Abram alas pro Rei Carro

Imagem do cruzamento antes da obra.

Para enriquecer o debate sobre a “trincheira” da Rua Anita Garibaldi sob a Av. Carlos Gomes, copio aqui este ótimo texto publicado ontem pela EcoAgência sobre o assunto. Embora o título “Assassinato programado de 60 árvores” foque exclusivamente a questão de áreas verdes o texto trata basicamente de criticar a absurda mentalidade carrocêntrica de nossos governantes, tanto Municipal quanto Federal, que financiam essa obra.

Simulação da obra concluída.

As imagens ao lado são do site Transparência na Copa e são assim mesmo, em baixa resolução, talvez para que a coisa não fique tão transparente assim. Outra coisa estranha é que os cinco viadutos/trincheiras que a Prefeitura Municipal de Porto Alegre pretende construir na Terceira Perimetral são chamados no site de “obras de arte”. Eles realmente acham que isso é arte ou é só para debochar da nossa cara? Felizmente as imagens das outras “obras de arte” estão com qualidade melhor e podemos ver, por exemplo, como o espaço para os pedestres será drasticamente reduzido e a travessia das ruas ainda mais difícil do que já é.

Cruzamento da Cristóvão Colombo com a Terceira Perimetral antes e depois da obra. Clique nas imagens para ampliá-las e veja a redução das calçadas e demais impactos na vizinhança.

Assassinato programado de 60 árvores

Qual a utilidade desse projeto desastroso? Aumentar a velocidade do trânsito na III Perimetral, uma vez que serão implantados  semáforos “inteligentes”, isto é, que liberam a passagem de pedestres apenas após a passagem de um certo número de veículos.

  
Por Tania Faillace
  

Sob a presidência do arquiteto Osório Queiroz Júnior, realizou-se uma reunião extraordinária do Fórum Regional de Planejamento Urbano 2, para a qual foram convidados conselheiros e delegados de outras regiões, elementos da Prefeitura de Porto Alegre, Secopa, SPM e Gabinete da Governança, para conhecer e discutir o que se planeja em termos de Copa do Mundo para a Região da III Perimetral e rua Anita Garibaldi, com o assassinato programado de 60 árvores, a fim de ser construído um túnel/trincheira sob a Perimetral e os motoristas poderem correr mais, sem esperar pelo fluxo da Anita Garibaldi.

O projeto causou indignação. Tanto por sua falta de necessidade, e a leviandade com que se dispõe das casas das pessoas (que sofrerão desapropriação e demolição), da arborização da cidade (60 árvores antigas derrubadas), do lazer da cidade  – a Praça Japão, durante as obras, seria circundada por um anel de trânsito, o que a tornaria inviável para uso de crianças e idosos, e afetaria seu status de praça modelo da cidade.

Na ocasião, o arq. Ibirá Lucas, coordenador da RP1, lembrou que o tipo de obra chamada trincheira, planejada para a Anita Garibaldi, é um amplificador extraordinário dos ruídos do tráfego, como comprovam os infelizes moradores das cercanias de outras trincheiras em outras cidades.

Um jovem arquiteto da Secopa (a Secretaria Especial da Copa), sem qualquer experiência com a participação popular, ou mesmo alguma familiaridade com o sistema de planejamento portoalegrense, explicou o projeto em termos de engenharia. É coisa simples. Na altura do número mil e poucos da Anita Garibaldi, esta será alargada em mais dez metros (tornando-se uma avenida, portanto) para fazer-se no centro uma trincheira, com altura máxima de 5,10m, que passará por baixo da III Perimetral.

Foi perguntado o estudo de tráfego que teria determinado a necessidade real de ser feita essa obra exatamente naquele local e naqueles termos extremamente destrutivos. A prefeitura não sabia informar, porque a EPTC não se fazia presente. Quanto às árvores a serem derrubadas, um funcionário da SMAM, convidado pela coordenação da RP2, nunca tinha ouvido falar do projeto. Ninguém tinha ouvido falar desse projeto. Não passou pela CAUGE, e muito menos pelo Conselho do Plano Diretor, ou qualquer Fórum Regional, ou associação de moradores.

