Colcha de Retalhos

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Hoje houve, entre @heltonbiker (eu) e @bikedrops, o seguinte diálogo de tweets:

@heltonbiker: E se fosse feita uma Massa Crítica sem trancar os cruzamentos, só ocupando a via, como seria? #hipóteses

@bikedrops: @heltonbiker Seríamos atropelados? Acho que valeria a pena correr o risco para ter a comprovação empírica.

Lembrança imediata:

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Essa “sugestão” minha foi motivada pelas nossas constantes reflexões (aqui, ao vivo, introspectivas, etc.) a respeito dos verbos “ocupar”, “passar”, “trancar”, “utilizar”, cujos significados vêm sido distendidos vigorosamente por múltiplas argumentações sobre o modo de a Massa Crítica “ocupar” (“trancar”, “utilizar”) a via pública.

Em todos os santos lugares do mundo onde acontece Massa Crítica, ela passa toda junta, o que acaba implicando pedir aos motoristas que esperem nos cruzamentos, até mesmo onde há semáforo. Quem já participa sabe como é. Quem não participa, vem junto na próxima, é impressionante como, via de regra, funciona muito bem, já que passamos bem rápido mesmo. O transtorno é mínimo, especialmente comparado com o transtorno “basal”, do qual ninguém parece se dar tanta conta, ou não com o mesmo grau de indignação.

Pois não estamos ocupando a via? Trancando? Ou ocupando?

E se os carros pudessem se misturar com a Massa, arriscando, como sabemos que acontece, a segurança de todo mundo? Isso iria permitir que as bicicletas passassem mais rápido? Que os carros passassem mais rápido? Que “o transtorno” durasse menos tempo, ou ocupasse menos espaço? Alguém acha mesmo?

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Em recente comentário ao post do “Senhor Comandante”, neste blog:

Aldo M.disse:

O último passeio do movimento Massa Crítica demonstrou como promover o deslocamento de centenas de pessoas, nas congestionadas vias públicas de Porto Alegre, a uma velocidade média similar a dos automóveis e com um fluxo de de 6.000 pessoas por hora (500 ciclistas passaram em 5 minutos). Uma verdadeira façanha impossível de ser superada com o uso de automóveis.”

Isso é trancar? Utilizar, com certeza. Passar? Definitivamente!

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A propósito, nosso blog, tanto na dimensão post quanto na dimensão comentários, está bombando ultimamente. Muitos e muitos posts.

E desde quando mesmo? Desde a notícia de que o Senhor Comandante da Massa Crítica foi procurado pelo Ministério Público. Nos círculos internéticos, se usa a frase “Não alimente os Trolls” (don’t feed the trolls), referindo-se a não contra-argumentar comentários que evidentemente foram redigidos com a intenção de criar discussões emocionais e desviar o assunto principal, criando brigas.

Fenômeno interessante acontece com a Massa Crítica: a cada “ataque”, o nível de envolvimento e animação das pessoas paraece se multiplicar. Mais e mais pessoas, até quem só observava de fora, “neutramente”, acabam se convencendo de que “é isso aí mesmo, tem coisa errada e se não fizermos por nós, não faltará quem queira fazer contra”.

(Que fique claro, não acho que sejamos trolls, mas sim que ocorre fenômeno análogo, quanto mais reacionários esperneios houverem, mais vemos que há, de fato, motivo para insistir, para continuar, para aumentar o volume. Na real acho que é isso que mais indigna quem acha que a Massa [os ciclistas?] não deveriam estar ali).

Em especial, no maior ataque que sofremos, o atropelamento coletivo de fevereiro, diversas autoridades até então desconhecedoras da MC se pronunciaram e forma a deixar evidente esse desconhecimento, na forma de acusar-nos de irregularidade. Foi delegado dizendo que os culpados éramos nós, foi diretor de empresa pública dizendo que não deveríamos estar ali, que onde já se viu, etc.

