I FMB – relatos, repercussões, reverberações

Participei do primeiro dia do Fórum Mundial da Bicicleta como oficineiro e fiquei encantado com a atmosfera e tudo o mais, desde o primeiro instante, desde antes de cruzar a soleira da porta do Gasômetro. A exposição de bicicletas antigas no saguão fornece o cenário ideal para recepcionar os que chegam. Ver pessoas e bicicletas circulando num clima de efervescência me fez lembrar a doce utopia do Fórum Social Mundial nos seus primeiros anos.

A agenda do Fórum é simplesmente espetacular! A qualidade, quantidade e variedade oferecida é extraordinária, ainda mais considerando que o evento foi posto em pé em menos de 2 meses – coisa que muita gente não acreditava ser possível.

Infelizmente, por diversos motivos pessoais, não tenho como acompanhar nem metade das atividades que me interessam muito.

A divulgação na mídia tem sido excelente, me parece, o que se traduz no grande público presente.

Entretanto, sinto falta de maior repercussão, relatos e debates sobre as atividades do Fórum.

Quem está indo e quer comentar ou sabe onde alguém já relatou/comentou?

Apenas como exemplo:

Como foi o painel “Porto Alegre – Problemas e Soluções”?

Como foi a oficina do Eldon Jung?

Como foi a fala do Chris Carlsson depois da Massa?

Como foi…?

Manifestem-se por favor!

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Sobre lobodopampa

Falar de si mesmo é contraproducente. Ah: lobodopampa e artur elias são a mesma pessoa (eu acho).
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22 respostas para I FMB – relatos, repercussões, reverberações

  1. airesbecker disse:

    Estou também sentindo falta de reprodução.
    As palestras não estão sendo gravadas e um material precioso está sendo perdido.

  2. Fabrício disse:

    To acompanhando tudo só aqui pela net. Acho que a mídia ta se mostrando “amiguíssima” no momento, e pra divulgarem que a Massa Crítica teve 500 pessoas então realmente devia estar muito cheia. Relatos de como foi?
    Um abraço

    • Fabrício disse:

      Nessa reportagem do correio do povo: http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=396204 do dia 24/02
      Po, primeira matéria acho que não fazem uma reclamação de que a Massa Crítica “tranca” o trânsito. Por que isso? Será que vão voltar a fazer matérias dizendo que a Massa tranca o trânsito depois que passar o Fórum?

      Também pegam relato de um venezuelano que diz “O problema não é tanto a infraestrutura, mas sim a cultura”. Po, opiniões das mais variadas, daria pra pedir relato de cada um dos 500 pedalando na massa e com certeza muitos iam falar em problema de estrutura sim. Por que decupar o conteúdo da matéria tirando o peso do poder público que não dá estrutura e não cumpre o plano diretor cicloviário? Enfim, to de olho mas to longe pra saber como ta o clima

      • Fabrício disse:

        por outro lado, citam o atropelamento como crime e não como acidente

      • lobodopampa disse:

        um contraponto, Fabrício:

        quando alguém afirma que o maior problema é cultura e não infraestrutura, não está necessariamente desonerando o governo, a meu ver.

        Aliás, muito pelo contrário!

        O governo é responsável pela educação de base pública, universal e gratuita. Os governos, aliás; tanto estadual como municipal, o federal um pouco menos, nesse caso.

        O CBT estipula que deve haver educação para o trânsito na escola. Então é dever dos governos nos 3 níveis cumprir isso. A EPTC (com seu departamento de educação que é muito bom) faz isso, mas é uma gota d’água no oceano, e, na verdade, isso não é obrigação dela, nem ela tem como atender a demanda real que é do tamanho da população em idade escolar inteira. Isso é coisa séria, é coisa grande, e é assunto de governo. Ciclovia é bom, eu gosto, mas ciclovia não educa e não resolve a maioria dos problemas. Educação resolve mais. Os dois se completam, mas educação é mais importante e nesse sentido o venezuelano está certo na minha opinião.

    • heltonbiker disse:

      Tever o Lucas Pares, que filmou, veja como são MUITO MAIS de 500 (segundo já ouvi, mais de 1500. Não consegui / não tentei contar durante todo o vídeo, mas acho que é plausível mais de mil):

  3. lobodopampa disse:

    Sem querer “controlar” os comentários, peço encarecidamente:

    não vamos transformar este post em mais uma discussão sobre a grande imprensa!

