Relato da reunião com arquitetos, no IAB-RS

Caros Colegas

Novamente, devido ao caráter emergencial imposto pela EPTC, venho publicar aqui o resultado da reunião ocorrida hoje, com os ciclistas que quiseram e puderam participar após terem sido convidados às pressas pelo IAB-RS via Facebook, poabikers, comentários de blog, emails, etc.

O Alexandre e o Fabricio, que são arquitetos membros do IAB-RS e TAMBÉM ciclistas, estavam ávidos para ouvir a opinião dos ciclistas a respeito dos desejos e anseios a respeito do guarda-corpo, como também da ciclovia, da avenida, do plano diretor e da vida em geral, como aliás convém que pensem os arquitetos – de forma INTEGRADA, e com certeza eles dois pensam assim.

De acordo com normas divulgadas pela EPTC e publicadas no site do IAB-RS, haverá a inscrição de IDÉIAS (não projetos) que participarão de uma SELEÇÃO (não é concurso).

A segunda etapa dessa seleção será pública, onde o julgamento coletivo selecionará uma entre três idéias pré-selecionadas por uma comissão técnica.

Essa primeira etapa técnica selecionará somente TRÊS, entre toda a multidão de propostas que tiver sido enviada e classificada para a seleção.

E é aí que entra um pseudo-porém, pois serão CINCO membros nessa equipe técnica: dois arquitetos do IAB-RS, um da EPTC, um da SMOV, e um representante escolhido pela comunidade ciclística.

Estavam presentes, da comunidade ciclística, o Marcelo Sgarbossa, a Melissa, o Martinez, o Flávio Beylouni, a Ninki e eu, Helton. Pois acabaram me escolhendo para ser o representante, o que eu muito de bom grado me voluntario a fazer.

E essa escolha se deu, quero crer – e foi o que os amigos lá disseram – devido ao meu compulsivo e desesperado empenho em ressaltar e trazer a público a terrível inadequação do modelo de guarda-corpo proposto inicialmente pela EPTC, tendo chegado a apresentar uma proposta alternativa.

Desde o dia em que saiu no jornal que a proteção foi aprovada pela equipe técnica da EPTC, muitos de nós prontamente saíram enlouquecidos a pesquisar e debater normas técnicas, em especial que me lembre o Martinez, o Aldo, o Artur e eu. O resultado foi o aparecimento de DIVERSOS materiais de excelentíssima qualidade. A própria EPTC mencionou um documento, o AASHTO Guide for the Planning, Design, and Operation of Bicycle Facilities, que pelo pouco que pude ver rapidamente é muito mas muito bom, e será estudado a fundo, por nós, o mais rápido possível.

Quero deixar duas coisas muito claras:

  • Supondo que não haja maiores objeções à escolha do meu nome, pretendo representar idéias que venham a ser discutidas por nós, ciclistas de Porto Alegre, de maneira pública, profunda, abundante e transparente, a fim de que possamos aproveitar a oportunidade de transformar uma partezinha de um projeto problemático situado sobre um local problemático em algo o menos pior possível, e que de fato cumpra sua função de contribuir positivamente para a vida do ciclista enquanto estiver pedalando pela ciclovia, ou seja, que não seja algo que mais atrapalha do que ajuda, nem que seja algo que cria mais perigo do que elimina (evidentemente, que seja bonito, etc., mas isso acho que os arquitetos podem julgar. O fundamental é que ao menos alguém, nessa comissão, possa apresentar as REAIS NECESSIDADES de quem vai de fato (ter que) pedalar naquela bendita ciclovia).
  • EM NENHUM MOMENTO estaria eu ou mais ninguém, durante a reunião ou fora dela, se propondo a representar a MASSA CRÍTICA. Isso não tem NADA a ver com a Massa Crítica: o que o IAB-RS precisa é de um (único) representante da COMUNIDADE CICLÍSTICA de Porto Alegre. Nem sei se isso existe, e todos (principalmente os arquitetos que nos atenderam) lamentamos profundamente o caráter emergencial e improvisado com que as coisas estão sendo conduzidas pela EPTC. Todos pretendemos, isso sim, transformar o limão em limonadinha, e chegarmos ao menos pior resultado possível dentro das limitações que nos foram impostas (entre elas, a limitação de não poder escolher o representante da comunidade ciclística de forma mais democrática, com um maior número de “candidatos” e de eleitores).

