Mais sugestão – O quesito Segurança

Pra não dizerem que só reclamamos, faço questão de ecoar a iniciativa da Melissa em post anterior, que mencionou a idéia das trepadeiras.

Mais que beleza ou sustentabilidade, tem me preocupado a possibilidade de colisão do ciclista contra a própria proteção (o que vem antes da possível queda no arroio ou na avenida). A cerca como está, ao invés de proteger, machuca pra valer, conforme já escrevi compulsivamente aqui, em posts e comentários, esta semana.

Pois agora segue minha sugestão, que não altera nem material nem método de construção, mas que me parece infinitamente mais segura para o ciclista, considerando:

  • Diminuição da quantidade de toras e portanto do custo total;
  • Passagem do elemento horizontal para o lado do ciclista;
  • Posicionamento do elemento horizontal inferior para a altura da coxa do ciclista (por volta de 70 ou 80 centímetros do solo), deixando livre o pedal;
  • Posicionamento do elemento vertical na altura do braço do ciclista, deixando livre o guidão (por volta de 1,4 m do solo, exatamente o recomendado pelas normas para esse tipo de proteção);
  • Eliminação de qualquer canto vivo acima do elemento horizontal superior.

É importante que, em caso de choque do ciclista com a proteção, em velocidade, esse seja desacelerado gradualmente, sem que seu corpo se choque contra elementos verticais ou quinas vivas, e sem que a proteção cause perda adicional do controle da bicicleta, o que aconteceria no caso de colisão contra o pedal ou o guidão da bicicleta.

A experiência tem comprovado que coxa e o antebraço são bons pontos de apoio, especialmente se os elementos horizontais são suaves, lisos, e não apresentam emendas, ganchos, parafusos, quinas vivas e outras características potencialmente causadoras de lesão.

Ressalto novamente que essa mudança é DRÁSTICA em termos de segurança para o ciclista, mas é mínima em termos da solução como existe hoje.

Adoraria ouvir vossas opiniões.

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22 respostas para Mais sugestão – O quesito Segurança

  1. Fernando disse:

    Tô achando que o bom mesmo seria uma longa piscina de bolinhas ao longo da ciclovia…eheheheh Brincadeira, só acho que deveria ser inclinado para o lado do arroio, para dar mais sensação de espaço para o ciclista, e poderia ter uma canteiro sob as toras para servir de substrato para o plantio de alguma vegetação ornamental, sem espinhos nem galhos robustos.

    • heltonbiker disse:

      Perfeito. Melhor ainda.

      Se eu tiver tempo, dou uma atualizada no desenho. Pelo jeito que chove, o cicloturismo vai ficar pro fim de semana que vem :o(

  2. Vamos tentar ser objetivos, acho que na tua proposta estão contemplados os aspectos anatômicos e funcionais envolvidos na questão da segurança do ciclista. Concordo plenamente com o desenho projetado assim como com a descrição do mesmo. A questão de outras plantas eu não sei porque manter a umidade sob a madeira geralmente causa rapidamente o deterioro dela e a planta mantêm muita umidade.
    Acredito que não precisamos sermos simpáticos ou bons samaritanos, tentando tirar da Prefeitura a responsabilidade por nos brindar com esta imensa sarjeta que é o Ipiranga dissimulando ela com flores ou plantas.
    Os Arquitetos estão preocupados com a beleza do projeto, e a Lisandra Limas com a funcionalidade, mas nenhum deles considerou os aspectos funcionais e anatômicos do ser humano que irá usar esta ciclovia, como tu Helton o fizeste, gostaria de enviar este post ao pessoal do IAB; porque não se trata de um corredor de ônibus ou de carros e sim uma ciclovia, que segundo um famoso integrante do clan da EPTC, já estaria definida nas normas nacionais e internacionais; mas não vi nada no Plano Cicloviário aprovado pela Prefeitura e em vigor em Porto Alegre. Defesas, proteções e guarda copos é um capítulo indispensável, em qualquer plano cicloviário, que o nosso não possui. Saúde

    • heltonbiker disse:

      Já enviei ao IAB e à própria Lisandra, essa mesmíssima sugestão. Esperemos que ao menos os requisitos anatômicos do sistema humano-bicicleta sejam melhor considerados durante a discussão que haverá.

  3. airesbecker disse:

    Muito bom Helton é isto mesmo!!