    O tema deste post é relatar experiência real de cada um. Sobre o o que cada um está vendo, ouvindo, vivenciando no I FMB. Certamente haverá outros posts focalizando outros aspectos.

    Valeu!

  4. Gustavo disse:

    Eu fui no “Problemas e Soluções” e gostei bastante. Meu relato meio informal vai abaixo…

    O que posso dizer… começou cerca de 30 minutos atrasado, depois de uns 20 minutos de “social” entre um punhado de políticos que apareceram por ali. O Sgarbossa pegou o microfone e começou a sessão na marra, o que fez o pessoal parar com o papo e se sentar hehe :). Depois, um mini-discurso do prefeito Fortunatti, acompanhado por um exército de câmeras e jornalistas. Assim que terminou o discurso, ele levou aquela galera toda com ele, e a a depa. Manuela junto.

    Ficaram ali, na mesa o Régulo – técnico da EPTC, e a Fiona – Inglesa, urbanista, ciclista e que morou em Porto Alegre por um tempo. Na platéia o secretário Busatto, um jornalista/ciclista/funcionário da prefeitura ao qual eu não me recordo o nome, uma vereadora, Fernanda Melchionna se eu não me engano, e a galera.

    Começou com o Régulo apresentando slides com o plano cicloviário, o projeto, a situação atual, as obras, os erros de projeto, a ciclovia da ipiranga, restinga e afins. Por uns 30 minutos ele deu uma passada rápida (e discutível) sobre o trabalho da EPTC nessa área. Em seguida, a Fiona fez algumas perguntas com relação ao trabalho da EPTC e a situação das ciclovias… me pareceu um pouco deslocadas, mas valeram algumas observações…

    Pra mim, o mais interessante veio depois, com as perguntas da platéia :). Foram questionados:

    – A situação atual e futura das ciclovias de POA
    Foi questionado pela Fiona, e por alguns outros a situação das ciclovias de Porto Alegre. O Régulo comentou da história da ciclovia de Ipanema, comentou que a ideia de criar uma ciclovia de tijolo no cristal foi debatida e aceita internamente na EPTC (não sei com que respaldo técnico), e depois, como sabemos foi reconhecida e comprovada um erro. Apesar disso, é sempre contabilizada na kilometragem oficial de ciclovias, e não possui manutenção nenhuma.
    Quanto a ciclovia da Ipiranga, falou das dificuldades de se construir ali por causa da diferença de largura do gramadinho, dos postes e das árvores. Diferentemente da futura passagem na Anita Garibaldi, ali as árvores são um problema indesviável. Nesses trechos, eles vão simplesmente decidir uma preferencial, e esperar que os ciclistas se avistem, diminuam a velocidade, parem e dêem a passagem (e o “momentum” que se f* :[). Lembrou que no começo do projeto apareceram empresas oferecendo passarelas de fibra, para evitar o incômodo do zig-zag nas pontes. Foi prontamente descartado, pois daria muito trabalho e muito custo. Comentou rapidinho sobre o guarda-corpo, que vai proteger os carros de ciclistas desgovernados.
    Comentou rápido sobre a ciclovia da sertório, e o porque não foi pensado isso para a perimetral (que segundo ele deveria ter 4 pistas para carros, mas foi exigido o corredor de ônibus, avacalhando com tudo! :[).

    – Mobiliário urbano
    Fiona questionou o Régulo quanto a isso, após um senhor barbudo reclamar que não se consegue colocar a bicicleta num ônibus e trazer de Caxias pra Porto Alegre (um problema recorrente em todas as oficinas de Cicloturismo do fórum). O Régulo disse que a EPTC não tem poder nessa situação, e ele não pode falar pelas outras empresas. Quanto aos bicicletários, disse que não rola porque a EPTC precisa que alguém patrocine(!!), e que uma norma diz que só se pode patrocinar por até 5 anos, o que desistimula o pessoal (20% das multas, oooiii!). A Fiona, que já viu um bicicletário intermodal ao vivo, daqueles que ficam ao lado do metrô em algumas cidades, questionou quanto a isso (creio que no caso do tremzurb, ou para o futuro em estações de ônibus). Da resposta do Régulo eu meio que entendi que não foi pensado muito nisso. Ele comentou sobre disponibilizar armários ou cabines fechadas (de plástico reciclado) para os ciclistas, mas a um custo (já que não existe patrocinador). Eu não me lembro muito mais sobre essa parte da conversa, eu estava meio desligado, talvez eu tenha entendido errado :/

