Brigada da Testosterona e Polícia

É sempre bom dar uma lida no texto Como Fazer uma Massa Crítica, eu recomendo a leitura na íntegra no link, clique aqui.

Mas neste momento eu acho importante destacar duas partes:

A Brigada da Testosterona

Como devemos abordar as pessoas que escolhem dirigir, ou que por acaso ficaram presas em carros, talvez por uma emergência médica, quando a Massa Crítica passa? Tão importante quanto definir estratégias para lidar com motoristas hostis é a necessidade de lidar com participantes da bicicletada que podem provocá-los. Para alguns ciclistas, a Massa Crítica é uma oportunidade de irritar motoristas, agora que NÓS somos finalmente os donos da rua.

A confiança exagerada de nossa sociedade no trânsito motorizado é um gigantesco e esmagador problema social, e não vai ser mudada através de táticas mau-humoradas e ineficientes de uma pequena minoria de ciclistas irritados. Mas um movimento para mudanças baseado na reivindicação do espaço público e na construção de uma comunidade humana, aberta a pessoas de todas as partes do espectro social e político, pode contribuir para uma mudança mais profunda e fundamental na forma como nossa sociedade opera.

Polícia

Manifestações públicas tendem a prejudicar a imagem do governo, uma vez que elas mostram claramente que o governo nem sempre representa o povo e tem o seu apoio. Naturalmente, a polícia se preocupa com as manifestações populares, e geralmente escolhem uma dessas duas abordagens: ou atacam a manifestação — expondo a natureza impositora na qual esta sociedade se baseia — ou eles tentam se mostrar como sendo apoiadores e protetores da manifestação.

Com as pedaladas da Massa Crítica de Bay Area, a polícia geralmente escolhe a segunda, a abordagem paternalista, permitindo que a bicicletada ocorra, bloqueando o tráfego para nós e certificando-se que a sua presença seja sentida como uma “escolta”. Em outra ocasião eles até mesmo chegaram a anunciar num megafone antes da pedalada, “Bem-vindos a este evento!” — uma pessoa pouco informada poderia até mesmo ter presumido que toda a coisa era planejada e executada pela própria polícia!

Quando a polícia começa a prender pessoas ou atacar os ciclistas, eles estão tentando provocar um confronto com o qual eles poderão justificar um ataque repressivo — um confronto no qual a sua vitória é quase garantida. É importante não aceitar a sua oferta. Quando a polícia exigir que todos vão para a faixa da direita, façam isto. E então, quando a área estiver limpa, volte. Depois de mais algumas tentativas de controlar a Massa, a polícia geralmente cede e se dá conta que, a não ser que prendam todos, há pouco que eles podem fazer exceto acompanhar o passeio e realmente agir como os servidores públicos que eles anunciaram ser no começo.

A melhor estratégia é, evite violar qualquer lei a menos que você precisa, tente dialogar com aqueles indivíduos na Massa que mostram um tendência a fugir de controle e não dêem uma desculpa para que a polícia pare a sua manifestação ou prenda alguém. Tente ser honesto e cumprir as leis. Afinal, estamos apenas indo para casa numa coincidência organizada, então dê aos policiais um panfleto com o trajeto se eles quiserem um.

Por mais que a polícia queira possuir ou controlar a bicicletada, a Massa Crítica é um movimento popular que opera independentemente das regulações governamentais, e como tal, nós não queremos nada com a polícia (embora eles possam querer algo conosco). Dentro da cultura anti-autoritária do meio ciclista, recusar os comandos arbitrários da polícia pode fazer sentido. Mas a melhor abordagem à presença policial numa Massa Crítica é não entrar em nenhum confronto patético onde seremos derrotados, nem abraçá-los como nossos salvadores e protetores. Ao invés disso, devemos ignorá-los e seguir com o nosso negócio de construir uma Massa.

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8 respostas para Brigada da Testosterona e Polícia

  1. Também recomendo essa leitura. Fico de cara quando alguns xingam os fiscais da EPTC, por exemplo. Em primeiro lugar porque antes de serem fiscais, são pessoas que não conhecemos de perto e podem não merecer esse xingamento. Não gostar da EPTC é uma coisa (qual porto-alegrense gosta?), mas descontar verbalmente em um de seus funcionários não traz nada de positivo.

  2. Silvio disse:

    Quando a EPTC multa carros na calçada, quando multa carro em excesso de velocidade, quando impede que bêbados dirijam, eu gosto muito da EPTC. Se as pessoas fossem educadas, nem precisaria EPTC, mas as pessoas querem beber e dirigir, querem colocar seus carros em qualquer lugar, estacionar onde quiser, e ainda bem que tem a EPTC para multar. Eu acho bonito a liberdade para quem sabe viver em liberdade. Eu gosto da Brigada quando tem um cara me perseguindo e eu posso avisar e um brigadiano me ajuda, gosto quando a Brigada passa na frente da minha casa e me dá sensação de segurança. Achar que polícia só existe para bater é não conhecer uma boa parte da polícia. Infelizmente, precisamos de polícia, de multas, assim como da outra parte, educação, etc etc. E assim concordo com a opinão da Melissa, e acho uma baita ignorância xingar uma pessoa pelo fato de ela ter um determinado emprego.