Mesmo assim, o incauto arquiteto da Secopa anunciou que já está sendo providenciada sua licitação. Obviamente trata-se de um projeto ESPECIAL, que não foi aprovado pelas instâncias legais e regulares da Administração Pública Municipal e seus órgãos consultivos. A SECOPA, ao que tudo indica, está investida de um super-poder que ignora os princípios legais e republicanos, o Estatuto das Cidades, e a Lei Orgânica do Município.

Estavam presentes os conselheiros comunitários da RP2, RP1, RP8 e delegados, além de representantes de associações dos bairros da Região 1 e 2, já que o projeto vai afetar profundamente os bairros Bela Vista, Boa Vista e adjacências.

Não se conhece o estudo viário que determinou a necessidade de tal obra, mas nós nos lembramos muito bem do pedido feito pelo Conselheiro da AGADIE (Associação Gaúcha dos Advogados de Direito Imobiliário Empresarial) faz alguns meses, de que a III Perimetral liberasse o corredor de ônibus para o tráfego de automóveis particulares. Esse pedido foi colocado numa plenária da RP1. Os participantes da plenária lembraram da impropriedade e irregularidade desse pedido, que contraria os dispositivos legais vigentes (e o bom senso, ajuntamos nós).

Provavelmente, como essa sugestão se mostrou inviável, alguém teve o lampejo criativo de propor um túnel/trincheira no cruzamento da Anita Garibaldi, que, na prática, será impedida de ter acesso à Perimetral, necessitando fazer um balão com cerca de um quilômetro de extensão para voltar à via.

Qual a utilidade desse projeto desastroso? Aumentar a velocidade do trânsito na III Perimetral, uma vez que serão implantados  semáforos “inteligentes”, isto é, que liberam a passagem de pedestres apenas após a passagem de um certo número de veículos.

SUA MAJESTADE, O CARRO, finalmente foi reconhecido como monarca absoluto pela prefeitura de Porto Alegre, porque os pedestres, realmente, são muito anacrônicos para a modernidade gaúcha exibir à Fifa. E os cidadãos, realmente, também estão ficando fora da moda para a municipalidade. Daí o pouco interesse em discutir oficialmente com eles, os projetos geniais que brotam dos interesses particulares de alguns amigos do rei.

O repúdio ao projeto foi geral. Deve, em breve, ser enviado aos presentes à reunião a sua ata completa, com as decisões tomadas, inclusive a organização de um grupo de trabalho para acompanhar os acontecimentos, e fazer mobilizações e tramitações políticas e legais.

Uma moradora de Bela Vista, aliás, uma das poucas pessoas que teve ocasião de saber ou ouvir falar desse desperdício dos recursos públicos e do massacre da vegetação urbana, já estava em ação, para abrir espaço e ser ouvida na Secopa através do Ministério Público.

A Secopa, porém, é um órgão acima da estrutura administrativa normal e das leis correntes, parecendo não dever satisfações a quem quer que seja, como uma espécie de Super Poder outorgado não se sabe por quem.

Essa pode ser uma ocasião propícia para que os bairros se contatem, e trabalhem juntos para resgatar nossa cidade da especulação imobiliária e da fantasia caótica de alguns que se dizem planejadores, já que a luta não se refere apenas ao bairro Bela Vista, mas envolve a democracia participativa e o respeito ao cidadão e morador desta cidade, seja qual for sua região.

Precisamos de todo o apoio e colaboração possíveis, porque a Secopa ainda tem outros truques na manga, que é preciso conhecer e analisar (não sabemos a metade da missa, e as remoções ainda são uma incógnita). Tais truques envolvem os mais variados bairros, tanto os consolidados como os informais, o direito  à moradia e a qualidade de vida de todos nós.