    – A ciclovia da Restinga
    Durante a apresentação, o Régulo mostrou algumas coisas sobre as obras da ciclovia, como por exemplo a resistência de alguns comerciantes, ao perder espaço de estacionamento. Meio que se gabou do custo (menos do que o 1 milhão e pouco projetados), comentou sobre a sinalização e afins. Como era a apresentação, acho que o pessoal meio que engoliu em seco. Na hora das perguntas voltou a tona, com o pessoal questionando o fato de não haver calçada (ps: em muitos lugares nem vai ter, pois a ciclovia zigzagueira de um lado para o outro da área “calçável”), de se ter postes no meio da pista, falta de sinalização, entre outros. Quanto ao poste, o Régulo informou que aonde há poste, a ciclovia foi alargada, e não é problema nenhum pro ciclista desviar do poste. Ele depositou esperança de que quando a ciclovia for sinalizada, todos os problemas serão vencidos. Quanto a não ter calçada, ele meio que disse o seguinte: “Não tinha onde caminhar antes, então não dá pra reclamar” (nice). Ele também comentou que foi discutido isso com a SMOV, que respondeu que não poderia colocar calçamento, já que isso é responsabilidade do morador (“Se nós colocarmos aqui, como vamos exigir que os moradores mantenham as suas calçadas em outros lugares?”).

    – O trânsito de carros no centro
    Alguém alarmado levantou a questão dos estacionamentos no centro de Porto Alegre, o que logo descambou para as prioridades da Prefeitura: o carro ou as pessoas? O jornalista que acompanhava concordou que no microcentro de porto alegre, o fluxo de carros deveria ser controlado, mas que isso não era algo que a Prefeitura deveria impor, mas sim as pessoas, que sabem o que é melhor para elas. Um cidadão levantou que essa é uma questão largamente discutida, em âmbito mundial, e que inclusive a Prefeitura (no plano diretor, ou urbanístico, ou algo do gênero) se compromete a colocar os modais bicicleta, transporte público e á pezito em preferência, com relação aos carros. O Régulo disse que é essa a ideia da EPTC. Teve muitas perguntas nessa hora, e a maioria delas foi ignorada categoricamente… Acho que o assunto ficou em aberto.

    – A aplicação dos 20% das multas em conscientização e infraestrutura de suporte ao modal
    Um mais exaltado, perguntou diretamente ao Busatto sobre o valor arrecadado e utilizado do montante dos 20% nos últimos anos. O Régulo disse que não tinha esses números (deve ser difícil de calcular, com tudo digitalizado como é hoje em dia :(). Ainda comentou, literalmente (ele disse exatamente isso), que a EPTC era incompetente nesta questão, pois o dinheiro estava ali mas não haviam projetos para utilizá-lo, ou as empresas contratadas não entregavam a obra como solicitada… O Busatto respondeu que em 2010 e 2011 o dinheiro não foi aplicado, e não há volta, e que era um compromisso DESTA prefeitura em aplicar a grana a partir deste ano. Eu acho que ninguém nunca vai saber quanto representa estes 20% de multas… eles simplesmente não querem divulgar e se comprometer depois.

    Minha impressão final…

    Foi MUITO bom ver um técnico comentar sobre o trabalho da prefeitura, como alguém já tinha comentado uma vez aqui nesse blog. Apesar de algumas coisas serem meio revoltantes, essa é a situação atual. Ele foi transparente, e comentou várias vezes sobre as dificudades técnicas e políticas de dentro da própria EPTC, e de outros órgaõs. Não existe um setor para tratar exclusivamente dessa demanda, e os ciclistas geram um “trabalho a mais” para eles.
    Ouvindo o Busatto discursar depois, tu sente que ele tá claramente tentando massagear o teu ego, e que não dá pra levar muito a sério o que ele tá comentando ali. Sempre um pé atrás.

    Outra coisa, a política do “menor confronto”, comentada pelo Régulo na apresentação. Não devemos esperar por ciclofaixas enquanto Porto Alegre pensar desse jeito. A ciclovia da Ipiranga é um exemplo claro dessa política, que em ano de eleição fica meio duvidosa.