Minha proposta de PLANO COLETIVO, PÚBLICO E TRANSPARENTE é esta:

  1. Divulgar maciçamente e rapidamente, aos quatro ventos (blog, twitter, email e facebook) a existência desse concurso, dessa reunião, da necessidade de existir um “representante dos ciclistas”, as datas, os termos, os links, tudo;
  2. Pensarmos e comunicarmos entre nós quais são as características FUNCIONAIS (altura, espaço, formato, distribuição, estrutura, etc.) que desejamos que o guarda-corpo tenha, de forma a proporcionar a devida segurança e praticidade para circulação normal adequada na ciclovia, E em caso excepcional, de garantir nossa segurança em caso de desequilíbrio, queda, colisão contra a mureta;
  3. Obter e divulgar as normas técnicas, para que possamos também ter acesso ao  conhecimento necessário para avaliar e elaborar idéias, esboços, propostas;
  4. Avisarmos nossos amigos e conhecidos arquitetos, quem sabe arquitetos/ciclistas (diz a lenda que há vários), para que possam submeter projetos;
  5. Dialogar com outros segmentos, possivelmente até com o próprio IAB-RS, que se mostrou imensamente interessado e receptivo em fazer tudo o que for cooperativamente possível para a qualificação do espaço público da nossa cidade, e em especial desse sub-sub-universo do guarda-corpo da ciclovia.

De posse dessa “lista de requisitos funcionais” amplamente debatida e acordada, o representante da comunidade (que na ausência de objeções, esse seria eu) deverá então ser capaz de fazer uma apropriada filtragem dos projetos, favorecendo (por exemplo) aqueles que promovam amplo espaço de circulação, ultrapassagem e parada, que não interfiram com a movimentação dos pedais e do guidão, e desfavorecendo (também por exemplo) aqueles em que haja blocos de concreto, floreiras pontiagudas, toras com quinas verticais na altura dos dentes, ganchos que se enrosquem nos bar-ends ou no bull-horn, e coisas do tipo.

Agora vou sair atrás de normas técnicas, e pretendo em no máximo 24 horas colocar outro post aqui, com alguma “digestão” já feita a respeito dessas normas. Por outro lado, o arquiteto Alexandre disse pra ficar bem tranquilo quanto a isso de norma, porque isso eles já vão filtrar de qualquer maneira. O importante, segundo eles, é “sonhar” mesmo, pensar bem o que é que a gente realmente quer, como é que uma ciclovia de verdade (ou ao menos o guarda-corpo de verdade dessa ciclovia) tem que ser, o que realmente resolve o problema.

Pode ser, e já imagino que a essa altura quem leu até aqui já está pensando nisso, que se chegue à conclusão de que é IMPOSSÍVEL fazer o que deve ser feito com as restrições já existentes (talude de arroio, fio e poste de alta tensão, obra já em andamento, avenida movimentada). Bom, mas aí já é OUTRA história…

Enfim, estou aberto a qualquer opinião que se apresente.

email: heltonbiker arroba gmail ponto com

twitter: @heltonbiker

facebook: helton scheer de moraes

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25 respostas para Relato da reunião com arquitetos, no IAB-RS

  1. heltonbiker disse:

    A bíblia que a própria EPTC se propõe a seguir, achei o link com texto integral.
    Algo me diz que nem deveriam ter dado idéia.
    Recomendo a leitura aos ávidos por informação, conhecimento e entendimento:
    http://design.transportation.org/Documents/DraftBikeGuideFeb2010.pdf