Foi jornalista queimando o próprio filme. Foi secretário da prefeitura fritando o próprio filme dos dois lados em bate-boca no Twitter.

Foi também prefeito subindo em bicicleta, arquiteto importado sutilmente dando nos dedos de político carrocentrista através da mídia profissional, de inúmeras iniciativas nacionais e internacionais deixando um “Acorda, Prefeitura” gigante, picando pra gente chutar.

E o melhor de tudo: o número de participantes das Massas se multiplicando a olhos vistos, o número de bicicletas nas ruas se multiplicando a olhos vistos.

Uma bicicleta incomoda muitos reacionários. Mais de 500 incomodam muito mais.

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Nesses casos de “envolvimento com a autoridade”, invariavelmente valeu um princípio no qual passei a prestar mais atenção esta semana, postado por não me lembro quem em um dos comentários daqui: “ignorância se combate com informação”. Em ordem mais ou menos cronológica:

  • Delegado ficou sabendo que a culpa não era nossa, e que podíamos estar ali;
  • Diretor e secretário “ficaram sabendo” (segundo os próprios, até então não sabiam!) que 20% das multas de trânsito arrecadadas em Porto Alegre DEVEM ser destinados à infra-estrutura e à educação ciclísticas;
  • Vários cidadãos “sentiram na pele” que a “cura” pode ser pior do que a doença: nas vezes que houve escolta da EPTC e/ou da Brigada, agentes de moto tiraram fininho de ciclistas e pedestres, andaram na contra-mão, trancaram cruzamentos três quadras à frente do grupo sem necessidade, quase-atropelaram senhoras-e-cães em cima da calçada… Quando tudo que queríamos era passar, como se supõe, sem maiores contratempos…
  • A equipe técnica da EPTC descobriu que NÓS SABEMOS que a largura das ciclofaixas oferecidas é menor do que a largura recomendada por diversas entidades internacionais especializadas. E que várias avenidas que foram/estavam-sendo/estão-sendo alargadas potencialmente sem infra-estrutura cicloviária JÁ ESTÃO previstas em um Plano Diretor Cicloviário de alguns anos atrás, cujo cumprimento “ficou na poeira” faz tempo, e me parece que isso não tende a mudar (mas nós sabemos disso);
  • Por último, um representante do Ministério Público acaba de descobrir que as Massas Críticas não têm Comandante. E deve estar em sérias dúvidas quanto às causas verdadeiras da suposta perturbação da Ordem Urbanística em Porto Alegre…
  • Para encerrar, a cúpula dos reacionários carrocêntricos está evidentemente sabendo que essa tal Massa Crítica ainda vai dar muito o que falar. E por isso estão de cabelo em pé, pois o estoque de cães de guarda está acabando…

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Além disso, também a indústria automobilística está de cabelos em pé:

“Jovens japoneses perdem o interesse em automóveis”

Segundo a especialista Anne Lutz Fernandez:

“A tarefa número 1 da indústria automobilística nos países desenvolvidos é fazer com que os jovens voltem a se interessar por automóveis”, pois o “declínio constante na taxa de jovens que dirigem, nas últimas décadas” parece indicar “uma mudança na forma como as pessoas se conectam umas às outras, escolhem o lugar onde vivem e trabalham, a constroem a própria identidade”.

E isso é uma coisa que a indústria automobilística não suporta ter que encarar. E é por isso que eles aumentam o volume.

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Por falar em Ministério Público e Ordem Urbanística, em alguns lugares a coisa é diferente (link também fornecido pelo Aldo em comentário prévio):

“Quase um mês depois do Moving Planet e da realização da passeata A Cidade é Nossa, o Ministério Público do Estado de São Paulo encaminhou uma recomendação ao secretário municipal de Transportes, Marcelo Branco, para que elabore o Plano Municipal de Mobilidade e instale o Conselho Municipal de Transportes em até 60 dias a partir de hoje (19/10). A solicitação foi enviada pelo Grupo de Trabalho de Mobilidade Urbana da Rede Nossa São Paulo, um dos parceiros da passeata. Se nada for feito, o Ministério Público pode entrar com uma ação contra a prefeitura.”