    O Régulo não anda de bicicleta. A PRIMEIRA pergunta da Fiona foi essa, e a resposta dele foi, e miúdos: “não, eu moro longe, mas um conhecido meu que mora a 1km e vai para a EPTC de bicicleta comenta que é agradável”. Eu achei muito pertinente a pergunta, por experiência pessoal. Antes de começar a andar de bicicleta, eu absolutamente NÃO REPARAVA em absolutamente NADA dos problemas que hoje são evidantes pra mim, como ciclista. Eu acho que devia ser obrigatório que o pessoal na EPTC praticasse a intermodalidade toda a semana.

    Por fim, foi estourado o tempo limite em aproximadamente 30 minutos (lembra do atraso do começo?), e muitos ficaram sem ter as suas respostas respondidas ainda… talvez para o próximo fórum possa ser organizado um debate aberto, com 3 ou 4 horas de duração 🙂 (se bem que eu acho que têm essas reuniões abertas do MP agora).

    • lobodopampa disse:

      Uau. Isso é que é relato! Obrigado pelo esforço de teclar tudo isso, Gustavo.

      Ontem tive oportunidade de conhecer e conversar um pouco com a Fiona. Ela comentou com elegância que sua impressão é que o Régulo concorda com as críticas, e que ele simplesmente não seria o interlocutor adequado para aquele debate, visto que não é da área executiva e não tem poder decisório. Pessoalmente concordo mas acho que tá na hora do próprio Régulo se dar conta disso e parar de tentar defender o indefensável, se abrir para novas idéias, e deixar que seus chefes arquem com as responsabilidades que são deles realmente. Pedalar um pouco ajudaria MUITO, é claro.

  5. andre gomide disse:

    o bussato é um sem-vergonha, ele tinha obrigação de saber onde a prefeitura(eptc) enfiou o dinheiro da multas….
    já coloquei para alguns colegas ontem, é crimebde improbidade administrativa desviar este dinheiro para outro fim…. ele tem destinação prevista…
    pena que estava no trabalho no horário deste paínel.

  6. Lisa disse:

    Participei da oficina sobre bike no trabalho do Eldon Jung. A oficina foi boa, o Eldon na verdade se mostrou um “empresário do bem” (se é que isto é possível) porque incentiva o uso da bike aos “colaboradores” da sua empresa (termo que não concordo mas que foi usada pelo oficineiro). Além disso, ele trouxe alguns dados bem interessantes sobre o uso da bike em SC. No fim concluí que o mais interessante nestas atividades são as informações e os relatos coletivos trocados pelos participantes – é um espaço onde se ve outras realidades (com mais ou menos dificuldades em aderir a bike no cotidiano, por exemplo). Para concluir a oficina, Jung passou um video animado do Pateta (Disney) onde o personagem muda completamente o humor quando entra em um carro.

    • lobodopampa disse:

      Valeu Lisa. Pelo que se ouve falar, Eldon é bem mais do que apenas um empresário (ainda que do bem). Me parece que ele teve e tem um papel de liderança construtiva significativo em Blumenau. A página dele no FB transpira entusiasmo pela bicicleta e tbém pelo Fórum.

      • Meu caro Guará, assisti a palestra do Eldon Jung e fiquei maravilhado, vi claramente como um empresário pode, quando quer, transformar a sociedade que o rodeia, com facilidade e com a disposição de mudar as realidades desfavoráveis. Certo, Eldon não é um pastor protestante, daqueles que demonstram entusiasmo até para falar dos pregos usados na cruz de Jesus. Ele não tem todo aquele palavreado fácil mas é, e deixa claro isto,um entusiasta que acredita que existe um outro mundo detrás da bicicleta. Empresário do bem claramente engajado na vida mas saudável, nos deixou a todos com vontade de continuar a nossa luta com mais vontade. Falou claramente que quem pode exigir de dedo em riste dos administradores, das cidades, são os empresários porque eles pagam os impostos que executam as obras, do bem ou do mal, todas pagas com dinheiro gerado nos impostos, imensos para as empresas. Se esta não é uma opinião unânime lamento mas que ele é o cara, ele é. Saúde a todos.

  7. lobodopampa disse:

    Relato um pouco da conversa que tive com o Chris Carlsson.