    • Será que alguém leu estes documentos na Prefeitura ou na EPTC???? Acho que eles estão loucos, totalmente loucos, não pode ser que eles não tenham lido isto e se leram, porque desta ciclovia maluca na Ipiranga? Sinceramente é o cruzeiro COSTA EPTC totalmente sem rumo. A especialidade só é multar.Saúde

  2. Quero ver a EPTC conseguir seguir esse documento…
    Nunca fizeram nada parecido com isso..

    Com relação ao Helton ser o escolhido, acredito que das pessoas que eu conheço, não poderia ter sido escolhida uma pessoa melhor…

    Parabens ao pessoal que estava na reunião pela escolha muito acertada em minha opinião.
    Parabens Helton.

    Acredito de verdade que como estudioso e pessoa correta que és, fará um ótimo trabalho como sempre fez, com relação a mobilidade urbana e a bicicleta.

    * trabalho = atitudes, discussões, opiniões e estudos, entre outras coisas…

    Abração
    Ed

  3. Aldo M. disse:

    Vejam as voltas que o mundo dá. O IAB, até há alguns anos, tinha um represente no Conselho Municipal de Desenvolvimento Urbano Ambiental. Foi escanteado depois que o Fogaça assumiu a Prefeitura (a história mal contada está no link
    http://www2.portoalegre.rs.gov.br/spm/default.php?p_secao=168
    no final da página).

  4. Fabrício disse:

    Eu to tranquilo contigo abraçando essa tarefa. Legal também saber que toda essa palhaçada de mídia marrom chamando ciclista de problema e eptc tropeçando ano após ano e toda a função dos ciclistas e do evento da massa crítica tão levando mesmo a discussão a crescer cada vez mais e aumentar o número de capítulos agora do lado da ação. Enfim, a uma da manhã a opinião sai meio embolada mas é isso aí mesmo. Um abraço

  5. Rudah disse:

    Blz e o piso da tal ciclovia como vai ser? Blokrets como aqueles do Barra Shopping? De preferência doados por algum mega ultra empreendedor da capital enquanto a prefa embolsa a grana do plano cicloviário da capital e dilui entre seus muito achegados na forma de campanhas, camisetas, tudo pela educação no trânsito…E tem gente que ainda acha que trânsito se resolve com campanha de educação…Meu Deus…

    • heltonbiker disse:

      O piso já foi decido que vai ser asfalto. Só vamos esperar que seja asfalto liso e sem tampas de bueiro.

    • Marcus Brito disse:

      Vale lembrar que a ciclovia da Ipiranga está sendo construída e financiada pelo Grupo Zaffari, como contrapartida de suas obras, de acordo com o Art. 24º de PDCI. A EPTC ainda é responsável pelo projeto da obra, mas o custo direto não está saindo dos cofres públicos.

      E a única solução para o trânsito é a educação, sim. Que a prefeitura embolsou dinheiro que deveria ser destinado ao PDCI é fato, mas isso agora está sob investigação do MP e devemos aguardar a apuração dos fatos. A educação pode funcionar, se ela de fato for feita.

      • Rafael F. R. disse:

        Uma pequena correção/complementação sobre o disposto pelo artigo 24 do Plano Diretor Cicloviário Integrado, regulamentado pelo Decreto N.º 16.818/2010…

        O Grupo Zaffari, além de ser obrigado à financiar e construir a Ciclovia da Ipiranga, também é o responsável pela elaboração do projeto executivo, conforme pode-se constatar através da leitura do artigo 2.º do Decreto N.º 16.818/2010:

        Art. 2.º – O empreendedor deve apresentar ao Município o projeto executivo, com a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), o qual deverá ser aprovado pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e pela Secretaria Municipal de Obras e Viação (SMOV), bem como, quando for o caso, pelas demais Secretarias competentes.

        Lembremos que temos, enquanto cidadãos, o direito de fazer as devidas cobranças aos órgãos públicos, mas sempre como o dever de, no mínimo, fazer as interpretações corretas dos dispositivos legais que estamos citando.