Os comitês populares da Copa têm exercido um trabalho de fiscalização e denúncia das numerosas irregularidades (e coisa pior) que estão sendo feitas pelo Brasil a fora, em nome da Copa do Mundo, atentando contra os direitos dos cidadãos e o Estatuto das Cidades.

Tania Faillace é jornalista e escritora.

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27 respostas para Abram alas pro Rei Carro

  1. Marcus Brito disse:

    As atrocidades que estão sendo cometidas em nome dessa copa…

  2. heltonbiker disse:

    Ministério Público neles. Atentado à Ordem Urbanística, esse sim dos maiores e piores que há.

  3. Melissa disse:

    “Precisamos de todo o apoio e colaboração possíveis”
    eu fico me perguntando de que forma podemos ajudar a impedir essa obra absurda. existe um movimento para impedi-la?

  4. Diego Alves disse:

    Em relação a essa obra, sou favorável. (Por favor, não joguem objetos :-P)

    • Aldo M. disse:

      Adoraria conhecer os teus argumentos, Diego.

      • Diego Alves disse:

        Aldo, corroboro com a opinião dos demais em relação ao aumento de espaço para carros x entrada de novos carros. Sou a favor da diversificação de modais de transporte, sou contra o pensamento (postura(políticas)) “carrólatra” (?) dos gestores públicos no Brasil. Não sou técnico, o meu argumento é apenas uma observação de um leigo em relação ao fluxo no trecho. Como usuário de transporte coletivo que costuma passar pelo trecho, noto que a fluidez seria maior com a intervenção proposta pela PMPA. Podem haver outras alternativas, gostaria de conhecer. Posso estar equivocado, mas o número de árvores afetadas é bem menor que 60 (quando passar com calma novamente por ali, vou contar). Tenho uma experiência negativa em relação as associações de bairro, fiz parte da associação do meu bairro e infelizmente fomos usados como massa de manobra para política partidária. Sei que é impossível participar de qualquer processo democrático sem algum tipo de postura política. No caso que cito, foi política partidária suja mesmo, rasteira. (a associação do bairro envolvido na intervenção proposta pela PMPA, tem intenção de entrar com algum tipo de instrumento jurídico para barrar a obra(informação)). Voltando ao ponto principal, concordo que a obra deve ser feita sem reduzir os espaços para pedestres, tomando este cuidado acredito que ela seja realmente importante.

      • Marcelo disse:

        Uma boa solução para favorecer o transporte coletivo nesse, e em todos os cruzamentos seria um semáforo inteligente, que detectasse a presença de ônibus e lotações e abrisse para eles passarem. Essa tecnologia existe e aposto que é muito mais barata de se implementar do que construindo uma obra dantesca dessas.

      • Aldo M. disse:

        Diogo,
        Também não sou contra a ideia geral de melhorar o fluxo de ônibus. Mas daí para fazer um túnel na Anita vai uma grande diferença. Para começar a opinar, precisaríamos analisar os dados, como por exemplo, o estudo viário que concluiu esta solução. Mas ninguém nunca ouviu falar dele. E já arrisco um palpite, que sou macaco velho: este estudo não existe. Então, não dá para engolir essa assim no mais. Qualquer gasto público precisa ser justificado, o que dirá 11 milhões de Reais!

      • Diego Alves disse:

        Éldio, a sua preocupação diz respeito ao gasto público. Estamos no Brasil, só para te lembrar. 🙂

    • Aires Becker disse:

      Eu na verdade não tenho opinião formada.
      Não gosto de ser contra as coisas de maneira tão automática.
      Talvez seja importante.
      Acho que por outro lado, estas pessoas da Bela Vista querem manter o bairro imune ao crescimento da cidade.
      Mas tem muita gente querendo ir morar por lá também ou que precisa passar por alí.
      Parece a crítica do jornalista da zero hora de que os participantes do Massa Crítica são contra tudo, não endosso está crítica acho que em geral os ciclistas são a favor de um monte de coisas boas.
      Mas existe sim uma certa facilidade de comprar qualquer demanda.
      Aqui no forum acho que dispersa.
      Se começarmos a postar contra ruas, por praças, contra barragens, por escola, não que não sejam demandas corretas, mas vamos nos desgastar e nos dispersar.