#ACORDA PREFEITURA!

(Prefeitura sim, porque segundo Cappellari et al., o MP seria acionado, pois a cidade está “de olho” nas bicicletas…)

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Não foi uma nem duas vezes que alguma pessoa me aborda na rua, em meus trajes de voltar do trabalho (tênis comum, bermuda de sarja, camiseta pendurada no pescoço, capacete com retrovisor preso na viseira) e me pergunta “onde eu posso arranjar uma bicicleta tipo essa tua?”. Costumo ir trabalhar com uma de duas bicicletas: uma fixa toda pelada, e uma mountain-bike convertida em city-bike, com paralama, iluminação, bagageiro e campainha.

Ou seja, a pessoa não me parou porque eu estava com uma bike-de-corrida-top-de-linha-toda-reluzente-carésima-cheia-de-metais-raros-e-fibras-de-plástico. Essa ela até nem quer, mesmo que ache bonita. O que ela queria era uma bicicleta prática. Uma bicicleta de ir na aula, de ir no trabalho. Pra deixar na chuva, e andar na chuva. Pra não ter medo de ser assaltada. O tamanho dessa demanda reprimida (reprimida, porque a pessoa vai na loja e só o que vê é bike-de-supermercado que não presta, ou bike-de-corrida que é pouco prática e caresesesesésima), digo, dessa demanda reprimida É ENORME!

Que eu me lembre, no mínimo uma dessas pessoas deu a entender que achava que eu seria um participante das Massas Críticas. Não posso deixar de pensar que a Massa Crítica está sendo um eficiente veículo de conversão de pessoas para modais de transporte humanizados.

Aliás, isso não surpreende, já que quem vê a Massa Passar, cantando coisas de amor, e depois que ela passa vê novamente aquela barulheira de motores, buzinas, películas e fumaças, consegue IMEDIATAMENTE traçar um paralelo entre a-cidade-que-queremos-e-podemos-ter e a cidade-como-ela-é-hoje…

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Participo de passeios noturnos há quase quinze anos. Ao longo desses anos, por vezes eles saíam do Parcão, depois da Vitória Bike (Ipiranga), depois do bairro Sarandi, depois da Silva Só, Café do Lago, Ecoposto, outro posto, Expedicionário…

Que eu saiba, hoje temos dias da semana onde saem três passeios noturnos diferentes, em zonas diferentes da cidade.

Meu enteado veio morar comigo há quatro anos, quando ele tinha cinco anos de idade. Por um tempo, andei com ele na cadeirinha da city-bike. Ultimamente, tenho andado com ele no assento traseiro da tandem. Agora ele já está com nove anos, já tem força e tamanho para pedalar rapidinho, e peso suficiente para ser inviável na cadeirinha (inviável para mim, no caso). Hoje, portanto, o veículo oficial dele é uma BMX que comprei usada, até bem barata, e que até que é bem boazinha.

Acho fundamental ensinar às crianças o valor do exercício, a praticidade da bicicleta como transporte além de esporte e lazer, e em especial ensinar junto quais são os jeitos certos e errados para se deslocar no trânsito. Todos sabemos como faz diferença um ciclista que anda bem e o ciclista que anda mal, especialmente quando circulamos perto de um que anda mal, estejamos a pé, de bici ou de carro. Não quero que meu guri se transforme num desses, e é pelo pepino que se torce o pequeno, digo de pequeno que se torce o pepino.

Há dois meses, comecei a acompanhá-lo pedalando pelas ruas. Mas não faço isso sem companhia de outros ciclistas. Também não vou nos passeios noturnos com ele, nenhum deles é seguro para uma criança, e não é por ser de noite, é por ser na rua, com trânsito aberto.

