A Placa

No talude central da Avenida Ipiranga, na frente da PUC, por onde quase ninguém anda, há um objeto simples mas controverso, pai de uma dúvida tão profunda que nela fiquei imerso. É uma placa, despretensiosa, sobre o gramado, onde todos lerão:

“Perigo: Fios de Alta Tensão”

Mas que coisa curiosa! Que coisa singular! Não é por ali que a ciclovia vai passar?

Não há perigo – disseram – é intriga da oposição! É segura a área por onde ciclistas passarão.

Embora segurança a Prefeitura tenha assegurado, por quê essa questão me deixa tão assustado:

Se a área é segura, porque a placa embaixo da estrutura?


Desculpem os versinhos infames. Se alguém passar pela PUC, pode tirar uma foto dessa placa para eu colocar aqui no post?

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23 respostas para A Placa

  1. Marcelo: cada vez mais fofo. ❤

  2. Aldo M. disse:

    Sugiro trocar a placa por esta, nos acessos da ciclovia:
    “Parabéns! Você acaba de ganhar uma bicicleta elétrica!”

  3. Matheus disse:

    Vou cruzar a passarela na frente da PUC hj e te consigo a foto (de celular, mas consigo). 😛

  4. Aldo M. disse:

    Resposta da CEEE, em 30/06/2009:
    De acordo com o chefe da Divisão de Operação e Manutenção da CEEE Distribuição, Sérgio Sodré, naquele ponto funciona uma rede de alta tensão, com 13,8 mil Volts, que interliga
    de forma perpendicular à avenida, duas linhas de transmissão. A estrutura serve para manobra de rede:
    — Temos uma rede de cada lado da avenida. Caso um carro bata em um poste, por exemplo, e um dos circuitos se desligue, é possível alimentar parte dos consumidores
    prejudicados puxando energia através dessa rede de transmissão.
    A rede energizada fica a cerca de nove metros da pista de rolagem. As normas de segurança pedem para que se mantenha uma distância de pelo menos um metro dos fios.
    — Avisamos por uma questão de segurança. Não lembro de casos em que um acidente tenha ocorrido por ali.

  5. Tulio disse:

    Moro já há bem uns 22 anos em Porto Alegre e nunca tive notícia de problemas com as redes de alta tensão da Av. Ipiranga. Já quanto às chances de eu ser atropelado rodando na faixa, estas são extremamente elevadas.

    Este assunto está rodeado de ignorância técnica e manipulação política pré eleitoreira. Pior, acho o fim da picada que os ciclistas deêm ouvidos a este tipo de elucubração. Das pessoas que levantaram a lebre da rede, nenhuma é engenheiro elétrico, nem coisa assim – são políticos!!! Só para ilustrar há, hoje, milhares de pessoas morando sob redes de alta tensão, em Porto Alegre e tantas outras cidades por aí – geralmente populações desassitidas, socialmente vulneráveis – é fato.

    Aí pergunto:

    – Porque as pessoas que levantaram a voz contra a ciclovia, por esta oferecer risco aos ciclistas, não levantam a mesma voz para quem MORA debaixo das redes?? Afinal, as pessoas que moram estão expostas a risco muito maior, já que permanecem muito mais tempo alí debaixo, não é mesmo??

    Então pessoal, acho mais produtivo centrar fogo no que realmente importa, a qualidade final desta ciclovia, que, ao que parece, com atrasos e tudo mais, está sendo bem executada e pensando na segurança dos ciclistas.

    abraço

    • Marcus Brito disse:

      Válido teu ponto sobre quem mora sob redes de alta tensão, mas infelizmente, não, a ciclovia da Ipiranga não está sendo bem executada e não estão pensando na segurança dos ciclistas.

      Se a prefeitura realmente estivesse pensando em nossa segurança, acabaria com o estacionamento na via e usaria este espaço para construção da ciclovia, com uma ciclovia de duas mão, com pelo menos 3 metros de largura e separada do resto do trânsito por pelo menos 1 metro. Ao invés disso, eles querem pôr uma cerca que não vai aumentar em nada a proteção oferecida, e ainda vai impedir os ciclistas de entrar e sair da ciclovia.

      • Aldo M. disse:

        Infelizmente, por falta de um projeto acabado, só poderemos avaliar com mais propriedade quando for totalmente concluído este primeiro trecho. Aí será possível verificar suas características comparando-as com as diretrizes do Plano Cicloviário de Porto Alegre, os anexos do Código de Trânsito Brasileiro, recomendações internacionais e outros exemplos de ciclovias em situações similares.