  4. airesbecker disse:

    Completando sobre as plantas existem muitas variedade nativas que são rústicas e se adaptam naturalmente ao nosso clima, não precisado de maiores cuidados e que não retém portanto mais umidade que o natural.

  5. Flávio disse:

    Me occorreu que o guarda-corpo não precisaria ficar o mais próximo possível da pista de rolamento. Poderia sim, ficar o mais afastado possível e o mais próximo possível do dilúvio antes da queda no abismo. Ou seja, continuaria existindo mas daria espaço de manobra aos ciclistas.

    • heltonbiker disse:

      Pra variar, essa também é uma recomendação explícita dos manuais estrangeiros. Entretanto, para quem não conhece intimamente o problema (não é ciclista), pode parecer que o mais óbvio é colocar a proteção bem pertinho, para proteger mais.

  6. fdsbike disse:

    Escutei na rádio agora que a EPTC vai lançar um concurso para escolha do melhor projeto para o guarda-corpo a ser construído na ciclovia da Ipiranga. Se não me engano o prazo para apresentar os projetos será até dia 19/janeiro/2012.

  7. Aldo M. disse:

    Isto sim é um projeto consequente. Não adianta ser engenheiro nem arquiteto se não conhecer o assunto.

    O guarda-corpo é necessário para evitar que o ciclista se projete em direção à pista de rolamento ou ao barranco que termina em um patamar de concreto. Então ele precisa impedir isto com eficiência. Penso que a tua sugestão, Helton, está perfeita para evitar que o ciclista se machuque ao se chocar com a cerca ou que seja projetado sobre ela; Porém, o espaço entre os elementos horizontais me parece excessivo e talvez permita que um criança em uma bicicleta pequena passe entre eles.

    Outro aspecto é a distância do guarda-corpo à ciclovia, que deve ser de 1 metro no mínimo – isto precisa ficar muito claro e explícito no projeto. Também precisa ser pensada a distância da cerca ao meio-fio, para evitar que um pedestre que cruze a avenida não fique embretado.

    Mas muitos outros problemas ainda irão surgir, pois não foi elaborado um projeto, Tudo tem solução, mas está implícito que a Prefeitura não irá sequer considerar qualquer solução que roube um centímetro que seja dos automóveis. Isto não é um critério técnico, mas uma política enviesada que rasga o Plano Diretor do Município, uma vez que este explicitamente prioriza o transporte coletivo, o pedestre e a bicicleta. Em vez disso, a Prefeitura ainda propõe soluções que colocam a vida de seus cidadãos em grave risco por considerar absoluto e pétreo o direito dos automóveis. Simplesmente, nojento!

  8. Beto Flach disse:

    Se nos colocamos a discutir a ESTÉTICA desta aberração que é colocar a ciclovia no talude, é porque já aceitamos sua existência como necessária, viável, aceitável, inquestionável, etc. Particularmente, não concordo em discutir a partir desta premissa – ela está errada e fazer a discussão a partir da existência desta obra sobre o talude é comprometer o futuro!

    Assim, vai meu indicativo de sugestão, que já publiquei no post genial da Srta. Melissa ao afirmar a implantação da gadovia (melhor qualificativo pra aquilo que estão instalando ali!).

    PROJETO CICLOVIA NA IPIRANGA:
    PRIORIDADE 0: PARAR TUDO O QUE ESTÁ SENDO FEITO (deixa aquilo que já está ali para a memória histórica dos erros já cometidos pela humanidade e para a RBS ter o que contemplar a cada belo dia! Não vai servir nem pra pixação!) E COMEÇAR COM O MODELO CORRETO, MAIS ECONÔMICO, MAIS FUNCIONAL, MAIS ESTÉTICO, MAIS UNIVERSAL, EXIGENTE DE MENOS MANUTENÇÃO, MAIS SEGURO, MAIS ATRAENTE E CONVIDATIVO AO USO, DENTRO DAS LEIS VIGENTES, U.S.W.

    PRIORIDADE 1: Tirar TODO o estacionamento da pista direita da Ipiranga, EM AMBOS OS SENTIDOS;

    SOLUÇÃO POLÍTICA PARA OS QUE ACHAM A PRIORIDADE 1 UM PROBLEMA: Já que é tão necessário manter as vagas para garantir que o prefeito possa se reeleger (palavras dos seus…), coloca estes estacionamentos sobre o talude! Sim! Sobre o talude, na transversal. Bastará um só gard-rail pra nenhum avançadinho entrar pra dentro do Esgoto Dilúvio. Fazendo uma conta rápida, nos 9 Km de extensão, digamos que dê pra aproveitar uns 60% do espaço pra estes estacionamentos, com 3m de largura cada, ida e volta, daria 3.600 NOVAS VAGAS! UAU! Com isso, o valor inestimável da reeleição não ficaria comprometido por perder o estacionamento da direita!

