Novos Experimentos, Novas Bicicletadas

A partir da Colcha de Retalhos escrita pelo Helton, muita discussão está acontecendo a respeito da criação de novas pedaladas, com outras propostas. Afinal, a visibilidade da bicicleta como transporte em uma cidade que ainda majoritadamente a ignora como tal exige muitos frontes, muitas ações diferenciadas.

Andar todos os dias de bici por aí, encontrar os amigos para tal, celebrar o uso de bicicleta… Auxiliar pessoas que não estão acostumadas a criarem esse hábito! Usar a bici como trabalho, realizar pedaladas de lazer, corridas pela urbe… Todas são formas que, mais ou menos, vão nesse sentido.

E agora, estão pegando fogo conversas sobre a criação de algumas pedalas que, integradas ao trânsito, possam fortalecer o uso das bicis em Poa. Estão sendo chamadas por alguns de “bicicletadas-by-the-book”, no sentido de seguirem a risca a regulamentação sobre transportes. Ou seja, nessas bicicletadas, o que se pretende é manter a mesma integração com o trânsito que temos no dia-a-dia, quando usamos as bicis por aí – só que em grupo, para problematizar essa cultura que ameaça que as bicis estejam nas ruas, e para trazerem também um certo utilitarismo ao uso das bicicletas.

Pelo que vi, acho que temos duas ideias distintas. Gostei muito das duas e quero ver ambas sendo realizadas.

Uma delas é o BikeBus. Acontece em vários lugares do mundo e vale dar uma pesquisada. Por exemplo, esse site da Austrália: http://www.bikebus.org.au/

No BikeBus, um grupo de ciclistas sai para fazer uma rota pré-programada. A ideia é que pedalar juntos é mais seguro, e então pessoas podem entrar ou sair do grupo nos pontos que quiserem, para irem para seus compromissos. Isso de uma rota definida, e de pessoas entrando e saindo em “pontos” de seu interesse, trazem a metáfora do ônibus para descrever e definir a experiência.

Poderiamos começar com um experimento tal qual citado pelo Helton, fazendo um trajeto definido (circular ou em oito) durante um tempo determinado (1 hora). A partir daí, poderiamos até criar uma página na qual as pessoas criem trajetos e horários semanais ou diários – mais ou menos como uma ideia trazida pelo Rafael, que talvez ele pudesse compartilhar nos comentários. Pessoas poderiam usar BikeBuses diariamente para irem para seus trabalhos, por exemplo.

Outra ideia é uma intervenção em uma parte da cidade. Nesse caso, a proposta é mostrar como Porto Alegre seria com uma GRANDE quantidade de pessoas usando bicicleta como transporte – muitas mais do que vemos cotidianamente, um uso como pode ser visto (eu mesmo nunca vi) em cidades como Copenhagen, Amsterdam e Bogotá – com o detalhe, claro, que aqui em Poa não há estrutura física para esse tipo de uso.

No caso dessa segunda pedalada (evento / ação), delimita-se uma região da cidade para gerar maior visibilidade e impacto, marca-se um horário de início e um de final. Daí as pessoas simplesmente vão para as ruas andar de bici. Anda-se sozinho ou em grupo, os grupos se formam ou se separam a gosto, faz-se qualquer trajeto – desde que dentro da região delimitada. E perto do horário final todos se dirigem para um ponto em comum para discutir a experiência.

Imagine você dirigindo seu carro. Está vindo pela Protásio Alves, em direção ao Centro. Quando passa pelo Hospital de Clínicas, para em um sinaleira e nota, sem muito impacto, que há 5 pessoas de bicicletas paradas na sinaleira ao seu lado. Quando a sinaleira abre, essas pessoas passam por você em linha, uma atrás da outra, e, com o trânsito meio lento, você pode vê-las a sua frente durante um tempo. Aí para de novo na sinaleira com a Ramiro e se impressiona de ver umas 8 pessoas passando de bicicleta na sua frente, cruzando a Oswaldo em direção à Independência. Mas a coisa fica absurda quando você dobra a direita na Felipe Camarão – são muitas pessoas de bicicleta, indo para todos os lugares, sempre seguindo junto com o trânsito!

Não sei como poderemos chamar esse segundo formato. O que pensei foi “Poa de Bici”. Mas acho que teremos sugestões melhores.

Ambas as propostas, BikeBus e essa outra, estão sendo sugeridas como pedaladas nas quais os ciclistas estejam completamente integrados ao trânsito – andando do lado direito da pista, sinalizando, parando nos sinais vermelhos etc.

A partir daí, cada pessoa e cada grupo podem se organizar de maneiras levemente distintas – ir cantando ou não, espalhando flyers ou não, dependendo do número quem sabe andar em duplas pela pista da direita, enfim. Cada um é responsável por si, e a interpretação do que mais atrapalha os outros (pedestres ou motoristas) e do que é mais seguro para si e para os outros deve ser feita por cada um, a cada momento. Exatamente como fazemos todos os dias, quando estamos lidando diretamente com as pessoas que encontramos no trânsito, e quando pedalamos em uma cidade cuja cultura principal é carrocêntrica e cuja urbanização não vislumbra a possibilidade do uso das bicicletas nas ruas.

