atrasada em todos os aspectos relacionados com a mobilidade dos seus cidadãos. E é fantástico que haja toda essa diversidade de ênfases porque valoriza e fortalece esta luta.

  8. Olavo Ludwig disse:

    Bem, eu concordo em todos os pontos com o Marcelo, e também concordo com o ponto do Artur.
    A incompetência em dirigir uma bicicleta é um problema, e deve ser atacado, é uma forma rápida, barata e mais fácil execução que ajuda em muito para aumentar a segurança do ciclista no nosso atual trânsito injusto para com a vida. Mas, de longe, é O Problema, e entendo quando os cicloativistas nem tocam nesse assunto, pois a impressa em geral (e até alguns ciclistas, que não é o caso do Artur) só fala nele, e pior, imediatamente após uma tragédia, sempre com aquela idéia de colocar a culpa na vítima.
    Todas estas medidas sugeridas para amansar o trânsito motorizado, são fundamentais, mas todos sabemos que não ocorrerão de uma hora para outra, já ciclovias e principalmente a educação para o ciclismo veicular podem ser conseguidas muito mais rapidamente.
    De qualquer forma:
    “A gente quer inteiro
    E não pela metade…”
    http://letras.terra.com.br/titas/91453/

    • lobodopampa disse:

      Puxa, agradeço a compreensão. Não estou acostumado hehehe.

      E que coincidência interessante. Tenho me lembrado seguidamente da letra dessa canção. Até já pensei em escrever mais um “manifesto veicular” usando uma estrofe dela como mote.

      Relembrando, o tema original do post é: ciclovia não é suficiente.

      Acho esse ponto muito importante. Ciclovia melhora mais o bem-estar do que propriamente a segurança de fato. Falando a grosso modo, claro; cada caso é um caso. Mesmo assim sou a favor.

      Agora, uma coisa que não consigo concordar (mesmo tentando), é com a idéia que o mundo TODO – a insfraestrutura, as políticas, a indústria, os governos, os urbanistas, os motoristas, etc etc – devem mudar, melhorar, ser educados, reprimidos, etc etc – e ao ciclista ficaria o papel de poder se comportar como uma criança, mesmo quando ele/ela não é mais criança (e é portanto responsável por seus atos). Só o ciclista não precisa melhorar, segundo essa visão.

      Creio que uma (ou mais de uma) visão que busque a equanimidade é preferível.

      • Olavo Ludwig disse:

        Artur, eu penso que ninguém tem essa idéia de que ” …ao ciclista ficaria o papel de poder se comportar como uma criança…”, eu pelo menos não interpreto assim.

        Minha leitura é que o trânsito motorizado é algo muito ruim, pois mata algo fundamental do convívio social que é a rua, fica impossível estar nela sem estar muito atendo e disciplinado, um descuido pode ser fatal.
        Os ciclistas adultos e bem treinados podem virar-se razoavelmente bem nelas, mas e nossos filhos em formação, o que acontece com eles antes e durante esse treinamento?
        A rua também deveria ser lugar de criança, o que existe de mais valioso que nossas crianças?
        E é por isso tudo que existe sim a idéia que o mundo TODO deve mudar e melhorar, a parte de o ciclista neste mundo melhor, poder se comportar como uma criança, seria apenas uma consequência muito gostosa.

      • lobodopampa disse:

        Acho que tem rua e tem rua. Acho que imaginar que uma criança de 6 anos pode brincar sozinha em uma artéria de uma grande cidade é uma viagem absurda e uma irresponsabilidade. Acho que isso DEVERIA sim ser possível em ruas residenciais – daí a necessidade de zonas 30 efetivas.

        Acho que existe sim essa idéia que todo mundo tem que mudar menos o ciclista. Não são todos os cicloativistas que pensam assim, mas percebo claramente essa idéia aqui e ali, com muita freqüência, às vezes de maneira direta e assumida, às vezes nas entrelinhas, às vezes de maneira confusa, mas está sempre ali. Isso é maniqueísmo na minha humilde opinião.

        Existe um (vários, aliás) princípio na vida que atua quer gostemos, nos demos conta ou não. É a interdependência.

        P.ex., não tem como banir os caminhões das cidades e das estradas. Nem a longo prazo. A não ser que cada um de nós produza sua própria comida, suas próprias roupas, etc, no quintal de casa. Este é um pequeno exemplo de como estamos muito mais interligados do que gostamos de admitir. Então não adianta malhar o “trânsito motorizado” a não ser que você esteja disposto a viver SEM ELE. Com tudo o que isso implica. Isso é interdependência. Podemos mudar as coisas de dentro pra fora, mas só se cada um de nós assumir totalmente sua parte.

        E portanto não tem como mudar “os outros”, até porque “os outros” somos nós!

        Esse pensamento de “nós” e “os outros” (tipo nós ciclistas eles motoristas) é uma coisa atrasada que atrapalha o desenvolvimento de relações mais saudáveis, construtivas, mais “pra cima” – coisa que aliás já está acontecendo.