    Ele afirmou que a Massa de anteontem entrou para a lista das melhores e mais inesquecíveis Massas da vida dele. Ele disse isso numa conversa informal, espontânea, não estava tentando me agradar com certeza.

    Eu disse a ele que o (genial, na minha opinião) artigo dele “Protesto ou Celebração? Ou algo ainda mais profundo?” traduzido e publicado aqui no blog e reproduzido em alguns outros lugares não teve a repercussão que se poderia (deveria?) esperar. Disse tbém que minha impressão é que tem mais gente disposta a contribuir financeiramente para pagar a passagem do Chris Carlsson do que gente disposta a ler e compreender as idéias de Chris Carlsson. Ele concordou, disse que é comum pessoas não se sentirem à vontade para comentar e repercutir temas complexos e desafiadores (ao contrário de discussões políticas, fofocas, reclamações, conflitos com a imprensa e outros debates de pouca utilidade que sempre geram enorme quantidade de comentários na Rede), e que ele gosta de escrever sobre coisas realmente importantes. Tbém disse que não entende porque o estão tratando como uma celebridade, um pop star, mas tudo bem.

  8. lobodopampa disse:

    Rapidamente, sobre o painel Cicloativismo ontem:

    fiquei muito impressionado com o vivente de Curitiba, o Henrique, pela sabedoria, clareza de idéias, capacidade de articular conteúdos em pouco tempo. A proposta “Voto Livre” foi apresentada por ele e arrancou aplausos entusiasmados.

    https://www.votolivre.org/

    Da fala do Chris destaco 2 coisas. Tem a ver com perspectiva histórica que é uma coisa que pouca gente presta atenção. Ele lembrou o movimento “Good Roads” que levou milhares de ciclistas às ruas nos EUA em… 1890! – para reivindicar… asfalto! Sim! Quem pavimentou os EUA foram os ciclistas, ou melhor, suas reivindicações. O automóvel veio depois e sua cultura avassaladora se apropriou dessa conquista. A bicicleta entrou em declínio. A lição segundo Chris é: às vezes você até consegue o que reivindica, mas coisas inesperadas podem acontecer depois e transformar completamente o resultado dessa reivindicação – em algo.

    A outra lição história é a resistência da população de San Francisco à implantação de artérias, freeways elevadas de alta velocidade cortando a cidade, na época em que isso estava sendo feito em todo o país. Uma luta muito, muito difícil e que eles ganharam. Segundo Chris, é graças a essa resistência de 50 anos atrás que existe lá o cicloativismo que tornou a Massa de S. Francisco possível.

  9. lobodopampa disse:

    Agora vi que teve uma super-cobertura ao vivo do painel de ontem na página FB do I FMB.

  10. lobodopampa disse:

    A aba de notícias da página do I FMB está aos poucos se enchendo de relatos inspirados e belas fotos.

    http://forummundialdabici.com/noticias/category/pt/

    E a página do FB está bem rica tbém. Já sinto mais “reverberação”.

    http://www.facebook.com/pages/Forum-Mundial-da-Bicicleta-World-Bicycle-Forum/257698500962118

  11. Aldo M. disse:

    Aqui vai um relato das minhas impressões do Painel “Problemas e Soluções”, que fiz de memória. Se eu distorci algo, não foi intencional e peço que me corrijam.

    Eu perdi o discurso do Fortunatti, mas alguém me falou que ele teria dito algo como: “(no nosso governo) todos os modais de transporte são prioritários”.

    Régulo fez um histórico do sistema viário de Porto Alegre e das iniciativas para implantação de ciclovias. Mais uma vez referiu a questão da falta de espaço, exemplificando que, em uma largura de 30 metros, não é possivel implantar ciclovia porque são necessárias pelo menos duas pistas para cada sentido para os automóveis.

    Regulo admitiu a incompetência da EPTC para desenvolver os projetos necessários. Exemplificou que, no ano passado, sobraram recursos para se construirem mais ciclovias porque não havia projetos exequíveis prontos. Eu tenho insistido que a questão dos projetos é um dos grandes gargalos. Não se faz bons projetos da noite para o dia.

    Régulo afirmou que existem questões práticas que dificultam a execução das ciclovias, como a da tinta vermelha, que ainda não faz parte do enxoval de itens normalmente adquiridos pela EPTC, obrigando a uma aquisição específica.