Por duas vezes, já, andamos longamente pelas ruas, onde ele já está aprendendo a não correr, não fechar as pessoas, a controlar a velocidade, sinalizar, reconhecer sinalização, observar e escutar o que acontece à sua volta, entender que há motoristas e motoristas, motoqueiros e motoqueiros, e mesmo ciclistas e ciclistas.

Onde fiz isso? Na Massa Crítica, óbvio. O ÚNICO MOMENTO DO MÊS em que é muito, mas muito seguro para qualquer um, mesmo uma criança ou um idoso, ou mesmo alguém com alguma eventual limitação física, pegar sua bicicleta e se deslocar pelas ruas de Porto Alegre, levando de brinde a companhia de centenas de pessoas como ela, de onde quase que inevitavelmente brotarão novos conhecidos e novas amizades, já que é possível se olhar, conversar, parar do lado, esperar, alcançar, etc.

De carro? Não, não dá.

Fora da Massa? Os mesmos motoras iriam me acusar de irresponsabilidade imperdoável, praticamente um infanticídio. Ou não?

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E que venha a Massa do Comandante!

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40 respostas para Colcha de Retalhos

  1. Helton, eu realmente adoraria participar de uma massa crítica que de sua característica original mantivesse apenas um itinerário comum a todos: ou seja, que não bloqueasse nenhum cruzamento, que se mantivesse no bordo da pista (de preferência à direita) e que seguisse o ritmo das sinaleiras (fechou sinaleira com um grupo passando, um segue adiante, o outro espera). Tenho muita curiosidade em saber, estando centenas de ciclistas ao mesmo tempo numa situação normal de trânsito, como agiriam os motoristas mas, principalmente, como agiriam os órgãos de trânsito.

  2. Acho que não tem como ignorar centenas. Por isso mesmo tenho medo de atitudes agressivas, pois apesar das possíveis centenas de ciclistas, não haveria a “película protetora” que caracteriza a massa para nos proteger. Cada um seria ainda mais responsável pelo seu comportamento e teria de ter noção de como se comportar em conversões, cruzamentos, faixa de pedestres, etc, etc. É uma dinâmica completamente diferente da MC, ao meu ver.
    Por isso que me agrada a ideia do bikebus… que se faria em um determinado dia e horário, possivelmente com menos ciclistas, a título de experiência. Tô dentro.

  3. Por outro lado, centenas de ciclistas não protegidos pela massa e se comportando como individualmente se comportariam no cotidiano (no ritmo das sinaleiras e andando pela direita) obrigariam a EPTC a admitir que não tem o que fazer a não ser regular, fiscalizar e respeitar o direito de ir-e-vir que todos temos.

  4. Marcus Brito disse:

    Eu acredito que seja possível sim, realizar com segurança uma bicicletada utilizando apenas parte da via. Em contato com amigos de Curitiba, descobri que é exatamente isso que eles fazem por lá:

    http://www.bicicleteiros.com.br/2011/11/fotografias-bicicletada-curitiba-de-novembro-de-2011/

    Vale notar, no entanto, que a massa crítica de Curitiba ainda está bem menor que a nossa. Considerando o nosso tamanho, ocupar apenas parte da via talvez traga mais transtorno para os motoristas, já que a massa “esticada” levaria muito mais tempo para passar por uma via.

    No dia 25 eu marquei o tempo que a massa levou para passar pelos cruzamentos onde atuei como rolha, obtendo uma média de 8 e o máximo de 12 minutos. Se ocupássemos apenas parte da via, acredito que este tempo iria ne mínimo duplicar.

    Se observássemos também os semáforos, a massa perderia ainda mais agilidade, já que uma parte do grupo precisaria ficar parado aguardando a outra parte que ficou para trás quando um semáforo fechar durante a passagem da massa. Numa massa muito grande, isso teria que ser feito em diversas etapas.

