Resultado da Seleção de Guarda-Corpo para a Ciclovia da Ipiranga

Caros Colegas

Sexta-feira, ocorreu a apresentação dos três trabalhos selecionados pela equipe técnica, dentre os 37 que foram inscritos. Na condição de representante-dos-ciclistas-eleito-às-pressas, fui membro da banca que selecionou entre esses três, escrevo para relatar como foi o evento e como tentei representar as idéias que foram discutidas previamente entre nós, com respeito ao guarda-corpo votado por mim.

Pude analisar todos os trabalhos classificados, que estavam lá expostos, e me parece que a pré-seleção foi muito boa. Havia apenas mais uns dois trabalhos que poderiam ter sido classificados, e seriam alternativas tão boas quanto. Havia também muitos trabalhos que privilegiavam o paisagismo sobre a funcionalidade, e creio que esses devessem ter ficado de fora mesmo.

Dos três apresentados, todos consideravam a presença de elementos horizontais voltados para dentro, e verticais (estruturais) voltados para fora, numa marcante convergência com as idéias e propostas discutidas por aqui.

O projeto de Alan Furlan tinha a parte superior inclinada PARA DENTRO, sendo nada recomendável para o espaço do guidão. Esse foi um comentário feito por mim e pelo representante da EPTC, Antônio Carlos Selbach Vigna, que também anda de bicicleta.

O projeto de Tiago Zulian foi o que eu mais gostei à primeira vista (olhando no painel antes da apresentação), pois conseguia preencher todos os requisitos nossos (espaço para o guidão, presença de elementos horizontais onde o ciclista deslizasse em caso de colisão) de forma muito simples e objetiva. Seria com certeza uma ótima escolha.

O projeto de Rodrigo Troyano (foi nesse que votei), entretanto, mostrou-se mais que uma descrição técnica do guarda-corpo. Durante a apresentação, ele descreveu suas pesquisas, seu acompanhamento dos comentários postados em blogs, a consulta a vários fornecedores e prestadores de solução em plástico reciclado, alguns cálculos de custo e resistência, e qual foi a lógica de elaboração de todo o projeto.

Assim sendo, devido ao uso de material inovador, susentátel e altamente durável, à evidente profundidade da pesquisa e do entendimento do problema, e, principalemente, à consideração e integração no projeto das reais necessidades dos usuários diretos (que são os ciclistas), votei no projeto do Rodrigo Troyano.

Não que isso seja determinante, mas ele é ciclista e está bastante familiarizado com mídias sociais de ciclistas. Assim sendo, considerando que o que foi selecionado foi uma IDÉIA, e não um projeto pronto, acredito que ainda haja espaço para fazermos sugestões quanto a pequenos ajustes.

Ficou implícito, ao final do evento, que serão feitos protótipos a ser instalados e avaliados pela comunidade. Vamos ficar atentos, e assim que sair algum protótipo desses, há de ser amplamente testado por todos os cidadãos/ciclistas interessados.

 

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21 respostas para Resultado da Seleção de Guarda-Corpo para a Ciclovia da Ipiranga

  1. pabloweiss disse:

    Helton,
    Primeiramente, te agradeço pelo empenho e pelo tempo doado em mais esta empreitada.
    Infelizmente, não podemos esquecer que o guarda-corpo é apenas um dos problemas que este péssimo projeto cicloviário apresenta (http://www.poabikers.com.br/?p=661).
    Na minha opinião tivemos mais uma vitória, traduzida com a oportunidade de participarmos do processo seletivo, mas no geral, acho que as obras desta “suposta ciclovia” deveriam ser imediatamente paralisadas.
    Diante de tantos outros problemas, é gritante a necessidade de uma revisão em todo o seu projeto. Nossa vitória maior só ocorrerá quando as ciclovias de Porto Alegre forem realmente “utilizáveis”, trazendo reais benefícios para os ciclistas da nossa cidade.

