A Massa Crítica é algo Radical?

Eu não me vejo como um radical, e não vejo a massa como algo radical.

É desproporcional a preocupação de alguns com os minutos que algumas pessoas perdem uma vez por mês quando a massa acontece, pois estas mesmas pessoas perdem horas e horas durante todo o resto do mês no trânsito, pergunto:

Então, onde está o radicalismo, será que não está na falta de paciência das pessoas que podem perder horas durante o mês no trânsito, mas não podem perder minutos devido a uma massa crítica?

Será que o verdadeiro radicalismo não é aceitar perder tempo com o trânsito de carros, mas de forma alguma aceitar perder tempo com um evento que busca justamente uma melhora na qualidade de vida para todos questionando o trânsito?

Ser radical é ser intransigente quanto ao modo de ver um assunto. Quem é intransigente no modo de ver o trânsito? Quem é intolerante? Seriam os ciclistas da massa ou seriam os impacientes nos demais veículos e seus fervorosos defensores?

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27 respostas para A Massa Crítica é algo Radical?

  1. Aldo M. disse:

    Mas onde estão os supostos motoristas impacientes que não querem perder alguns minutos enquanto passa um grupo de ciclistas ordeiro e divertido? Talvez exista um ou outro, mas eu pessoalmente nunca vi nas vezes que fiz o papel de rolha. Trata-se muito mais de um mito inflado por pessoas que nunca participaram ou mesmo assistiram a um passeio da Massa Crítica. Já ouvi buzinas de quem está mais atrás nas filas dos semáforos, mas são os que buzinam sempre que o sinal abre e o motorista da frente não arranca de imediato. E o fazem até em frente a hospitais, sem medo de serem punidos pelos agentes de trânsito. Ou seja, os supostos “motoristas impacientes” seriam no mínimo infratores. Era só o que faltava eu ainda ter que dar explicação para essa gente.

  2. Marcelo disse:

    Retirado do infopedia:
    radical
    adjetivo uniforme
    1. relativo a raiz
    2. fundamental, básico, essencial
    3. completo, total
    4. drástico, profundo
    5. decisivo
    6. que é inflexível ou intransigente nas ideias ou nas atitudes; radicalista
    7. POLÍTICA que pretende reformas profundas na organização social; radicalista
    8. POLÍTICA que sustenta posições extremistas; radicalista

    Pra mim radical é só um adjetivo, que não diz muita coisa fora de contexto. Não é necessariamente algo indesejável como muita gente que critica os outros por serem “radicais” faz parecer. Ser radicalmente contra o racismo, não é uma coisa boa? Ser radicalmente a favor da vida e da liberdade? Ser radicalmente democrático?

    Me parece que o problema não é o radicalismo, mas a idéia por trás dele. Ser radicalmente racista ou machista é um problema. Mas o problema não é o “radicalmente”, mas o “machista” e o “racista”.

    A Massa Crítica é uma coisa radicalmente boa.

  3. Olavo Ludwig disse:

    Tá certo Marcelo, quando escrevi a palavra ali pensei só no sentido de intransigente e colocado no contexto do trânsito.

  4. lobodopampa disse:

    querido Olavo:

    creio que a Massa é um acontecimento complexo, não muito fácil de ser compreendido. Prova disso é que a imprensa local levou uns 2 anos para começar a entender.

    Existe um elemento de desobediência civil: quando fazemos rolha, estamos praticando um tipo de bloqueio do trânsito transversal ao trajeto da Massa. Essa prática não está prevista, dessa maneira, em nenhuma lei que eu conheça. Não é a mesma coisa que furar o sinal vermelho, nem é a mesma coisa que trancar um cruzamento. E quando alguém fura o sinal, ou tranca cruzamento, não gera debate – porque todos sabem (inclusive os infratores) que isso são infrações, e que cometê-las e não ser punido é apenas sorte casual.

    Tentar ignorar este FATO, usando argumentos inconsistentes e imaturos como

    – “os outros fazem coisas erradas e não acontece nada”

    – comparando com situações que têm alguma semelhança, mas contexto e base legal diferente

    … não nos ajuda em nada.