  3. Lutei muito na minha vida para ter um governo democrata republicano. Enfim vejo ele plasmado e convertido em realidade. Adoro ver nossa sociedade regida por três poderes Legislativo, Judiciário e Executivo. Apesar de todas as opiniões contrárias, de pessoas que nunca viveram realmente sob um governo ditatorial, adoro ver nossa estrutura Legislativa, adoro ver um Judiciário autônomo que julga e faz a sua parte e me sinto muito seguro de ver um Poder Executivo constituído por todas as suas autoridades e que nos garantem o cumprimento das Leis da nossa República. Quem não gosta de polícia ou qualquer outra autoridade tem algum problema pessoal com autoridade e tem que pensar este seu posicionamento, porque quando quiser ajuda para reprimir a criminalidade, por exemplo, a única instituição disposta a isto é a polícia. Não é o amigo nem o vizinho nem o jornalista, nem o médico, que irão livrar o cidadão da criminalidade, quem faz isto é a polícia. Mesma coisa com os criminosos do trânsito, dos quais estão cheias as nossas ruas, quem luta contra ele é a autoridade de trânsito, em Porto Alegre, a EPTC. Está cheio de bêbados, potenciais assassinos ao volante, todos os dias, nas nossas cidades, está cheio de criminosos que dirigem seus carros feito foguetes pelas ruas da cidade ceifando vidas de inocentes, está cheio de proprietários de veículos que não pagam seus impostos, que estacionam em lugar proibido, que tentam todos os dias demonstrar sua falta de bom senso, colocando acima do bem comum a sua máquina. O que nos pessoas de bem, reclamamos da EPTC é unicamente uma coisa o respeito ao ciclista e a imposição deste respeito aos motoristas. A construção de ciclovias na realidade nem é obrigação da EPTC quem tem que construir seria a SMOV que se furta a esta sua obrigação e deixa o espaço vago para ser ocupado pela EPTC. Então nos reclamamos as ciclovias, da EPTC.
    O caso americano de polícia é outro. Eles tem problemas graves com a polícia deles e não seremos nos que poderemos colocar no mesmo pé de igualdade, nossos problemas de polícia com os deles. A polícia deles responde a um sistema que em cada estado tem um comportamento, eles lidam com outros valores que em nada são parecidos com os nossos e sendo assim os argumentos para não querer a polícia deles nada tem a ver com os nossos na nossa visão da brigada. A brigada Militar pode ser melhor ou pior mas em nada se comporta com a polícia americana.
    Para concluir quero deixar claro que não sou da polícia nem sou da EPTC nem quero fazer parte de nenhuma instituição deste tipo, unicamente respeito as instituições que me defendem e exijo delas o máximo de respeito para mi e para todos os cidadãos. Não é esta a nossa luta. A nossa luta é pelo reconhecimento da bicicleta como modal de transporte e pela construção de vias onde possamos circular, de acordo com a lei.
    Nossa luta sim é contra um jornalista mal esclarecido, mal intencionado e com outros interesses não republicanos nas suas matérias, que tenta transformar uma manifestação ordeira, em um amontoado de marginais com interesse de tumultuar a cidade.
    Este jornalista que nunca sairá da página policial e que certamente em qualquer momento virará notícia, como ele anseia; faz da profissão jornalística um insulto e denigre figuras que hoje e sempre foram expoentes desta profissão.
    Realmente tenho pena e nojo deste cidadão que viu o que eu não vi e junto ao qual estive em toda a MC, até a Avda. Ipiranga com a Edivaldo Pereira Paiva. A minto, desculpem, vi um motoqueiro insultando um grupo de pessoas que acho eram jornalistas que filmavam ou fotografavam a nossa passagem e os chamou por apelativos muito ruins. Abraços aos amigos flores para os inimigos.

    • Silvio disse:

      Disse tudo e mais um pouco, José Martinez. Obrigado.

    • Marcelo disse:

      A maior parte da criminalidade a que estamos sujeitos é conseqüência da existência de uma polícia. A maior contribuição da polícia para a nossa sociedade é deixar os criminosos cada vez mais violentos.

      Polícia existe e sempre existiu para proteger grupos privilegiados dos que nada têm. Combater desespero com violência de Estado é a solução para quem não quer uma solução definitiva.

      • Scandurra disse:

        Qualquer analista básico de criminalidade sabe que ela é fomentada pela desigualdade social, pela falta de oportunidades, ausência projetos de vida, espaço deixado pelo Estado quando não garante saúde, educação, moradia e trabalho, pelo estabelecimento do tráfico, por conta da atratividade que o tráfico exerce diante desses outros fatores a jovens de comunidades carentes, questões psicológicas, familiares, disputas entre indivíduos, a própria dependência de drogas. Agora dizer que a maior parte da criminalidade é “consequencia da existencia de uma polícia” não me parece uma forma consequente de analisar a criminalidade. Eu preferiria uma análise menos mágica e simplista. Para ficar num único exemplo, citaria um homem que ameaça a ex-mulher de a matar porque ela passou a ter um namorado. Ele a quer matar e, graças à lei Maria da Penha e ao fato de que ela chama a polícia cada vez que ele se aproxima e fico pensando se a maior parte da criminalidade se deve à polícia ou a polícia protege essa pessoa da maior parte da criminalidade. Basta ver o número impressionante de mulheres que são vítimas de violência sexual para ficar num único tipo de criminalidade.

      • Aldo M. disse:

        Marcelo,
        Voltando à questão prática imediata: A Massa Crítica é aberta a todos, inclusive a representantes das forças policiais, enquanto não interferirem na gestão do passeio que é coletiva dos participantes.
        Infelizmente, por conta de um grave atentado e de alguns ânimos mais exaltados contra o movimento, o poder público se vê obrigado a dar proteção a este evento ciclístico em especial.

  4. Jose Antonio Martinez disse:

    Marcelo lamentavelmente a tua desejada anarquia nunca prosperou nem ira prosperar
    Viva a democracia e seu estado de Direito como diria quem? Acho que foi Karl Marx antes de morrer. Saúde e abraços a todos

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