      • Aldo M. disse:

        Objetivamente, a obra não contempla o trânsito de bicicletas, o que o Plano Diretor Cicloviário obriga, e ainda dificulta a circulação de pedestres.

      • Marcelo disse:

        Sou contra qualquer obra que retire áreas verdes, áreas de pedestres e espaços das pessoas e os entregue ao automóvel particular.

        Ser contra um tipo de desenvolvimento burro e carrocêntrico não é ser contra tudo, é ser contra algo bem específico.

  5. Jeferson disse:

    Grande Tania Faillace! Fabulosa escritora.

  6. Aldo M. disse:

    A denominação técnica dessas estruturas é mesmo obras de arte. Mas, neste caso, elas não tem nenhuma função útil conhecida. Não se ouviu falar de estudos viários e não houve qualquer discussão prévia com a população.
    Acho que essas obras de arte, ao contrário das expostas pelos nazistas para serem ridicularizadas, poderiam mesmo se chamar de arte degenerada.

  7. Larry disse:

    5 Obras de Arte na III Perimetral !??! Como assim obras de arte?
    Quem foi o megalomaníaco que resolveu denominar todas pontes e viadutos como “obra de arte”?
    Se fosse ainda denominado para aqueles que tem projeto arquitetonico bacana… e mesmo assim seria cúmolo da egomania.

  8. Pingback: Entrevista de Cappellari – guarda-corpo da ciclovia, pedágio urbano e outras medidas | Vá de Bici

  9. Olavo Ludwig disse:

    Eu sou contra sempre que há alguma proposta de obra que facilite o transporte por carro. Mas confesso que quando li a petição online feita pela Associação do Bairro Bela Vista fiquei com a nítida impressão de que eles só estão reclamando porque agora o problema tá perto deles, inclusive uma das alternativas que eles sugerem é justamente a concentração de recursos no viaduto da Plínio com a Perimetral, ou seja, eles não são contra este tipo de obra, apenas são contra que seja no bairro deles, e isto me dá tanto nojo que até dá vontade de apoiar a obra.

    • Aldo M. disse:

      Também acho que é bem corporativista (ou seria bairrista?). Mas eles tens boas razões também. Se eles ajudarem numa boa causa por motivos que a gente não concorda, o que isto tem de mais? Além disto, a Plínio até tem espaço para um viaduto. Mas todos os projetos (na verdade, não existem os projetos, apenas uma descrição de meia página e uma fotografia retocada), estão uma nhaca, porque são voltados apenas para os automóveis.

    • Jeferson disse:

      Pior. Senti a mesma coisa. Mas, enfim, é uma boa oportunidade para o pessoal do Bela Vista tomar tento na vida e, como apontou Faillace muito bem, se solidarizar com as demandas de que luta por uma cidade mais humana ao invés de uma cidade mais lucrativa para empreiteiras.

    • Olavo Ludwig disse:

      Eu sei, eu sei, mas tô com nojo! E não acredito que esse pessoal se solidarize com algo mais que seus umbigos, mas claro não é por isso que a obra é uma coisa boa, ela é terrível para cidade.

  10. airesbecker disse:

    A minha adesão a causas não costuma ser automática.
    Aqui mesmo antes de aderir questionei bastante até me convencer.

    No caso, não acho que simplesmente impedir obras voltadas para os carros seja benéfico.
    Exigir que contemplem a alternativa do ciclismo sim.
    Mas não sou por simplesmente piorar a vida dos motoristas para deixar as coisas quanto pior melhor.