    • heltonbiker disse:

      Concordo integralmente, e estou certo de que há muitos arquitetos que pensam assim também. Nas palavras do Malinksi, que estava na banca: “Estamos começando um projeto pelo detalhe”, referindo-se ao concurso feito somente para um guarda-corpo (e não para a ciclovia, para a avenida, ou para o plano diretor cicloviário, ou pra cidade inteira). Não sei como seria feito para parar tudo e revisar tudo, mas acho que esse deve ser um possível próximo passo.

    • Aldo M. disse:

      Pablo, da forma como as obras de ciclovias vem se arrastando, acho que não precisamos nos preocupar em paralisá-las 🙂

  2. Obrigado pela tua doação, tem certeza que contribuíste muito para termos mais uma vitória. Os restantes argumentos, nada tem a ver com o teu trabalho na banca de julgamento dos projetos. Parabéns ao IAB porque está sensibilizado com os problemas candentes da cidade e quer dar contribuições que são inestimáveis. Parabéns ao vencedor que pesquisou e correu atrás de uma solução muito interessante. BICICLETA !!!!!!! Saúde

  3. Aldo M. disse:

    Parabéns, Helton. Foi um grande avanço em relação a algumas propostas apresentadas na imprensa que não estavam comprometidas com a funcionalidade.
    Foi importantíssima a participação dos ciclistas neste projeto, tanto a tua como membro da comissão de seleção e a de diversos outros colaborando com idéias que foram aproveitadas pelo vencedor do concurso. Espero que este modelo, que insere os usuários no desenvolvimento dos projetos se torne a regra a partir de agora.

    • heltonbiker disse:

      Quem realmente tem mérito foram os ciclistas e cidadãos atentos, que desde o primeiríssimo momento causaram “polêmica nas redes sociais”, com direito a “chuva de emails”, mobilização de prefeito, etc. Fica clara a mensagem de que o governo deve satisfação ao povo, e que este tem todo o direito de exigir, exigir e exigir. Isso cria um reforço positivo que faz com que nossa democracia “de verdade” só tenha a ganhar.

  4. Bike Point disse:

    parabéns as pessoas dedicadas ao projeto.
    com certeza nada que venha a ser escolhido irá agradar a todos porém aos que reclamarem após a escolha resta dizer: porque não participaste do debate porque não deste sua contribuição e não a sua indignação.
    novamente parabéns aos que estão trabalhando.
    tenho certeza que ficará sim bem melhor que o projeto inicial.

  5. Marcelo Sgarbossa disse:

    Valeu Helton!

    Agora vamos ver se sensibilizamos os gestores (e o Zaffari e Praia de Belas) de que lugar de ciclovia é na pista e não nos canteiros para não “atrapalhar” o transito de carros.

    marcelo

  6. Gustavo Melo disse:

    Isso ai não vai proteger ninguém de nada ! Troço de plástico, só pra enfeitar, funcionalidade zero. Tinha que ser TODO de concreto pra PROTEGER as pessoas. Cimento/concreto é muito caro ? pega um patrocínio da Gerdau e coloca metal no lugar do plástico.

    Esses plásticos já foram testados em quantos locais ? o metal deforma, em uma batida, o plástico QUEBRA E FAZ PONTAS CORTANTES.

    Quero ver a hora que um caminhão ou carro desgovernado/bêbado/etc… (como é bem comum na ipiranga, diga-se de passagem) ENTRAR num troço desses E MATAR alguém.

    Na cidade baixa, quem foi atropelado caiu no chão, ali o cara vai ser jogado pra dentro do riacho, com alturas de até 10 metros lá pra baixo, PEDRAS, taludes, etc…

    Não adianta proteger de arranhões, usando plástico e almofada, com concreto só na sustentação do troço e morrer com um pedaço de plástico pontudo ou sendo jogado lá pra baixo !

