Entrevista de Cappellari – guarda-corpo da ciclovia, pedágio urbano e outras medidas

Em entrevista concedida a Bruna Linhares, na Rádio Web, da Prefeitura de Porto Alegre (link para o áudio), Vanderlei Cappellari fala sobre o concurso para o guarda-corpo da ciclovia da Ipiranga, sobre a implementação de pedágio urbano em Porto Alegre, e sobre outras providências.

Segue transcrição do áudio, feita por mim (com destaques meus, em maiúsculas):

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A EPTC se reuniu na manhã desta sexta-feira com representantes do Instituto de Arquitetos do Brasil para tratar da escolha do guarda-corpo da ciclovia da Avenida Ipiranga.

Ficou definido que a decisão será tomada em caráter EMERGENCIAL, através de uma seleção de idéias. Técnicos e arquitetos vão poder elaborar os seus projetos para o guarda-corpo ATÉ O DIA 19 DE JANEIRO. Eles deverão seguir os critérios técnicos e de segurança que serão publicados hoje nos sites da EPTC e do Instituto dos Arquitetos do Brasil.

O Diretor-Presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, explica como vai funcionar o processo de escolha do projeto para o guarda-corpo:

“Essas idéias serão analisadas tanto pela IAB quando pelos técnicos da EPTC e da Secretaria de Obras [SMOV], que foram responsáveis por toda a parte de execução de projeto da ciclovia da Ipiranga, e aqueles que não atenderem aqueles critérios técnicos e de apresentação serão automaticamente desqualificados. Aqueles que estiverem atendendo àqueles critérios serão avaliados, e no dia 20 serão anunciadas as três idéias pré-selecionadas a participar de uma apresentação no dia 23 no auditório do IAB onde defenderão suas idéias, e poderão ser questionados ali, pelos arquitetos presentes, enfim, pelo público presente ali naquele dia. E no dia 24 nós estaremos divulgando a idéia vencedora, que deverá ter todas as suas responsabilidades técnicas, a ART [Anotação de Responsabilidade Técnica] assinada por esse técnico, e aí será implementada.”

Vanderlei Cappellari também falou sobre a Lei de Mobilidade Urbana, aprovada dia 05 pela Presidente Dilma Roussef, que permite que os municípios cobrem pedágios para DIMINUIR O TRÁFEGO DE VEÍCULOS em áreas movimentas da cidade. Conforme Cappellari, não há NENHUMA POSSIBILIDADE de um pedágio urbano ser implementado em Porto Alegre.

“Nós temos projeto e planejamento que indiquem claramente que não há essa necessidade de fazer essa restrição ou essa cobrança de pedágio, porque nós temos hoje projetos de implementação tecnológica que nos garantam uma MELHOR FLUIDEZ, através de OBRAS que serão realizadas em 2012, 2013, trarão uma qualificação na circulação do nosso trânsito na nossa capital.”

Para melhorar o trânsito na cidade, a EPTC planeja investir nos transportes coletivos. A implementação das lotações nos bairros Belém Novo e Restinga faz parte desse processo, conforme a empresa. Além disso, também está prevista a instalação de mais 88 câmeras de monitoramento em diversos pontos de Porto Alegre até a Copa de 2014.”

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Me arrisco fazendo isso, mas me sinto no dever de apontar alguns fiascos:

  • Oficialmente, a escolha da estrutura que protegerá os ciclistas e embelezará uma ciclovia será feita às pressas. O mais rápido possível;
  • O tempo hábil será de menos de uma semana. Note-se que não estamos falando de esboço, mas de algo que supostamente deverá atender a normas técnicas teoricamente muito bem definidas (ou tão definidas a ponto de definitivamente desqualificar de forma aparentemente inapelável tudo que não se enquadre nelas);
  • Até agora (13/01/2012, 20:45) nenhuma norma foi publicada nos sites apontados.
  • A decisão oficial será comunicada NO DIA SEGUINTE à apresentação das três melhores propostas. Com que qualidade será tomada essa crucial decisão?
  • A declaração de Cappellari praticamente induz o leitor a pensar que todas as responsabilidades técnicas, registradas na ART, não são da EPTC, nem da Prefeitura, nem do Zaffari, e sim do técnico que assinou o projeto;
  • O Cappellari, não injustamente apelidado de “Carrolari”, deixou claríssima (como deveria ser a água do Dilúvio) a sua convicção no modelo carrocêntrico, ao rebater a proposta de diminuição do fluxo de automotores, apoiada pela Presidenta Dilma, com uma avalanche de medidas em andamento para manter esse fluxo o maior possível. Interrompo a listinha para colar um parágrafo tirado do link “nenhuma possibilidade”, acima:
    “Pedágio urbano, nem pensar. Investir, cada vez mais, na QUALIFICAÇÃO DO TRANSPORTE COLETIVO, em tecnologia, educação e em engenharia de trânsito, além da fiscalização. Estas são as nossas prioridades, lembrando também das diversas obras previstas para a Copa de 2014, que certamente darão uma MAIOR MOBILIDADE AO NOSSO TRÂNSITO”;
  • Por falar em transporte coletivo, a única menção feita foram as tímidas linhas de lotação nos bairros Belém Novo e Restinga. Não que elas não sejam úteis, mas usá-las como exemplo de solução dos problemas do trânsito chega a ser constrangedor.
  • Por fim, a abundância de câmaras também tem uma menção mais detalhada no site da EPTC:
    Cappellari lembra que são 56 as câmeras de monitoramento do trânsito, com previsão de 140 para a Copa. Mas tem outra novidade em automação: a multiplicação de laços virtuais, com câmeras, para gestão dos tempos de sinaleiras, exemplo plenamente aprovado no cruzamento da Nilo Peçanha com Carazinho, ex-rótula da Encol: “Queremos ampliar este modelo, TOTALMENTE APROVADO,  para outros 33 cruzamentos da cidade, que apresentam trânsito mais pesado. Este projeto está em processo de licitação”
    Passo frequentemente pela Carazinho com a Nilo e os engarrafamentos são assustadores. Se isso está aprovado, então… Além do que, a instalação de câmaras para dar a maior vazão possível aos automotores no semáforo é ao mesmo tempo:

    • Apagar o incêndio com gasolina;
    • Deixar os pedestres com o tempo que sobrar, se sobrar;
    • Ignorar completamente a raiz do problema, que é o excesso de fluxo (e não a escassez de tempo ou espaço).

Enfim, ficam as constatações e as reflexões, e torçamos para que tudo dê certo.

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8 respostas para Entrevista de Cappellari – guarda-corpo da ciclovia, pedágio urbano e outras medidas

  1. Aldo M. disse:

    Como é que é? Quem der a melhor ideia terá que se responsabilizar pelo projeto que a Prefeitura deveria ter elaborado? E, assim, de grátis, sem salário, nem honorários? E já não há um projetista para a ciclovia? Com essa, me caiu os butiá do bolso!
    E mais, a Prefeitura não pode depender de “sugestões” dos cidadãos para fazer uma obra. Cabe aos cidadãos apenas apontar os defeitos e problemas. Estão invertendo as responsabilidades. O Carrolari decide tudo, que não vai ter pedágio urbano e outras impropriedades, e ainda quer que a vítima, o cidadão, assine como responsável!

  2. Marcelo disse:

    Caraca, exijo a demissão do Carrolari por justa causa!

  3. Olavo Ludwig disse:

    É phoda…eu não aguento mais as palavras desse cara.

  4. Fabrício disse:

    É um testa de ferro. Porra, impressionante isso, o único jeito é esses paus no cu caírem em 2012 e irem todos embora de mãozinhas dadas e bolsos cheios, cambada de incompetente..

  5. Jeferson disse:

    Carrolari é bem toscão. Mas o problema é mais embaixo. O Sena, que antecedeu o Carrolari, era formado em políticas de trânsito numa universidade tri chique, tipo Sorbonne ou algo assim. Não aprendeu nada, pois ficava sempre com o mesmo discursinho pró-carro e protelador em relação às demais políticas. Poderes bem grandes estão por trás desses discursos, dessa patetice. Um viaduto custa milhões, às vezes 40, 50 milhões. Às vezes mais. É grana. A gente tem que ficar de olho em onde está o dinheiro. Geralmente é ali que está o problema.

    • heltonbiker disse:

      http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smov/default.php?reg=6&p_secao=121:

      “A duplicação da Avenida Beira-Rio, que tem extensão total de 6 km, custará R$ 24 milhões. A obra, provavelmente, ocorrerá em três etapas diferentes. Até o momento já foram conquistados mais de R$ 10 milhões, que serão aplicados para a construção dos dois primeiros trechos.

      Para a execução da obra, a prefeitura dispõe de recursos federais do Orçamento Geral da União, através de emendas parlamentares, entre elas as dos deputados Ibsen Pinheiro (repasse de R$ 3,9 milhões) e Beto Albuquerque (R$ 1,9 milhões) e da bancada gaúcha no Congresso Nacional (R$ 3,9 milhões), com articulação do senador Sérgio Zambiasi, num total de R$ 9,7 milhões. A prefeitura dará contrapartida de R$ 1,94 milhão, correspondendo a 20% das emendas. O restante é financiamento.”

      http://www.transparencianacopa.com.br/obras/implantacao-de-5-obras-de-arte-na-iii-perimetral/82:

      “Passagem Subterrânia Viária rua Anita Garibaldi sob Av. Carlos Gomes R$ 11.556.333,47
      Valor do Investimento Total da obra R$ 120.400.000,00”

      etc, etc, etc…

  6. Sergio Surdo disse:

    Esse filho da mãe do Capelari será que sabe diferenciar uma formiga de um elefante? Que barbaridade, ele mais parece um ditador. É muita cegueira. Acredito que ele tenha o firme propósito de provocar nós, os ciclistas. Alguém de bom senso sabe explicar onde esse cara quer chegar? Ninguém aguenta mais esse secretário. Precisamos nos unir para dar um basta nisso.

  7. Aldo M. disse:

    Quando ele diz que não há nenhuma possibilidade do pedágio urbano ser implantado em Porto Alegre, desconfio que ele se apavorou por causa do esquema dos estacionamentos subterrâneos. Quem está por trás disto já conseguir incluir no capítulo de mobilidade urbana do Plano Diretor de PoA o estranho item: “VI – estímulo à implantação de garagens e estacionamentos com vistas à reconquista dos logradouros públicos como espaços abertos para interação social e circulação veicular.” Uma restrição à entrada de carros no centro certamente iria tornar o negócio bem menos lucrativo, o que explicaria o termo exagerado “nenhuma possibilidade” de isto acontecer.

    Se eles prezam tanto o Plano Diretor, porque pularam o 1º item do capítulo de mobilidade, “I – prioridade ao transporte coletivo, aos pedestres e às bicicletas”, e estão se agarrando ao 6º?

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