    Mas não sou fechado a favor deste viaduto não, na verdade não tenho realmente opinião formada.
    Não posso saber sem mais informações se é realmente importante ou não.

    E entendo que o principal objetivo e meio deste blog seja o debate entre nós.
    Então coloco a controvérsia da minha dúvida, honestamente, para o debate.

    • Aldo M. disse:

      Só um aspecto já demonstra que não há qualquer estudo que indique a necessidade deste viaduto: Hoje ainda não há automação nos semáforos, que está prevista no pacote de obras da Copa. É óbvio que primeiro deve ser avaliado o impacto da automação, de instalação muito rápida e simples e que talvez já resolva o problema, antes da partir para soluções tão drásticas e onerosas.
      E a pergunta que deveríamos estar fazendo neste blog: a implantação de uma rede de ciclovias, ciclofaixas ou ciclo-rotas não seria muito mais barata e resolveria o excesso de fluxo de automóveis evitando a realização dessas obras? Por que a Prefeitura se recusa a analisar esta questão? Eu arrisco uma resposta: ela já analisou e sabe a resposta. Por isto mesmo evita comentar o assunto, pois exporia à luz do dia os reais motivos disso tudo.

      • sergiok disse:

        Segunda a lógica da prefeitura (e também do governo federal) o que importa são as obras. O problema de fazer ciclovia e ciclofaixa é que são obras muito baratas. Fazer um viaduto é ótimo pra eles porque agiliza o fluxo naquele ponto, aumentando o congestionamento em outros pontos e criando a necessidade, no futuro próximo de uma nova obra de alargamento ou viaduto em outro ponto.

  11. Luciana disse:

    Visitem o blog: anitamaisverde.blogspot.com
    Nele existem mais informações a respeito da obra.

    Também há um abaixo assinado:
    http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N18802

  12. A obra que a Prefeitura Municipal de Porto Alegre pretende fazer na esquina da rua Anita Garibaldi com a av. Carlos Gomes, se o projeto avançar, vai redundar em uma verdadeira tragédia ecológica, um efetivo “ARVORECÍDIO” na capital gaúcha. Com efeito, pelos cálculos do próprio secretario Urbano Schmitt, serão derrubadas por volta de 60 árvores, muitas delas centenárias, e inclusive de mata nativa, para a realização da passagem de nível (túnel, ou viaduto) na forma pretendida.

    De pronto surge o questionamento: será que vale a pena fazer uma obra totalmente desnecessária como esta, flagrantemente lesiva ao meio ambiente, com todos os transtornos e alterações que vai causar não apenas aos moradores diretamente atingidos, mas inclusive em torno da vida dos bairros envolvidos, e, de resto, para toda a cidade?

    Tudo isto porque supostamente Porto Alegre vai sediar alguns jogos da Copa do Mundo de alguma seleção obscura da África ou da Ásia.

    Pergunta-se: em que medida esta obra na Anita Garibaldi vai influir na realização Copa? Vale dizer, a Copa do Mundo deixará de ser realizada em Porto Alegre se não for feita esta obra?

    Qual a necessidade disto? Ou será que há outros interesses envolvidos na questão, que estão fazendo o prefeito Fortunatti e os seus asseclas quererem enfiar “goela abaixo” da população uma obra voluptuária, cara, prejudicial ao meio ambiente e totalmente contrária aos mais elementares princípios urbanísticos?

    Parece até piada, porque, em que pese a realização da própria Copa em Porto Alegre não esteja efetivamente assegurada, diante da paralisação das obras do Beira Rio, Fortunatti e seu entourage querem de todo modo impor de forma arbitrária esta obra que em nada trará qualquer melhora em qualquer aspecto, muito menos em favor do fluxo do trânsito (o motivo principal apontado pelas “autoridades” para a realização do túnel).