    Ele referiu que há engenheiros “rodoviaristas” na Prefeitura, ou seja, que focam a questão do transporte e circulação do ponto de vista dos veículos automotores, considerando as ruas apenas como pistas para automóveis. Concluo que falta uma mudança de cultura. Régulo diz que a EPTC tem foco na fiscalização e nas questões de transporte coletivo. Pelo visto, não há uma estrutura na Prefeitura para planejamento viário. Tanto que nunca se falou na elaboração de um Plano de Transporte Integrado, que é previsto no Estatuto das Cidades, uma lei federal, e ratificado pelo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental de Porto Alegre, um lei complementar do município.

    Fiona foi direto ao ponto e perguntou se o Régulo ia de bicicleta ao trabalho. Ele respondeu que apenas um engenheiro ia. Ela então enfatizou que essa experiência era necessária, nem que fosse por um único dia.

    Fiona questionou por que a Prefeitura não busca uma consultoria. Régulo lembrou que o o Plano Diretor Clicloviário foi feito contratando-se uma consultoria externa, que na época custou R$ 450.000,00, mas não soube explicr porque isto não estava sendo feito agora para auxiliar a implantar o Plano. Lembrou que, no caso da ciclovia da Ipiranga, o projeto estava sendo contratado diretamente pelo Zaffari.

    Fiona também questionou a falta de locais para estacionar bicicletas com segurança, uma vez que isto acaba impedindo que as pessoas optem por este modo de transporte. Régulo disse que os módulos de bicicletários, com capacidade para duas bicicletas, custam em torno de R$ 1.500,00 e que, por conta da legislação municipal que limita em 5 anos a cessão de espaço para propaganda, a iniciativa privada não considera atrativo em termos de retorno. Fiona então disse que seria mais barato fazer um bicicletário mais simples e com mais capacidade e pagar alguém para cuidar. O Régulo não comentou, até porque isto não estaria na sua alçada.

    Aliás, essas e outras perguntas deveriam estar sendo feitas ao Secretário Municipal de Transportes, mas parece que ele estava em férias. De qualquer forma, sinto que falta alguém (na verdade, uma equipe) na Prefeitura que trate do planejamento viário de forma integrada.

    Abrindo um parêntesis, soube que a Prefeitura tem um convênio com o Laboratorio de Sistemas de Transportes (Lastran), liderado pelo eng. Luis Antonio Lindau do Departamento de Engenharia de Produção da UFRGS. Pelo que sei, estaria sendo feita uma modelagem do sistema viário de Porto Alegre, o que pode servir também para tentar justificar a construção de viadutos. Suspeito que infelizmente não esteja sendo considerado nem o modal bicicleta, nem o pedestre nesse estudo.

    Sobre o projeto da Ciclovia da Ipiranga, Régulo contou que as plataformas previstas para desviar os postes não serão feitas por razões de custos elevados e de complicadores técnicos, pois existem tubulações subterrâneas naquele local. Desta forma, junto aos postes, a pista ficará estreita a ponto de não permitir o fluxo bidirecional, o que o Régulo não considera um grande problema. Fiona criticou a solução e perguntou se eles esperam tão poucas bicicletas utilizando aquela ciclovia para imaginar que não haverá constantes conflitos naqueles pontos.

    Ao final da palestra do Régulo e da Fiona, parecia que não se tinha chegado a lugar nenhum, pois afirmou-se que seriam necessárias definições, estudos, enfim, mais debates.

    Fiz uma intervenção em que me apresentei como um cidadão que estava tentando ser ciclista, o que provocou risos de muitos que se identificaram com a minha miserável situação. Rebati a necessidade de mais discussões para que a Prefeitura começasse efetivamente a implementar infra-estrutura para bicicletas. Afirmei que Porto Alegre já tem um Plano Diretor de Desenvlvimento Urbano Ambiental aprovado em forma de Lei Complementar (em 1999), no qual o transporte coletivo, o pedestre e a bicicleta são prioridades na mobilidade urbana. Então, o Prefeito não pode afirmar que tudo é prioridade. Ele precisa se ater à Lei e cumpri-la. Já houve a discussão que estabelece essa diretriz há 13 anos.