    Essa atitude maniqueísta ajuda sim a recrudescer um conflito que é cultural/comportamental, mais do que qualquer outra coisa. O conflito existe sim, basta uma rápida olhada à seção de comentários de qualquer notícia sobre a MC para constatar isso.

    Apenas uma opinião.

  5. lobodopampa disse:

    querido Olavo – desculpe se me estendo um pouco demais, e se este comentário parecer um pouco off topic:

    Se queremos uma cidade mais humana, ciclável e pacífica, precisamos nos comportar à altura desses valores.

    Falando numa linguagem muito cara a nós dois (Jornada nas Estrelas): um oficial da Frota Estelar digno de seu uniforme JAMAIS infringe a Primeira Diretriz – mesmo que sua vida dependa disso. O mesmo vale para vários outros princípios éticos que no século XXIV são realmente praticados pela maioria das pessoas (ao contrário do séc. XXI, quando ainda falamos de ética, mais do que praticamos).

    Um klingon como Worf, então, vai mais longe; sua honra é muito mais importante que sua vida. Um vulcano como Tuvok é incapaz de mentir, e mesmo de usar a seu favor argumentos que não contenham lógica límpida e pura.

    Jornada nas Estrelas é mais do que entretenimento, pra mim, por causa dessas coisas.

    Fazendo uma analogia com o debate sobre a rolhagem:

    não posso usar de sofismas e dizer que é a mesma coisa que carros trancando o cruzamento (fato que é real e corriqueiro, mas não é argumento válido). Não posso dizer para as pessoas que se irritam com a rolha que elas não têm direito de se irritar. Posso tentar convencê-las que existem outros valores, devo tentar ganhar sua simpatia. Influenciar seus valores culturais.

    Mas não posso

    – impor
    – ser agressivo
    – me eximir de responsabilidade
    – usar de sofismas e argumentos maniqueístas

    … porque, se fizer qualquer dessas coisas, estarei ferindo os mesmíssimos princípios que me guiam, pelos quais estou lutando, e os quais cobro dos governantes/gestores.

    Apenas uma opinião.

    • Bravo, Lobo do Pampa!!! Não sei quem tu és, mas admirei tua sacação e comprometimento com o construtivo e fraternal! Acho que um post como esse pode iluminar bastante gente…
      Saudações!

    • Olavo Ludwig disse:

      Artur, concordo contigo em tudo!
      Nesta postagem não quis em nenhum momento firmar uma atitude maniqueísta, justificar ações ou fugir de responsabilidades, a questão fundamental desta postagem é fazer refletir a respeito dessa preocupação tão grande que se tem em perder tempo devido a massa crítica, tendo em vista que se perde muito, mas muito mais tempo nos outros dias no trânsito, pois a maior das críticas à massa que escuto é essa, que a massa tranca o trânsito e não deixa passar quem tá querendo ir para casa depois de um dia de trabalho.

    • Olavo Ludwig disse:

      Artur, todos os capitães e até o Picard já infringiram em algum momento a primeira diretriz em situações onde isso era muito importante, claro que não sem dramas, mas acabaram infringindo.
      Mas concordo contigo, em nenhum momento devemos:
      – ser agressivo
      – se eximir de responsabilidade
      – usar de sofismas e argumentos maniqueístas

      Quanto ao ítem impor, eu diria que impor um bloqueio de um cruzamento em prol da segurança dos ciclistas da massa, vale a pena, pois considero esta segurança muito mais importante que a impaciência em esperar de algumas pessoas em seus veículos motorizados e também mais importante que uma suposta ilegalidade de a massa estar passando com o sinal vermelho. Agora, impor ideias e sentimentos nunca.

  6. Mario Terrazas disse:

    Fico me perguntando o porque dessa novela toda. Minha dúvida: inqueritos do MP como esse partem de um único promotor ou mais pessoas? Imagino esse cidadão acordando mau-humorado pela manhã, em frente ao espelho do seu closet vendo a si mesmo dar o nó em sua gravata enquanto imagina um Rambo da vida atando a fita vermelha em sua cabeça – vamos à guerra! “Hmmm! hoje acordei querendo investigar a Massa Crítica, os bons cidadãos do nosso vilarejo não podem ficar a mercê desses desordeiros trancadores de rua”; brincadeiras à parte, alguém sabe como funciona a origem desse processo? O MP, enquanto tal, é um orgão à parte, fiscalizador do governo e ‘vigilante’ da população, seria mais ou menos isso, não? Imagino essa condição, mas como é formado por pessoas, isso cai por terra, haja vista que pressões políticas lá dentro sejam tão determinantes quanto veladas.
    Me pergunto também se essa novela toda não seria uma tramóia premeditada pra livrar a cara do Ricardo Neis e tentar sair por cima.
    Ano eleitoral é fogo.