    Veja-se que as “autoridades” entendem tanto do assunto que o Secretário Urbano Schmitt chegou a dizer, em uma entrevista a um jornal de nomeada da capital, que a Anita Garibaldi é uma avenida!!!! Pasmem, o homem não sabe sequer que a Anita é uma rua, o que dirá sobre o resto. Mas isto já serve para mostrar a qualificação e o preparo que os “responsáveis” têm em matéria urbanística.

    E o secretário do meio ambiente, Zachia, vai permitir a derrubada em um único golpe de sessenta árvores centenárias, com prejuízos incalculáveis aos pássaros que fazem da região o seu habitat? Não deveria estar ele ocupando o cargo justamente para vir em defesa da natureza?

    Os moradores da rua Anita Garibaldi e adjacências já se reuniram e condenaram de forma unânime e eloquente a obra em questão, diante dos inúmeros problemas advindos deste projeto mal elaborado.

    Com efeito, a obra provocará um grande impacto negativo para os bairros Mont’serrat, Bela Vista, e Petrópolis e Boavista. Fruto desta mobilização dod moradores foi a abertura de procedimento por parte do Ministério Público, de forma a buscar esclarecimentos acerca de inúmeros aspectos envolvidos que não foram levados em consideração pelas autoridades. Cumpre ressaltar, desde logo, o profundo repúdio dos moradores com a forma que a administração pública municipal encaminhou a questão. De fato, o mandatário do paço municipal e seus colaboradores não se deram ao trabalho de chamar quem quer que fosse dos moradores para esclarecer algo a respeito, muito menos para receber sugestões, não tendo havido nenhum traço da tão propalada “participação popular” nas decisões unilateriais tomadas pela administração, que interferem diretamente na vida de milhares de pessoas.

    Estes são alguns dos mais relevantes problemas apontados pelos moradores:

    – na medida em que os carros vão trafegar em alta velocidade nas pistas que darão acesso à Carlos Gomes (pinças), na parte de cima (antes da Carlos Gomes, vindo do centro), e da Carlos Gomes para a Anita (na parte de baixo da Anita, que vai em direção do shopping Iguatemi), será criada uma verdadeira auto-estrada, de forma que isto causará enorme perigo para os moradores que forem sair de suas garagens com seus veículos, com sérios riscos de acidentes graves e abalroamentos violentos. De fato, será uma única faixa “disputada” pelos que vem correndo em velocidade alta e os que estarão saindo lentamente de seus prédios, a 10Km/h das garagens; isto envolve a segurança de milhares de pessoas, dado que há diversos grandes prédios de condomínio no local.

    – a obra dificultará ainda mais a vida dos motoristas, uma vez que a Anita corresponde a um dos únicos acessos que permitem aos carros provenientes de diversas ruas dos bairros Petrópolis, Bela VIsta, Mont’serrat e Boavista (atingindo, naturalmente, inclusive, boa parte dos motoristas que vêm dos bairros Bom Fim, Rio Branco, Moinhos de Vento, Centro, etc.) adentrarem na av. Carlos Gomes, pelo lado que vai dar acesso à zona norte e ao Aeroporto – e, inclusive, logicamente, às cidades adjacentes (Grande Porto Alegre: Canoas, Esteio, Novo Hamburgo, etc.). Com a passagem de nível planejada pela Prefeitura, tal acesso será barrado, e o trânsito, diante do afunilamento das pistas na Anita na parte de baixo, vai restar obstado de qualquer modo, não trazendo qualquer benefício ao fluxo; ao contrário, vai causar mais congestionamento;

    – a instalação do túnel (passagem de nível) tornará o simples desejo de atravessar a Anita Garibaldi a pé, de uma calçada a outra, um enorme risco de vida aos moradores e aos trabalhadores que prestam serviços junto ao local; diante disto, até o próprio argumento de que a obra poderia melhorar o fluxo de veículos não se sustenta, pois, em caso de um atropelamento, o trânsito ficaria estancado; isto afora, evidentemente, o prejuízo em vidas, lesões corporais, bem estar da população, e consequentes ônus com o tratamento médico e hospitalar das vítimas suportados pelos cofres públicos;