    Eu não consigo entender como a Prefeitura continua a fazer intervenções nas vias desconsiderando o Plano Diretor e demarcando apenas faixas para automóveis, que sequer são prioridade. E nem haveria custos adicionais, ao repintar as faixas, para reservar uma parte da pista para as bicicletas. Eu não entendo por que a Prefeitura não começa a fazer isso amanhã.

    Referi inda a questão do Conselho Municipal dos Transportes, que está defasado em relação à legislação e continua sem incorporar representantes dos pedestres e ciclistas, embora sejam modais de transporte prioritários.

    Comentei a questão da velocidade máxima permitida, que continua sendo de 60 km/h em áreas onde hoje há trânsito muito intenso de pedestres, e que precisa portanto ser revista em vários locais. Concordei que é natural que a Fiona sinta medo de circular de bicicleta no entorno da Rodoviária, já que a velocidade máxima ali é de absurdos 60 km/h. Lembrei que a redução da velocidade é a medida que mais incentiva as pessoas a adotarem a bicicleta, mais até que a construção de ciclovias.

    Busatto, pediu a palavra porque algumas perguntas foram dirigidas a ele, como representante da atual administração da Prefeitura.

    Busatto afirmou que o atropelamento serviu para acordar a Cidade para a questão da bicicleta. Estranhou que neste painel ninguém tenha falado na questão da educação dos motoristas em relação aos ciclistas.
    Busatto afirmou que já pedalou algumas vezes em Porto Alegre e percebeu desrespeito principalmente dos ônibus, tanto do transporte público quanto privado, que espremem os ciclistas contra o meio-fio, situação bastante assustadora que ele mesmo já enfrentou.

    Busatto referiu que a Prefeitura não tem ainda uma estrutura para a implementação do Plano Cicloviário, que não está preparada para isso. Sustentou enfaticamente a necessidade e importância de ações educativas. Fiona, então, aproveitou para questionar o que ele pretendia fazer a esse respeito, mas o Secretário Busatto não consegui dar uma resposta satisfatória.

    Acho que nenhuma das minhas perguntas foi respondida, exceto que tanto o Busatto como o Régulo admitiram que a Prefeitura não está bem preparada para a missão de implantar o Plano Cicloviário. Embora seja uma resposta decepcionante, considero um avanço muito significativo este reconhecimento. Talvez agora, finalmente, sintam a necessidade de mudar o rumo do tratamento que vem sendo dado ao transporte e circulação públicos, que virtualmente ignora tanto pedestres quanto ciclistas.

    Ao final, conversei um pouco em particular com a Fiona e o Régulo.

    Ela não conseguia entender porque a Prefeitura não contratava pessoas com formação e experiência no projeto de ciclovias, e eu também não consegui lhe explicar. Aliás, o Régulo disse que havia inlcusive engenheiros concursados na EPTC que não estavam sendo chamados para assumirem os cargos. Só posso entender este tipo de atitude, infelizmente comum no Brasil, como uma lamentável desvalorização do conhecimento.

    Acho que a primeira vez que conversei diretamente com o Régulo. Gostei muito da forma como ele está agindo e reconheço que ele sozinho não pode fazer mais por causa da própria estrutura da Prefeitura. Ele me contou que há outros projetos que estão sendo pensados e que foram importantes os debates do ano passado para estabelecer algumas diretrizes técnicas. Infelizmente, o foco da EPTC é a fiscalização de Trânsito. Falta um órgão em alguma secretaria que se responsabilize pelo planejamento viário como um todo. Com certeza ele é um grande parceiro e conhece bem as dificuldades de conduzir um plano como esse na esfera pública por causa da legislação rigorosa que precisa ser obedecida.

    Creio que, em conclusão, devemos retomar as reuniões com a Prefeitura, mas com objetivos um pouco diferentes. Penso que devemos cobrar que a Prefeitura se aparelhe internamente para implementar o Plano Cicloviário. Ela deve apresentar um planejamento de curto e médio prazo. No curto prazao, implementando rotinas para prever em seus projetos de “revitalização de vias” o trânsito de bicicletas e a circulação de pedestres, de forma segura e eficiente. Também deve inicar imediatamente a elaboração de um Plano de Transporte Integrado e alterar a composição do COMTU agregando representantes dos ciclistas e pedestres. Por fim, deve ser contratada uma consultoria especializada, como sugeriu Fiona, para auxiliar a implantação de um projeto cicloviário e incorporar no cultura interna da Prefeitura uma nova forma de encarar o trânsito urbano para além do transporte motorizado.