        Estamos aprendendo, e aprendendo rápido. Esses debates, mesmo que às vezes meio azedos, estão nos ajudando (eu acho…).

      • airesbecker disse:

        Eu entendo bem este ponto de vista do Artur.
        Todos somos de fato interdependentes e fazemos parte de uma sociedade.
        Muitos são pedestre, ciclistas e também motoristas, e nestes diferentes papeis sociais temos que evoluir com consciência para termos melhor harmonia em nossas relações, inclusive no trânsito, inclusive os ciclistas.

        Mas a forma de comportamento correto do ciclista ainda é um ponto muito sujeito a exame e dilemas.

        Temos aqui os exemplos do japão que foi bem observado num post anterior:https://vadebici.wordpress.com/2012/01/29/modelo-japones/

        Por outro lado tenho observado muito na mídia e em comentários de má fé o argumento de comportamento do ciclismo ou pretendendo mostrar que os ciclistas também se comportam mal como justificativa para os problemas do tráfego ou pretendendo criar uma série de enquadramentos legais para regular o ciclismo.

        Eu penso que, por um lado o ciclismo deve se comportar com ética em sentido de atender uma expectativa da sociedade, de maneira que não seja um comportamento que ofenda as outras pessoas ou não agrida.

        Por outro lado temos que avaliar se esta expectativa expectativa que a sociedade tem do comportamento dos ciclistas é realista, pois uma coisa é o comportamento de um veículo com mais de 1 tonelada mais de 150 cavalos de potência e outra é o comportamento de uma pessoas com uma bicicleta de 15 kilos.
        O potencial de dano que estes diferentes veículos geram é bastante diferente.
        São veículos bem diferentes e com capacidades bem diferentes também.
        A agilidade da bicicleta é muito maior dá para ver nos eventos esportivos.

        Portanto sou a favor de que se tenha um comportamento ético como ciclista, mas não entendo que haja necessidade de normas legais especiais para regrar o ciclismo nem acho que se aplicam ao ciclismo as normas de tráfego que foram feitas por necessidade de ordenar o tráfego automotivo, visando reduzir o risco causado pelos automóveis.

        Acho que seriam sim importantes normas que excepcionassem o ciclismo dando a este mais liberdade e segurança.

        Entendo que a Lei deve atender os princípios de preferência do ciclismo ante o tráfego motorizado e sempre ser regulada no sentido de favorecer e dar segurança ao ciclismo.

        No dia a dia, entendo que a tolerância com o comportamento dos ciclistas é um ponto importante de ser defendido, primeiro pelo fato de que na nossa atual situação o ciclismo pode ser considerado como uma atividade de resistência, algo ainda experimental e sujeito a erros e ajustes.

  9. marcelosgarbossa disse:

    Parabéns Marcelo, parabéns a todxs!

    Bora lá!

    abraços

    marcelo sgarbossa

  10. Aldo M. disse:

    A redução do limite de velocidade nas zonas urbanas está sendo discutida e implementada em diversas cidades de outros países. Em Melbourne, por exemplo, há uma tendência de se reduzir o limite em vias arteriais de regiões movimentadas, de 50 km/h para 30 km/h.

    http://www.caradvice.com.au/132871/melbourne-councillors-to-vote-on-30kmh-speed-limit/

    A 30km/h, o risco de morte por atropelamento é dez vezes menor que a 50 km/h (Dr Bruce Corben, senior research fellow from the Monash University Accident Research Centre). Por outro lado, em regiões com muito tráfego, os tempos de deslocamento dos veículos praticamente não são afetados por esta redução do limite, ao contrário do poderia se imaginar (“We are the highest-collision, highest-injury area in the state, It’s avoidable if people slow down a little, because it doesn’t slow down your travel time, but it means that when you brake it is that much more effective.” Melbourne Lord Mayor Robert Doyle). E a questão dos pedestres, que não obedecem à sinalização e se arriscam ao atravessar as vias, é tratada como um argumento pela redução da velocidade e não para culpá-los pelos atropelamentos (Mr Doyle admitted the erratic attitude of a number of pedestrians in the city and their disregard for traffic lights was one reason behind the push to reduce vehicle speed limits).

    Então, mesmo sem mudanças radicais da atual cultura carrocêntrica, ou grandes investimentos, é possível melhorar substancialmente a segurança e a mobilidade nos grandes centros urbanos através da diminuição dos limites de velocidade nas areas com grande movimento de pedestres. Sabe-se ainda que um trãfego mais calmo é um incentivo ao uso da bicicleta maior até que a existência de ciclovias. Então, a exemplo de muitas outras cidades, a Prefeitura de Porto Alegre deveria intituir um programa tipo “traffic calming” na EPTC para desincentivar e coibir velocidades que hoje são incompatíveis com o crescimento do número de pedestres e ciclistas nas ruas.

    • Olavo Ludwig disse:

      Pois é em Porto Alegre se faz o “nerve traffic”, por exemplo, naquela rótula perto das cuias e eu vi também numa entrada a direita na Costa Gama, uma rua que vai sair na Edgar Pires de Castro, tinha uma árvore enorme num canteiro entras que estreitava a saída e entrada da rua, foi derrubada sem dó, junto com várias outras em um terreno ao lado.