  7. Pedro disse:

    Radical é não aceitar que pessoas comprem carros. E a maioria do pessoal da Massa pensa assim.

  8. Claudio ZN Serasec disse:

    Para Pedro Pedro para. Isso é um achismo teu. Nao existe isso de a maioria, nao foi feita votaçao, pesquisa,estimativa,sondagem, levantamento etc. Tu é que pensa isso e é radical no teu preconceito. Vai lá com uma planilha e pergunta um por um que vais te surpreender. Muitos como eu tem carro, o que se prega é que se faça o uso moderado dessa arma, e quando possivel use outros modais. Para alguns é possivel outros nao, cada um se refletir vai achar o seu ponto de equilibrio. Procura colaborar com ideias e nao criticas vazias e infundadas. Um abraço. E vai lá mesmo, que vais ver pessoas incrivelmente humanas e faliveis como tu.

  9. Pedro disse:

    Não precisa fazer pesquisas, e só prestar atenção como alguns ciclista da massa critica falam sobre carros ou até mesmo com os motoristas que estão parados e esperando a massa passar.

  10. Aldo M. disse:

    Esta questão da rolha ser ou não ilegal, justificável, arrogante e sei lá mais o que rende discussões muito além do seu suposto efeito negativo sobre o trânsito. Está sendo tratada como algo muito importante, mas para mim é sexo dos anjos. É muita perda de tempo por uma besteira. É simples: se um motorista achar que está sendo prejudicado, que chame as autoridades. Não é assim que as coisas funcionam? Acho que os rolhas nem deveriam tentar se comunicar com um motorista eventualmente impaciente. Devem ignorá-lo e pronto. Ah, mas ele não vai gostar. E daí! Eu não tenho a pretensão ingênua de agradar a todos, muito menos a quem certamente não merece.

  11. Pedro disse:

    Querer pedalar sem roupas não é algo radical? Alguns ciclistas que vão na massa estão conseguindo estragar a imagem dos ciclistas.
    Tem pessoas que fazem escandalos como esse tentando defender a bicicleta mas aposto que nunca usaram um capacete ou até mesmo uma sinalização na bike.

    • Olavo Ludwig disse:

      Pedro, não acredita naquele jornal, aparece lá muitas mentiras e distorções, vá na massa e tira as tuas próprias conclusões, outra coisa toda generalização é preconceituosa e pouco inteligente. Só quem pode estragar minha imagem sou eu mesmo, e se alguma pessoa achar que minha imagem foi estragada pela ação de alguém, eu sinto muito por sua ignorância, e não vou me preocupar com isso.

  12. Pedro disse:

    Eu não li sobre os “pelados” eu vi os dois querendo tirar a roupa.
    Isso foi lamentável, nunca mais vou no Massa como muitos que também estão falando que não vão mais por esses motivos.

  13. Pedro disse:

    Duas pessoas que estão estragando a imagem dos ciclistas. Sei que não é um grupo fechado para tomar alguma atitude, mas acho que seria muito interessante pessoas intimas com os dois e trocar uma idéia com eles. Se os amigos dos dois não forem tão radicais quantos os própios.

    • Olavo Ludwig disse:

      Pedro, eu não sei quem são estas duas pessoas, mas pelo que eu entendi o cara tirou a camiseta só isso, e gritaram algo como todo massa nua, não vi acontecer, mas tendo em vista as coisas que escuto durante a massa e a forma como as pessoas falam eu entenderia isso como uma brincadeira, não levaria isto tão a sério. Até porque a pedalada sem roupa acontece em outro momento e também em diversas cidades do mundo com o objetivo de chamar a atenção é claro, uma forma de dizer: Será que um ciclista sem roupa é visto no trânsito? Particularmente, acho difícil acontecer em Porto Alegre.

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