O que acham? Vamos fazer acontecer?

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13 respostas para Novos Experimentos, Novas Bicicletadas

  1. heltonbiker disse:

    Minha sugestão de nome para a segunda opção é importada do movimento que vimos causar grande impacto este ano, e inspirado na tirinha do Yehuda Moon:

    OCCUPY ALL STREETS!!

    http://www.yehudamoon.com/index.php?date=2011-12-04

    (E, em geral nos passeios noturnos, andamos em fila dupla mesmo. Não é trancar, é passar, ocupar. Nunca dá stress, e em horário de pico deve dar menos stress ainda, já que não há para onde ir mesmo (os carros, no caso).)

    • heltonbiker disse:

      Além disso, acho que o centrão não é um bom lugar para ir. Diria que os bairros de acesso ao centro (cidade baixa, bom fim, etc) são boas opções, porque ali as avenidas arteriais ficam “paradas” em certos horários.
      Vai ficar muito claro (se já não está…) quem tranca o trânsito de verdade.

  2. Olavo Ludwig disse:

    Tô dentro, confesso que me atrai muito mais o formato sem nome ainda, o nome que eu sugiro é bicicletada veicular, pra mim parece perfeito devido a integração com o resto do trânsito e se cria um paralelo com outras bicicletadas.

  3. Marcus Brito disse:

    Tô dentro, e concordo com a escolha de lugar.

    O que eu não gostei foi da sugestão de “occupy all streets”. A ideia deste evento é ser justamente algo que faz de tudo para respeitar as leis de trânsito, enquanto que o nome “occupy” tem um quê de anarquia, o oposto do que queremos passar.

    “Poa de Bici” eu gostei, apesar de admitidamente ter um menor impacto.

    • Olavo Ludwig disse:

      Independente do nome escolhido eu vou chamar de bicicletada veicular. Hehehehe….bem democraticamente :)

    • Jeferson disse:

      As montadoras e os banqueiros produzem, chamando de razão, muita bagunça, muita desumanização (segundo teu vocabulário, muita anarquia). Ocupar é outra coisa. Considero occupy all streets bom, apesar de ser em inglês. O motivo para minha opinião é que dá uma ideia da legitimidade mundial que usar a bicicleta e ocupar as ruas da cidade com atividades humanas possui.

  4. E que tal Bike-Bus mesmo? Parece simpático e funcional.

    • pedrolunaris disse:

      Acho que Bike-Bus é uma coisa, Lívia, específica. Esse de irmos todos pra rua andar numa área determinada tem que ter outro nome, até pra diferenciar dos Bike-Buses.

  5. Cristiano disse:

    Bicicletada veicular é ótimo!!! Significa empoderar as bicicletas para o trânsito, descontruindo a idéia de que bicicleta é apenas um brinquedo, em que pode ser utilizada apenas nos parques e condomínios.

  6. pedrolunaris disse:

    Que tal “Cidade da Bicicleta”? Tipo, vai rolar uma cidade da bicicleta lá na Cidade Baixa próximo dia tal de tal a tal hora…

    Sei que é redundante com o espaço da Marcílio Dias, mas pra mim passa bem o que eu imagino do evento – uma cidade na qual as bicis sejam usadas como transporte em um volume muitas vezes maior do que se usa hoje em Poa.

  7. Oi gente. Eu gosto de “bicicletada veicular” também (Pedro, caiu minha fixa sobre o bikebus – é que eu achei que ele servia para ambas as situações)
    Mas tb pensei em outros nomes: ciclocircuito, ciclotrajeto, circuito bike, pedal convivência… acho inclusive que usar a palavra “convivência” no máximo possível de ações pode ser positivo…
    opinem aí. :-)

    Bjs

  8. Rafael Zart disse:

    Opa,
    Quanto ao que sugeri (ou como eu havia interpretado a ideia original do bikebus):
    - Rotas específicas a partir de um centro em comum que partissem para cinco zonas da cidade.

    Discutindo a ideia aqui na empresa, um dos colegas ciclistas, com incrível poder de síntese, interpretou que seria algo tipo CICLOVIAS INVISÍVEIS, onde nos habituássemos a usá-las frequentemente, evitando rotas alternativas, principalmente em horários de pico. Poderíamos criar uns 3 check-points, ou pontos de espera, onde os ciclistas que passarem por ali esperam uns aos outros e partem em horários redondos.

    Pontos:
    NEGATIVO – Perderíamos uns 15 ou 20 minutos em nossos trajetos individuais pela “obrigação” da rota e da espera.

    POSITIVOS – Segurança: o número de ciclistas tem aumentado bastante, e ajudaríamos a criar “rotas seguras” incentivando quem começou a pouco (meu caso). Meio de transporte: Forçaríamos a criação alguns “RUSHs” diários, pois quanto mais ciclistas juntos em determinados horários, em movimentos coesos e compartilhando rotas, mais a bicicleta seria percebida como meio de transporte sério e realmente possível pelos demais.

    De qualquer forma, essas sugestões não tem nada a ver com a proposta original de uma bicicletada. Acho que tem mais a ver com acelerar o uso da bicicleta mesmo.

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