  11. Liberdade, liberdade como ela está acima de todas as coisas. Com liberdade erramos e acertamos e sempre com liberdade crescemos. No nosso caso como ciclistas quantas vezes falamos de não proibir a terminologia usada, nos posts ou os temas ou tantas outras coisas. Por que nos, logo nos, libertários por formação queremos começar proibindo aquilo que nos não gostamos ou o que consideramos errado. Por que nos que somos sempre partidários da liberdade queremos proibir. Eu sinceramente não entendo como podem querer proibir alguma coisa, será que existe algum resquício de obscurantismo em nos? Eu sinceramente não vejo com bons olhos esta questão de proibir e vejo com clareza que precisamos evoluir, como sociedade e como grupo para que sejam aceitas todas as diferenças que nos formam. Proibir fabricar carros que andem a mais de 30, 50 ou 80 kilometros; não seria uma medida muito boa o que nos tínhamos que conseguir e que as pessoas não usem os carros fazendo excessos ou dirijam bêbados ou drogados. Nunca a solução foi proibir a fabricação de facas ou que as facas não tenham fio, para evitar que as pessoas se machuquem, sempre a solução foi ensinar a usar as ferramentas, assim como as facas, para que não se firam ou firam outras pessoas. Agora sempre existirão excessos que são próprios da condição humana e para isto o que tem que funcionar é um sistema judicial justo e célere, que não nos transmita a sensação de impunidade e assim poderemos construir uma sociedade melhor.
    Vamos aos fatos, se o motorista que derrubou à Juliana, na Paulista, fosse enquadrado por assassinato e não por assassinato culposo, sentiríamos uma sensação de Justiça; agora como aconteceu, nos sentimos uma sensação de vazio que só a impunidade transmite. Todo o resto que pode ser feito é balela quando o sistema não funciona. Nunca existirão amarras suficientes para os transgressores e se elas forem fracas, existirão sim mais transgressores e mais impunidade. Agora tem que ver deste motorista no Rio o que aconteceu, isto não pode ficar para depois tem que ser agora e temos que saber se será indiciado. Não interessa o pane mecânico, quando o carro não tem manutenção ou quando o motorista está bêbado ou drogado, ou ainda quando o motorista foi imprudente. Todos estes fatores ainda estão muito antes de proibir. Pessoal me desculpem mas em 60 anos nunca vi uma só proibição realmente funcionar à favor do povo.Saúde

    • Olavo Ludwig disse:

      Martinez, que tal trocarmos a palavra proibição por permissão, vamos permitir que se fabriquem carros cuja velocidade máxima seja um determinado valor?
      Na realidade, essa permissão ou proibição é algo quase impossível de se atingir, mas que tal os limitadores eletrônicos de velocidade? Ao invés de pardal poderia ter nas ruas um transmissor de limite de velocidade, transmitindo diretamente para o limitador eletrônico do carro, assim ninguém poderia andar acima da velocidade permitida.

    • Atacar com proibição sem que seja acompanhada de proporcional conscientização que a justifique, só vai fazer as pessoas buscarem uma forma de burlar a proibição. O fundamental é conseguir que as pessoas se envergonhem de incorrer em irresponsabilidades que coloquem em risco a vida dos demais. Contudo, reconheço que até chegarmos na consciência, infelizmente teremos que trabalhar com o uso de proibições. Tem gente que é egoista demais pra se preocupar com os outros. Se não forem obrigados, não fazem.
      Sobre o disciplinamento da mobilidade para os diferentes tipos de veículos, gostaria de deixar registrado o que me parece óbvio: bicicleta é bicicleta, automotor é automotor. Não vou trancar meu gato em uma jaula porque o tigre – que é o perigoso – tem que ficar trancado numa… As leis não podem ser as mesmas, pois as conseqüências não são as mesmas. Insisto: bicicleta está mais pra cadeira de rodas do que pra motocicleta… Entendo que não tenha que ter as mesmas restrições. A César o que é de César, a Deus o que é de Deus…
      Saudações a todos!

      • Enrico Canali disse:

        Mas Marco, olha QUANTAS campanhas de conscientização existem! Elas funcionam para sei lá, 80%, 90% das pessoas, que realmente respeitam as leis e os limites de velocidade. Agora, os restantes 10%, 20% não adianta falar, não adianta consientizar. Eles são imunes a isso. Não foram educados em casa, não aprenderam a respeitar as regras de boa convivência em sociedade. Essas pessoas têm a CNH apreendida por excesso de pontos e seguem dirigindo! É contra a conduta dessas pessoas que uma restrição à fabricação de carros exageradamente potentes serviria. As demais pessoas não têm por que se preocupar!

    • Aldo M. disse:

      Uma vez me ocorreu que os carros deveriam ter suas velocidades limitadas à usada nos ensaios destrutivos (crash tests), que atualmente é de 64 km/h.

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