    Enfim, o meu argumento final é que ocupar toda a via e fechar cruzamentos durante uma travessia, ignorando a sinalização de trânsito é não só uma questão de segurança, mas também a melhor forma de minimizar o impacto causado pela situação atípica que é nossa massa.

    E se alguém questionar a nossa autoridade para fazer isso, fica mais uma vez o convite à EPTC para enviar agentes de trânsito para nos acompanhar, de bicicleta, instruídos para ajudar e colaborar, e não intimidar.

      • airesbecker disse:

        Concordo.
        Esta questão da EPTC é bem instigante!

        Na verdade sobre a forma da MC temos que considerar o seguinte: já houve uma evolução do método, ao qual os ciclistas já estão acostumados e também os motoristas começam e entender.

        Se mudarmos algo é certo que vai criar mais confusão.

        Estive relendo o ofício do Ministério Público:
        “solicito que informe, no prazo de 30 dias, o nome de todos os componentes do grupo e do representante, se houver, bem como indique de que maneira o grupo atua e comprove, conforme preceitua o artigo 5º, inciso XVI, da Constituição Federal, a prévia comunicação às autoridades competentes antes da realização dos encontros, com a indicação de trajetos, para possibilitar a organização do trânsito local.”

        Que absurdo!
        O que ele pretenderia?
        Fazer um fichário de ciclistas?

        Agora, sobre a prévia comunicação às autoridades isto sim seria interessante!
        Imaginem, “às autoridades competentes”, com a indicação de trajetos, para possibilitar a organização do trânsito local!!
        Vamos fazer isto! Damos uma trajeto ao redor do centro para eles organizarem para nós!!
        Já imaginaram?? Os veículos, os cavaletes!!
        Seria bom que todos poderiam pedalar juntos sem ninguem ter de fazer rolha.

      • pedrolunaris disse:

        Também achei!

        A única variante, na minha cabeça, é, quando fecha o sinal e o pessoal que ficou para, quem passou não esperar. E assim se criarem vários blocos, seguindo o caminho que quiserem, e se encontrando no final da pedalada mais ou menos na hora marcada. Uma forma diferente, que eu até gostaria de experimentar.

      • pedrolunaris disse:

        Aires, eu acho as rolhas essenciais, porque mostram que podemos nos cuidar, e também criam uma possibilidade de contato direto com os motoristas – o que não é sempre fácil, muitas vezes traz motoras demonstrando um comportamento muito feio, e incita os ciclistas a um comportamento parecido. Mas é aí, nessas dificuldades, que eu entendo que temos uma riqueza ímpar pra criarmos uma cultura mais conectiva.

    • Oi Marcus,
      concordo totalmente contigo. A MC, sem esse funcionamento habitual, não é uma massa crítica. O que estou nem propondo, mas discutindo, não é mudar o funcionamento da massa para esse outro formato, que é ineficiente e poderia de fato causar ainda mais transtorno se fosse um protesto de fato. É só curiosidade e uma certa vontade em participar também de algo que insira um grande número de ciclistas no trânsito habitual, especialmente para saber como a EPTC veria isso e se comportaria – pensando inclusive em como a EPTC se comportaria diante de um efetivo e substancial aumento no uso da bicicleta, sem contar com uma ciclovia, simplesmente compartilhando a pista.

      • Aldo M. disse:

        Respeito a tua curiosidade mas acho muito difícil que um passeio com grande número de ciclistas aconteça desta forma. Imagino que a tendência será se comportar como em uma Massa Crítica, porque é mais seguro. Lembrando ainda que na Massa não há “comandantes”, então como iria se impor esta nova regra?

      • pedrolunaris disse:

        Impossível “impor” essa regra na Massa, lá acontece o que acontecer. Podemos levar indicações e ver como as pessoas se afetam, o que se dá daí.