      • Marcus Brito disse:

        Erro meu, peço desculpas. Eu estava citando o PDCI de cabeça, e devido à recente exposição na mídia da Engenheira Lissandra, da EPTC, eu assumi erroneamente que era dela a responsabilidade técnica da obra.

      • Aldo M. disse:

        Na verdade, a responsabilidade é compartilhada. A EPTC deve fazer o projeto básico, enquanto o Zaffari, o projeto executivo.
        Já a execução da obra é de responsabilidade do Zaffari, enquanto a EPTC é responsável pela fiscalização da mesma. Pela atual legislação, a responsabilidade pela execução é solidária entre o executor e o fiscal. Ou seja, pode-se cobrar indistintamente de qualquer um pelo bom resultado final.

  6. Beto disse:

    Helton, parabéns, coragem e todo o apoio. De longe, tens plenas condições de ajudar e de cumprir esta missão! Fico feliz em saber de tua representação. Parabéns, igualmente, aos participantes que puderam comparecer à reunião.

    Se, infelizmente, não há como reverter a ciclovia de cima do talude para a direita da pista, paciência. Desafortunadamente, sempre há possibilidade pra uma administração pública inconsequente cometer os erros intencionalmente, ainda que avisada dos mesmos.

    Abraço.

    • Boa análise da intenção desta administração.Saúde

    • Aldo M. disse:

      A decisão de onde construir a ciclovia é da Prefeitura, mas podemos ter uma grande influência, cobrando um bom resultado do poder público. Ela precisa atender a todas as exigências técnicas que se aplicam. Se a Prefeitura conseguir fazer isto sobre o talude, não teremos do que reclamar. Senão, temos que cobrar até que fique de acordo, seja onde for construída. Não devemos fazer concessões à segurança e funcionalidade só porque é difícil resolver todos os problemas naquele local. Se não puderem resolver ali, que a façam em outro lugar.

  7. Boa, Helton! Parabéns pela indicação e por assumir a responsabilidade. Há alguns meses dei uma lida em vários documentos de outras cidades, estrangeiras, que pesquisaram e produziram ciclovias e ciclofaixas. Se quiseres posso te enviar tudo por e-mail, ainda que já estejas mais adiantado nas leituras técnicas.

  8. sergiok disse:

    Alguém sabe a largura da pista no trecho que já começarama a fazer?

    • heltonbiker disse:

      De acordo com a Lisandra, dois metros e meio, exceto ao redor dos postes, onde fica um metro e meio, ponto em que deverá passar um ciclista por vez.

      • sergiok disse:

        E porque eles não puderam retirar aqueles canteiros de concreto? Eles tem alguma função ali?

      • heltonbiker disse:

        Em princípio os concretos cilíndricos vão eventualmente ser retirados, mas evidentemente os postes são imexíveis. Já é alguma coisa.

      • Aldo M. disse:

        A função dos “canteiros” de concreto é proteger as torres da alta-tensão, que poderiam entrar em colapso se forem atingidas por algum veículo pesado.
        A CEEE sabe que, algum dia, vai ser obrigada a remover aquela linha de transmissão aérea e substituí-la por uma subterrânea, que é a solução indicada em uma zona urbana.

  9. rodrigoX disse:

    olá,
    os canteiros cilíndricos de concreto servem para proteção dos postes contra abalroamentos “delles” – dos veículos auto-propelidos!!
    parabéns Helton, te acompanho aqui e no FB. tens toda moral (e muito mais) para assumir tal função.
    achei extremamente exíguo o prazo dado para a confecção e entrega dos projetos de sugestão.
    devemos exigir o mesmo respeito ao tempo ordenado, “delles” – da EPTC!!
    grande abraço!

    • Aldo M. disse:

      Eu estou convencido de que é impossível encontrar uma solução suficientemente segura por menos de R$ 150,00 o metro. Eu ficaria muito feliz se me provarem o contrário, mas acho mais fácil provar que Papai Noel existe.
      Podem achar que estou exagerando, mas esta é no mínimo uma possibilidade que precisa ser considerada.

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