    • Aldo M. disse:

      Aproveito para citar o excelente trabalho do Ricardo M. Leão, que calculou a intensidade do campo elétrico de uma linha de alta-tensão de 230.000 volts, como a da Ipiranga.
      http://www.pucrs.br/edipucrs/radiointerferencia.pdf

      Na introdução do trabalho ele cita a questão da segurança:

      “Os sistemas de alta tensão geram campos eletromagnéticos de baixa
      freqüência, 60Hz, como também campos eletromagnéticos de alta freqüência, a
      níveis de MHz, devido à existência, principalmente, do efeito corona nos cabos e
      equipamentos das linhas de alta tensão.
      Todos estes fatores provocam não só PROBLEMAS DE SEGURANÇA PESSOAL,
      como também problemas de interferência entre equipamentos: telefones que
      sintonizam rádios, celulares que alteram balanças eletrônicas, banco de dados
      alterados por pulsos de radar, etc, ocasionando uma quantidade enorme de
      interferências eletromagnéticas.”

      O foco do trabalho é a interferência nos equipamentos eletrônicos. Ele conclui que não é aconselhável utilizar equipamentos eletroeletrônicos (por estarem sujeitos a interferência) numa faixa de 30 metros de largura sob a Linha de Transmissão:

      “Portanto, para este caso específico de uma linha trifásica de 230 kV, com
      condutores colocados verticalmente em relação ao solo, não é aconselhável o
      uso de equipamentos eletroeletrônicos e equipamentos de telecomunicações a
      distâncias inferiores a 15 metros da Linha de Transmissão de Energia.”

      Ou seja, 15 metros seria aproximadamente no passeio público. Sob os fios, a distância horizontal da linha de transmissão é considerada zero.

      • Marcus Brito disse:

        A rede que passa na Ipiranga é de 13kVA, e não 230kV, que deve gerar uma interferência bem mais baixa. Além disso, o estudo analisa apenas radiointerferência, sem nenhuma conclusão sobre segurança pessoal.

        Estou só dando uma de advogado do diabo, e também preferia uma ciclovia longe dos fios — só não acho que isso possa ser usado como argumento para impedir a sua construção.

      • Aldo M. disse:

        A Ipiranga tem duas linhas de transmissão, uma em cada talude. A maior tem 230 mil volts, a menor, 69 mil volts. Nos passeios públicos, há ainda os que postes carregam redes de alta-tensão de 13,2 mil volts na parte mais alta deles e redes de baixa tensão de 127 volts no meio dos postes.
        Por isto a placa, para alertar da rede de alta-tensão (13,2 mil volts) que foi instalada em uma altura mais baixa (9m) que o normal (11m) para poder passar sob as duas linhas de transmissão. É comum ocorrerem acidentes com caminhões guindaste que se aproximam demais das redes de alta-tensão (menos de 1 metro) e recebem uma forte descarga elétrica.

    • Marcelo disse:

      Túlio, quem colocou a placa lá não foi político, nem jornalista, nem ciclista, foi a CEEE. E deve tê-lo feito baseado em conhecimentos técnicos.

      • tulio disse:

        … centra no que se enxerga, tão somente. A placa está lá como há placas avisando para não escavar devido gasoduto…e mesmo assim, cavam!!!

        Sempre vai haver alguém querendo “laçar um fio”, escalar um poste, ou fazer um “gato”. Infelizmente, há ainda muita gente ignorante no nosso povo. Para isso servem as placas de advertência.
        abr

  6. tulio disse:

    http://nacto.org/cities-for-cycling/design-guide/

    …deêm uma boa olhada neste sítio e medigam o que acham, ok?

    Abr

  7. Batera disse:

    Coloca o nosso amigo atropelador do golf preto pra testar a ciclovia pra ve se da choque!!!!!!!!!!!!!

  8. Fernando disse:

    Acho que muito mais perigoso seria a instalaçao de placas permitindo os automóveis trafegar a 70km/h!!! Idéia do ilustre vereador Brasinha.

  9. Aldo M. disse:

    O Artista Richard Box fez uma incrível instalação para que as pessoas “vissem” os campos eletromagnéticos gerados pelas linhas de transmissão de energia. A partir de 5min no vídeo, é possível ver as lâmpadas fluorescentes acenderem simplesmente com a energia que está no “ar”.
    Quem sabe é uma ideia para iluminar a ciclovia?

  10. Aldo M. disse:

    Neste outro vídeo, alguém mede os campos eletromagnéticos com um aparelho enquanto se desloca em direção a uma linha de transmissão. Um campo elétrico acima de 50V/m é considerado extremamente elevado. Notem como o campo elétrico aumenta, quando ele se aproxima das linhas, e ultrapassa o limite do aparelho, que é de 1999V/m, em 2min30s

  11. Aldo M. disse:

    Outro experimento, onde as pessoas simplesmente empunham lâmpadas fluorescentes sob uma linha de transmissão e elas brilham como se fossem aquelas espadas de jedi. Bem divertido!

  12. Tulio disse:

    …beleza!!! dá para economizar com a bateria do farolete!!!

    Abr

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