        Mas entendo a curiosidade da Livia, que eu compartilho, de promovermos um outro evento. E não vejo porque não poderiamos, se a proposta for boa, conseguir um bom número de participantes – mesmo que nunca cheguemos aos números atuais da Massa – ao mesom tempo que não vejo como não podemos desenvolver essa outra pedalada de uma forma semelhante a da Massa, ou seja, mais organicamente, sem perder a consistência e gerando muita discussão compositiva.

  5. lobodopampa disse:

    Gostei dessa “colcha”, bem bacana e aggradável…

    Trazendo notícias BOAS, que é uma coisa que faz muita falta no noticiário.

    Re-destacando pra quem não leu ainda:

    http://dc.streetsblog.org/2011/11/28/getting-young-people-back-into-cars-is-auto-industry-job-1/

    http://www.universitario.com.br/noticias/n.php?i=4856

    Por favor continem fazendo chegar notícias como essa aqui (dentro do foco do blog, de preferência…) Ajuda a tirar os óculos de lentes cinzentas que tiram a alegria e a esperança!

    • Aldo M. disse:

      Endosso as palavras do lobodopampa, Helton. Muito legal este post, em todos os aspectos.

      A razão da contínua e enorme quantidade de propagandas e merchandising de automóveis é a mesma das de refrigerantes. Se pararem de anunciar produtos inúteis como esses (existem formas muito mais simples, baratas, saudáveis e agradáveis de se transportar e matar a sede), as pessoas simplesmente os deixarão de comprar. Ouvi este segredo de um publicitário.

  6. lobodopampa disse:

    @heltonbiker: E se fosse feita uma Massa Crítica sem trancar os cruzamentos, só ocupando a via, como seria? #hipóteses

    @bikedrops: @heltonbiker Seríamos atropelados? Acho que valeria a pena correr o risco para ter a comprovação empírica.

    —————

    Me parece que a idéia está implorando por ser posta em prática!

    É provável que o resultado comprove a superioridade prática do procedimento MC tradicional. Mas só FAZENDO pra saber o que realmente acontece.

    A experiência pode ser medida (em minutos e em metros) e registrada em vídeo, para comparação com a MC tradicional. Esses dados consistirão tremendo argumento para debates futuros. De quebra, os ciclistas de Poa estarão mostrando que não “ignoram simplesmente” as leis e que são pessoas flexíveis, abertas a experimentação.

    Que tal marcarmos uma Bicicletada Extraordinária “By The Book” ?

    (o “Book ” no caso é o CTB, não a tradição da MC hehehe)

    • heltonbiker disse:

      Gostei. Adorei. Minha sugestão: “Bicicletada ‘By The Book”. Fazer um desses cartazes loucos e chamar a galera, em algum dia. Não me sinto capaz de fazer isso, mas apóio integralmente a idéia.
      Já teve “velódromo”, toda hora tem alleycat (alicate)…
      Bicicletadas extemporâneas é o que há.
      E, chamando de bicicletada, não há mácula possível ao espírito Massa Crítica.

      Por fim, em se tratando de bicicleta e conceitos satélites, quanto mais melhor.

      • Também sou a favor. Reiterando: não é para MUDAR a massa crítica, de forma alguma. É para realizar algo paralelo. Pode ser de manhã cedo, na hora do rush de um dia de semana, ou mesmo num fim de semana em horário de maior movimento. O importante é povoar as ruas com muitas bicicletas, participando do trânsito como ele se comporta normalmente.