    – a obra praticamente inviabilizará aos pedestres e moradores atravessar a pé a Carlos Gomes, para ir de um lado a outro, o que já é atualmente quase impossível naquela área, diga-se de passagem, diante das manifestas incorreções técnicas do projeto da III Perimetral, gerando risco de vida a todos que trabalham, circulam e moram nas adjacências. De fato, as sinaleiras que estão na esquina da Anita com a Carlos Gomes correspondem, atualmente, a um dos raros pontos em que esta travessia de um lado a outro da Carlos Gomes é possível, em quilômetros, praticamente;

    – A Anita Garibaldi é uma rua, não uma avenida. Trata-se de um logradouro estreito, que não comporta a obra planejada. No início da Anita, lá na Quintino Bocaiúva, a rua, por sua estreiteza, em muitos trechos só permite a passagem de no máximo dois carros. Assim, os prédios estão muito próximos da faixa de rolamento, de forma que a obra vai colocar em risco a segurança de milhares de moradores, pois se trata de uma escavação profunda, de mais de dez metros, que pode abalar as estruturas dos prédios, com riscos de desabamento, afora rachaduras, etc;

    – do ponto de vista ecológico, aliás, a política da Prefeitura em relação à obra é totalmente contraditória. De um lado, quando há necessidade de retirar ou mesmo podar uma árvore, as maiores dificuldades são impostas, sob os auspícios da preservação do meio ambiente. Agora, quando a situação envolve diretamente a possibilidade de promoção política, com abertura de espaços de mídia para os eternos “candidatos” às eleições, às favas dezenas de árvores e a ecologia.

    – Cumpre ressaltar que o grande número de árvores e jardins que a área contém a transforma no habitat de diversas espécies de pássaros, cuja existência restará condenada com a efetivação da malsinada obra.

    – O aumento de velocidade dos veículos que circularem na Anita vai criar uma situação de crescimento de riscos de abalroamentos de veículos; além de todos os efeitos deletérios em nível pessoal e coletivo, o próprio trânsito será prejudicado, na hipótese de ocorrerem acidentes, pois a estreita via terá que ser bloqueada, em face das providências correspondentes ao atendimento das vítimas (ambulâncias, etc.);

    – a desapropriação da área dos jardins de frente dos prédios localizados na calçada da direita (sentido centro-bairro) provocará o impacto ambiental já referido, além de expor os moradores e seus empregados a maior risco de doenças do trato respiratório, devido a altas concentrações de gás carbônico advindo dos veículos que trafegarem ali, em maior velocidade do que a atual (evidentemente, quanto mais corre, mais o veículo consome combustível, e mais prejudica o ar); o barulho vindo dos carros também aumentará significativamente, prejudicando o sono e a saúde dos moradores desta rua eminentemente residencial.

    – a obra em questão desvalorizará de forma contundente os imóveis localizados nas adjacências. Isto evidentemente demandará mais custos ao erário público, pois o prejuízo dos moradores deverá ser devidamente indenizado.

    Afora estes aspectos, além de vários outros que não listamos, cumpre ressaltar que chama a atenção dos moradores e causa estranheza a urgência com que a PMPA está tentando “tocar” a obra, mesmo sem qualquer efetivo estudo de impacto estrutural nos prédios, da efetiva melhora na circulação de veículos, da segurança, do impacto ambiental, etc., ainda mais considerando que sequer a realização da Copa em Porto Alegre está efetivamente garantida, devido à paralisação das obras do Beira-Rio. A comunidade entende que deve ter o direito de participar, opinar e dar sugestões frente a tal projeto, em virtude das inúmeras impropriedades de que padece.

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