    • lobodopampa disse:

      O relato e a análise do Aldo deixam cada vez mais claro que uma reestruturação admnistrativa de algum tipo/nível no município de PoA é pré-requisito e condição sine qua non para que um projeto sério de mobilidade urbana mais humana e mais sustentável venha a ser gerado e venha a ter chance real de ser implementado.

      Se a premissa acima for verdadeira, nem adianta mais conversar com os atuais ocupantes da Prefeitura visto que estão em fim de mandato e não deram nenhum sinal de compreensão desse tema nem muito menos de coragem política até aqui.

      Falando nisso, então:

      parece que o Fórum estava tão bom que até alguns políticos resolveram aparecer… vários citados nos relatos desse post.

      Vou citar a (forte) candidata Manuela que compareceu ao painel com o Chris sobre cicloativismo.

      Num primeiro momento cheguei a olhar para ela com simpatia (que normalmente não sinto) e pensar, taí a futura prefeita, que bacana, vem a um painel como esse entender a vanguarda do ativismo, se informar, se conectar com as pessoas.

      Mas aí ela estragou tudo. Começaram as falas e ela começou (continuou) a conversar, quase que ininterruptamente, com os vizinhos sentados de ambos os lados. Quanto parava de falar com um deles, começava imediatamente a teclar no iPhone. Estimo que ela tenha estado 20% do tempo (sendo muito otimista) com a boca fechada e os ouvidos abertos. Aquilo estava me atrapalhando e eu já estava a ponto de ir falar com ela, tipo perguntar “o que foi que tu veio fazer aqui, porra?”, mas a essa altura estava tão irritado que decidi que era melhor trocar de lugar pra não ver mais aquilo e não prejudicar tbém a minha atenção e percepção das falas que eram pra lá de importantes. Peguei minha cadeira e avancei uns 5 metros. Foi ótimo.

      VOTO LIVRE NELLES.

      https://www.votolivre.org/

      • Aldo M. disse:

        Mesmo que a atual administração não compreenda a questão da bicicleta como importante modal de transporte, o jeito ainda é falar com eles diretamente ou sob a intermediação do Ministério Público. Eles precisam entender coisas bem simples: não está sendo cumprido o básico do básico em transporte e mobilidade, apesar de já existir legislação bastante clara a esse respeito.
        Volto a citar as questões da falta de um Plano de Transporte Integrado para a Capital e da distorcida composição do Comtu – Conselho Municipal dos Transportes. Em São Paulo, o Ministério Público recomendou que a Prefeitura de lá atendesse a essas questões em um prazo bem curto. Além disso, considero urgente que a Prefeitura elabore um procedimento de reforma nas vias, aproveitando a ocasião para a implantação de trechos de ciclofaixas ou ciclovias

  12. Aldo M. disse:

    A Fiona disse outra coisa muito importante: “É preciso fazer ciclovias interligando todos os shoppings, hospitais… mas tem que ser ciclovias cinco estrelas. CINCO ESTRELAS!”. Ou seja, o contrário do que Porto Alegre tem feito, com ciclovias de qualidade abaixo da crítica (como a da Ipiranga com seus estrangulamentos, inéditos em nível mundial, junto aos postes) com a vergonhosa finalidade de preservar estacionamentos e faixas para veículos particulares

    Está faltando um prefeito de verdade, que tenha lucidez e coragem para ordenar fazer as ciclovias da forma correta, seguras, confortáveis e com dimensões generosas, REDUZINDO O ESPAÇO PARA OS AUTOMÓVEIS PARTICULARES NAS VIAS PÚBLICAS. É claro que se criaria mais uma dificuldade para a circulação desses veículos. Mas para isto existem os engenheiros “rodoviaristas”, que certamente encontrarão soluções criativas para o desafio dos automóveis circularem em menos espaço.

    Da forma como está hoje, sem uma decisão “de cima” autorizando reduzir o espaço dos automóveis, os engenheiros e arquitetos da EPTC estão impossibilitados de implementarem ciclovias decentes que permitam os ciclistas se deslocarem com eficiência.

    Eu sinto vergonha da nossa cidade ter uma administração míope e tacanha como essa, enquanto outras no Brasil, e inclusive em nosso Estado, são referências em nível mundial na promoção da bicicleta como meio de transporte.

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