    • heltonbiker disse:

      É importante considerar que foi feita uma seleção para GUARDA-CORPO e não para guard-rail.
      A estrutura a ser montada visa impedir que o ciclista caia acidentalmente para fora da ciclovia nos pontos de perigo (borda do arroio ou pista dos carros muito próxima).
      A estrutura selecionada NÃO SE DESTINA a proteger os ciclistas dos carros, ou segurar os carros para que não caiam no arroio.
      Nenhuma proteção dessas tem caráter preventivo, ou seja, se algum carro apresentar trajetória de invasão de ciclovia, trata-se muitas vezes de imperícia ou imprudência, e no presente contexto não é objetivo de nenhuma estrutura de proteção real ou hipotética fazer mágica nesse sentido.
      Por fim, o arquiteto vencedor apresentou dados concretos a respeito da resistência, disponibilidade e durabilidade do material, tanto é que o projeto foi aprovado em uma seleção prévia feita por 6 engenheiros/arquitetos, e por uma segunda seleção feita por dois técnicos da prefeitura e dois arquitetos do IAB-RS.

  7. Gustavo Melo disse:

    Ah e se a proteção não for até o nível do solo, a chance da perna de alguém ficar presa em um acidente e ser “laminada”, quase como um cortador de papel cortando folhas, é bem real.

    • heltonbiker disse:

      Andar de bicicleta é muito seguro. Andar de carro é que é perigoso, tanto para quem dirige mas principalmente para quem é exposto à presença de carros. Por isso mesmo, estamos trabalhando pelo aumento da estrutura cicloviária, para que seja uma alternativa melhor ao modelo carrocêntrico.
      Além disso, posturas de “medo, incerteza e dúvida” tendem a ser mais perigosas do que benéficas, pois causam a falsa impressão de que andar de bicicleta é muito perigoso, quando na realidade não é (na maioria dos casos). Isso diminui o número de ciclistas nas ruas, o que comprovadamente faz com que a segurança dos ciclistas fique comprometida.

      • Gustavo Melo disse:

        Então a Espanha, e outros países europeus, normalmente citados aqui, agora estão errados ? estes países e o que eles desenvolveram para segurança, agora não serve ?

  8. Fernando disse:

    Ah, o paradoxo da perfeição assintótica e a unanimidade burra.

  9. Gustavo Melo disse:

    Brasileiro tem mania de reinventar a roda sem testes e se guiar por ideologia e estética. Busquem no google por esse sistema, utilizado e testado nas estradas espanholas (quem já esteve lá sabe como é). O sistema é concretado no solo, utiliza metal e COMPOSTOS TRANÇADOS TESTADOS em crash test com bonecos (dummy), que não soltam e não geram pontas, mas sim deformam, absorvem e redirecionam o impacto.

    Eu sempre PRESUMI que a EPTC e sua área de engenharia (bem como a todos ligados ao projeto) fosse buscar soluções que já tivessem comprovação … quando vi as fotos no jornal fiquei estupefato que ninguém pensou nisso…

    SISTEMA A SPM-BASIC HOMOLOGADO NORMA UNE 135 900 PARA A PROTECAO DOS GUARD RAILS (ESPANHA)

    A empresa espanhola de sistemas de proteção básico oferece a primeira proteção em um sistema continuo, não rígido, de absorção de impactos para a proteção de CICLISTAS e motociclistas que minimiza a forca de colisão e evita a saída por baixo das barreiras de segurança.

    Ensaio realizado sobre o sistema de contenção BMSNA4/120 , segundo OC 321/95, este dito ensaio se realiza sobre a norma UNE 135 900-1,2.

    O sistema Basyc trata de minimizar os efeitos dos impactos diretos contra a defensa e o guard rail tratando de evitar colisões diretas e seccionamentos de membros, por ser este um sistema continuo que atua pelo exterior do guard rail. O ótimo resultado advém do embalsamento que recebe o impacto absorvendo ao sujeito e reconduzindo-o no sentido da marcha, com o que evitando o efeito de tambor ou rebote , e o contato direto com o pilar.