    PRIORIDADE 2: Com a pista da direita liberada, CHAMAR UM GRUPO DE PESSOAS QUE ENTENDAM DO ASSUNTO (QUE POSTAM E DISCUTEM AQUI, COM UMA CONSULTORIA ESTRANGEIRA, ETC.) PRA CONTRIBUIR COM DICAS PRA UMA CICLOVIA DE VERDADE NA DIREITA DA VIA, SINALIZADA, COM ACESSO PRA PODER ENTRAR E SAIR, COM PROTEÇÕES DE SOLO EFICIENTES CONTRA EVENTUAIS MANOBRAS DE AUTOMOTORES NAS ESQUINAS, COM UMA CAMPANHA EDUCATIVA ETC. ETC.;

    PRIORIDADE 3: Acabar com esta palhaçada de botar gente que nunca subiu numa bicicleta a planejar e executar uma obra de tamanha importância pra cidade, pras pessoas, pro futuro.

    O resto, talvez seja ESTÉTICA!

    Fim do projeto.

    • artur elias disse:

      Gostei da idéia de ceder o “privilégio” do talude para os carros hehehe.

      Beto, acho que você tem razão. Se você puder articular esse plano melhor, e “vender” a idéia de maneira mais eficaz (=simpática) haveria uma chance – ainda que pequena, considerando o contexto – de reverter a situação e encaminhar um projeto melhor.

      A outra possibilidade (mais provável) é que o projeto seja concluído com todos os defeitos já apontados aqui (ou nem todos).

      A 3ª possibilidade – não totalmente improvável considerando nosso triste histórico/traço cultural sul-riograndense de polêmicas belicosas/paralisantes – é que não saia projeto nenhum.

      p.s. “tecla sap”:

      U.S.W. é abreviatura de “und so weiter” e quer dizer et cetera em alemão. 😉

      • Aldo M. disse:

        Artur,
        A ciclovia deve sair de qualquer jeito (e este é o problema) por estar atrelada à liberação de empreendimentos comerciais que, infelizmente, com certeza irão sair.

    • heltonbiker disse:

      E deixar pessoas estacionarem sob linhas de alta-tensão? Com carros feitos DE METAL?? Absurdo! Inaceitável! Desordem! Chamem a polícia!

      • Aldo M. disse:

        Na verdade, não pode haver objetos metálicos (ou condutores) compridos. Precisam ser menores que um ônibus, aproximadamente, senão surgem tensões induzidas perigosas. Por isso a cerca precisa ser segmentada, como as da EPTC e a tua. Já o arquiteto ignorou isto e fez uma estrutura contínua.

  9. marcelosgarbossa disse:

    Colegas

    O pessoal do IAB entrou em contato comigo. Talvez ocorra uma reunião hoje de tardinha.

    Quem puder ir seria legal!

    abraços

    marcelo sgarbossa
    cel. 8452-2866

  10. Flávio disse:

    Com licença. Não querem instalar cercas de metal por serem condutoras de energia elétrica, mas pessoas vão transitar normalmente por ali??? Concordo com o Beto Flach. A obra teria de ser interrompida imediatamente. Se o local é próprio para andar de bike, então também o é para estacionar carros, como a muitos anos acontecia na PUC. Os alunos estacionavam no talude, eu inclusive, até ser proibido. Acho que, antes de continuar a novela, temos que ter um parecer técnico de um engenheiro elétrico sobre o trânsito tão próximo a linhas de alta tensão.

  11. Enrico Canali disse:

    Tem vários trechos nos quais a linha de alta tensão fica *exatamente* em cima dos carros, como na curva à direita que a Ipiranga faz depois da Silva Só e antes do Zaffari. É muito estranho que nunca tenha se falado que carros de metal não deveriam passar ali por baixo. Aliás, bem naquela curva também tem um guard-rail de algumas dezenas de metros. Seguindo o mesmo raciocínio, não seria o caso de tirarem o guard-rail?

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