      • (eu me proponho a fazer um cartazinho)

      • Aldo M. disse:

        Eu discordo completamente desta interpretação da Massa não respeitar o “livro”. Se desrespeitasse, acham que já não teriam apreendido bicicletas? As autoridades não conseguem formular nenhuma acusação de irregularidade; por que nós estamos nos acusando?
        Um exemplo comparativo: quando uma professora está atravessando um grupo de crianças usando uma sinaleira para pedestres, ela iria quebrar o grupo caso o sinal fechasse antes de todos terem iniciado a travessia? Nem precisa consultar o CTB, o senso comum aponta que o grupo deve permanecer unido. Ninguém irá questionar isto.
        A EPTC pode ficar resmungando que a Massa tranca o trânsito, mas não são bobos de sugerir uma regra alternativa de deslocamento da Massa. Eles sabem que irá causar transtornos e fragilizar a segurança. Então por que iríamos nós fazer isso se, por hipótese, as regras da Massa tem amparo da lei.

      • pedrolunaris disse:

        Acho que as questões que o Aldo aponta estão bem expressas no comentário do Marcus Brito lá em cima – inclusive a respeito de como pode gerar muito mais transtornos ocuparmos uma só pista ou gerarmos grupos que esperam os outros.

  7. lobodopampa disse:

    Complementando:

    o aspecto fundamental, por ser o elemento novo no panorama da cidade, é que seja na hora do rush.

    Se não cai em experiências já conhecidas: a Bicicletada de sábado às 10:00 (antecessora da Massa, e que não deu certo), ou passeios noturnos\de fíndi (que dão certo, mas não nos termpos daquilo que estamos querendo neste caso).

    Hora do rush. Uma delas (de manhã cedo ou à tardinha).

    • à tardinha acho que é mais disponível para mais pessoas.

    • heltonbiker disse:

      Tenho percebido que o horário das 18:00 às 19:00 é o mais cabeludo, em especial em determinados lugares de Poa, ao redor do centro mas não somente lá.
      Numa dessas, a gente combina de ficar circulando em um “circuitinho” composto por alguns nós de trânsito, no estilo “pontoA-pontoB-pontoC-D-E-A-B-C-D-E-A-B-C-D-E….”.
      Dessa forma, não precisa marcar horário nem ponto de encontro, é só entrar no circuito, à hora que der, e ir embolando aos poucos (será que funciona?)
      Fazer tipo um “oito”, aí ainda por cima a bicicletada cruza consigo mesma. De quem seria a preferência?
      Idéias…

  8. Jeferson disse:

    Pessoal, desculpe o comentário fora do tópico do post. Apenas venho comparilhar um ótimo artigo publicado na Folha e republicado no Diário Gauche:
    http://diariogauche.blogspot.com/2011/12/o-automovel-e-o-grande-vilao-do.html

  9. Helton como sempre a tua didática é muito boa e as tuas experiências são alentadores e nos dão força, aos mais velhos, para tentar superar os limites. Sinceramente uma coisa a velhice nos da em excesso, se trata da repulsão pelos velhacos. Sabe, aqueles caras que sempre são tontos o suficiente, para que quando apanham, retoricamente, todos ficam com peninha, achando que foram agredidos e desrespeitados; mas mal-intencionados ao extremo de dizer, que nem sabiam do 20% das multas. Eu acredito que todo, mas todo o que tu falaste esta de acordo com a realidade. E gostaria de propor ao grupo que pensem numa Massa Crítica comunicada a autoridade. Que eu saiba a autoridade não é a EPTC e sim a Brigada Militar. A EPTC é “autoridade delegada” e ao que a constituição se refere é autoridade. Esta não é uma finesse de retórica e sim não aceitar que a EPTC é uma autoridade, acredito que tenha que ser nosso primeiro passo. Veja que ela faz o possível para importunar o ciclista não cumprindo promessas, na proteção ao ciclista, dizendo que não foi comunicada quando ela sabe de sobra quando os eventos acontecem, ignorando sua responsabilidade legal, no reconhecimento da bicicleta como modal de transporte, etc. etc. Uma Massa Crítica ordeira e legal, não interessa se será lenta, ela surge como um movimento que tenta chamar a atenção da população e pelo seu reconhecimento da autoridade constituída, passa a ser inatingível legalmente. Vamos investir em agradar a população, que isto sempre tem retorno. Já pensaram nisto? Saúde José A.R.Martinez