    O sistema Basyc a diferença de outros sistemas emprega uma malha ou tecido elástico.
    Composta por uma serie de fios trancados por meio de uma determinada confecção que proporcionam uma alta resistência ao impacto provocando uma grande quantidade de absorção de energia, a qual reduz paulatinamente a forca do golpe graças ã sua elasticidade .
    Leva um processo complexo de tratamento superficial que evita as altas temperaturas que se produzem com o impacto, permitindo por sua vez um deslizamento progressivo.

    O tecido de material e ligamento compostos para uma alta absorção de energia de impacto na proteção

    Imagem : http://imageshack.us/f/191/novo12t.jpg/

    Mas como é “feio” e “SÓ” serve para PROTEGER, sem ideologia por trás, ninguém vai querer…

  10. Aldo M. disse:

    Prefiro esperar para ver como vão fazer o guarda-corpo. Na minha opinião, vão acabar trocando o plástico por uma tábua e pronto.
    A proteção para os automóveis não invadirem a ciclovia parece que não está no escopo do projeto do guarda-corpo, o que não quer dizer que não precise ser tratada com algum outro tipo de proteção para atender a esta finalidade.

    • Gustavo Melo disse:

      Já existem soluções, em especial na espanha, que podem proteger contra as duas coisas, em um só projeto, que utiliza tecnologias prontas.

      Com a QUANTIDADE ENORME de veículos que tem na ipiranga, se uma pessoa passar por baixo da proteção, ela cairá na pista e será atropelada…

      • Aldo M. disse:

        Está certo. O guarda-corpo proposto parece ter se preocupado apenas com a proteção do ciclista para não cair no barranco.
        Porém, se a distância da ciclovia ao meio-fio for maior que 1,5m, não seria necessário guarda-corpo no lado da pista.

  11. Carlos Henrique disse:

    Esta questão de: se um ciclista cair e deslizar para a Ipiranga ou outro ponto qualquer; eu creio ser de baixa probabilidade de ocorrer. Ela eh existente, mas pode ocorrer muito eventualmente.

    Assim, na minha opinião, pensando em proteger o ciclista, para resolver isto bastara plantar um arbusto de boa densidade e de baixa estatura que certamente ira ajudar ao ciclista nao deslizar para a faixa de automóveis, bem como para o arroio.

    Este arbusto que me refiro eh aquele que muitos usam em jardins para efetuar um muro verde ou efetuar uma divisória natural. Ele eh robusto o suficiente para evitar de animais em fazendas atravessarem para o outro lado da divisória. Foi uma solução simples, barata que alguns fazendeiros de baixa renda vem utilizando no interior.

    Assim, eu creio que deve também segurar um ciclista que venha a cair e resvalar para a faixa.

  12. Palpites e mais palpites, esteve aqui colocado um post pedindo colaborações muito poucos se manifestaram, fomos numa reunião no IAB, que foi comunicada no post, quem foi se manifestou; agora ficar bolando ou julgando não adianta. Todas as opções podem ser boas, desde que a ciclovia estivesse construída no lugar correto, neste lugar em que está sendo construída tem todo para dar errado, mas vamos lá, quem sabe questionam o que tem que ser questionado, que é o lugar de construir a ciclovia. Todo para não tirar dos carros estacionados na Ipiranga, esta faixa de estacionamento. Por que não questionam isto? helton novamente parabéns pelo teu trabalho foi muito bom.

    • Mariza disse:

      Exatamente, Martinez. O ponto é o local da ciclovia. Para não enfrentar os donos da cidade,isto é, os donos dos automóveis, a prefeitura insistiu nesta ciclovia cheia de problemas. O resto é paliativo.
      E agora que o projeto foi aprovado – e o bom senso indica que é bom, ao mesmo tempo em que o arquiteto, que entende do seu objeto de trabalho mais do que os palpiteiros de plantão (especialmente os que só aparecem quando é para falar mal), defende os materiais que utilizou, só nos resta agradecer ao Helton pelo bom senso e pela representatividade.

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