    • Aldo M. disse:

      Os secretários pularam a parte da Lei do Plano Cicloviário que destina 20% das verbas das multas de trânsito para ciclovias, mas aplicam à risca a parte que permite a liberção de grandes empreendimentos em troca de alguns centímetros de ciclovia por vaga de estacionamento.
      Fizeram a mesma coisa com o capítulo de mobilidade do plano diretor: pularam o primeiro item que citava a bicicleta como uma das prioridades e foram para o sétimo que prevê o incentivo à constrição de estacionamentos.
      É muita cara-de-pau alegar desconhecimento das leis em situações como estas.

      • pedrolunaris disse:

        É simples: o lobby das empresas automobilísticas existe concretamente, assim como os impostos que pagam. E os carros geram a maior arrecadação de imposto para a Prefeitura.

        Além disso, além da grana, estimular esse sistema torna desnecessário a imensidão de reformulações, em vários sentidos, para que tenhamos um sistema mais efetivo, e não tem sido muito difícil, pelo incentivo ao uso do carro, pelo individualismo como forma de subjetivação e tudo o mais, tapar os desconfortos do sistema atual com propagandas e estilos de vida que fazem com que seguir nesse sistema seja a melhor coisa do mundo. O maior contra-senso: esforça-se absurdamente para se comprar um carro do ano, luxuoso, confortável, um sofá-de-rodas-com-ar-condicionado, e ficar preso no trânsito, e ficar tenso o tempo todo ao se dirigir, e ter que esquecer que há outras pessoas por aí que podem se machucar com seus atos, e continuar cego ao fato de que, se alguém cruza na minha frente do nada e eu estou num carro a 50 por hora, minhas chances de frear são mínimas; mas de quem minha cabeça diz que é a culpa? E essa cabeça que diz isso não é só a minha, é um modo de viver no qual estamos engessados. Cultura carrocêntrica.

  10. Felipe Koch disse:

    Se tal bicicletada for acontecer temos que chamar a eptc e cobrar que multem todos os motoristas que não guardarem a distância de 1,5m.
    Agora alguém sabe se essa multa existe, qual o valor e pontuação na carteira?

    • Aldo M. disse:

      Tô com preguiça de consultar o CTB agora, mas com certeza existe. Acho que é considerada uma infração média. E não é uma regra das melhores, porque passar a 1,2m ou a 5cm do ciclista, a infração é a mesma. E ainda, independentemente da velocidade do carro.

      • Marcus Brito disse:

        “Art. 201. Deixar de guardar a distância lateral de um metro e cinqüenta centímetros ao passar ou ultrapassar uma bicicleta:

        Infração – média
        Penalidade – multa”

        Uma infração média implica 4 pontos na carteira de motorista, e uma multa de R$ 85,13.

    • pedrolunaris disse:

      Em uma das reuniões com o pessoal do educativo da EPTC, nos alegaram que não tem como efetuar essa multa porque não tem forma de comprovar a distância. Dá pra acreditar?

  11. sara disse:

    e se a gente fizesse essa “Bicicletada ‘By The Book” no meio da semana que vem? tipo 4ª feira?
    ainda dá tempo de divulgar nessa massa de 6a.

  12. sarapoa disse:

    qualquer dia!
    acho melhor não ser sexta pra TENTAR não vincular à massa.

  13. Pingback: Colcha de Retalhos | Vá de Bici | iComentários

  14. Pingback: Novos Experimentos, Novas Bicicletadas | Vá de Bici

  15. pedrolunaris disse:

    Ia escrever uma resposta aqui, mas vou gerar um post novo porque acredito que essa discussão, de tão interessante, pode ter uma nova visibilidade e ser ampliada. Aqui está: https://vadebici.wordpress.com/2011/12/16/novos-experimentos-novas-bicicletadas/

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